Domingo, 29 de maio de 2011

6º da Páscoa e 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia do Geógrafo  e dia do Estatístico

 

Santos: Indíginas de Panzós, Maximino (bispo ortodoxo de Tréveris), Cirilo de Cesaréia; Sisínio, Martírio e Alexandre (mártires), Maria Madalena de Pazzi (virgem carmelita de Florença, memória facultativa), Teodósia (Virgem e mártir);  Guilherme, Estêvão, Raimundo, (mártires); Pedro Petroni, Ricardo Thirkeld (mártir), Stephen e Raymond de Narbonne (mártires franciscanos da 1ª Ordem).

 

Antífona: Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)

 

Oração: Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 8, 5-8.14-17)
Impuseram-lhes as mãos e eles receberam o Espírito Santo

 

Naqueles dias, 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados.

 

8Era grande a alegria naquela cidade. 14Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João. 15Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. 16Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. 17Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Evangelizar é fazer o que Jesus fez


A morte de Estêvão foi o estopim para que em Jerusalém explodisse a perseguição contra os cristãos de cultura grega, à frente dos quais estava o próprio Estêvão. Por causa dela, os fiéis se dispersaram. Lucas vê nesse fato a chance providencial que a comunidade tem de levar o anúncio da palavra de Deus aos que ainda não a conhecem. Se em Jerusalém o anúncio provocou perseguição, na Samaria suscitará contentamento. Temos aqui uma das grandes forças da palavra de Deus: a capacidade de confraternizar povos inimigos (compare com Lc 9,51ss). De fato, judeus e samaritanos detestavam-se mutuamente. Agora, a Samaria acolhe o anúncio da Palavra, feito por intermédio de Filipe, um dos sete ministros (8,5; cf. 6,5).


Filipe é apresentado como modelo de evangelizador que sai de Jerusalém para levar o testemunho a todos (cf. 1,8). Fica, assim, caracterizado o tipo da comunidade evangelizadora: a que não põe fronteiras ao trabalho pastoral. A missão do evangelizador é prolongamento do que Jesus disse e fez. Consta de anúncio e de fatos. Filipe anuncia o Cristo (v. 5) e realiza milagres (v. 6). As duas atividades estão unidas entre si. Anunciar o Cristo é já mostrá-lo presente na ação concreta. Por isso, a pregação de Filipe é acompanhada pela expulsão dos espíritos maus e pela cura de paralíticos e aleijados (como fez o próprio Jesus). Em outras palavras, anunciar o Cristo é eliminar tudo o que aliena e despersonaliza o ser humano (demônios), dando às pessoas condições para que assumam responsavelmente a própria caminhada (cura dos paralíticos e aleijados). O clima que esses acontecimentos suscita é o da alegria messiânica (cf. 2,46; Lc 2,10), que contagia a quantos aceitam Jesus como o Libertador e Senhor de suas vidas (v. 8).


A Igreja de Jerusalém toma conhecimento do que a palavra de Deus realizou na Samaria. E envia para lá Pedro e João (v. 14). Sua tarefa é completar a evangelização mediante a oração e a imposição das mãos. Os samaritanos recebem o Espírito Santo. No plano de Lucas, realiza-se o Pentecostes dos pagãos (os samaritanos eram considerados pagãos pelos judeus). O Espírito vai conduzindo a evangelização, fazendo que muitos povos se integrem ao único povo messiânico. O Espírito não é propriedade dos apóstolos. Estes, sim, são servos do Espírito, pois ele os conduz e impulsiona. Assim, de acordo com At 1,8, os discípulos de Jesus se tornam testemunhas na Judéia (Jerusalém), na Samaria e até nos confins do mundo (o resto do livro dos Atos), pois o Espírito da Verdade (cf. evangelho) é o dinamismo da comunidade cristã missionária. [Vida Pastoral nº 253, Paulus, 2007]

 

 

Salmo 65 (66), 1-3a.4-5.6-7a.16 e 20  (R/. 1)
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,

cantai salmos a seu nome glorioso!

 

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação! Dizei a Deus: "Como são grandes vossas obras!

 

Toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor de vosso nome!" Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios estupendos entre os homens!

 

O mar ele mudou em terra firme, e passaram pelo rio a pé enxuto. Exultemos de alegria no Senhor! Ele domina para sempre com poder!

 

Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor!

 

 

II Leitura: I Carta de Pedro (1Pd 3, 15-18)
Sofreu a morte na sua existência humana

 

Caríssimos: 15Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. 16Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. 17Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. 18Com efeito, também Cristo morreu, unia vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

O sofrimento por causa da justiça


Os vv. 13-14, apesar de não constarem no texto lido hoje, ajudam na compreensão do contexto. 'Quem lhes fará mal, se vocês se esforçam em fazer o bem? Se sofrem por causa da justiça, felizes de vocês! Não tenham medo deles, nem fiquem assustados'. Pedro escreve a cristãos que sofrem (cf. II leitura do domingo passado). Os sofrimentos daquelas comunidades da Ásia Menor tinham duas causas: em primeiro lugar, a situação social em que viviam – eram migrantes, trabalhadores, escravos; em segundo lugar, a luta que sustentavam – queriam que fosse feita justiça, que seus direitos e dignidade fossem reconhecidos. Por causa disso eram vistos como subversivos.


Pedro lhes diz que, se sofrem por causa da justiça, são felizes (v. 14). É a concretização da bem-aventurança anunciada por Jesus (cf. Mt 5,10). Não são bem-aventurados pelo sofrimento em si. O sofrimento não faz ninguém feliz! São bem-aventurados por causa da motivação profunda que anima sua luta: a justiça que visa criar o reino de Deus, o projeto de Deus.


Pedro anima as comunidades, dizendo-lhes que não devem ter medo dos que as consideram subversivas e arrastam seus membros aos tribunais. Pelo contrário, devem 'santificar em seus corações o Senhor Jesus Cristo', ou seja, reconhecer de coração (plena e absolutamente) que o único Senhor é Jesus! Essa motivação deve estar sempre presente e animar todas as esperanças e anseios das pessoas (v. 15).


Bons modos, respeito e consciência limpa são os instrumentos para a conquista da justiça (v. 16a), resposta que desarma a grosseria, a violência e a corrupção dos que fomentam a injustiça. Temos aqui o ideal da não-violência ativa (cf. Mt 5,38-40), capaz de fazer ruir a sociedade injusta (v. 16b).


A norma de comportamento cristão é a prática de Jesus (v. 18). O justo morreu pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus. Contudo, a morte de Jesus não quer dizer que a injustiça tenha vencido. Pelo contrário, da morte nasceu a vida nova do Espírito Santo. Esse mesmo Espírito é que age agora nos fiéis, levando-os à prática de Jesus. Fazendo o que ele fez, os cristãos oferecem sua colaboração indispensável na construção do reino de Deus. Esse reino é o ideal proposto por Deus, que coincide com os profundos anseios da humanidade sedenta de justiça, liberdade e dignidade reconhecida.


O v. 17 não pretende atribuir a Deus a vontade de fazer sofrer as pessoas. De fato, ele não sente prazer no sofrimento humano. O próprio Jesus o demonstrou. O sofrimento diminui o ser de Deus presente nas pessoas. Contudo, o projeto de Deus sabe valorizar o sofrimento. Do sofrimento nasce o desejo de liberdade e vida. E Deus o transforma em energia que supera as injustiças que o provocam. [Vida Pastoral nº 253, Paulus, 2007]

 

 

Evangelho: João (Jo 14, 15-21)
Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro defensor

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15"Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.

 

18Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vos. 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele. Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

O Espírito da Verdade anima e sustenta a caminhada da comunidade


O trecho do evangelho de hoje faz parte do discurso de despedida (Jo 13-17). É o testamento que Jesus, antes de partir, deixa à sua comunidade. Os discípulos estão abalados diante do iminente desaparecimento de Jesus. Estão tristes porque o Mestre tinha dito que um deles o trairia e Pedro o negaria naquela mesma noite. Nosso texto apresenta dois temas importantes: o amor (vv. 15.21) e o Advogado, isto é, o Espírito Santo (vv. 16-20).

 

a. O amor a Jesus (vv. 15.21)


Jesus fala aos discípulos, mostrando que existe uma forma de superar o medo, a separação e a morte. Essa forma é o amor: 'Se vocês me amam, observarão os meus mandamentos' (v. 15). Tal afirmação pode parecer difícil para nós, pois se tem a impressão de que os mandamentos sejam uma espécie de freio ou limite à capacidade de amar. Quem ama não impõe! Contudo, é preciso compreender bem o que Jesus quer dizer quando fala de mandamentos. Pouco antes ele havia deixado à comunidade a regra de ouro, o segredo da felicidade: 'Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros' (13,34). Aí está a síntese dos mandamentos de Jesus. Vivendo no amor, a comunidade está amando a Jesus e observando seus mandamentos. Portanto, o critério para saber se os cristãos são de fato seguidores de Jesus é a capacidade de amor mútuo na comunidade e fora dela. O amor não pode ser vivido em circuito fechado, egoisticamente, mas projetado para fora, da mesma forma como agiu Jesus, que veio trazer a vida em plenitude para todos.


Se no v. 15 Jesus falava à comunidade como um todo, no v. 21 ele demonstra que amar é um compromisso pessoal indispensável: 'Aquele que tem os meus mandamentos e os observa, esse me ama' (v. 21a). Amar é ação que prolonga a ação de Jesus em favor de todos. É dar a vida, consumida inteiramente pela causa de Jesus. O Pai, que manifestou sua bondade em Jesus, devotará ao discípulo o mesmo amor que revelou no Filho. E o discípulo será a epifania de Deus neste mundo: 'Quem me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele' (v. 21b). No Antigo Testamento, Deus se manifestava em sinais. Hoje, manifesta-se no cristão que ama Jesus.


b. O Espírito da Verdade, Advogado dos cristãos (vv. 16-20)


Jesus fala do Espírito Santo e o apresenta como 'um outro Advogado' (v. 16). Advogado é aquele que defende uma causa nos tribunais. Depois da morte e ressurreição de Jesus, a comunidade encontrou-se diante do mundo hostil que a persegue e mata seus membros. Quem sustentará a luta de Jesus que se prolonga agora na vida dos cristãos? O defensor é o Espírito Santo, que permanece para sempre na vida da comunidade. Ele é chamado de Espírito da Verdade, isto é, aquele que estará presente em todas as ações dos cristãos em defesa da liberdade e da vida, como fez Jesus. É o Espírito de Jesus. Jesus é a Verdade (14,6; cf. o evangelho do domingo passado). O Espírito da Verdade é a memória da fidelidade de Jesus na vida da comunidade cristã. Esta não caminha em direção ao vazio e à derrota, porque o caminho de Jesus leva à vida. E o Espírito é a ação do Senhor atualizada na caminhada da comunidade.


A exemplo do Mestre, os cristãos enfrentam o mundo hostil, o mundo da mentira, que se opõe ao Espírito da Verdade. Enfrentam-no para transformá-lo. E a força para isso vem do Espírito (Advogado), que abre novos caminhos para a prática de Jesus no meio dos cristãos (cf. I e II leituras). O evangelho de hoje afirma que 'o mundo' (a sociedade injusta) não vê o Espírito da Verdade nem o experimenta (v. 17a) porque, para ele, o projeto de Deus fracassou na morte de Jesus. 'O mundo' não percebe que o amor de Deus e da comunidade é mais forte que a morte. A comunidade cristã, que vive no amor, experimenta a força do Espírito de Jesus, doador da vida. Esse Espírito já está presente nela, permanecendo para sempre (v. 17b).


Jesus havia anunciado aos discípulos que iria partir para o Pai (13,33). Essa afirmação deixara nos discípulos a sensação do abandono total, como os órfãos, sem proteção nem defesa. Jesus garante à comunidade que não a deixará no abandono e na orfandade, mas estará presente nela (v. 18). O mundo não mais verá Jesus, pois a sociedade injusta que o matou pensa ter tido a vitória definitiva. Mas Jesus é Vida. Nele a comunidade viverá e o verá (v. 19). Por que o mundo não o verá mais, mas somente a comunidade? Porque ele se manifesta no amor e no Espírito que faz os cristãos reviverem a experiência de Jesus. Vivendo a experiência do Espírito, Jesus viverá nos cristãos.


O Espírito, que procede do Pai (15,26) e que Jesus comunica aos discípulos, leva os cristãos ao reconhecimento de que Jesus e o Pai são uma só coisa (10,30). Em comunhão com esse Espírito, também os cristãos são uma só coisa com Cristo.

 

Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus, 1995)

Por vossa Igreja, que é para os homens sinal de contradição; para que, na tranquilidade o na perseguição, na pobreza ou na disponibilidade econômica, saiba dar testemunho da esperança que está nela, nós vos suplicamos. Guardai-nos no vosso amor.

Para que vosso Espírito de verdade nunca deixe de suscitar, no meio da Igreja e da humanidade, profetas que obriguem a ver a distância e a perceber que está próximo o nascimento de um mundo renovado pela vossa Páscoa, nós vos suplicamos.

Pelos jovens que receberão na crisma o dom do Espírito; pelos catequistas que os preparam, por seus pais e por toda a nossa comunidade; para que o encontro com o bispo, sinal da unidade da diocese confirme nossa comunhão eclesial com ele e com as outras paróquias, nós vos suplicamos.

(outras intenções)

 

 

Prefácio da Páscoa IV:

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, mas, sobretudo neste tempo solene em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Vencendo a corrupção do pecado, realizou uma nova criação. E destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude. Unidos à multidão dos anjos e dos santos, transbordando de alegria pascal, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só voz...

 

Oração sobre as Oferendas:

Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Antífona da comunhão:

Se me amardes, guardareis meus mandamentos, diz o Senhor. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, que permaneça convosco para sempre, aleluia!

 

Oração Depois da Comunhão:

Deus eterno e todo-poderoso, que, pela ressurreição de Cristo, nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal, e infundi em nossos corações a força desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Jesus ressuscitado, testemunhado

pelos cristãos que se amam

 

Jesus promete o Espírito de verdade a quem observa seus mandamentos. Só quem faz o que agrada ao amigo pode dizer que está verdadeiramente em comunhão com ele. Como Cristo sempre fez o que agradava ao Pai, aceitando sem reservas o plano de salvação e executando-o com livre obediência, e assim se manifestou como o "filho bem-amado", também quem crê em Cristo entra na mesma corrente de amor, porque responde à escolha e à predileção do Pai. O Espírito de Cristo ilumina agora os que crêem para que continuem em sua vida a atitude filial de Cristo. Não no sentido de que todos os pormenores sejam codificados como mais importantes, mas no de que o amor filial escolha da maneira mais justa em todas as circunstâncias, com liberdade e fidelidade. Ainda não é cristão quem pratica os dez mandamentos, código elementar decomportamento moral e religioso, mas quem é fiel ao único mandamento do amor, até dar a vida em plena liberdade. Este amor faz passar da morte para a vida.

 

Os profetas do amor

 

Esse amor é também o melhor testemunho da novidade de vida trazida por Cristo, porque é de outra ordem: não só o respeito da alteridade e da liberdade dos outros, da sua dignidade de homens, mas o reconhecimento de uma fraternidade baseada na adoção filial. Esse amor "teologal" dá uma dimensão mais profunda ao esforço, comum aos não cristãos, de promoção e libertação do homem, de construção de um mundo justo e pacífico. Essa lúcida fidelidade ao homem, esse esforço incansável e desinteressado, é para o cristão uma participação do amor criador de Deus, da páscoa do Senhor. Assim, "santifica o Senhor Deus em seu coração" e responde a quem lhe pergunta a razão da sua esperança (2ª leitura), remetendo, para além de sua pessoa, Àquele que é a fonte do amor.

Vede como se amam

 

O amor dos cristãos dá testemunho do Cristo ressuscitado, de dois modos. Primeiramente, o amor dos cristãos entre si. "Vede como se amam diziam os pagãos sobre os primeiros cristãos. Hoje, os novos pagãos pós-cristãos poderão dizer o mesmo ao olhar-nos? Ou o nosso comportamento só levará a menosprezar e desconfiar do cristianismo e de sua insistência sobre o amor? Certamente, falamos demais de amor, dele fazendo quase um gênero literário; mas não o vivemos sinceramente entre nós, divididos como somos por preconceitos, sectarismos, guetos diversos. Em segundo lugar, o amor dos cristãos pelo mundo. Em cada época da história, a Igreja é chamada a dar uma contribuição específica. Nos séculos passados empenhou-se em salvaguardar e difundir a cultura, entregou-se às obras assistenciais em beneficio dos pobres e indigentes, fundou hospitais, cuidou da instrução do povo, criou os primeiros serviços sociais. Hoje tudo isso é em geral assumido pelo Estado, e a obra que a Igreja ofereceu durante séculos tende a terminar. O Estado deve preocupar-se com a difusão da cultura, com a instrução, a escola, a assistência e todo tipo de serviço social.

 

Liberada dessas tarefas, cabe agora à Igreja oferecer à humanidade sua contribuição original e única: o sentido e o valor construtivo do amor.

 

Que pede o mundo de hoje ao cristão?

 

A mais importante exigência a que devemos atualmente responder não está acaso em contribuir para suprimir as divisões entre os homens e lutar contra todos os ódios? Se a humanidade que não crê mais em Deus, se o homem racional e ateu está mais avançado em outros pontos, não estará talvez menos avançado neste?

 

O Estado assistencial poderá criar estruturas perfeitas. Mas de que servirão se os homens que as devem animar não forem movidos por um profundo amor pelo homem? Esta é a ação dos cristãos, engajados ao lado dos outros homens no esforço por criar um mundo novo, mais justo e com mais respeito pelo homem. Lembrar que o motor de todo verdadeiro progresso é o amor e só o amor. Sem amor o próprio progresso pode se voltar contra o homem e destruí-lo ou aliená-lo. Procura-se um amor que salve o homem todo: sua dignidade, sua liberdade, sua necessidade de Deus, seu destino ultra terreno. Um amor concreto, que se interesse pelos que estão perto e a quem se pode prestar algum auxílio. Um amor que vai até onde nenhum outro pode ir. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

 

Jesus afirma, como Deus, seu direito de ser amado e obedecido. Amar a Jesus é deixar-se guiar por suas palavras e inspirar-se em seu modo de vida. Este é um amor prático e efetivo, que no dia-a-dia de nossas vidas é demonstrado, através da superação dos limites da relação com Ele e que se amplia para atingir a toda a humanidade. Torna-se universal, sem excluir ninguém; privilegiando os pobres e os excluídos, que são vitimas da marginalização e do desamor. Permanecer em Cristo supõe um ato da vontade humana, porém, é indispensável a colaboração do Espírito Santo. Sem esta força divina, a(o) discípula(o) não se conserva fiel à sua entrega ao Ressuscitado (Ir. Sônia de Fátima M. Lunardelli, terciária capuchinha da Sagrada Família)