Quarta-feira, 2 de junho de 2010

Nona Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: São Marcelino e São Pedro (mártires), Memória Facultativa.

 

Santos: Cecílio (248, mártir), Pergentino e Laurentino (251, mártires), Luciliano (273, mártir), Clotilde (545, viúva), Carlos Lwanga (1886, padroeiro celeste da juventude africana, mártir) e companheiros, Olívia, Lifardo e Urbício (Séc. VI, abade), Quevino (618, abade de Glendaloough), Genésio (660, bispo de Clermont),  Isaac (852, mártir, monge em Córdova), Davino (cristão armênio), Morando (1115, monge beneditino de Cluny, de origem germânica), André de Spello (1254, beato), João "Pecador" (1600), Mkasa (mártir de Uganda)

 

Antífona: Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vovo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)

 

Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: 2ª Carta de S. Paulo a Timóteo (2Tm 1, 1-3.6-12)

Reavivar a chama do dom de Deus

 

1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados, quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus.

 

9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. 10Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do evangelho, 11do qual fui constituído anunciador, apóstolo e mestre. 12Esta é a causa pela qual estou sofrendo, mas não me envergonho, porque sei em quem coloquei a minha fé. E tenho a certeza de que ele é capaz de guardar aquilo que me foi confiado até o grande dia. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus

que recebeste pela imposição das minhas mãos

 

Sentimos como dirigido a nós o testamento espiritual de Paulo: é um brado de luta. Cumpre ser fiéis a Jesus, sem temor! A “vida em Cristo” entrou no mundo (versículos 1.10; 2,11) e os cristãos têm por missão anunciá-la e difundi-la. Para isto nos foi dado não “um Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria.” Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante de opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis. [Missal Cotidiano, Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 122 (123), 1-2a. 2bcd (R/.1a)

Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos

 

Eu levanto os meus olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos nas mãos do seu senhor.

 

Como os olhos das escravas estão fitos nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos, no Senhor, até de nós ter piedade.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 18-27)

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!

 

Naquele tempo, 18vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição, e lhe propuseram este caso: 19Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos, o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Por que os sete se casaram com ela!" 24Jesus respondeu: "Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: 'eu sou o Deus de Abraão, o Deus de lsaac e o Deus de Jacó'? 27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Uma grosseria teológica

 

A pergunta que os saduceus fizeram a Jesus revelou uma grosseria teológica. Por não aceitarem a ressurreição, imaginaram poder confundi-lo com um casuísmo sem fundamento. Assim é que se deve entender a história da mulher que se casou, sucessivamente, com sete irmãos, e, por fim, ela própria morreu. De qual dos sete irmãos seria esposa na ressurreição?


Jesus questionou a teologia subjacente à problemática assim apresentada. Ela supõe que Deus seja tão sem criatividade, a ponto de dever repetir, na vida eterna, o mesmo esquema da vida terrena, devendo resolver as aporias pendentes da presente vida.


Esta imagem de Deus foi posta sob suspeita. Por seu poder divino, a experiência da ressurreição consiste numa nova criação, cuja perfeição deve ser entendida a partir de novos parâmetros. As relações interpessoais não serão uma cópia do modo de vida terreno. Simbolicamente, Jesus afirma que os seres humanos ressuscitados "serão como anjos no céu", sem estarem sujeitos à contingência da morte, sem necessidade de reproduzir-se e assegurar descendência.


A dificuldade de os saduceus aceitarem a ressurreição dependia do esquema teológico que eles tinham. Por isso, incorriam em erro. O Deus de Jesus, no entanto, é bem diferente!
[Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Os saduceus são um grupo político e religioso formado pelas classes dominantes. Eram amigos da cultura helenista e colaboradores do Império Romano; rejeitavam a tradição oral, a fé na ressurreição e a existência dos anjos. (At 23,8); só aceitavam como normativos os cinco livros da Torá. Os saduceus, inspirados na lei do levirato (Dt 25, 5-10), procuram ridicularizar a crença na ressurreição dos mortos. Jesus lhes responde acusando-os de não entenderem a Escritura, pois se orientam mais por seus próprios interesses do que pelos de Deus. Jesus interpreta a ressurreição, não como uma continuação da vida mortal (tese farisaica), mas como um estado de vida em plenitude junto com Deus. A controvérsia termina com uma profissão de fé sobre a vida, que recorda Ex 3, 6.15 e prefigura o triunfo de Jesus sobre a morte. Optar pelo Deus da Vida e pela vida do povo é um imperativo cristão. (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

São Marcelino e São Pedro

São Marcelino era sacerdote e São Pedro havia recebido a ordem menor do exorcismado. Durante a perseguição de Diocleciano foram ambos decapitados e tiveram a honra de ter seus nomes inscritos no Cânon tradicional da Santa Missa. Eles deveriam desaparecer da história, pois iam ser decapitados numa mata, a fim de serem esquecidos para sempre. Mas por uma ironia da Providência, os nomes de ambos estão inseridos até hoje na Prece Eucarística Romana, que é a primeira das Orações Eucarísticas do nosso Missal. Assim, se perpetuaram por todos esses dezessete séculos e irão até o fim da História. Foram vítimas da perseguição aos cristãos, no ano de 304. Duas piedosas mulheres exumaram os cadáveres e lhes deram correta sepultura na catacumba de São Tibúrcio, sobre a Via Lavicana. O imperador Constantino mandou edificar uma Igreja sobre a tumba dos mártires e, no ano 827, o Papa Gregório IV doou os restos mortais destes Santos a Eginhard, homem de confiança de Carlomagno, para que as relíquias fossem veneradas. Finalmente, os corpos dos mártires descansaram no Mosteiro de Selingestadt, a uns 22 km de Frankfurt. Durante esse traslado, contam alguns relatos, ocorreram numerosos milagres.

 

Não conhecer o amor é não conhecer a vida. (Machado de Assis)