Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

IV Semana do Tempo Comum - Ano “C” (Ímpar) - 4ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Santos do Dia: Adelino de Dinant (abade), Anatólio de Salins (bispo), Brás de Sebaste (Mártir, Armênia), Berlinda de Meerbeke (monge, bispo), Celerino de Cartago (mártir), Celsa e Nona (virgens de Brabant), Claudina Trevenet (religiosa), Deodato de Lagny (monge), Elinando de Froidmont (monge), Félix, Sinfônio, Hipólito e Companheiros (mártires da África), Filipe de Viena (bispo), Francisco Blanco e Companheiros (Mártires de Nagasaki), Ia de Cornwall (virgem, mártir), Laurentino, Inácio e Celerina (mártires da África), Lourenço de Spoleto (bispo), Lourenço de Cantuária (monge, bispo), Lupicínio e Félix (bispo), Margarida da Inglaterra (virgem), Olivério de Portonuovo (monge), Teodoro de Marselha (bispo), Tígrides e Remédio (bispos de Gap), Werburga de Chester (virgem), Werburga de Mercia (mãe de família, depois monja), Ana Maria Rivier (religiosa, bem-aventurada), Estêvão Bellesini (agostiniano, mártir, bem-aventurado), João Nelson (jesuíta, mártir, bem-aventurado), João Zakoly (bispo, bem-aventurado), Joaquim de Sena (religioso, bem-aventurado), Mateus de Girgenti (bispo, bem-aventurado), Nicolau Saggio de Longordi (religioso, bem-aventurado), Odorico Mattiuzzi (franciscano, bem-aventurado), Pedro de Rufia, Antonio Pavoni, Bartolomé Cerveri (presbíteros, mártires, bem-aventurados), Simão Fidati (agostiniano, bem-aventurado)

 

Antífona: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105, 47)

 

Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 24, 2.9-17)
Fui eu quem pecou, logo tenho a culpa

 

Naqueles dias, 2disse o rei Davi a Joab e aos chefes do seu exército que estavam com ele: "Percorre todas as tribos de Israel, desde até Bersabéia, e faze o recenseamento do povo, de maneira que eu saiba o seu número". 9Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens.

 

10Mas, depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: "Cometi um grande pecado, ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato". 11Pela manhã, quando Davi se levantou, a palavra do Senhor tinha sido dirigida ao profeta Gad, vidente de Davi, nestes termos: 12"Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: dou-te a escolher três coisas: escolhe aquela que queres que eu te envie".

 

13Gad foi ter com Davi e referiu-lhe estas palavras, dizendo: "Que preferes: três anos de fome na tua terra, três meses de derrotas diante dos inimigos que te perseguem, ou três dias de peste no país? Reflete, pois e vê o que devo responder a quem me enviou". 14Davi respondeu a Gad: "Estou em grande angústia. É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!" 15E Davi escolheu a peste. Era o tempo da colheita do trigo. O Senhor mandou, então, a peste a Israel, desde aquela manhã até ao dia fixado, de modo que morreram setenta mil homens da população, desde até Bersabéia.

 

16Quando o anjo estendeu a mão para exterminar Jerusalém, o Senhor arrependeu-se desse mal e disse ao anjo que exterminava o povo: "Basta! Retira agora a tua mão!" O anjo estava junto à eira de Areúna, o jebuseu. 17Quando Davi viu o anjo que afligia o povo, disse ao Senhor: "Fui eu que pequei, eu é que tenho a culpa. Mas estes, que são como ovelhas, que fizeram? Peço-te que a tua mão se volte contra mim e contra a minha família!". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Fui eu que pequei...

 

Além de enquadrar uma solidariedade - no mal como na expiação - entre o rei e seu povo (entre um responsável pela comunidade e os que lhe são confiados), o episódio do recenseamento mostra certa "secularização" do governo de Davi, ou seja, a tendência a gerir os negócios do reino segundo os costumes dos outros poderosos. Justamente isto é que lhe foi censurado: comportou-se como se tudo não estivesse nas mãos de Deus, senhor da vida e da morte, como se o registro do potencial humano e econômico lhe garantisse uma segurança demasiado humana, proporcionando-lhe uma sensação de êxito e poder. A ótica de Deus e de seu profeta é bem diversa: ainda que pareça um pouco fora do comum para nós, apresenta-se como a nova visão que perpassa os acontecimentos humanos e faz da história profana uma história sagrada: o Deus da aliança quer e deve ser o único.

 

A tentação de medir o progresso do reino de Deus sempre ronda nossas comunidades: ainda com demasiada frequência, avaliamos as coisas sob o aspecto quantitativo e visível. Quando fazemos estatísticas e levantamentos necessários, não podemos esquecer uma variável misteriosa, mas real, que pode mudar todos os valores dos nossos dados: a graça de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 31(32), 1-2.5.6.7 (+ cf 5c)

Perdoai-me, Senhor, meu pecado! (cf 5c)

 

Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!

 

Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: "Eu irei confessar meu pecado!" E perdoastes, Senhor, minha falta.

 

Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais.

 

Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.

 

Evangelho: Marcos  (Mc 6, 1-6)

Um profeta só não é estimado em sua pátria

 

Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: "De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?" E ficaram escandalizados por causa dele.

 

4Jesus lhes dizia: "Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares". 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos:

Mt 13, 53-58; Lc 4, 16-30: Na sinagoga de Nazaré

 

 

 

Comentário o Evangelho

Donde lhe vem isto?

 

O saber de Jesus deixava admirados os seus conterrâneos. Especialmente quem convivera com ele, durante o longo período de vida escondida em Nazaré, perguntava-se pela origem de tanta sabedoria. Não havia explicação plausível, em se considerando sua origem familiar. Seus pais eram pessoas simples, desprovidas de recursos para oferecer-lhe uma formação esmerada, que o tornasse superior aos mestres conhecidos. Sua pregação, na sinagoga, não dava margem para dúvidas. Ele possuía, de fato, uma ciência elevada, desconhecida até então.

 

Diante desta incógnita, os conterrâneos de Jesus deixaram-se levar pelo preconceito: não é possível que o filho de um carpinteiro, pobre e bem conhecido de todos, possua uma tal sabedoria!

 

Sem dúvida, este preconceito escondia outro elemento muito mais sério. Quiçá desconfiassem que a sabedoria de Jesus fosse de origem espúria, por exemplo, obra do demônio. Em outras palavras: aquilo não parecia ser coisa de Deus.

 

A decisão de desprezá-lo e não lhe dar ouvidos decorre destas explicações. Era perigoso enveredar por um caminho contrário à fé tradicional, desviando-se de Deus.

 

A incredulidade de sua gente deixava Jesus admirado, a ponto de decidir realizar, em Nazaré, poucos milagres. Seu povo perdia, assim, uma grande oportunidade de conhecê-lo melhor, e descobrir, de maneira acertada, a origem de seu saber. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998]

 

Para sua reflexão: Jesus A Igreja Católica nos ensina sobre a virgindade de Maria; a menção de irmãos e irmãs de Jesus, para nós fica um tanto sem sentido, evidentemente. Ora, nem no versículo 3 desta passagem, nem em Mc 3, 31-35, onde há também uma citação do evangelista Marcos sobre os irmãos do Mestre, fazem qualquer menção sobre a virgindade de Maria ou sobre a existência de qualquer irmão de Jesus Cristo. Na verdade o termo “irmãos e irmãs” pode referir-se aos primos ou outros membros da família de Jesus. Por outro lado as pessoas de Nazaré sempre ficavam divididas com a presença de Jesus: ora admiradas, ora temerosas. De fato Jesus fica impressionado pela falta de fé deles. Observe que a presença de Jesus só será eficiente em nosso meio com o pressuposto fundamental da fé; sem ela não há futuro! Aliás a fé toma uma dimensão muito maior em nossas vidas: as boas coisas só acontecem quando focadas na crença de que tudo vai dar certo. Jesus sempre será a razão do nosso sucesso, não necessariamente segundo a nossa vontade mas de acordo com a vontade do Pai. Entender esse fato já é um bom início na nossa caminhada, em busca da salvação, que é o nosso objetivo maior. timoneiro!

 

 

 

São Brás: o protetor da garganta

O santo de hoje nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado. Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico. Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava retirar-se. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência. Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois ele cuidava da pessoa na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho. São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar o imperador, sabia da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que São Brás fez de sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local. São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado. Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança. Peçamos a intercessão do santo de hoje para que a nossa mente, a nossa garganta, o nosso coração, nossa vocação e a nossa profissão possam comunicar esse Deus que é amor. [http://www.npdbrasil.com.br]

 

Frágil é a teia da aranha, assim é a vida do ser humano. (Santo Antônio  de Pádua)

 

 

O fator decisivo para vencer o maior obstáculo é, invariavelmente, ultrapassar o obstáculo anterior. (Henry Ford)