Domingo, 31 de outubro de 2010

31º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Nacional da Juventude

 

Santos: Afonso de Palma, Antônio de Milão, Foilano (séc. VII, Bélgica), Afonso Rodrigues (1531, Palma de Maiorca, Ilhas Baleares), Volgang (994, monge beneditino), Quintino (séc. III, Roma), Bem-Aventurado Cristóvão (1271, franciscano).

 

Antífona: Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vende em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37, 22-23)

 

Oração: Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Sabedoria (Sb 11, 22-12,2)
Corriges com carinho os que caem e os repreendes

 

22Senhor, o mundo inteiro, diante de ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra. 23Entretanto, de todos tens compaixão, porque tudo podes. Fecha os olhos aos pecados dos homens, para que se arre­pendam. 24Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. 25Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesses que­rido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada?  26A to­dos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. 12,1O teu espírito incorruptível está em todas as coisas! 2É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor.  Palavra do Senhor!

 

 

Salmo Responsorial: 144 (145), 1-2.8-9.10-11.13cd-14 (R/.cf.1)
Bendirei eternamente vosso nome; para sempre, ó Senhor, o louvarei!

 

1O meu Deus, quer exaltar-vos, ó meu rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. 2Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre.

 

8Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, e compaixão. 9O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

10Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! 11Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

13cO Senhor é amor fiel em sua pa­lavra, 13dé santidade em toda obra que ele faz. 14Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

 

 

II Leitura: Paulo aos Tessalonicenses (2Ts 1, 11-2,2)
O nome de nosso senhor Jesus Cristo será glorificado em vós

 

Irmãos, 11 não cessamos de rezar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. 12Assim o no­me de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

 

2,1No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação, ou car­ta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 19, 1-10)
O filho do homem veio procurar e salvação o que estava perdido

 

Naquele tempo, 1Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: "Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa". 6Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: "Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!" 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: "Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais". 9Jesus lhe disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Palavra da Salvação!

 

 

A revolução no coração do homem

 

A primeira leitura descreve o amor de Deus por suas criaturas. "Tens compaixão de todos, porque és todo-poderoso; e te esqueces dos pecados dos homens para que se convertam. Porque amas todos os seres, não desprezas nada do que criaste".

 

No evangelho Jesus atualiza as palavras proféticas da Sabedoria, comunica o amor gratuito de Deus ao pecador Zaqueu. E este se converte, abre o coração e as mãos.

 

O encontro com Cristo abre o coração e as mãos

 

O gesto exterior de dar, como todo gesto humano, é, por si, ambíguo. A oferta de um homem fechado em si mesmo, que se projeta na afirmação de si, é egoísmo camuflado. A beneficência  muitas  vezes  pode  ser  um  modo  de  ocultar a exploração, ou um meio para continuá-la. No entanto o gesto de Zaqueu, que restitui o quádruplo aos que havia defraudado e dá a metade de seus bens ''aos pobres'', nasce de ''conversão'' interior, de mudança de vida, provocada pelo encontro com Jesus.

 

Encontrando o Amor, descobrindo que é amado, torna-se alguém capaz de encontrar os outros. Capaz de olhá-los com olhos diferentes, não mais como objetos para seu gozo, mas como pessoas a quem amar. E isto porque, finalmente, conseguiu olhar-se a si mesmo e a sua vida com os olhos daquele para o qual havia sido injusto. Então, também o dinheiro muda de direção; o gesto de extorquir é substituído pelo de dar, livre e gratuitamente. E assim o dinheiro se transforma de objeto de posse em sinal de comunhão.

 

Cristo evangeliza a todos

 

Cristo, tornando-se hóspede de Zaqueu, esclarece essa transformação e a interpreta no sentido de graça e de libertação: "Hoje entrou a salvação nesta casa”.

 

Cristo é verdadeiramente o evangelizador de todos, pobres e ricos. Sua preferência é pelos pobres, os últimos: "Fui enviado a anunciar aos pobres uma alegre mensagem" (Lc 4,18).

 

A evangelização dos ricos exploradores inclui a denúncia corajosa de sua situação e o apelo a uma conversão efetiva. Os ricos também podem tornar-se cidadãos do reino, com a condição de procederem como Zaqueu.

 

Uma revolução não violenta

 

Hoje, porem, apresenta-se um problema grave, particularmente agudo em certas zonas: que fazer quando o rico não age como Zaqueu, não se converte, quando a falta de amor de alguns cai sobre muitos sob a forma de fome, subdesenvolvimento, opressão?

 

Será possível amar ao mesmo tempo a vítima e o carrasco? O amor dos pobres não impõe a eliminação violenta dos exploradores? "Ora, os que, por amor dos pobres, eliminam violentamente, estarão seguros de não agir depois por uma agressividade destrutiva? Uma vez eliminados com violência os pecadores, surgirá ”automaticamente" aquela geração de santos que saibam amar?

 

A experiência histórica e a razão dizem que não. O homem novo, o homem capaz de amar ainda será o resultado de uma 'conversão interior'".

 

Esse pecado será tanto mais verdadeiro e radical quanto mais surgir em quem pecou o desgosto por aquilo que fez, simultaneamente com a visão das graves consequências de suas más ações.

 

O evangelho não nos dá normas sobre "como fazer justiça". Isso não quer dizer que o cristão deva acomodar-se, aceitando as situações e a sociedade tal como é Paulo VI admoesta: "A situação presente deve ser enfrentada corajosamente, devem ser combatidas e vencidas as injustiças que ela comporta. O desenvolvimento exige transformações audazes, pro­fundamente inovadoras. Devem ser empreendidas, sem tardar, reformas urgentes. Que cada um tome generosamente sua parte

 

Em suma, o mandamento do amor exige uma ativa e radical transformação do mundo. Mas uma coisa é afirmar uma exigência revolucionária, outra é tomar o caminho que se exprime no recurso à violência. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]