Domingo, 28 de março de 2010

Ramos e Paixão do Senhor - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Vermelha

 

 

Hoje: Dia Mundial da Juventude, Dia do Diagramador e Dia do Revisor

 

Santos do Dia: João de Capistrano (confessor franciscano, 1ª ordem), Guntrano, Tutilão, Prisco, Malco, Alexandre, Castor (Tarso, na Cilícia), Gontrão, Gundelinda, Osburga, Pedro Marginet (Bem-aventurado, catalão) e Malco.

 

Antífona: Saudemos com hosanas o Filho de Davi! Bendito o que nos vem em nome do Senhor! Jesus, rei de Israel, hosana nas alturas! (Mt 21, 9) 

 

Bênção dos Ramos: Ó Deus eterno e todo-poderoso, abençoai estes ramos, para que, seguindo com alegria o Cristo, nosso Rei, cheguemos por ele à eterna Jerusalém. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Oração do Dia (Missa): Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quiseestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Benção de Ramos: Lucas (Lc 19, 28-40)

Bendito o que vem em nome do Senhor

Naquele tempo, 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: 3º "Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: 'Porque desamarrais o jumentinho?', respondereis assim: 'O Senhor precisa dele"'. 32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: "Por que estais desamarrando o jumentinho?" 34Eles responderam: "O Senhor precisa dele". 35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. 36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. 37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam: "Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!" 39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: "Mestre, repreende teus discípulos!" 40Jesus, porém, respondeu: "Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão". Palavra da Salvação!

 

Celebração da Eucaristia

 

1ª Leitura, Isaías (Is 50, 4-7)
Não desviei meu rosto das bofetadas

 

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. Palavra do Senhor!

 

Salmo: 21(22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R/.2a)
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

 

Riem de mim todos aqueles que me vêm, torcem os lábios e sacodem a cabeça: "Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!"

 

Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos.

 

Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

 

Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, t glorificai-o, descendentes de Jacá, e respeitai-o, toda a raça de Israel!

 

 

II Leitura: Filipenses (Fl 2, 6-11)

Humilhou-se a si mesmo, por isso Deus o exaltou

 

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.

 

Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas Lc 22, 14-23,56 ou Lc 23, 1-49 (forma breve)

Jesus é exemplo de fidelidade ao Pai

 

14Quando chegou a hora, Jesus pôs-se à mesa com os apóstolos e disse: 15”Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer. 16Pois eu vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus". 17Então Jesus tomou um cálice, deu graças e disse: "Tomai este cálice e reparti. entre vós; 18pois eu vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus”

 

Fazei isto em memória de mim.


19A seguir, Jesus tomou um pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim". 20Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós".

 

Mas ai daquele por meio de quem o Filho do Homem é entregue.


21"Todavia, a mão de quem me vai entregar está comigo, nesta mesa. 22Sim,o Filho do Homem vai morrer, como está determinado. Mas ai daquele homem por meio de quem ele é entregue". 23Então os apóstolos começaram a perguntar uns aos outros qual deles haveria de fazer tal coisa.

 

Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve.


24Houve também uma discussão entre eles sobre qual deles deveria ser considerado o maior. 25Jesus, porém, lhes disse: "Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm poder se fazem chamar benfeitores. 26Entre vós, não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como o mais novo, e o que manda, como quem está servindo. 27Afinal, quem é o maior: quem está sentado à mesa, ou quem está servindo? Não é quem está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve. 28Vós ficastes comigo em minhas provações. 29Por isso, assim como o meu Pai me confiou o Reino, eu também vós confio o Reino. 30Vóss havereis de comer e beber à minha mesa no meu Reino, e sentar-vos em tronos para julgar as doze tribos de Israel.

 

Tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.


31Simão, Simão! Olha que Satanás pediu permissão para vos peneirar como trigo. 32Eu, porém, rezei por ti, para que tua fé não se apague. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos”. 33Mas Simão disse: "Senhor, eu estou pronto para ir contigo até mesmo à prisão e à morte!" 34Jesus, porém, respondeu: "Pedro, eu te digo que hoje, antes que o galo cante, três vezes tu negarás que me conheces".

É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura.


35E Jesus lhes perguntou: "Quando vos enviei sem bolsa, sem sacola, sem sandálias, faltou-vos alguma coisa?" Eles responderam: "Nada". 36Jesus continuou: "Agora, porém, quem tiver bolsa, deve pegá-la; do mesmo modo, quem tiver uma sa­cola; e quem não tiver espada, venda o manto para comprar uma. 37Porque eu vos digo: É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura: 'Ele foi contado entre os malfeitores'. Pois o que foi dito a meu respeito tem de se realizar". 38Mas eles disseram: "Senhor, aqui estão duas espadas". Jesus respondeu: "Basta".

 

Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência.


39Jesus saiu e, como de costume, foi para o monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. 40chegando ao lugar, Jesus lhes disse: "Orai para não entrardes em tentação". 41Então afastou-se a uma certa distância e, de joelhos, começou a rezar: 42"Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua!" 43Apareceu-he um anjo do céu, que o confortava. 44Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência. Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão. 45Levantando-se da oração, Jesus foi para junto dos discípulos e encontrou-os dormindo, de tanta tristeza. 46E perguntou-lhes: "Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para não entrardes em tentação".

 

Judas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?


47Jesus ainda falava, quando chegou uma multidão. Na frente, vinha um dos Doze, chamado Judas, que se aproximou de Jesus para beijá-lo. 48Jesus lhe disse: "Judas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?" 49Vendo o que ia acontecer, os que estavam com Jesus disseram: "Senhor, vamos atacá-los com a espada?" 50E um deles feriu o empregado do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51Jesus, porém, ordenou: "Deixai, basta!" E tocando a orelha do homem, o curou. 52Depois Jesus disse aos sumos sacerdotes, aos chefes dos guardas do templo e aos anciãos, que tinham vindo prendê-lo: "Vós saístes com espadas e paus, como se eu fosse um ladrão? 53Todos os dias eu estava convosco no templo, e nunca levantastes a mão contra mim. Mas esta é a vossa hora, a hora do poder das trevas.

 

Pedro saiu para fora e chorou amargamente.


54Eles prenderam Jesus e o levaram, conduzindo-o à casa do Sumo Sacerdote. Pedro acompanhava de longe. 55Eles acenderam uma fogueira no meio do pátio e sentaram-se ao redor. Pedro sentou-se no meio deles. 56Ora, uma criada viu Pedro sentado perto do fogo; encarou-o bem e disse: "Este aqui também estava com ele!" 57Mas Pedro negou: "Mulher, eu nem o conheço!" 58Pouco depois, um outro viu Pedro e disse: "Tu também és um deles". Mas Pedro respondeu: "Homem, não sou". 59Passou mais ou menos uma hora, e um outro insistia: "Certamente, este aqui também estava com ele, porque é galileu!" Mas Pedro respondeu: 60"Homem, não sei o que estás dizendo!" Nesse momento, enquanto Pedro ainda falava, um galo cantou. 61Então o Senhor se voltou e olhou para Pedro. E Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe tinha dito: "Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás". 62Então Pedro saiu para fora e chorou amargamente.

 

Profetiza quem foi que te bateu?

 

63Os guardas caçoavam de Jesus e espancavam-no; 64cobriam o seu rosto e lhe diziam: "Profetiza quem foi que te bateu?" 65E o insultavam de muitos outros modos. 

 

Levaram Jesus ao tribunal deles.


66Ao amanhecer, os anciãos do povo, os sumos sacerdotes e os mestres da Lei reuniram-se em conselho e levaram Jesus ao tribunal deles. 67E diziam: "Se és o Cristo, dize-nos!" Jesus respondeu: "Se eu vos disser, não me acreditareis, 68e, se eu vos fizer perguntas, não me respondereis. 69Mas, de agora em diante, o Filho do Homem estará sentado à direita do Deus Poderoso. 70Então todos perguntaram: "Tu és, portanto, o Filho de Deus?" Jesus respondeu: "Vós mesmos estais dizendo que eu sou!" 71Eles disseram: "Será que ainda precisamos de testemunhas? Nós mesmos o ouvimos de sua própria boca!"

 

Início da forma breve do Evangelho de hoje

 

 

23,1Em seguida, (Naquele tempo) toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos.

 

Não encontro neste homem nenhum crime.


2Começaram então a acusá-lo, dizendo: "Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei". 3Pilatos o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus respondeu, declarando: "Tu o dizes!" 4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: "Não encontro neste homem nenhum crime”. ­5Eles, porém, insistiam: "Ele agita o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui". 6Quando ouviu isto, Pilatos perguntou: "Este homem é galileu?" 7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias.

 

Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo.


8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu 10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.

 

Pilatos entregou Jesus à vontade deles.


13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse: 14"Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castiga-lo e o soltarei". 18Toda a multidão começou a gritar: "Fora com ele! Solta-nos Barrabás!" 19Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. 20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritavam: "Crucifica-o! Crucifica-o!" 22E Pilatos falou pela terceira vez: "Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei". 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam - aquele que fora preso por revolta e homicídio - e entregou Jesus à vontade deles.

 

Filhas de Jerusalém, não choreis por mim!


26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: 'Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram'. 30Então começarão a pedir às montanhas: ´Caí sobre nós! e às colinas: 'Escondei-nos!' 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?" 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. 

 

Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!


33Quando chegaram ao lugar chamado "Calvário", ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia: "Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!" Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus.

 

Este é o Rei dos Judeus.


35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo: "A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!" 36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, 37e diziam: "Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!" 38Acima dele havia um letreiro: "Este é o Rei dos Judeus".

 

Hoje estarás comigo no Paraíso.


39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: "Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!" 40Mas o outro o repreendeu, dizendo: "Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal". 42E acrescentou: "Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado". 43Jesus lhe respondeu: "Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso".

 

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.


44 era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". Dizendo isso, expirou.

 

Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.


47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus dizendo: "De fato! Este homem era justo!" 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que ha­via acontecido, e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galiléia, ficaram à distância, olhando essas coisas.

 

José colocou o corpo de Jesus num túmulo escavado na rocha.


50Havia um homem bom e justo, chamado José, membro do Conselho, 51O qual não tinha aprovado a decisão nem a ação dos outros membros. Ele era de Arimatéia, uma cidade da Judéia, e esperava a vinda do Reino de Deus. 52José foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 53Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. 54Era o dia da preparação da Páscoa, e o sábado já estava começando. 55As mulheres, que tinham vindo da Galiléia com Jesus, foram com José, para ver o túmulo e como o corpo de Jesus ali fora colocado. 56Depois voltaram para casa e prepararam perfumes e bálsamos. E, no sábado, elas descansaram, conforme ordenava a Lei. 

 

 

Cristo vai ao encontro da morte com liberdade de filho

 

A oferta de sacrifícios a Deus parece constituir, em todos os povos, a expressão mais significativa do senso religioso do homem. Despojando-se de tudo o que lhe pertence por conquista ou pelo trabalho, o homem reconhece que tudo pertence a Deus e lho restitui em agradecimento. E quando uma parte do que foi sacrificado é comida pelos ofertantes, então se estabelece uma comunhão simbólica entre Deus e os comensais, uma participação da mesma vida.

 

Na Bíblia, as tradições sacerdotais nos dão a conhecer uma legislação complexa, que poderia facilmente assumir valor autônomo e, portanto, formalista, esquecendo o significado da ação cultual em relação à salvação integral do homem. Os profetas lembram frequentemente que Deus só aceita as ofertas e sacrifícios se são acompanhados de uma atitude interior de humildade, de oferta espiritual de si mesmo, de reconhecimento da própria e radical pobreza e da necessidade de uma libertação que nós sozinhos não podemos obter, mas podemos invocar e esperar de Deus.

 

O servo de Javé

 

A pobreza é, pois, o sacrifício espiritual, isto é, a realidade profunda de toda oferta e imolação de animais e de coisas em honra de Deus. Esta é a atitude dos "pobres de Javé", e especialmente do "Servo de Javé"; este, tanto no sentido individual como no corporativo. Enviado para salvar seu povo (a humanidade), é obrigado a suportar perseguições e ultrajes; aceita-os, entretanto, com paciência e mansidão, sabendo que Deus o salvará (1ª leitura e salmo responsorial). Cumpre sua missão oferecendo-se a si mesmo como vítima inocente, para expiar os pecados do povo. Por sua obediência e amor, Deus o exaltará e glorificará; e, com os irmãos salvos, ele louvará o Senhor num sacrifício (banquete) de ação de graças (salmo responsorial) aberto a todos.

 

 

Jesus escolhe uma pobreza radical

 

Na encarnação, Jesus fez sua a pobreza radical do homem perante Deus (2ª leitura). Coerente com esta escolha, apoiou-se na palavra do Pai, que nas Escrituras e nos acontecimentos lhe indica o caminho para cumprir sua missão; não se subtraiu à condição do homem pecador, ao sofrimento que provém do egoísmo, nem aos limites da natureza humana, entre os quais, antes de tudo, a morte. Um homem como todos, um pobre em poder de todos; assim o mostra o sucinto e objetivo relato dos evangelistas (evangelho). Vemo-lo como uma vitima da intolerância e da injustiça, um amotinador ou, quando muito, um sacrificado pelos seus por um falaz cálculo político. Mas isto não bastaria para dele fazer um salvador. O que resgata a sua morte, o que a transfigura - para ele e para nós - é o imenso peso de amor com que faz dom da vida, para libertar-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da auto-suficiência; para tornar-nos - como ele - disponíveis a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar, de ter confiança e reconstruir, de crer no homem ultrapassando as aparências e as deformações.

 

A Igreja esta com Jesus crucificado

 

Só assim a Igreja oferece hoje o sacrifício espiritual agradável ao Pai; quando, reconhecendo-se pecadora e sempre necessitada de salvação, apresenta não os próprios méritos e sucessos, mas a lembrança viva da sua Cabeça crucificada, do Filho bem-amado, de cuja morte e ressurreição recebe luz e força para ser fiel a sua missão. Aceitando com alegria o sofrimento que completa a paixão de seu Senhor e Mestre, a Igreja pode oferecer o sacrifício eucarístico, como voz dos pobres, dos humilhados, dos desafortunados e dos oprimidos, anunciando a esperança da libertação. E pode fazê-lo com tanto mais verdade, quanto mais houver escolhido não os caminhos do poder, do sucesso e do bem-estar, mas o da coragem para repelir a injustiça e compartilhar plenamente da sorte dos humildes. Mas, sejamos objetivos, imparciais e concretos; isto nos toca pessoalmente; a Igreja somos também nós. Enquanto temos facilidade em ver as culpas ou as fraquezas dos outros, não estamos nós corrompidos pelos mesmos males? Pensamos talvez que acusando os outros nos desculpamos a nós mesmos? Nesse caso, são Paulo nos diria que somos "indesculpáveis" (Rrn 2,1). [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

Aspectos simbólicos e celebrativos do domingo de ramos

 

1.    Equipe de liturgia: é muito importante que a equipe de liturgia prepare antecipadamente a celebração, de forma a evitar improvisos ou remendos de última hora. As tarefas devem estar devidamente distribuídas. Quem for escolhido para a função de comentarista precisa estar por dentro de todas as partes da celebração e do seu sentido profundo.

2.    Tudo preparado: estejam devidamente preparados os diversos elementos que serão utilizados durante toda a celebração: ramos, água benta, cruz, turíbulo, incenso, missal, água, vinho...

3.    Cor vermelha: desde o início da celebração, o sacerdote usa paramentos de cor vermelha, que indica paixão do Senhor. Aliás, este domingo é denominado Domingo de Ramos da Paixão do Senhor;

4.    Ramos verdes: são sinal de alegria pela vitória de Cristo. Em geral utilizam-se galhos de oliveira e palmeiras, mas nada impede que se usem ramos de outras plantas ou mesmo plantas medicinais. Muitas pessoas guardam os ramos bentos em casa e os queimam como proteção contra raios e tempestades, mas os ramos nos devem recordar, principalmente, nosso compromisso com o projeto de Jesus;

5.    Procissão: significa ato de avançar. É o caminhar da pessoa rumo a Deus. Nessa celebração, as pessoas se unem e, com ramos nas mãos, louvam e aclamam Jesus em sinal de reconhecimento e gratidão pelas maravilhas que ele realiza em favor do seu povo. A assembleia se mostra solidária com a sorte do Redentor e se dispõe a seguir seus passos. Para formar a procissão, se for usado o incenso, em primeiro lugar posiciona-se o turiferário, em seguida a cruz, que pode estar enfeita com ramos bentos, depois o sacerdote e os ministros, finalmente a assembleia;

6.    Narração da Paixão: os leitões se preparem bem e leiam com dignidade e concentração. Desse modo, o relato do drama da Paixão favorecerá a participação contemplativa e orante da assembleia. Distribuam-se as várias partes: do narrador, do povo e de Cristo (esta é reservada de preferência ao sacerdote). Eventualmente pode haver outro leitor que fala a parte de algum discípulo (por exemplo, Pedro) ou mesmo Pilatos.

7.    Cantos apropriados: a primeira parte da celebração deve levar a assembleia a recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, por isso o conteúdo dos cânticos é de aclamação a Cristo Rei. Os cantos para a procissão com ramos geralmente contêm a aclamação Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Podem-se usar cantos populares, mantendo sempre o caráter de júbilo, ligados à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Por isso, não é o momento para cânticos a nossa Senhora ou ao Espírito Santo.

Semana Santa, Preparar e Celebrar, Pe. Luiz Miguel Duarte, Paulus