Domingo, 31 de janeiro de 2010

IV Domingo do Tempo Comum - Ano “C”  (Ímpar) - 4ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Hoje: Dia Mundial do Hanseniano

 

Santos do Dia: Atanásio de Modon (bispo), Bobino de Troyes (monge, bispo), Ciro e João (mártires), Eusébio de São Galo (monge), Francisco Xavier Bianchi (barnabita), Geminiano de Módena (bispo), João de Angelus (monge), Júlio (presbítero) e Juliano (seu irmão, diácono de Novara), Marcela de Roma (viúva), Martinho de Córdova (mártir), Metrano de Alexandria (mártir), Nicetas de Novgorod (bispo), Saturnino, Tirso e Vitor (mártires de Alexandria), Tarcísio, Zótico, Ciríaco e Companheiros (mártires de Alexandria), Trifena de Císico (mãe de família, mártir), Ulfia de Amiens (virgem), Luísa Albertoni (viúva, bem-aventurada), Maria Cristina (rainha, bem-aventurada), Paula Gambara-Costa (mãe de família, bem-aventurada).

 

Antífona: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105, 47)

 

Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Jeremias (Jr 1, 4-5.17-19)

Deus chama quem ele quer para sua missão

 

Nos dias de Josias, rei de Judá, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5”Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações.

 

17Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles.

 

18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te", diz o Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 70(71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R/.cf.15ab)

Minha boca anunciará todos os dias

vossas graças incontáveis, ó Senhor!

 

Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

 

Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

 

Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo.

 

Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

 

 

II Leitura: Coríntios (1Cor 12, 31-13,13)

O amor de Deus é pura gratuidade

 

Irmãos: 31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. 13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. 3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

 

4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

 

8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. 9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

 

11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava co­mo criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.

 

13Atualmente, permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 21-30)

Jesus cumpre a missão de Deus

 

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21"Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir". 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: "Não é este o filho de José?"

 

23Jesus, porém, disse: "Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum".

 

24E acrescentou: "Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio".

 

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Palavra da Salvação!

 

 

Uma comunidade de profetas

 

Jeremias é chamado por Deus a ser profeta das nações (1ª leitura); Jesus se apresenta como o profeta que cumpre sua missão do modo como Deus o quis (evangelho); a Igreja é uma comunidade de profetas. Mas que quer dizer ser profeta?

 

O profeta, um "ser-contra" por amor

 

O profeta é a consciência crítica do povo, uma consciência crítica não tanto em nome da razão, quanto em nome da palavra de Deus. Por isso, o profeta é um "ser-contra" (1ª leitura); desmascara as astuciosas cumplicidades com o mal, onde quer que se encontrem; denuncia com firmeza os vícios do povo, a falsidade do culto, os abusos de poder, qualquer forma de idolatria e de injustiça, qualquer tentativa de "aprisionar" a Deus. A denúncia profética é "juízo de Deus" sobre a malícia humana e ao mesmo tempo comunicação da sua santa vontade. É sempre, pois, um convite à conversão do coração, pessoal e coletiva.

 

A denúncia profética é obra de amor, um amor apaixonado por Deus e pelos homens. O profeta é o defensor dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados; está sempre do seu lado; é a sua voz; a voz de quem não tem voz nem vez; é chamado a ser responsável por Deus diante dos homens e responsável pelos homens diante de Deus.

 

O profeta e; o homem da esperança. A denúncia do mal não o torna amargo; ele olha para a frente com confiança. Nos momentos mais duros da história do povo eleito (deportações, exílio, sofrimentos) as palavras do profeta são palavras de consolação e confiança. Denunciada a infidelidade do povo, o profeta anuncia a fidelidade de Deus, na qual se baseia firmemente a esperança.

 

O profeta é o homem da "aliança". É homem que viu a Deus; não, certamente, Deus em si mesmo. Deus nos ultrapassa sempre, é sempre o Deus "escondido". O profeta vê o que Deus faz, vê o seu plano de amor, faz uma leitura divina dos acontecimentos humanos.

 

Cristo profeta, e mais do que profeta

 

Os judeus viviam aparentemente uma história profana semelhante em tudo a história dos outros povos. Mas o profeta lê a história como um diálogo dramático entre Deus e o homem, e assim a transforma em uma história "sagrada”.

 

O profeta sempre lê o presente com um olhar retrospectivo (aliança do Sinai), e um olhar prospectivo (nova aliança). Sempre insatisfeito com o presente, faz a história caminhar e a impele para seu pleno acabamento: a aliança, a comunhão de amor da humanidade com Deus.

 

Mas ao chegar o momento, essa plenitude se manifesta de modo totalmente inesperado; a aliança é Jesus de Nazaré, o Homem-Deus. União mais perfeita do homem com Deus é impossível. Não só ele fala em nome de Deus, mas é Deus que fala nele. É revelação perfeita. Nele coincidem a profecia e o objeto da profecia. Por isso, Jesus é profeta e mais do que profeta (evangelho).

 

A Igreja, povo de profetas

 

Como Corpo de Cristo, a Igreja participa do carisma profético de sua Cabeça. Tem autoridade para ler os acontecimentos na fé, em relação a tudo que já se realizou definitivamente em Jesus Cristo, e ao que ainda deve realizar-se para que o Corpo atinja sua plena estatura. Descobre nos acontecimentos o terreno privilegiado em que o Deus de Jesus Cristo não cessa de chamar o homem para o encontro com ele, em vista da construção comum do Reino sobre o fundamento da pedra angular.

 

A Igreja é realmente comunidade profética enquanto é comunidade de amor gratuito e universal (como Paulo mostra na 2ª leitura). É uma novidade absoluta e inaudita. Denúncia concreta, feita com a vida e não com palavras, para uma sociedade que se constrói sobre o egoísmo, o arrivismo, a ambição, a negação prática de Deus. Mas é também uma profecia concreta daquilo que, no Intimo, todos os homens e toda comunidade humana desejam. Por isso, a esperança da comunhão não é uma ilusão. Mas, assim como o ser-contra por amor resultou em sofrimentos, perseguição e morte para Jeremias e para Cristo, essa é também a sorte da Igreja se, segundo sua vocação, for uma comunidade profética. Não há profecia sem sofrimento. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

 

Que nenhum hanseniano seja marginalizado

Arcebispo Zimowski

 

Educação, solidariedade e estratégias de luta: foi o que pediu o presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, Dom Zygmunt Zimowski, para debelar a hanseníase no mundo inteiro. Para isso, o prelado difundiu uma mensagem para o 57º Dia Mundial dos Doentes de Hanseníase, que será celebrado no próximo domingo. Ademais, o arcebispo lança um apelo a fim de que os hansenianos não sejam marginalizados. E a sua dignidade não seja esquecida.

 

O morbo de Hansen é uma doença 'antiga', mas não por isso "menos devastadora fisicamente e muitas vezes também moralmente", em todas as épocas e em todas as civilizações – escreve Dom Zimowski.

 

O prelado recorda que somente em 2009 foram registrados mais de 210 mil novos casos. A Índia é o país mais atingido, mas a hanseníase não poupa países como Brasil, Angola, Bangladesh, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Madagascar.

Dom Zimowski pede uma reflexão e solidariedade em favor de todos esses enfermos, a fim de que não sejam marginalizados da vida social, condenados à solidão e ao medo. Numa palavra: esquecidos.

 

"Quando se pronuncia a palavra lepra – escreve o prelado – suscitam-se sentimentos variados": incredulidade, repugnância, medo, mas também aquela piedade e aquele amor que "nascem da atitude atenta e misericordiosa de Jesus para com esses doentes".

 

O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde faz um apelo à comunidade internacional e aos Estados individualmente considerados a fim de que se desenvolvam e se reforcem "as necessárias estratégias de luta contra a hanseníase, tornando-as mais eficazes e capilares" e para que se prossigam as campanhas de educação e de sensibilização sobre a patologia.

 

Por fim, o arcebispo agradece aos missionários, religiosos, leigos, ONGs, e à Organização Mundial da Saúde, por seu compromisso na luta para "erradicar essa e outras doenças esquecidas" e por restituir aos doentes "dignidade, alegria e o orgulho de ser tratados como seres humanos". (Rádio Vaticano)