Domingo, 28 de agosto de 2011

22º do Tempo Comum, Ano “A”, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Bancário, dia da Avicultura, dia das Vocações Leigas, dia dos Catequistas e dia das Obras Pontificiais.

 

Santos: Agostinho de Hipona (430, doutor da Igreja), Viviano, João III, Hermes (Roma, séc. II), Juliano, Moisés (o Egípcio, séc. IV), Bem-Aventurado Bibiano (séc. V), Edmundo Arrowsmith, Zélia Guérin

 

Antífona: Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam. (Sl 85,3.5)

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: Jeremias (Jr 20, 7-9)
A voz de Deus é mais forte e abrasadora

 

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: "Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele". Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo: desfaleci, sem forças para suportar. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

O sofrimento advindo da sedução sagrada

 

“Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir.” Essas palavras de rara beleza poética fazem parte do colossal testemunho de fé, da confissão do profeta sofredor, Jeremias. Homem de profunda piedade, ele era sensível ao sofrimento e à crise. Optou por não se casar para dedicar-se ao profetismo, entre os anos 626 e 587 a.C. Jeremias atuou na cidade de Jerusalém. Segundo os apócrifos Vida dos profetas 2,1-6, ele era de Anatot e morreu em Táfnis, no Egito (Jr 43,7s), apedrejado por seu povo (cf. Faria, 2006, p. 63). Jeremias passou grande parte de sua ação profética denunciando tribunais injustos, sacerdotes que usam a religião em proveito próprio, escravidão etc. Como diz a leitura de hoje, suas palavras eram somente “violência e opressão” (v. 8). Ele também tinha clareza de que o sofrimento de seus compatriotas no exílio na Babilônia era algo justo. Deus os castigava por causa de seus inúmeros pecados. Imagine quanta incompreensão vivera Jeremias. A leitura de hoje nos mostra a sua grande decepção. Ele acusa Deus de seduzi-lo no serviço profético. E diz com todas as letras: “estou cansado de suportar, não posso mais” (v. 9). Jeremias sabe que Deus mudara a sua vida. Quis casar e não o fez por causa da missão. Ele reclama e protesta contra Deus, como se este fosse responsável pela sua desgraça, pois ninguém queria ouvi-lo e até zombavam dele. No mais profundo sofrimento, Jeremias diz: “Maldito o dia em que eu nasci” (Jr 20,14); “Ai de mim, de minha mãe, porque tu me geraste” (Jr 15,10). O sofrimento do profeta interioriza as suas relações com Deus, que se torna seu íntimo. A sedução divina tomou conta de Jeremias. O seu sofrimento foi salvador, mesmo que ele o tenha proposto para o seu povo e o vivido na pele. Não que o tenha querido. Ele veio como consequência de sua ação profética. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 279, Paulus]  

 

 

Salmo: 62(63), 2.3-4.5-6.8-9 (R/.2b)
A minh´alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

 

Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh'alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água!

 

Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam.

 

Quero, pois, vos louvar pela vida e elevar para vós minhas mãos! A minh'alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!

 

Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto! Minha alma se agarra em vós; com poder vossa mão me sustenta.

 

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 12, 1-2)
Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos

 

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é,o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Tomar a cruz é tornar-se presença visível

de Jesus e não se conformar com o mundo

Nessa pequena leitura de hoje, Paulo segue o pensamento das leituras anteriores. O cristão é convidado por ele a oferecer o seu corpo como hóstia viva, santa e agradável a Deus, como culto espiritual. Para além dos sacrifícios ritualistas judaicos, a comunidade cristã torna-se uma presença visível de Jesus ressuscitado. Ademais, o cristão não deve se conformar com este mundo, mas transformá-lo. Tomar a cruz e seguir Jesus, como atestou o evangelho de hoje, tem aqui a conotação de não se deixar iludir pelo poder, pela pompa, pelo dinheiro e seus esquemas injustos, mas solidarizar-se com os pobres e lutar contra a exclusão. Nada de sofrimento pelo sofrimento. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 279, Paulus]  

 

Evangelho: Mateus (Mt 16, 21-27)
Perder a vida para ganhá-la

 

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!" 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: "Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!" 24Então Jesus disse aos discípulos: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho


Tomar a cruz e seguir Jesus

 

Após Jesus demonstrar aos discípulos que deveria ir a Jerusalém para sofrer, morrer e ressuscitar, Pedro toma a palavra e pede a Deus que não permita que isso aconteça. Ao que Jesus lhe chama de pedra de tropeço. Quem era Pedro para impedir a realização do projeto de Deus? Ele só podia ser um satanás na vida de Jesus. A palavra “satanás” naquele contexto significava adversário. Pedro é a pedra em que Jesus não queria tropeçar na sua marcha, de bem-aventurado rumo à realização de sua missão até as últimas consequências. Não é que o poeta também tinha razão: “havia uma pedra no meio do caminho”... de modo que Pedro, tendo recebido as chaves do Reino dos Céus, não está isento das fragilidades humanas e das dificuldades de se pôr em sintonia com o projeto de Deus. Deve ter cuidado para manter bem a caminhada para o Reino e não servir de pedra de tropeço.

 

Em seguida, Jesus convoca seus discípulos a tomar, cada um, a sua cruz, segui-lo, negar a si mesmo e perder a vida por causa dele. Ao longo de séculos, certas interpretações dessa passagem bíblica deram rumo à vida de muitos cristãos. Martírio, sofrimento, flagelação do corpo e tantos outros exemplos, às vezes buscados por vontade própria, poderão ilustrar o corolário de ações de cristãos para encontrar a salvação.

 

A cruz era um dos instrumentos usados pelos romanos para matar escravos e condenados por rebeldia pelo império, os quais, nus, agonizavam na cruz. Morrer crucificado era o “suplício mais cruel e terrível”, segundo o historiador da Antiguidade Flávio Josefo. E, o que é pior, antes de ser crucificado, o condenado podia ser torturado e até mesmo crucificado de cabeça para baixo ou empalado no poste da cruz, de forma obscena. Os judeus sabiam muito bem o que era a crucifixão, pois muitos deles morreram assim. O judeu seguidor de Jesus, com certeza, foi tomado de espanto com essa proposta de seu mestre: tomar a cruz, de livre e espontânea vontade, e segui-lo, sabendo que iria morrer de forma cruel. A lembrança desse ensinamento motivou muitos cristãos a aceitar o martírio como caminho de testemunho da ressurreição de Jesus e consequente salvação no reino escatológico. Com o fim do martírio naquele contexto, quando o império romano acabou aderindo ao cristianismo como religião do Estado, viu-se fortalecida a teologia do sofrimento pessoal, que acabou em resignação. Essa visão ainda perdura em nossos dias. Jesus, ao repassar tal ensinamento, estaria aludindo à consequência lógica da adesão ao reino de justiça que ele pregava. Quem se punha contra o império acabaria na cruz. Não havia outro caminho que não fosse o de perder a própria vida. Ele não propôs sofrimento pelo sofrimento. Isso é masoquismo! Masoquismo e resignação, sofrer calado, não têm espaços no reino. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 279, Paulus]  

 

Oração da assembleia (Missal Dominical)

 

Deus, Pai todo-poderoso, amastes tanto o mundo que nos enviastes o Cristo, vosso Filho bem-amado; atendei as orações, que em seu nome, vos dirigimos com fé. Senhor, escutai-nos

 

Pela santa Igreja de Deus, para que não perca a coragem diante das oposições e perseguições do mundo, e lembre-se de que o caminho da salvação passa sempre pelo da cruz, rezemos.

Por todos os cristãos, para que saibam aceitar e confessar não só o Cristo da Ressurreição e da Páscoa, mas também o da Cruz e da Sexta-feira da paixão, rezemos.

Pelos homens de hoje, empenhados na conquista do mundo, párea que se lembrem de que é inútil todo seu esforço se não buscarem ao mesmo tempo a glória de Deus e o bem de seus irmãos, rezemos.

(outras intenções)

 

Concedei, Pai todo-poderoso, que saibamos seguir a Jesus no caminho da cruz, para sermos seus companheiros na glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer nos traga sempre a graça da salvação, e vosso poder leve à plenitude o que realizamos nesta liturgia Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, que reservastes para aqueles que vos temem! (Sl 30,20)

 

Oração Depois da Comunhão:

Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

O caminho da cruz

 

A 1ª leitura é um trecho das "confissões", amarguradas e dolorosas, de Jeremias, por causa da hostilidade que o profeta encontra no exercício do seu ministério. São textos característicos de Jeremias e muito importantes, porque estão na origem de uma tradição literária sobre o tema do profeta perseguido.

 

Um ministério incômodo

 

O ministério profético, sobretudo, não é uma vocação à tranqüilidade: é incômodo para quem fala e para quem ouve. Jeremias desejaria subtrair-se à ingrata tarefa, mas a palavra de Deus queima-o por dentro com tal veemência, que não pode contê-la. Sua alma é terreno de batalha, onde se batem forças dificilmente conciliáveis entre si: Deus, o mundo, a busca de si mesmo. Só resta ao profeta uma possibilidade: deixar-se seduzir por seu Senhor.

 

Diferente é a atitude de Jesus. Para ele, o sofrimento, a paixão e a morte não são um escândalo; são, ao contrário, de certo modo, uma consequência da situação de pecado do homem. A morte é a "sua hora" que se aproxima. É necessário que vá a Jerusalém e sofra muito por parte dos anciãos e dos sumos sacerdotes. Nas palavras de Jesus, o sofrimento e a morte não  são  simples previsões de um fato, baseadas nas circunstâncias (recusa por parte dos chefes do povo); são algo que "deve" vir, um momento especial e determinante já prefigurado e prenunciado pelos profetas no plano salvífico de Deus.

 

Com estas afirmações, Jesus se afasta completamente das concepções messiânicas comuns do seu tempo, partilhadas também por seus discípulos. Não é um messias político, nem um simples profeta, embora seja o enviado para dar sua vida. É sintomática a reação de Pedro a esta revelação de Jesus; ele que, inspirado pelo Espírito, havia confessado a missão messiânica e a filiação divina de Cristo, rejeita categoricamente - e é repreendido - a imagem de um messias sofredor, de um servo crucificado.

 

O único caminho para realizar o profundo valor do homem

 

A renúncia à própria vida e o sofrimento, porém, não são vistos pelo evangelho como uma necessidade à qual nos resignamos nem como uma heróica, mas desesperada oblação à morte. São consideradas, antes, como o caminho para pôr em relevo o profundo valor do ser humano. As palavras de Jesus nos colocam diante de dois modos diferentes de conceber a vida: um, que raciocina segundo a "carne e o sangue", e outro que vê as coisas e os acontecimentos com os olhos de Deus.

 

Duas mentalidades opostas

 

Há quem espere a salvação do sucesso terreno, das coisas, de "ganhar o mundo inteiro", e, portanto, organize sua vida e sua atividade neste sentido; e há quem espere a salvação das mãos de Deus e a ele se entregue totalmente, vivendo na fidelidade à sua palavra e a seu chamado, embora aos olhos do mundo esteja "perdendo sua vida" e indo ao encontro do fracasso. As duas mentalidades não dividem os homens em duas categorias opostas; podem conviver dentro da mesma pessoa: em Pedro, por exemplo, que está pronto para confessar Jesus messias e filho do Deus vivo, e imediatamente depois se toma "satanás", porque procura afastar Jesus de sua missão e da vontade de Deus. Há também outro modo de trair a palavra de Jesus: é aceitá-la no plano teórico ou da afirmação verbal e depois desmenti-la precisamente na práxis e na vida. Quantas vezes ouvimos e repetimos sem hesitação as tão exigentes e comprometedoras afirmações de Jesus: "Se alguém quer vir após mim, tome a sua cruz...

 

"Quem quer salvar sua vida perdê-la-á. "De que serve ganhar o mundo inteiro"? Às explosivas afirmações evangélicas, opomos continuamente as barreiras de nosso comodismo e da falta de vontade de conversão, esvaziamo-las de sua radicalidade, reduzimo-las a slogans, a maneiras de falar paradoxais, mas inócuas.

 

A técnica do compromisso

 

São típicos de certos cristãos alguns comportamentos e atitudes, individuais e comunitários, em que a política prevalece sobre o evangelho, e o "modo de raciocinar conforme os homens" vence o "modo de raciocinar conforme Deus". Segundo certos cristãos, acostumados a condescender com tudo, pode-se celebrar a eucaristia, anúncio da morte e ressurreição de Cristo, sem entrar em comunhão com Cristo e com os irmãos; pode­-se confessar (a metanóia, a mudança radical de lógica e de comportamento!) sem se converter; poderíamos julgar-nos cristãos e aceitar só uma parte de Cristo... [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

 

Um passo para frente

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá - AP

 

Aconteceu durante uma guerra. Os homens lutavam para escrever uma página da história. O grupo estava avançando, afundando na lama. Não havia caminho e cada passo exigia um esforço fora do comum. O capitão decidiu fazer uma última e desesperada tentativa. Juntou os soldados, quase irreconhecíveis, com os uniformes incrustados de lama e de medo.

 

– Preciso de voluntários – gritou o comandante olhando aqueles rostos e querendo ver neles algum sinal de heroísmo – vou lhes deixar alguns instantes para decidirem, quem se oferecer dê um passo para frente! - Virou as costas e esperou.

 

Quando encarou novamente os homens viu uma única fila compacta.

 

– Ninguém se ofereceu? – perguntou com amargura.

 

– Capitão, todos nós demos um passo para frente – respondeu, quase sem voz, o mais jovem daqueles uniformes.

 

Parece uma cena de filme, de tão acostumados que estamos com a ficção da televisão. Histórias verdadeiras de heroísmo, porém, existem e acontecem todos os dias. Falo de pessoas honestas, cumprindo o seu dever com humildade e dedicação. Outras ajudando o próximo ou servindo a quem precisa sem alarde e sem propaganda. Existem também os casos que se tornam manchetes como os de alguém que devolve dinheiro alheio, encontrado por acaso, e também em ocasiões de desastres quando a solidariedade e o amparo vêm, muitas vezes, de quem menos se esperava. Assim é o heroísmo: um gesto que suscita admiração e deveria conduzir à imitação. Debochar de quem se esforçou, arriscou a vida ou simplesmente mostrou solidariedade e honestidade é, no mínimo, inverter os valores sobre os quais deveria alicerçar-se uma sociedade que busca o bem e a convivência pacífica de todos. É importante que, ao menos algumas vezes, o bem se torne notícia, para não esquecermos que a atitude mais comum a todos nós deveria ser praticar aquelas virtudes que embelezam e enriquecem a vida. É sempre bom que, no meio de tantas notícias trágicas ou sobre as futilidades dos “famosos”, apareçam notícias, do bem, bem feitas e merecedoras de reconhecimento.

 

A esta altura, não seria o caso de pensar que nós todos poderíamos ou deveríamos ser um pouco mais heróis? Quando Jesus nos convida a segui-lo carregando a nossa cruz nos manda, afinal, a não fugir das nossas responsabilidades e das infinitas possibilidades de fazer o bem que, com certeza, aparecem todos os dias à nossa frente. Se o extraordinário chama a nossa atenção, o cotidiano pode fazer de nós verdadeiros heróis da paciência, da perseverança, e da fidelidade. Talvez a cruz de todos os dias seja tão pesada quanto um gesto ocasional único e irrepetível. Ou, talvez, o gesto heroico se torne possível porque todos os dias treinamos um pouco de amor para não perder o costume da generosidade, a sensibilidade do coração, enfim a disposição a fazer o bem. Não é por acaso que o pior inimigo da nossa vida cristã não seja tanto o mal que, graças a Deus, não cometemos tanto assim, mas a mediocridade, isto é, a incapacidade de sobressair: na nossa maneira de falar e agir, pelo bem que cumprimos, pelas virtudes que praticamos, pela bondade que espalhamos. Para nós cristãos, esforçarmo-nos para sermos melhores não é ambição, mas obrigação. Simplesmente para não cair na indiferença e esquecer a alegria de doarmos um pouco, ou muito, da nossa própria vida. Somente assim nos salvamos da mediocridade e ajudamos a outros a dar um sentido melhor à própria vida. Para sermos bons cristãos não basta não fazer o mal, é urgente fazer o bem.

 

Neste último domingo de agosto, precisamos agradecer a tantos irmãos e irmãs que ajudam nas nossas paróquias e comunidades. Além daquelas pessoas maravilhosas sempre disponíveis para ajudar em tudo o que for preciso, existem também muitos ajudando em serviços específicos conforme a disponibilidade e as capacidades de cada um. Lembramos de maneira especial as catequistas e os catequistas e todos aqueles que procuram fazer conhecer e amar mais a nossa fé. No entanto qualquer um que pratica o bem é, de fato, um evangelizador, um sinal de esperança e de vida nova para quem o encontra.

 

Estamos combatendo uma guerra contra a indiferença e a mediocridade, precisamos de voluntários. Quem puder dê um passo para frente. Qualquer vitória contra o egoísmo começa assim. [Fonte: CNBB]

Contato: edd@mundocatolico.com.br