Domingo, 26 de setembro de 2010

26º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia da Bíblia e Dia Internacional das Relações Públicas

 

Santos: Cosme e Damião, Elzeário de Sabran, Eusébio, Vigílio, Cipriano, Justina, Nilo (1004), Teresa Coudec (virgem, 1885), Delfina de Glandeves (virgem franciscana, ofs)

 

Antífona: Senhor, tudo o que fizestes conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia. (Dn 3, 31.29-30.43.42)

 

Oração: Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Amós (Am 6, 1a.4-7)
Agora o bando dos gozadores será desfeito

 

Assim diz o Senhor todo-poderoso: 1aAi dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! 4Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; 5os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; 6os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José. 7Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito. Palavra do Senhor

 

 

 

Salmo Responsorial: 145 (146) 7.8-9a.9bc-10 (+1b)
Bendize, minha alma, e louva ao Senhor!  

 

7O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.  

 

6O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. 9aÉ o Senhor quem protege o estrangeiro.  

 

9bcEle ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. 10O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos!   

 

 

 

II Leitura: Paulo a Timóteo (1Tm 6, 11-16)
Combate pela fé

 

11Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas.  

 

13Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único soberano, o rei dos reis e Senhor dos senhores, 16O único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém. Palavra do Senhor.

 

Evangelho, Lucas (Lc 16, 19-31)

Parábola do rico e do pobre lázaro

 

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19"Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.  

 

22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.  

 

27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' 30O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos"'. Palavra da Salvação!

 

 

A riqueza que aliena dos bens do Reino

 

Pobreza e riqueza são tão antigas como o mundo. Mas sempre constituíram problemas. As interpretações e soluções são várias. Há os que ligam pobreza e riqueza à "sorte" e ao acaso. Os que veem na pobreza o sinal da incapacidade e da desordem moral, e na riqueza o sinal e o prêmio da inteligência e da virtude. Para outros, é precisamente o contrário: os honestos não enriquecem, porque para enriquecer é preciso ser um tanto inescrupuloso. Riqueza coincide com exploração do homem pelo homem; o rico é ladrão, pronto para tudo a fim de defender seus privilégios.

 

Felizes os pobres, ai dos ricos

Na Bíblia também encontramos dupla "leitura" da pobreza e da riqueza. Por um lado, a  pobreza é escândalo, um  mal  a ser  eliminado, um mal que é como que a  cristalização  do pecado, enquanto há na riqueza o sinal da bênção de Deus. O amigo de Deus é o homem dotado de todos os bens. O pobre é aquele no qual se manifesta a desordem do mundo. 

 

Mas há também toda uma linha profética que termina no "ai de vós, os ricos!" de Jesus e que vê na riqueza o perigo mais grave de autosuficiência e de afastamento de Deus e insensibilidade para com o próximo. E em contraposição ao "ai de vós, os ricos!" hão "felizes os pobres": a pobreza se toma uma espécie de zona privilegiada para a experiência religiosa. O pobre é o amado de Javé; a ele é anunciado o Reino. O pobre é o primeiro destinatário da Boa-nova. A pobreza não é mais desgraça ou escândalo, mas bem-aventurança. A bem-aventurança do pobre será plenamente revelada depois da morte, com uma inversão da situação (evangelho). 

 

A parábola do rico e do pobre Lázaro será considerada então como a aceitação fatalista de uma desordem constituída, na qual os ricos se tornam sempre mais ricos e os pobres mais pobres, e em que o rico oprime o pobre? Como consolação alienante para os pobres deste mundo? A religião será o ópio que entorpece e mantém inquietos os pobres? Não é evangélico esse modo de ler a parábola; é uma caricatura do evangelho. O evangelho é denúncia profética de qualquer ordem injusta, e é revelação das causas profundas da injustiça. O pobre pode ser também rico em potencial, e lutar não pela justiça, mas para tomar o lugar dos patrões. O evangelho é apelo à conversão radical para todos, pobres e ricos, conversão a ser feita imediatamente. 

 

...e força de transformação do mundo

A parábola mostra como a perspectiva do futuro tem influência sobre o hoje e como a relação do homem com o homem incide na sua vida definitiva na presença de Deus. O evangelho é uma força dinâmica de transformação "contínua". A aventura do amor, inaugurada por Cristo e prosseguida depois dele, convidando o homem a consentir ativamente na lei da liberdade, causou, de fato, mudança progressiva nas relações dos homens... Não é, porém, um manifesto revolucionário nem um programa de reforma  em matéria social. É algo maior e mais essencial. O evangelho não nos ensina nada sobre revolução. Tentar construir uma teologia da revolução a partir do evangelho é iludir-se e não captar o essencial. No plano dos objetivos e dos meios, os cristãos e os não-cristãos devem apelar para os recursos da razão humana, científica e moral; uns e outros devem procurar as soluções eficazes, ainda que os comportamentos concretos possam divergir. Mas os cristãos, conquistados pela aventura do amor e só  na medida que aceitam vivê-la com Como Cristo e em seu seguimento, estarão mais atentos em fazer com que ela não degenere em novas opressões e novo legalismo. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

 

 

Bíblia: Palavra de Deus

 

A Bíblia é a Palavra de Deus. Ela existe para “ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça” (2 Tm 3,16). Pelo batismo todos recebemos a missão de anunciar a Palavra e testemunhá-la.

 

Ao chegar o Dia da Bíblia, convido-vos a refletirmos sobre o dever e a missão de evangelizar, ou seja, a missão de anunciar a Boa Notícia de Jesus Cristo.

 

No dizer da Conferência de Aparecida, cabe-nos comunicar a “alegria de ser discípulos missionários para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo”. Não temos outro tesouro a não ser esse. Não temos outra felicidade nem prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito Santo na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, anunciado e comunicado a todos, não obstante as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço – que a Igreja deve oferecer às pessoas e às nações. Portanto, nossa missão é tornar possível às pessoas do nosso tempo o encontro com Deus, que nos fala e comunica seu amor. O Documento de Aparecida diz: “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça; transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher”.

 

Neste mês da Bíblia somos convidados a renovar nosso compromisso com a Palavra de Deus. Se é verdade que Ela é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho, é preciso primeiro ouvi-la, e depois acolhê-la para que penetre, anime e ilumine todo o nosso ser, pois é a Palavra que ilumina nossa vida diária e nos indica o caminho para nos encontrarmos com Deus. Não a Palavra gritada com ameaças ou manipulada para fins pessoais, mas a Palavra que se ouve “com os ouvidos do coração” no próprio dizer da Bíblia. Ou seja, a Palavra que fala dentro da gente e é capaz de transformar nosso modo de ser e viver. É assim que aconteceu com Zaqueu, quando Jesus lhe dirigiu a Palavra e ele se converteu (Lc 19, 1-10). É assim que aconteceu com Bartimeu, como nos fala a liturgia deste domingo, quando Jesus, com sua palavra, o recolocou no caminho (Lc 18, 35-43).

 

Parabenizo a todos os anunciadores e ministros da Palavra de Deus, e os convido a renovarem seus propósitos de servirem generosa e fielmente a Igreja, sendo discípulos e missionários do Senhor. Em especial lembro aos presbíteros a recomendação do rito da ordenação sobre a missão de ensinar: “Transmite a todos a Palavra de Deus, que recebeste com alegria. Meditando na Lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o Povo de Deus e a tua vida estímulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”. Jesus diz: “Quem me ama guarda a minha Palavra!” [Dom Canísio Klaus, CNBB]

 

 

 

 

 

 

Bíblia

Nome dado ao conjunto dos livros inspirados do AT e do NT, originariamente escritos em hebraico, aramaico e grego. O termo vem do grego tá Bíblia, “os livros”. Estes livros são o patrimônio espiritual do judaísmo e das igrejas cristãs.  A Bíblia foi escrita ao longo de mil anos, mas sua inspiração é atestada só pelo final do I século, em 2Tm 3,16s e 2Pd 1,21. Mas bem cedo se recomendava sua leitura (Ex 24,7; Dt 17,19; Js 1,8; Is 34,16; Jo 5,39; At 8,28; Rm 15,4; 2Cor 1,13; Ef 3,3s). Sendo um livro inspirado, deve ser lido com piedade e humildade (Eclo 32,15; Mt 11,15; 13,11; 1Cor 2,12-14; 2Tm 3,7.16). Sendo um livro antigo, escrito por um povo de cultura diferente da nossa, que trata dos planos de Deus a respeito dos homens, a Bíblia carece de interpretação (Sb 9,16-18; Mt 13,11; Mc 4,34; Lc 24,45; At 8,30s; 1Cor 12,30; 2Pd 1,20; 3,15s. Sendo um livro assumido pela Igreja como fonte de revelação, necessita também de sua interpretação oficial (Ml 2,7; Mt 16,18; 28,19s; Lc 10,16; Jo 14,16.26; 16,13; 20,22s; Ef 2,20; 1Tm 3,13). Ver “Revelação”e “Como ler a Bíblia com proveito”, Introdução Geral desta Bíblia.

 

 

Estou ultimamente ocupado em ler a Bíblia. Tirai o que puderdes deste livro pelo raciocínio

e o resto pela fé, e, vivereis e morrereis um homem melhor. [Abraham Lincoln]