Domingo, 26 de julho de 2009

Décima Sétima Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 1ª do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo.

 

 

Hoje: Dia dos Avós

 

Santos: Bartolomea Capitanio (virgem, fundadora), Benigno de Malcesine (eremita), Caro de Malcesine (eremita), Erasto de Corinto (bispo, mártir, citado em Rm 16,23, At 19,22, 2Tm 4,20), Maria Madalena de Justamonte e Companheiras (último grupo de 32 religiosas decapitadas no final da Revolução Francesa), Pastor de Roma (presbítero, irmão do Papa São Pio I), Simeão de Polirone, o Armeno (eremita).

 

Oração do Dia: Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 2º Livro dos Reis (2Rs 4, 42-44)

Dá ao povo para que coma

 

Naqueles dias, 42veio também um homem de Baal-Salisa, trazendo em seu alforje para Eliseu, o homem de Deus, pães dos primeiros frutos da terra: eram vinte pães de cevada e trigo novo. E Eliseu disse: "Dá ao povo para que coma”.

 

43Mas o seu servo respondeu-lhe: "Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?" Eliseu disse outra vez: "Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: 'Comerão e ainda sobrará'". 44O homem distribuiu e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 144 (145), 10-11.15-16.17-18 (R/.cf.16)

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

      

       Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam e vós lhes dais no tempo certo o alimento; vos abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura.

          

É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

 

II Leitura: Efésios (Ef 4, 1-6)

Guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz

 

Irmãos, 1eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz.

 

4Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, João (Jo 6, 1-15)

O sinal da partilha do pão

 

Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o se­guia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos.

 

4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?"

 

6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um". 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9"Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?"

 

10Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes.

 

12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!"

 

13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido.

 

14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. Palavra da Salvação!

 

O pão dos pobres

 

 

Comer é uma função tão essencial na vida humana que quase todas as religiões disso fazem um símbolo e o acompanham com um rito litúrgico. O cristianismo propõe a salvação sob forma de uma ceia, símbolo e antecipação do banquete eterno.

 

Os pobres comerão à saciedade

 

Os tempos preditos pelos profetas como tempos do Messias, se caracterizam por este fato de imediata intuição: abundância para os pobres. "Os pobres comerão e serão saciados”; diz o salmista (Sl 21,27). E Isaias, numa visão profética, vê todos os povos reunidos para um grande banquete: "Preparará o Senhor dos exércitos, para todos os povos, neste monte, um banquete de carnes gordas, de vinhos excelentes, de comidas suculentas, de vinhos finos" (Is 25,6). Os pobres, sobretudo, estão em condições de apreciar uma visão deste gênero, aqueles que não comem nunca à saciedade. A idéia da abundância e da saciedade é acentuada expressamente tanto no evangelho ("encheram doze cestos com os pães.. que sobraram") como na 1ª. leitura que,

 

também literária e estilisticamente, é paralela ao evangelho ("assim diz o Senhor: comerão e ainda sobrará"). Com o advento de Jesus, o tema messiânico da abundância atinge seu acabamento.

 

No evangelho, reveste-se de um evidente sentido eucarístico, como realidades que se anunciam e se completam mutuamente, e introduzem a comunhão sem véus com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O vocabulário empregado tanto por João como pelos sinóticos é tipicamente eucarístico. De fato, encontramos os mesmos verbos usados para a instituição da eucaristia: tomou o pão, e depois de ter dado graças, o distribuiu. A leitura eucarística do fato da multiplicação dos pães manifesta a compreensão teológica dos mesmos, por parte da comunidade primitiva, na superposição de planos desenvolvidos mais amplamente por João.

 

A eucaristia é vista, assim, em seu sentido mais genuíno de abundância de vida, e, capaz de dar a vida eterna dentro do banquete messiânico.

 

Um teste para a nossa caridade

 

O problema da fome no mundo é certamente uma das questões mais angustiantes do nosso tempo. Sua solução ainda está bem distante. O desequilíbrio econômico entre as nações desenvolvidas e as outras continua a registrar crescimento assustador. O auxílio econômico oferecido pelas nações ricas às pobres é ainda muito fraco e mal orientado, para poder apressar o progresso econômico social dos países em via de des­envolvimento. Perguntamo-nos se a Igreja, hoje ainda, multiplica os pães para os que têm fome, ou, mais concretamente, se no problema da fome que aflige o mundo de hoje, a Igreja tem alguma coisa a fazer, além do seu papel de lembrar, sem descanso, aos seus membros, suas obrigações individuais e coletivas. Mas será que estamos convencidos de que a Igreja somos nós?

Jesus saciou concretamente homens que tinham fome e, se revelou o pão da vida eterna, fê-lo a partir de uma realidade terrestre. O pão que ele da não é só o símbolo do pão sobrenatural. Não é possível revelar o pão da vida eterna sem comprometer-se verdadeiramente nos deveres da solidariedade humana. O amor dos pobres, como o dos inimigos, é o teste por excelência da qualidade da nossa caridade. Reconhecer aos pobres o direito de receber o pão da vida é engajar-se totalmente nas exigências do amor; e, para o cristão, traduzir numa nova "multiplicação dos pães", em escala mundial, o beneficio que ele recebeu de Cristo.

 

Uma Igreja pobre, sinal de abundância

 

Ora, precisamente por se encontrar a Igreja de fato mais desenvolvida nas nações ricas do Ocidente, deverá, para tornar digna de fé sua mensagem, apresentar-se às multidões dos pobres que povoam o mundo e que são, de direito, os primeiros destinatários do evangelho, como aquela que faz os povos participarem de sua abundância.

 

A Igreja mudará de fisionomia na medida que os cristãos e os responsáveis pelas instituições eclesiais tomarem consciência das exigências que o terceiro mundo põe à sua fé e à sua caridade. Então, a relação entre a Igreja e a riqueza material será restaurada em sua evangélica verdade, e a Igreja voltará a ser no mundo um "sinal" para todos os que têm fome de pão e de vida eterna. [MISSAL DOMINICAL, © Paulus, 1995]