Domingo, 25 de julho de 2010

17º Do Tempo Comum (Ano “C”), 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Motorista, dia do Escritor e dia do Trabalhador Rural

 

Santos: Cristóvão (mártir; o nome significa "o que carrega Cristo", protetor dos meios de transporte), Tiago Maior (apóstolo), Valentina e Téa (vírgens mártires), Paulo (mártir na Palestina), Magnérico (bispo de Treves).

 

Antífona: Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo. (Sl 67, 6-7.36)

 

Oração: Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura, Gênesis (Gn 18, 20-32)
 Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar

 

Naqueles dias, 20O Senhor disse a Abraão: "O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu e agravou-se muito o seu pecado. 21Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim". 22Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor. 23Então, aproximando-se, disse Abraão: 'Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? 24Se houvesse cinquenta justos na cidade, acaso iríeis exterminá-los? Não pouparias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem? 25Longe de ti agir assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio. Longe de ti! O juiz de toda a terra não faria justiça?" 26O Senhor respondeu: "Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira".

 

27Abraão prosseguiu dizendo: "Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza. 28Se dos cinquenta justos faltassem cinco, destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?" O Senhor respondeu: "Não destruiria, se achasse ali quarenta e cinco justos". 29Insistiu ainda Abraão e disse: "E se houvesse quarenta?" Ele respondeu: "Por causa dos quarenta, não o faria". 30Abraão tornou a insistir: "Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo. E se houvesse apenas trinta justos?". Ele respondeu: "Também não o faria, se encontrasse trinta". 31Tornou Abraão a insistir: "Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?" Ele respondeu: "Não a iria destruir por causa dos vinte". 32Abraão disse: "Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?" Ele respondeu: "Por causa dos dez, não a destruiria". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 137 (138), 1-2a. 2bc-3.6-7ab.7c-8 (R/.3a)
Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

 

Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.

 

Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

 

Altíssimo é o Senhor, mas olha os pobres, e de longe reconhece os orgulhosos. Se no meio da desgraça eu caminhar, vós me fazeis tornar à vida novamente; quando os meus perseguidores me atacarem e com ira investirem contra mim, estendereis vosso braço em meu auxilio, e me salvareis com vossa destra.

 

Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos.

 

 

II Leitura, Colossenses  (Cl 2, 12-14)
 Deus nos trouxe à vida

 

Irmãos, 12com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. 13Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados. 14Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 11, 1-13)
Pedi e recebereis

 

1Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: "Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos". 2Jesus respondeu: "Quando rezardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação"'.

 

5E Jesus acrescentou: "Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer', 7e se o outro responder lá de dentro: 'Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães'; 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.

 

9Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. 11Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!" Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 6, 9-13

 

Como reza o discípulo de Jesus

 

 

Em sua definição mais universal e partilhada por todas as religiões, a oração é diálogo com Deus. Mas, pôr-se em diálogo com Deus pode ser um risco para o homem.

 

Na oração, o homem pode desfigurar-se a si mesmo e a Deus. Pode reduzir Deus a um bem de consumo, a uma solução fácil para suas próprias insuficiências e sua preguiça. E pode reduzir-se a si mesmo a um ser que lança sobre outro suas responsabilidades.

 

Só a fé garante a

veracidade da oração

 

Em Israel, que vive num regime de fé, não está em perigo a veracidade da relação do homem com Deus, a veracidade da oração.

 

Um homem vivo, um homem verdadeiro, encontra o Deus vivo e verdadeiro. Uma liberdade está diante da Liberdade, o pó diante da Rocha. "Eis que ouso falar ao meu Senhor, eu que sou pó e cinza" (1ª leitura). Em Israel, a oração está essencialmente ligada à fé. Uma resposta livre ao Deus que se revela e fala, uma ação de graças pelos grandes acontecimentos que Deus realiza para o seu povo. A oração é, pois, antes resposta do que pedido.

 

Os salmos são o maior testemunho da oração de Israel, em que o homem permanece ele mesmo e Deus permanece Deus, em autêntico diálogo de amor, diálogo não sentimental ou subjetivo, mas em que entra a vida, a história.

 

Moisés é a figura daquele que reza, o orante por excelência, e éo homem da libertação de um povo, uma figura histórica; a ação, a política são a constante da sua existência. Até a sua oração mais contemplativa, a que faz antes de ver a glória de Deus, é uma oração encarnada, em que a expectativa e a esperança de um povo entram com força. Ele leva perante Deus a situação política de um povo, não como observador, mas como realizador.

 

Jesus leva à plenitude a oração de Israel. Reza, utiliza as formas tradicionais do seu povo e cria livremente outras. Mas Jesus não só reza; ele é a oração; na sua pessoa se dão diálogo do homem com Deus, na mais absoluta verdade dos dois termos.

 

O ápice desta oração é a morte de Jesus que, vista sob o aspecto meramente interno da história, representa apenas um acontecimento profano, isto é, a execução de um homem condenado como delinquente político; no entanto, é o único ato litúrgico da história.

 

Por isso, o culto cristão se concretiza na absoluta doação do amor, que só se podia manifestar naquele em quem o amor mesmo de Deus se fizera amor humano.

 

O cristão "participa" da oração de Jesus

 

O cristão, inserido em Jesus pelo batismo como membro do corpo, pode dignamente agradecer ao Pai, e com Cristo pode descobrir que o momento-ápice do culto é, como menos se espera, a morte e tudo o que exprime a fragilidade e a limitação do homem. Associado a Cristo para a edificação do reino, a sua oração de ação de graças pode e deve desenvolver-se em oração de súplica que o torna mais disponível à ação de Deus e lhe permite cumprir sua missão de filho adotivo na realização do desígnio divino.

 

Na medida que a sua oração de súplica é verdadeiramente a de filho adotivo, o cristão tem a certeza de ser atendido. Mas isso exige um longo aprendizado, um progressivo despojamento de si, a fim de que a oração :1e suplica se purifique e tenda a identificar-se com a ação de graças: "Pai, faça-se a tua vontade, não a minha".

 

Oração "verbal" e oração "vivencial"

 

dentro da existência que se vive a relação com Deus, na complexa trama das relações com as pessoas. A oração é, pois, um fato vivencial, mais do que verbal. O momento "verbal", porém, é antropologicamente necessário e indispensável. Certamente, as oito horas de trabalho penoso, na fábrica, são, para um operário, amor concreto pela esposa e os filhos; mas e é retirado o momento de diálogo, perde-se uma dimensão essencial da existência humana. O mesmo se dá nas nossas relações com Deus. A oração é "palavra", "conscientização" da relação com Deus, é alimento da relação pessoal com ele; quando não nos falamos mais, lentamente nos ornamos estranhos.

 

A oração, enquanto palavra, é verdadeira ou falsa. Verdadeira, quando exprime a realidade, isto é, a vida; falsa, quando dela se dissocia. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

 

Bíblia, a melhor fonte de inspiração da oração

·         Algumas orações do AT (Gn 18,23-33; Ex 15,1-18; Nm 14,13-19; 1Sm 1,11; 2,1-10; 2Sm 7,18-29; 1Cr 16,8-36; 29,10-20; 1Rs 8,23-53; 2Rs 19,15-19; Esd 9,6-15; 2Mc 1,24-29; Tb 3,1-6.11-15; 8,7-10; 13,1-18; Jt 9,2-18; Est 4,12-30; Jr 17,12-18; 20,7-18; 32,7-15; Dn 3,26-45.52-90; Jn 2,3-10; Hab 3,1-19).

·         Oração de Jesus (Lc 3,21; 5,16; 6,12; 9,29; 11,1; 22,32; Mc 1,35; 6,46; Mt 14,23; 26,36-46; Jo 11,41s; 17,1-26). Jesus ensinou a orar (Lc 11,1-13; 18,9-14; Mt 6,5-13; 7,7-11; 18,20).

·         Oração da Igreja primitiva (At 2,42-47; 4,23-31; 12,5; 16,25; Rm 1,9; 1Cor 14,13-19;1Ts 1,2 ; 2Tm 1,3; Ef 5,20).

·         Oração de louvor (Sl 34,2; 117,1; Dn 3,51s; Lc 19,37s).

·         Oração de agradecimento (Sl 107,1; Ef 5,20; Cl 3,7; 1Ts 5,18).

·         Oração de petição (2Cor 1,11; Cl 1,9; 1Ts 1,2; 5,25).

·         Oração por si, sobretudo no sofrimento (Sl 50,15; 120,1; Mt 21,22; Tg 5,13).

·         Pelas autoridades e superiores (At 12,5; Ef 6,19; 1Tm 2,1-3; Hb 13,18).

·         Por todas as pessoas, sem distinção (Mt 5,44; Lc 6,28; Ef 6,18; 1Tm 2,1).

 

A oração e a vigilância

No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã (Mc 13,33-37; Mt 24,42-44; 25,13; Lc 12,36-40; 1Ts 5,1-7; 2Tm 4,5-7; 2Pd 3,10). É preciso vigiar nas tentações (Mt 26,37-46; 1Cor 16,13; Cl 4,2; Ef 6,1-20; 1Pd 5,8). Os anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (At 20,29-31; 1Cor 16,13). A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas e na oração (Ef 6,18; Cl 4,2; Lc 6,12; 21,36; Mc 14,38).

 

A oração e os Salmos (Blog Pe. Leo):

 

·         Salmo 1: Os dois caminhos

·         Salmo 4: quem nos fara felizes

·         Salmo 8: Hino a Deus Criador do homem

·         Salmo 9: Deus protetor dos humildes

·         Salmo 15 (14): Quem habitará na Tua Casa

·         Salmo 16 (15): Deus meu refugio e fonte de vida

·         Salmo 19 (18): Os céus proclamam a glória de Deus

·         Salmo 46 (45): Deus nosso refugio e nossa força

·         Salmo 51 (50): Tem compaixão de mim, Senhor

·         Salmo 66 (65): Aclamai ao Senhor, Terra inteira

·         Salmo 71 (70): O Senhor é a minha esperança

·         Salmo 91(90): Deus é o meu amparo

·         Salmo 92 (91): É bom louvar-Te, Senhor

·         Salmo 103 (102): Bendiz ó minha alma, o Senhor

·         Salmo 130 (129): Do profundo abismo clamo por Vós, Senhor

·         Salmo 131 (130): Não se eleva soberbo, meu coração, Senhor

·         Salmo 138 (137): Senhor, eu Vos agradeço

·         Salmo 139 (138): Senhor, Tu me conheces

·         Salmo 145 (144): Exaltarei a Tua grandeza, Senhor.