Domingo, 25 de setembro de 2011

26º do Tempo Comum, Ano “A”, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

Hoje: Dia da Bíblia, Dia da Radiodifusão, dia Mundial do Coração, dia Nacional do Trânsito.

 

Santos: Firmino I, Aurélia, Cléofas, Vicente Stambi, Nicolau de Flue (1487), Firmino, Paulo e sua família (Damasco), Bem-Aventurados Bardoniano e Eucarpo (Ásia), Ceolfrido (716), Bem-Aventurado Hermano (o Coxo), Bem-Aventurado Francisco Jaccard,  Francisco Maria de Camporosso (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Senhor, tudo o que fizestes conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia. (Dn 3, 31.29-30.43.42)

 

Oração: Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminham do ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

1ª Leitura: Ezequiel (Ez 18, 25-28)
Cada ser humano é responsável pelo uso de sua liberdade

 

Assim diz o Senhor: 25"Vós andais  dizendo: 'A conduta do Senhor não é correta'. Ouvi, vós da casa de Israel: E a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?

 

26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Comunidade de pessoas responsáveis

 

Ezequiel é profeta do exílio. Ele está junto ao povo, ajudando-o a entender a vontade de Deus em momentos de desânimo geral. De fato, o cap. 18 de Ezequiel outra coisa não faz senão insistir na responsabilidade individual. Acontece que o povo exilado deixou-se possuir por uma espécie de fatalismo, imaginando estar pagando uma dívida que não contraiu. Em outras palavras, o exílio seria simplesmente conseqüência das graves faltas de seus antepassados. Além disso, os exilados estão longe do templo e de seus ritos e sacrifícios pelos pecados. O povo exilado se julgava vítima de passado errado, sem possibilidade de enxergar algo de novo para o futuro.

 

Não resta dúvida: o exílio é conseqüência de uma série de erros passados; é fruto das injustiças cometidas, sobretudo das injustiças dos líderes políticos e religiosos. Mas os exilados também estão sendo injustos por não entenderem a justiça de Deus e afirmarem: “A conduta do Senhor não é correta” (v. 25a). Eles até haviam criado um provérbio para traduzir a situação em que viviam: “Os pais comeram uva verde, e a boca dos filhos ficou amarrada” (v. 2).

 

É justamente contra esse modo de pensar e de agir que se levanta o profeta. A conduta do Senhor não é injusta por dois motivos: em primeiro lugar, porque ele não quer que o injusto morra, mas se converta de seus maus caminhos e viva (v. 23). Deus não sente prazer na morte de suas criaturas, mesmo que estas venham a cometer injustiça. Sendo o Deus da vida, quer que todos a possuam. Em segundo lugar, o Senhor não é injusto, pois está oferecendo ao povo a possibilidade de novo início. Basta que os exilados percebam seus erros, mudem de vida, e Deus estará com eles: “Quando um injusto se arrepende da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os seus crimes, com certeza ele vai viver; não vai morrer” (vv. 27-28).

 

Há, para os exilados, uma saída capaz de destruir para sempre o “não” dado por seus antepassados: ela consiste em reconhecer os próprios erros e arrepender-se, voltando ao Deus que não quer a morte do injusto, e sim sua conversão. O povo no exílio tinha mais facilidade em acusar a Deus de injustiça do que em admitir as conseqüências dos próprios erros. O que Deus quer é uma comunidade de pessoas responsáveis. Não é necessário serem perfeitas. Basta que tenham consciência de seus limites e não acusem a Deus de responsável pelos erros que elas próprias cometem, para que novo horizonte de vida e liberdade se abra diante delas.

 

Em outras palavras: sofremos, sim, as conseqüências de uma opção política de sociedade fundada na injustiça. Mas isso não nos isenta da responsabilidade. Seremos irresponsáveis se não fizermos algo para mudar, hoje, essa situação injusta. [Vida Pastoral nº 261, Paulus, 2008]

 

 

Salmo: 24(25) 4bc-5.6-7.8-9 (R/.6a) 
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

 

Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias!

 

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! Não recordeis os meus pecados quando jovem, nem vos lembreis de minhas faltas e delitos! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!

 

O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

 

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 2, 1-11)
 Vivei em harmonia, procurando a unidade

 

Irmãos, 1se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. 3Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante 4e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro.

 

5Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. 6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.

 

9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor" - para a glória de Deus Pai. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Tenham as mesmas disposições de vida que havia em Jesus

Continuamos a ler a carta aos Filipenses (para uma visão de conjunto, cf. o comentário à II leitura do domingo passado). Depois de ajudar a perceber os conflitos que vêm de fora (1,27-30), Paulo convida a comunidade a olhar para dentro de si (2,1-5). Aí também há muita coisa que precisa ser transformada. A exortação é feita de forma solene: “Se há uma consolação em Cristo, se há um encorajamento no amor, se existe uma comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, então tornem completa a minha alegria, permanecendo unidos no mesmo sentimento, no mesmo amor, num só coração, num só pensamento. Nada façam por competição e vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é superior e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro” (vv. 1-3).

 

Lido pelo avesso, esse trecho nos dá o retrato de uma comunidade envolvida em conflitos internos. O que estava acontecendo? Temos a impressão de que não havia união de sentimentos. Pelo contrário, a competição e o desejo de receber elogios, o sentimento de superioridade em relação aos outros, o desinteresse pelo bem comum, tudo isso estava presente na comunidade. O cap. 4 nos diz que duas líderes disputavam entre si o poder sobre a comunidade (4,2). E Sízigo pouco se importava com isso (4,3).

 

Paulo apresenta à comunidade o ponto de referência insubstituível: Cristo Jesus. E pede que todos tenham as mesmas disposições de vida (sentimentos) que havia nele. Vem, a seguir, um dos hinos cristológicos mais importantes do Novo Testamento (vv. 6-11), provavelmente um canto litúrgico conhecido na comunidade de Filipos.

 

O hino tem dois movimentos. O primeiro (vv. 6-8) é de cima para baixo e fala do esvaziamento de Jesus. É como uma escada com vários degraus: ele não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, tornou-se servo e fez-se obediente até a morte de cruz. O sujeito dessas ações é o próprio Jesus: consciente e livremente, despoja-se de tudo. Seu lugar social é junto aos escravos, sem privilégios, marginalizados e condenados. Para ele não há outra forma de revelar o projeto de Deus, a não ser esvaziando-se daquelas realidades humanas das quais com dificuldade abrimos mão: prerrogativas, posição social, honra, dignidade, fama e, o que é mais precioso, a própria vida. Jesus perdeu todas essas coisas. Desceu ao poço mais profundo da miséria e solidão humanas. O primeiro movimento desse hino não fala de Deus. Tem-se a impressão de que Jesus, despojado de tudo, tenha sido até abandonado por Deus.

 

O preço da encarnação foi a cruz. E o evangelho de Paulo é exatamente o evangelho de um crucificado. E a gente se pergunta: onde foi parar a divindade de Jesus? Ficou escondida por um momento? Ou era justamente no fato de ser plenamente humano que revelava o ser de Deus?

 

O segundo movimento (vv. 9-11) é de baixo para cima. Aqui o sujeito é Deus. É ele quem exalta Jesus, ressuscitando-o e colocando-o no posto mais elevado que possa existir. O Nome que ele recebe é o título de Senhor, termo muito querido pelos primeiros cristãos. Jesus é o Senhor do universo e da história. Diante dele toda a criação se prostra em adoração: “todos os joelhos se dobrem no céu, na terra e abaixo da terra”.

 

Deus Pai é glorificado quando as pessoas reconhecem em Jesus o humano que passou pela encarnação das realidades mais sofridas e humilhantes, culminando com a morte na cruz, condenação imposta a criminosos. E nós, quando aprenderemos a nos encarnar como Jesus? [Vida Pastoral nº 261, Paulus, 2008]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 21, 28-32)
 A verdadeira justiça e fé são encontradas em Jesus

 

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28"Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!' 29O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: 'Sim, senhor, eu vou'. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?" Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "O primeiro". Então Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho


Quem é contra a justiça do Reino?

A parábola dos dois filhos só se encontra no Evangelho de Mateus. Esse dado é importante, pois o evangelista tirou lá do fundo do baú (cf. 13,52) coisas antigas, mas também coisas “novas”, a fim de dar ao seu escrito uma dimensão especial. As parábolas exclusivas de Mateus são as coisas novas que ele reservou para o momento certo, querendo com isso sublinhar a idéia básica que percorre todo o evangelho. Essa idéia básica é o tema da justiça do Reino, como já tivemos oportunidade de ver nos comentários ao evangelho dos domingos anteriores.

 

Jesus está em Jerusalém e, mais exatamente, no templo, centro do poder político, econômico e ideológico daquela época. É aí que ele conta três parábolas, sendo a primeira delas a “parábola dos dois filhos” (as outras duas vão aparecer nos próximos domingos). Trata-se de parábolas de confronto e de conflito entre o Mestre da Justiça e os promotores da sociedade injusta, representados, na parábola de hoje, pelos chefes dos sacerdotes (poder religioso-ideológico) e anciãos do povo (poder econômico).

 

a. Quem é quem diante da justiça do Reino (vv. 28-30)

A parábola é muito simples. Jesus se dirige, de forma provocadora, às lideranças político-econômicas e religiosas do tempo, perguntando: “O que vocês acham disso?” A parábola, portanto, é uma provocação de Jesus aos que servem de suporte a uma sociedade injusta. Ao responderem à parábola, eles serão forçados a se posicionar e, conseqüentemente, acabam emitindo a própria sentença.

 

A parábola fala de dois filhos com atitudes contrastantes: o filho mais velho é muito impulsivo e reage com um “não quero” quando o pai lhe pede que vá trabalhar na vinha. A seguir, pensa melhor e volta atrás: “depois, arrependeu-se e foi”. O filho mais novo é cheio de etiquetas, incapaz de responder impulsivamente: “Sim, senhor, eu vou”, mas acaba não indo trabalhar na vinha.

 

O filho mais velho representa os pecadores e os marginalizados que aceitam a mensagem de Jesus e se comprometem com a proposta da justiça do Reino. O próprio evangelista Mateus está entre essas categorias sociais, pois era cobrador de impostos. As prostitutas e os cobradores de impostos constituíam os grupos sociais mais detestados pelas elites religiosas e políticas do tempo de Jesus. Os donos do saber e da religião haviam decretado que essas categorias de pessoas não teriam parte no mundo futuro – exatamente o contrário de tudo o que Jesus ensinou. Cobradores de impostos e prostitutas, portanto, são a síntese da marginalidade, considerados pecadores públicos.

 

O filho mais novo recorda as “pessoas de bem”, maquiladas de religiosidade e “justiça” – prontas a se escandalizar e se levantar em defesa de suposta verdade, mas presas fáceis do dinheiro (os anciãos eram latifundiários) e crentes de que estavam cumprindo a vontade de Deus. Desde o começo do Evangelho de Mateus, os chefes dos sacerdotes estão ao lado de Herodes, que pretende matar Jesus (cf. 2,3-4). Herodes morreu em seguida, mas os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo, membros do sinédrio, serão os responsáveis diretos pela morte do Mestre da Justiça.

 

Notemos ainda duas coisas: 1) No Antigo Testamento, Israel inteiro era considerado filho de Deus. No tempo de Jesus, todavia, as elites haviam determinado que pobres, analfabetos, cobradores de impostos, prostitutas e outras categorias de marginalizados deveriam ser considerados “malditos de Deus”, portanto, excluídos do povo. 2) O pai pede que os filhos vão hoje trabalhar na vinha. Esse “hoje” não é um dia apenas. É o período que vai do início da atividade libertadora de Jesus, anunciada por João Batista, até a construção aqui na terra da justiça que instaura o Reino no meio de nós. Os marginalizados deram ouvidos e se comprometeram. O mesmo não se pode dizer das elites. Isso nos mostra que ser filho obediente do Pai não é questão de palavras, mas de gestos libertadores, à semelhança da prática de Jesus.

 

b. Uns entram no Reino, outros não (vv. 31-32)

Depois de contar a parábola, Jesus pergunta aos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?”. Por trás dessa pergunta ressoam as primeiras palavras que traçam o programa de Jesus segundo o Evangelho de Mateus: “Devemos cumprir toda a justiça” (3,15). A vontade do Pai está expressa na prática do Filho. Os que se comprometem com ele se comprometem também com o projeto de sociedade nova por ele trazido. Jesus confirma, a seguir, a sentença que as elites inconscientemente deram a si próprias: “Pois eu lhes asseguro que os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no reino do céu. Porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele” (vv. 31b-32a). Segundo os estudiosos, a expressão “entrar antes” é um modo de afirmar a exclusão. Não é que os cobradores de impostos e as prostitutas entram antes e os outros entram depois. Afirma, isso, sim, que os primeiros entram e os segundos ficam fora. E isso está de acordo com a parábola, pois o filho mais novo diz sim e acaba não indo trabalhar na vinha. Ressoa mais uma vez a afirmação de 5,20: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e fariseus, vocês não entrarão no reino do céu”.

 

Por que há pessoas que não entram no reino do céu? Porque não se sensibilizaram diante de João Batista nem com a adesão dos cobradores de impostos e prostitutas e, pior ainda, procuram sufocar o caminho da justiça, matando Jesus. Grave alerta para todos nós que nos julgamos seguidores de Jesus. Há muita gente por aí que, embora não freqüente igrejas e não se diga cristã, tem um sentido e uma prática de justiça muito mais acurados que os nossos. Exatamente como no tempo de Jesus. O sentido da justiça se encontrava precisamente naqueles que nada tinham a ver com a religião. Esta é grave previsão de futuro: encontrar o sentido da justiça longe das igrejas e das entidades religiosas, entre os discípulos anônimos do Mestre da Justiça. Por quê? Porque eles descobriram no hoje da nossa História a urgência da justiça que, por si só, já os faz participantes do Reino. [Vida Pastoral nº 261, Paulus, 2008]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Depois de ouvir a palavra de Deus, que foi alimento para nossa fé e sustento de nossa esperança, respondamos, elevando a Deus nossa oração comum. Senhor, escutai a nossa prece.

Por nossos irmãos que foram os herdeiros das promessas, para que o Senhor os ilumine e os ajude a pronunciar seu “sim” a Cristo Salvador, rezemos.

Pelos que chamamos de indiferentes e afastados, para que o exemplo e a coerência de vida dos cristãos façam com que voltem à casa do Pai, rezemos.

Pela nossa comunidade, para que o “sim” pronunciado com os lábios na celebração da eucaristia seja confirmado e fortalecido pelo “sim” de nossa vida, rezemos.

(outras intenções)

 

Ó Deus, que através da Igreja fazeis com que chegue a todos a mensagem da salvação, concedei-nos obter desde esta vida os bens que ousamos esperar, confiantes em vossa palavra. Por Cristo nosso Senhor

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus de misericórdia, que esta oferenda vos seja agradável e possa abrir para nós a fonte de toda bênção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Lembrai-vos da promessa ao vosso servo, pela qual me cumulastes de esperança! O que me anima na aflição é uma certeza: Vossa palavra me dá a vida, ó Senhor. (Sl 118, 49-50)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a comunhão nesta eucaristia renove a vossa vida para que, participando da paixão de Cristo neste mistério e anunciando a sua morte, sejamos herdeiros da sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Bíblia

Nome dado ao conjunto dos livros inspirados do AT e do NT, originariamente escritos em hebraico, aramaico e grego. O termo vem do grego tá Bíblia, “os livros”. Estes livros são o patrimônio espiritual do judaísmo e das igrejas cristãs. A Bíblia foi escrita ao longo de mil anos, mas sua inspiração é atestada só pelo final do I século, em 2Tm 3,16s e 2Pd 1,21. Mas bem cedo se recomendava sua leitura (Ex 24,7; Dt 17,19; Js 1,8; Is 34,16; Jo 5,39; At 8,28; Rm 15,4; 2Cor 1,13; Ef 3,3s). Sendo um livro inspirado, deve ser lido com piedade e humildade (Eclo 32,15; Mt 11,15; 13,11; 1Cor 2,12-14; 2Tm 3,7.16). Sendo um livro antigo, escrito por um povo de cultura diferente da nossa, que trata dos planos de Deus a respeito dos homens, a Bíblia carece de interpretação (Sb 9,16-18; Mt 13,11; Mc 4,34; Lc 24,45; At 8,30s; 1Cor 12,30; 2Pd 1,20; 3,15s. Sendo um livro assumido pela Igreja como fonte de revelação, necessita também de sua interpretação oficial (Ml 2,7; Mt 16,18; 28,19s; Lc 10,16; Jo 14,16.26; 16,13; 20,22s; Ef 2,20; 1Tm 3,13). Ver “Revelação”e “Como ler a Bíblia com proveito”, Introdução Geral desta Bíblia.

 

Eles vos precederão no Reino de Deus

   

As três parábolas lidas nos evangelho deste e dos dois domingos seguintes, tratam de um único tema: a rejeição do povo judeu que não quis escutar Jesus, e a sua substituição pelos pagãos.

 

Ninguém é marginalizado por Deus

 

A parábola dos dois filhos justifica a posição do Cristo diante dos “desprezados”, esta nova categoria de pobres. Cristo dirige a parábola aos sumos sacerdotes e anciãos, como faz, com outra do mesmo teor, aos fariseus (fariseu e publicano: Lc 18,9); replica a todos os que se escandalizam com sua predileção pelos pecadores, dizendo-lhes que estes estão mais próximos da salvação do que os que se consideram justos; entra em casa de Zaqueu, que durante anos usurpou os vencimentos de todos, deixa que uma prostituta lhe lave os pés, protege a adúltera contra os “puros” que a queriam apedrejar.

 

Sua vida deixa a Deus a possibilidade de manifestar-se como verdadeiramente é. Estas situações revelam, no fundo, a liberdade de Deus. A parábola se dirige, pois, aos que se fecham para a Boa-nova, aos que não querem reconhecer a identidade de Deus em nome da própria justiça e se consideram pagos por sua própria suficiência.

 

As prostitutas haviam dito “não”

 

A fidelidade a Deus e a justiça não se julgam pelo dizer “sim” ou pela vinha que se possui (figura da pertença racial ao povo eleito!), mas pelos fatos. Trata-se de eliminar as discriminações sociais que a tradição hebraica elaborou. O que importa não é agir como a tradição ensina. É necessário ter coragem de sujar as mãos e de se arriscar na busca de novos  valores mais próximos da liberdade, do amor, da felicidade do homem. É pelas obras que se julga a pertença. “Nem todo que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus” (Mt 7, 21). As palavras, as ideologias podem enganar, podem ser uma ilusão. Descobre-se a verdade do homem por suas obras. Elas não dão margem a equívocos. Só então o homem mostra o que é. Compreendemos então aquela palavra de Jesus, que provoca escândalos aos ouvidos dos que se pretendem bons: “Em verdade vos digo: os publicanos e as prostitutas vos precederão no reino de Deus”. Oficialmente, conforme as categorias religiosas e os critérios morais exteriores  da época, eles tinham dito “não”, mas de fato o que importa é sua profunda disponibilidade: a vontade de cumprir, não com palavras, mas com fatos, as obras de penitências.

 

Deus não decidiu, um dado momento da história, rejeitar Israel e adotar as nações pagãs. Foi o comportamento perante o Messias que os fez perder o papel que desempenhavam na ordem da mediação. O modo como viviam o seu “sim” à Lei os levou a dizer “não” ao evangelho.

 

Para além das práticas

 

Existe ainda uma concepção exterior e quantitativa da religiosidade dos grupos e das pessoas (como se só fosse possível medir a religiosidade pela pertença sociológica ou a presença a certas práticas religiosas facilmente verificáveis: missa, sacramentos, orações, devoções, esmolas...) Contribuem para provocar este equívoco certas pesquisas sócio-religiosas que codificam convencionalmente uma escala de religiosidade e de pertença eclesial que, se de certo ponto de vista obriga a abrir os olhos para situações penosas, de outro está bem longe de esgotar o complexo fenômeno da religiosidade, tanto de grupo como individual.

 

Para além da prática e da pertença exterior e jurídica, existe uma presença e um evidente influxo cristão e evangélico em camadas de populações aparentemente marginais e alheias.

 

A religião, como é vivida pelos cristãos, apresenta diversos níveis e modalidades de experiência. Pode ser vivida como uma soma de práticas, de devoções, de ritos, como fins em si mesmos; como uma visão do mundo e das coisas; como um critério de juízo sobre pessoas, valores, acontecimentos. Pode manifestar-se como código moral e norma de ação ou como integração fé-vida, isto é, como síntese no plano do juízo e da ação, entre a mensagem do evangelho e as exigências e os esforços da própria vida pessoal e comunitária.

 

O cristão opera a integração fé-vida. Isto é, o “sim” de sua fé se torna o “sim” de sua vida; a palavra e a confissão dos lábios se tornam ação e gesto das mãos. Assim, a discriminação entre o “sim” e o “não” não passa través das práticas e da observância das leis, mas através da vida. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]