Domingo, 25 de abril de 2010

Quarto Do Tempo da Páscoa, 4ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Mundial de Orações pelas Vocações e Dia do Contabilista

 

Santo: Pedro de Verona (mártir), Vilfrido o Moço (bispo), Hugo de Cluny (abade), Roberto de Molesmes (abade), José Cottolengo, Antônia, Catarina de Sena.

 

Antífona: A terra está repleta do amor de Deus; por sua palavra foram feitos os céus, aleluia! (Sl 32, 5-6)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do pastor.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Atos (At 13, 14.43-52)
 Eis que nós voltamos para os pagãos

 

Naqueles dias, Paulo e Barnabé, 14partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. 43Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus.

 

44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. 45Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: "Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: `Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra'". 48Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio. 52Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo. Palavra do Senhor!

Salmo 99 (100), 2.3.5 (R/.3c)

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós

somos seu povo e seu rebanho

 

Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!

 

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.

 

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

 

 

II Leitura: Apocalipse (Ap 7, 9.14-17)
O cordeiro conduzirá às fontes da água da vida

 

Eu, João, 9vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 14Então, um dos anciãos me disse: "Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do cordeiro. 15Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. 16Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente. 17Porque o cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos". Palavra do Senhor!

 

Evangelho: João (Jo 10, 27-30)
Eu dou a vida eterna para minhas ovelhas

 

Naquele tempo, disse Jesus: 27"As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um". Palavra da Salvação!

 

 

O Cordeiro-Pastor da humanidade

 

Na realidade da pessoa do Cristo se identificam as imagens do cordeiro­-servo de Javé e do pastor-guia do povo em seu contínuo êxodo religioso. Na primeira imagem é expressa a proximidade conosco, pela qual o Filho de Deus quer assemelhar-se em tudo a seus irmãos, partilhar seu destino até a morte, derramando seu sangue inocente para nos resgatar. Na outra, é expresso o amor misericordioso de Deus que Cristo nos deu a conhecer, vivo em sua pessoa, diversamente dos outros chefes religiosos e políticos do povo, que também se apresentavam como pastores em nome de Deus. O pastor supremo das nossas almas percorreu pessoalmente o itinerário que nos indica: a "grande tribulação" que tem como termo - dom gratuito de Deus - uma felicidade paradisíaca simbolizada nas "fontes das águas da vida".

 

Um itinerário oferecido a todos

 

Ninguém é excluído. Os 144.000 assinalados - símbolo da totalidade do novo Israel na fé, que reúne os que creem, de toda proveniência de  raças  e  culturas - já  deixavam ver uma vontade de salvação universal; ainda mais evidente é a  indicação  da  "imensa  multidão,

que ninguém podia contar", de toda nação, raça, povo e língua.

 

Por outro lado, temos aqui uma proposta a todos os que, na Igreja, têm responsabilidade "pastoral". Se não amam seus irmãos com um amor pessoal, suave e forte, previdente e pronto para remediar, se não consomem sua vida esquecendo-se de si mesmos, então não são verdadeiros colaboradores do único pastor.

 

Análoga é a missão de toda comunidade cristã para com "a multidão" dos filhos de Deus; condição indispensável de vitalidade e sua fecundidade apostólica, a capacidade de buscar, de acolher e de conduzir às fontes da Palavra e dos sacramentos.

 

Como ovelhas sem pastor

 

O homem de hoje se sente cada vez mais aviltado e desconhecido como homem, como pessoa e centro de interesse. O que mais o humilha é o clima de anonimato, típico da nossa civilização, a sensação opressiva de massificação que o torna um número enfileirado numa série fria de outros números. E essa massa anônima tem a sensação nítida de estar ao arbítrio de forças obscuras, mas poderosas> que a manipula com o fim de explorá-la e dela tirar vantagens, com objetivos egoístas de dominação e poder. Para dar um exemplo, pensemos unicamente na força da manipulação publicitária para obter proventos cada vez maiores, ou na manipulação política da opinião pública em busca de poder.

 

A figura do Cristo "cordeiro-pastor" revoluciona tudo isto. Como pastor, Cristo instaura relações pessoais com cada um de nós, individualmente; por seu amor, que atinge nossa mais profunda identidade, não naufragamos no anonimato de um rebanho sem nome; ele "nos conhece", nós "o conhecemos", face a face, sentimo-lo próximo em todos os momentos de nossa vida, interessado com amor por nossa aventura humana. Não distante, frio, indiferente.

 

E como "cordeiro", Cristo nos lembra que sua lógica é a lógica da doação, não a da exploração; do serviço, não do poder; do sacrificar-se pelos outros, não do sacrificar os outros a si.

 

Nesse contexto, o Cristo "cordeiro-pastor" é figura viva e atual. Sentimo-­nos envolvidos por seu continuo cuidado. Não esmagados pela indiferença de um mundo hostil, por uma existência sem sentido porque sem ponto de referência.

 

Um pastor pronto a dar até a vida

 

Em Cristo, que se faz cordeiro para ser imolado e lavar-nos com seu sangue, que se faz pão para nutrir-nos, vemos a verdadeira face de Deus Pai.

 

"Imaginamos Deus rico e poderoso, e certamente o é, mas não do modo como pensamos; sua riqueza não consiste em possuir, mas em dar, em empobrecer-se; e não usa de seu poder para impor-se, mas para se fazer aceitar. A liberalidade do Filho manifesta como é o Pai, pobre por excesso de riqueza, transbordante de uma vida que não procura ter para si, mas que derrama, com liberalidade e sem medida, sobre nós, através de Cristo; de fato, "ele dá seu Espírito sem medida" (Jo 3,34). Como exemplo desta generosidade, diz Paulo: "Ele, que não poupou seu próprio Filho, mas o sacrificou por todos nós, como poderá deixar de nos dar, com ele, tudo mais?" (Rm 8,32). Se Deus não recusa sacrificar aquilo que tem de mais caro, o próprio Filho, devemos compreender que ele não se poupa a si mesmo, que, por nós, se despoja do próprio ser e da própria vida, que se dá a nós enquanto nos dá seu Filho" (J. Moingt). [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]