Domingo, 29 de março de 2009
Quinto da Quaresma, Ano B, 1ª Semana do Saltério (Volume II) cor Litúrgica Roxa
A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do
homem perverso e traidor libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro. (Sl 42, 1-2)
Santos do Dia: Armogastes, Máscula e Saturo (mártires da África), Bertoldo do Monte Carmelo (fundador dos carmelitas), Cirilo de Heliópolis (diácono, mártir), Marcos de Aretusa (bispo), Marcos de Atenas (eremita), Eustáquio de Luxeuil (abade), Firmino de Viviers (bispo), Jonas, Baraquísio e Companheiros (mártires da Pérsia), Ludolfo de Ratzeburg (bispo), Marcos de Arethusa (bispo, mártir), Pastor, Vitorino e Companheiros (mártires da Nicomédia), Roberto de Salzburgo (monge, bispo), Segundo de Asti (mártir)
Oração do Dia: Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo
1ª Leitura, Jeremias (Jr 31, 31-34)
Deus sela a reconciliação e sela nova aliança
31Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; 32não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor.
33"Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. 34Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: "Conhece o Senhor!"; todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado". Palavra do Senhor!
Salmo 50(51), 3-4.12-13.14-15 (R/.12a)
Criai em mim um coração que seja puro
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!
Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.
II leitura: Carta aos Hebreus (Hb 5, 7-9)
Jesus e o significado da obediência a Deus
7Cristo, nos dias de sua vida 'terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. Palavra do Senhor!
Evangelho,
João (Jo 12, 20-33)
Os gregos e Jesus
Naquele tempo, 20havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. 21Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: "Senhor, gostaríamos de ver Jesus".
22Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: "Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. 25Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conserva-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.
27Agora sinto-me angustiado. E que direi? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. 28Pai, glorifica o teu nome!".
Então, veio uma voz do céu: "Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!" 29A multidão que lá estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: "Foi um anjo que falou com ele".
30Jesus respondeu e disse: "Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. 31É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, 32e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim". 33Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer. Palavra da Salvação!
Queremos ver Jesus[1]
Deus não é um amigo fácil; muitas vezes o sentimos longe, inacessível, tão diferente desta carne, desta terra, da nossa vida. Às vezes, os homens pensam que podem fazer o mesmo com Deus.
Pela boca de Jeremias (1ª leitura), Deus garante ao homem sua presença; é o Deus próximo, o Deus-com-o-homem: "Porei minha lei em sua alma, escrevê-la-ei em seu coração. Então eu serei seu Deus e ele será meu povo".
Deus não é algo de impossível, encerrado em seu absolutismo; é "Alguém", e nós o conhecemos em Jesus.
Quem é este homem
O desejo de ver Jesus, expresso com tanta esperança pelo grupo dos gregos (evangelho), traduz uma aspiração que percorre os séculos. Sua figura domina o horizonte da história e atrai a atenção e o respeito dos que crêem e
dos que não têm fé. Muitos contemporâneos nossos desejariam encontrar sua face e ouvir sua voz; os jovens, especialmente, usam o nome de Jesus como desafio à sociedade que contestam; torna-se sinal de contradição e de união, de libertação e salvação das taras de nossa sociedade, convite a redescobrir sua face e sua mensagem: "No meio de vós estás alguém que não conheceis" (Jo 1,26).
Quem me vê, vê o Pai
Quem é Jesus Cristo? É apenas um homem, o maior dos homens, ou é, em sentido pleno e único, o Filho vivo de Deus? Que diferença há se se aceita ou não que Jesus seja Deus ou que seja apenas a mais perfeita das criaturas? Não basta reconhecê-lo como Salvador, Libertador? Cabe cada um de nós formular respostas precisas; aqui só apontaremos brevemente.
Cristo é verdadeiro Deus: este dogma é a alma de todos os dogmas (Nicéia ano 325; Éfeso, 431); significa que a infinita riqueza e a infinita plenitude de vida, de amor, de ternura e piedade daquele que se revela na Bíblia como o Deus vivo, estão presentes nele. Ele é "a força e o poder de Deus" (Rm 1,16) operantes num homem; é o Deus conosco, um Deus no contexto da história humana; nele está a fonte infinita do amor, da paz, da alegria, da confiança. Se Jesus é Deus, descobrimos até que ponto Deus nos amou!
Cristo é plena e totalmente verdadeiro homem (Calcedônia, 451): encontramos a humanidade de Cristo em todas as páginas dos evangelhos. Jesus tem fome e sede (Mt 4,2; 21,18; Jo 4,7; 19,28), está sujeito á fadiga (Jo 4,6), faz amizades, chora por Lázaro (Jo 11 ,35), tem compaixão das multidões (Mt 10,36), aproxima-se dos homens com simplicidade e autoridade; os pecadores, os doentes nele encontram compreensão e conversão; retoma dia a dia sua opção pela missão que o Pai lhe confiou, a começar pelas tentações no deserto até a suprema decisão no Getsêmani.
Cristo é indissoluvelmente Deus-homem: é impossível separar a divindade de Cristo da sua ressurreição e da sua atuação durante a vida terrena; tinha razão o centurião ao exclamar junto à cruz: "Verdadeiramente, este era o Filho de Deus!" (Mt 27,54).
Contemplarão aquele a quem traspassaram
A cruz é o momento em que os homens, cujos olhos mergulham continuamente na vaidade e na banalidade, podem, ultrapassando todas as defesas deste mundo, contemplar o verdadeiro Salvador. É desconcertante o meio que Deus escolheu para trazer a salvação ao homem: jamais os homens se habituarão com o sofrimento e a morte de um inocente. Jesus é o grão de trigo que foi sepultado nesta terra, para que de seu lado aberto brotasse uma vida nova, vida diferente. Diante de Jesus, que cura os doentes, que pronuncia palavras sublimes ou faz prodígios, há quem se escandalize e quem se comova, há os que se convertem e os que ironizam. Diante de Jesus morto na cruz só há silêncio: ele me amou até morrer por mim. Cada um se encontra sozinho diante do mistério de Cristo: "Deus morreu e nós o traspassamos. Nós o matamos encerrando-o no invólucro deteriorado das idéias rotineiras, exilando-o em formas de piedade sem conteúdo ou em preciosismos arqueológicos; matamo-lo pela ambigüidade da nossa vida que lançou um véu obscuro sobre ele" (J. Ratzinger, o atual Papa Bento XVI). A fé cristã recebe da cruz de Jesus sua forma característica: dizer sim à aventura de perder a própria vida, dizer sim a um amor autêntico.
Pistas para reflexão
1. Cada retorno ao Senhor e cada olhar à frente são sempre nova aliança com Deus e novo compromisso com a comunidade.
2. Jesus é o perfeito mediador, pontífice, entre Deus e a humanidade e o discípulo perfeito em sua obediência a Deus.
3. Precisamos conhecer Jesus, fazer experiência com ele e aprender dele a proposta de doação e de salvação.