Domingo, 30 de maio de 2010

Nono Do Tempo Comum, Santíssima Trindade, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Geólogo e dia do Decorador

 

Santos: Joana D'Arc (virgem, mártir, França), Gavino (mártir), São Félix I (papa), Exuperâncio (bispode Ravena), Fernando, Fernando III de Castela, Batista Varani, Eleutério (Papa), Isaac de Constantinopla (abade), Madelgésilo (ou Malgésilo), Valstano, André (beato, bispo de Pistóia), Tiago Bertoni, Guilherme Scott (beato, mártir), Ricardo Newport (beato, mártir), Ferdinando "O Rei" (confessor franciscano, 3ª Ordem, Espanha).

 

Antífona: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho unigênito e bendito o Espírito Sato. Deus foi misericordioso para conosco.

 

Oração: Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra de verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: Provérbios (Pr 8, 22-31)
Antes da Terra a Sabedoria já tinha sido concebida

 

Assim fala a sabedoria de Deus: 22"O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; 23desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Fui gerada quando não existiam os abismos, quando não havia os mananciais das águas, 25antes que fossem estabelecidas as montanhas, antes das colinas fui gerada. 26Ele ainda não havia feito as terras e os campos, nem os primeiros vestígios de terra do mundo.

 

27Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, 28quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, 29quando fixava ao mar os seus limites - de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas - e lançava os fundamentos da terra, 30eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, 31brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 8, 4-5.6-7.8-9 (R/.2a)
Ó Senhor nosso Deus, como é grande

Vosso  nome por todo o universo!

 

Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista; vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos: "Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?"

 

Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes.

 

As ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.

 

 

II Leitura: Carta de Paulo aos Romanos  (Rm 5, 1-5 )
 A Deus, por Cristo, na caridade difundida pelo Espírito

 

Irmãos, 1justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 3E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, 4a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; 5e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: João (Jo 16, 12-15)
 Tudo o que o Pai possui é meu

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 12”Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. Palavra da Salvação!

 

Pesquisando na Bíblia sobre a Trindade

Cristo apresenta-se como Filho de Deus: há entre ambos um mútuo conhecimento (Mt 11,25-27; 21,33-41; Lc 2,49s; Jo 6,40-57; 8,12-59; 12,20-28; 17,4-26).  A vida cristã é apresentada por Paulo em referência a um Deus-Trindade (Rm 8,12-33; Cl 1,13-20; Ef 2,12-18; 4,1-6). O batismo, tanto em Cristo como em nós, tem uma dimensão trinitária (Rm 6,3-11; 1Cor 6,11; Tt 3,1-7; Mt 3,13-17). A atividade cristã tem origem na vida trinitária (1Cor 12,4-6; Gl 4,4-6; Rm 5,1-5).  Fórmulas trinitárias (Mt 28,19; 2Cor 1,21s; 13,12s; 2Ts 2,13; 1Pd 1,2).

 

 

Deus sempre se dá a conhecer aos homens

 

Quando ouvimos falar de alguém como de grande personalidade, temos desejo de conhecê-lo.

 

A lesta da Santíssima Trindade desperta em nós este desejo e a ele responde, porque Deus dá sempre o primeiro passo em direção a nós. Neste ano, é acentuado particularmente o fato de que Deus se manifesta, se revela, se nos dá a conhecer e nos oferece um conhecimento "pessoal", quer um face a face com cada um de nós, para que nos abramos todos ao grande face a face de Deus.

 

A "Sabedoria" de Deus é alegria de amar os homens

 

A página sobre a "Sabedoria de Deus" (1ª leitura) fala do Filho, "Palavra viva de Deus". É a Sabedoria que fala, mas é a Sabedoria de Deus, o "Verbo", que manifesta o seu papel não só no tempo e no espaço do universo, mas nos faz entrever um além infinitamente mais vasto, um antes, no qual tudo realmente encontra sua razão de ser e sua concreta origem. Esta revelação nos faz conhecer que Deus, na sua eternidade, pensou sempre no universo, e particularmente, com infinita predileção, nos homens.

 

E assim, enquanto Deus se revela a si mesmo, revela-nos também a nós. Faz-nos saber que os homens são uma obra verdadeiramente sábia, verdadeiramente amável; que neles, ao pensá-los e ao criá-los, aplicou toda a sua sabedoria, todo o seu amor. Assim nos é revelado que tudo tem um significado segundo Deus. "Tudo foi criado em Cristo, por meio de Cristo, em vista de Cristo. Portanto, todo aspecto de verdade, beleza, bondade, dinamismo, que se encontra nas coisas e em todo o universo, nas instituições humanas, nas ciências, nas artes, em todas as realidades terrenas e particularmente no homem e na história, tudo isto é sinal e caminho para anunciar o mistério do Cristo. Talvez se tenha perdido hoje a capacidade de reconhecer Deus na natureza; ciência e técnica parecem explicar tudo e resolver tudo; não nos lembramos de que a própria ciência e a técnica só se tornaram possíveis por dom de Deus. O Concílio lembrou a necessidade de desenvolver as faculdades  de admiração e de contemplação e de cultivar o senso religioso.” É este senso religioso da natureza que cantamos no salmo responsorial

 

O Pai se revela e se comunica por meio do Cristo no Espírito

 

As breves linhas de são Paulo (2ª leitura) são extraídas de contexto mais amplo, que resume o que o Apóstolo escreveu antes e introduz ao que escreverá depois. Não só os romanos de então, entre injustiças sociais e perseguições religiosas, mas os homens todos têm sempre, antes de tudo, necessidade de esperança. Essa esperança, os homens a têm concretizada no Cristo. Deus os ~ no seu Filho; nele realizou essa obra de libertação, de restauração, de "retificação", que nós chamamos "redenção". É fato consumado; não se tem mais o que esperar, porque já realizado e capaz de influir sobre todo o futuro; dele são sinal e fruto a paz, a fé, a graça. Tudo isso, por sua vez, produz uma esperança nova, e é a esperança da libertação total e definitiva. Esperança certa, da qual Deus nos deu a garantia, e essa garantia é o amor que foi derramado nos nossos corações por obra do Espírito de Deus.

 

O dinamismo desta revelação de Deus está no seguinte: na obra da salvação estão empenhadas as três pessoas divinas, com aspectos e modalidades pessoais distintos. Pai, Filho e Espírito Santo se revelam precisamente fazendo-nos conhecer o que cada um faz por nós.

 

“O Espírito de Amor vos revelará todas as coisas”

 

Os apóstolos ficaram tristes; Jesus está para deixá-los. Estão mais impressionados com isso do que com as coisas maravilhosas que lhes disse na última ceia; estão mais preocupados com o fato de que ele os "deixa", do que com o motivo e o "sentido" que há neste "deixá-los". Jesus explica o significado profundo de sua partida; é mais uma transformação do que uma separação, mais uma manifestação do que um ocultar-se. Jesus que "vai" e Jesus que envia", da parte do Pai, o Espírito. E o Espírito é a perene manifestação de Jesus, do Filho de Deus feito Filho do homem para salvar os homens. O Espírito testemunhará com sua luz e sua força de amor que Cristo está sempre presente e operante, que Cristo sempre comunica o Espírito, porque o Espírito faz conhecer que a obra de Cristo é obra de amor; amor dele que se ofereceu, amor do Pai que o deu.

 

A Trindade se manifesta de modo máximo na comunicação do Espírito de amor aos homens, para que os homens, amando-se como Cristo os amou, amem a Deus e entrem em intimidade com a divina Comunidade de amor. [Missal Dominical ©Paulus, 1995]

 

Ainda sobre a Santíssima Trindade

 

“Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer”

 

Na mensagem de Jesus nem tudo é explícito. Ela é como uma semente. Está cheia de potencialidades, muitas vezes, insuspeitadas. Vendo-se a semente não se adverte da grandiosidade da árvore contida germinalmente nela. Cabe ao Espírito conduzir os discípulos na descoberta das riquezas da prática de Jesus e do seu evangelho. Ele toma do que é de Jesus e abre os horizontes de sua compreensão que poderá vir séculos após.

 

Demos apenas um exemplo. Jesus fala no evangelho: eu e o Pai somos uma coisa só; noutro lugar se diz que uma energia saía de Jesus que até o surpreendia e que curava as pessoas, como a mulher do fluxo de sangue. A comunidade dos discípulos, especialmente nos séculos III e IV, compreendeu claramente que aqui se tratava da SS. Trindade. Na figura de Jesus se encontra revelado esse mistério frontal do cristianismo. Ele se dirige sempre a Deus como a seu pai. Quem diz Pai se sente Filho. Essa é a consciência de Jesus. Da vida, da palavra e da prática de Jesus se irradia uma força que transforma as pessoas. Era a presença do Espírito nele. Só depois de muita reflexão e discussão os cristãos conseguiram formular corretamente o mistério da SS. Trindade: três Pessoas divinas, distintas, mas unidas pelo amor e pela interpenetração de umas com as outras a ponto de se unificarem e ficar um só Deus-comunhão e um só Deus-amor. Eis a obra do Espírito: tomar do que é de Jesus e dá-lo a conhecer em seus desdobramentos ainda abertos para o futuro.

 

Oh Espírito de luz e de todo o conhecimento: abra-nos a mente para as profundidades do mistério da comunhão divina. Mas infunde-nos principalmente o amor que nos une ao que compreendemos para podermos também participar da comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém. [Bíblia Sagrada em CD-ROM,  Vozes, 1996].