Domingo, 24 de outubro de 2010

30º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia das Nações Unidas, dia Mundial do Desenvolvimento e Início a Semana do Desarmamento (até o dia 31/10), Dia das Missões, dia da Juventude Missionária e dia da Santa Infância

 

Santos: Antônio Maria Claret (1870, Catalunha, Espanha, fundador dos Claretianos), Evergílio, Maglório (séc. VI, monge das Ilhas Britânicas), Félix (303, Itália).

 

Antífona: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sobra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16, 6.8)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Eclesiástico (Eclo 35, 15b-17.20-22a)
A prece do humilde atravessa as nuvens

 

15O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. 16Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; 17jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. 20Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. 21A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o altíssimo intervenha, 22apeça justiça aos justos e execute o julgamento. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo Responsorial: 33 (34), 2-3. 17-18. 19 e 23 (+ 7a)
O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos

 

2Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. 3Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem. 

 

17Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. 18Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. 

 

19Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. 23Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.

 

 

II Leitura: Paulo a Timóteo (2Tm 4, 6-8. 16-18)
Agora está reservada para mim a coroa da justiça

 

Caríssimo, 6quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 16Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. 17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 18, 9-14)
O fariseu e o cobrador de impostos

 

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10"Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de, pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. 13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado".  Palavra da Salvação!

 

 

Deus torna justo quem o buscam com fé

 

Todos os homens participam da mesma impotência e são solidários no mesmo estado de ruptura com Deus; não podem salvar-se por si mesmos, isto é, não podem entrar sozinhos na amizade de Deus. O primeiro ato de verdade que o homem deve fazer é reconhecer-se pecador, impotente para se salvar, e abrir-se pois, à ação de Deus.

 

O fariseu e o publicano: dois

modos de dialogar com Deus

 

Vemos, na parábola, dois modos de conceber o homem e sua relação com Deus. A oração do fariseu é uma ação de graças a Deus. Mas só aparentemente. Na realidade é um pretexto para louvar-se a si mesmo e não a Deus, comprazer-se em si por não ter pecado algum e pelo mérito das boas obras; diante disso se considera justificado e "exige" de Deus a recompensa. A oração do fariseu não é oração, é seu oposto. O publicano, ao contrário, está "na verdade": consciente de  sua culpa e  de  não  ter  méritos diante de Deus. Pede misericórdia. A sua é verdadeira oração.

 

Assim, pode-se perceber por trás das duas personagens da parábola a oposição entre dois tipos de justiça: a do homem que pensa poder realiza-­la pelo cumprimento perfeito da lei, e a que Deus concede ao pecador, que se reconhece como tal e se converte. O tema paulino da justificação mediante a fé já se encontra delineado nesta parábola.

 

Por que a fé em Cristo "justifica" o homem

 

O cristão é realmente homem justificado pela fé em Jesus Cristo, naquele que é ao mesmo tempo dom substancial do Pai e homem entre os homens, e que pôde dar a única resposta agradável a Deus. É este o motivo pelo qual a fé em Jesus salva. De fato, Jesus inaugura na sua pessoa o reino do Pai, no qual se realiza o destino do homem. De si, como de seus irmãos, Jesus exige a renúncia absoluta, que implica na fidelidade à condição de criatura: renúncia até a morte e, se necessário, até a morte de cruz. É o salvador do mundo que fala assim.

 

Como pode esse homem, que levou até as últimas consequências a revelação da condição humana, proclamar-se ao mesmo tempo salvador da humanidade? A esta pergunta há uma só resposta: verdadeiramente, este homem é o Filho de Deus; Deus amou tanto o mundo que, por isso, lhe deu seu Filho único; e ao mesmo tempo, ele é homem entre os homens; a sua fidelidade de criatura é, por identidade, uma fidelidade filial. A resposta ativa deste homem encontra-se perfeitamente com a iniciativa divina da salvação.

 

A fé, fonte de vida nova - vida de filho

 

A união a Cristo nos torna capazes da mesma "fidelidade filial" até a cruz. O homem é "justificado" porque a fé em Cristo lhe dá acesso ao Pai na qualidade de filho adotivo.

 

A salvação é dom divino; torna-se, no homem, fonte de uma atividade filial, em que se realiza, ilimitadamente, a fidelidade à nova lei do amor. Paulo, o arauto da justificação pela fé, é também a grande testemunha da vida nova que vem da fé em Cristo. Agora, velho, no cárcere, na expectativa da condenação à morte, reflete sobre sua vida (2ª leitura). Sua experiência de Cristo termina por um malogro humano: todos o abandonaram, nenhum o defendeu em juízo. Mas ele "conservou a fé", combateu por Cristo e permaneceu fiel até a meta final. Sua esperança o leva à certeza da "recompensa" que receberá de Cristo por sua vida de dedicação e amor a exemplo de Jesus.

 

Hoje a suficiência farisaica não é mais a observância de uma lei: toma outro nome.

 

Em muitos ela é a convicção de que o homem pode salvar-se como homem, apelando unicamente para os seus recursos. O homem salva o homem mediante a ciência, a política, a arte...

 

E por isso mais do que nunca necessário que os cristãos anunciem ao mundo Cristo como salvador. A salvação que ele traz não se opõe à salvação humana. Mas a conduz à plenitude. Com a celebração dos sacramentos, especialmente da eucaristia, os cristãos dão testemunho da necessidade da intervenção divina na vida do homem, põem-se sob a ação de Deus presente, com seu espírito, e fazem a experiência privilegiada da justificação obtida mediante a fé em Jesus Cristo. Devem, por isso, estar continuamente vigilantes para não participarem dos sacramentos com espírito farisaico. (Missal Dominical, Paulus, 1995)