Domingo, 23 de outubro de 2011

30º do Tempo Comum, Ano “A”, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

Hoje: Dia da Aviação Brasileira, dia do Aviador, Dia das Missões, Dia da Juventude Missionária e Dia da Santa Infância

 

Santos: João de Capistrano (Croácia, 1456, presbítero franciscano da primeira ordem), Vero, João Bondoso, Inácio (877, Síria), João (Mântua, Itália, 1249), Bem-Aventurada Tomás Thwing (1680, York, Inglaterra, mártir), Clotilde Paillot, Ode, Severino.

 

Antífona: Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104,3-4)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Êxodo (Êx 22, 20-26)
Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso

 

Assim diz o Senhor: 20Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. 21Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor. 23Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos.

 

24Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros. 25Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr-do-sol. 26Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

“Quem ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4,21)

 

A série de leis que aparecem nesse texto bíblico baseia-se em dois fundamentos:

 

– não se deve fazer a outrem o que não é desejado para si mesmo (Ex 22,20);

 

– Deus é o libertador e tem particular cuidado com os atribulados, escuta seus clamores e é misericordioso para com eles (Ex 22,26).

 

São estas as categorias sociais mencionadas nas proibições:

 

– o estrangeiro. Na Antiguidade, cada indivíduo tinha a identidade vinculada a uma tribo ou clã de origem que o protegia. Em viagem ou quando havia migração de uma pequena família para outra região, então facilmente essas pessoas ficavam sem proteção e à mercê da violência, por causa da distância da tribo à qual pertenciam.

 

– a viúva e o órfão. A mulher era protegida pelo pai e, na falta deste, pelos irmãos adultos; se casada, pelo marido e, na ausência deste, pelos filhos adultos. A viúva propriamente dita era uma mulher cujo pai ou irmãos estavam ausentes e que, com a morte do esposo, tinha ficado sozinha com filhos ainda crianças. Nessa condição, a mulher estava totalmente desprotegida, podendo sofrer violência e escravidão. Ela está na mesma situação da criança órfã. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Salmo: 17(18), 2-3a.3bc-4.47 e 51ab (R/.2) 
Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação

 

Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha, rocha, meu refúgio e Salvador! O meu Deus, sois o rochedo que me abriga, minha força e poderosa salvação.

 

Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! E dos meus perseguidores serei salvo!

 

Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! E louvado seja Deus, meu Salvador! Concedeis ao vosso rei grandes vitórias e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.

 

 

 

II Leitura: São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 1, 5c-10)
Acolhendo a palavra com a alegria do Espírito Santo

 

Irmãos, 5csabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. 6E vós vos tomastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7Assim vos tomastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.

 

8Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos falar, 9pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, 10esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra do castigo que está por vir. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Sois um exemplo para todos

A segunda leitura é um exemplo prático de amor a Deus e ao próximo, concretizado no perdão e na perseverança.

 

Paulo elogia os tessalonicenses por perseverarem na fé, apesar das tribulações pelas quais passaram. Os tessalonicenses imitavam o modo de viver de Paulo e, em última instância, o modo de viver de Cristo. Quando abraçaram a fé cristã, os tessalonicenses sofreram calúnias e outras perseguições dos moradores da cidade. Mesmo assim, nada os impediu de perseverar no amor a Deus e na divulgação do evangelho entre os que os perseguiam. Isso mostra que o amor ao próximo não é sinônimo de ajudar os aflitos. O próximo é aquele de quem me aproximo, seja para ajudar, seja para perdoar. Não podemos confundir “próximo” apenas com “necessitado”.

 

Os cristãos de Tessalônica eram alegres, apesar das perseguições. Não sentiam uma alegria superficial, como a que brota de um coração vazio de sentido e sedento por diversões. Tratava-se, antes, da alegria profunda de quem não guarda rancor, de quem sabe perdoar e amar. Os tessalonicenses perseveravam no amor a Deus e ao próximo. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

Evangelho: Mateus (Mt 22, 34-40)
Amaras o Senhor teu Deus de todo o teu coração...

 

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?"

 

37Jesus respondeu: "'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!' 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Amor a Deus, amor ao próximo

O evangelho de hoje nos situa diante de uma pergunta muito importante não apenas para os judeus, como também para nós, cristãos: o maior mandamento. É importante para nós, seguidores de Jesus, porque o mandamento nos reporta à prática evangélica.

 

A resposta de Jesus, fundamentada na Escritura, une dois mandamentos já conhecidos e praticados pelos judeus. O primeiro é amar a Deus (Dt 6,5), que resume a vocação própria de Israel, a razão de sua existência. Em Cristo, essa vocação estendeu-se a todos nós, chamados a amar a Deus no Filho amado. Ele nos ensinou o caminho de acesso a Deus Pai, no amor e na doação de sua vida integralmente.

 

O segundo é amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18), cujo fundamento é Deus, que ama o ser humano. A realização desse mandamento faz parte da vocação de Israel e, em Jesus, chegou à plenitude, porque Cristo amou o próximo não como a si mesmo, mas como o Pai o ama. Deu-se totalmente ao outro como se dava totalmente ao Pai e como o Pai se dava a ele. Sem reservas. Por isso, ao unir os dois mandamentos e defini-los como vontade de Deus expressa na totalidade da Escritura (Lei e Profetas), Jesus apresenta uma novidade à sua época e a nós.

 

Jesus quer ressaltar que o mais importante para cumprir a vontade de Deus não é o muito fazer, seja por Deus, seja pelos irmãos. O importante é ser para o outro, como ele próprio foi para Deus e para o próximo. Toda a sua vida e missão traduziram quem ele é: o Filho amado. Toda a sua ação em prol do outro foi baseada no amor filial, fonte de sua existência. Toda a Escritura (Lei e Profetas) testemunha que a realização da vontade de Deus está no cumprimento do duplo mandamento de amar a Deus e o próximo. Tudo o mais, nossos afazeres, nossas devoções etc. só têm sentido se nascem desse mandamento. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Roguemos ao Pai que possamos por em prática a palavra de Cristo, pois não é a nossa boa vontade, mas a sua graça que nos salva. Senhor, escutai a nossa prece.

Pela Santa Igreja de Deus, para que seja no mundo a testemunha viva do amor de Deus pelos homens, rezemos.

Pelos cristãos engajados, a fim de que contribuam para afastar do mundo guerras, injustiças e divisões, rezemos.

Pelos monges e monjas e por todos os chamados à vida contemplativa, a fim de que, por sua consagração, deem tal testemunho que sejam reconhecidos solidários com os demais homens e úteis à cidade terrena, rezemos.

Por todos nós que acabamos de ouvir a palavra de Deus, para que sintamos a necessidade de tempos de solidão, silêncio e oração, a fim de que nosso amor e atenção aos homens sejam o sinal de nosso amor de Deus, rezemos.

(outras intenções)

Deus todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade, e, para que possamos obter o que prometeis, concedei-nos amar o que ordenais. Por Cristo nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Olhai, ó Deus, com bondade, as oferendas que colocamos diante de vós, e seja para vossa glória a celebração que realizamos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Com a vossa vitória então exultaremos, levantando as bandeiras em nome do Senhor. (Sl 19,6)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Encontro de dois amores

 

Será necessário afastar-se dos homens para encontrar ao Deus? E quem encontrou a Deus ainda poderá voltar aos homens e viver com eles? Interessar-se por eles, trabalhar com eles e para eles? Em outras palavras são compatíveis o amor de Deus e o amor dos homens, ou ao contrário, um exclui o outro, de modo que seja absolutamente necessário fazer uma opção?

 

Amar o homem para amar a Deus

 

Nenhuma destas perguntas recebeu de Jesus uma resposta essencial: o primeiro mandamento é amar a Deus e o segundo, que lhe é semelhante, amar os homens. Não se pode, pois, pensar que a entrada de Deus numa consciência provoque a exclusão do homem (evangelho).

 

Ao contrário, os textos mais seguros da mensagem do Antigo Testamento e de Jesus nos levam a crer com certeza que o encontro com Deus renova e aperfeiçoa a atenção e a solicitude para com os homens (1ª leitura).

 

“Quando  Deus  se  revela   pessoalmente,  ele  o  faz  servindo-se das categorias do homem. Assim revela-se Pai, Filho, Espírito de amor: e se revela supremamente na humanidade de Jesus Cristo. Por isto, não é demasiada ousadia afirmar que é preciso conhecer o homem para conhecer a Deus; é preciso amar o homem para amar a Deus” (rdC 122,b).

 

Mas convém aprofundar alguns problemas impostos pelos próprios textos evangélicos. Importa amar os homens, mas importa também acautelar-se com relação ao mundo, saber deixar o pai e a mãe... Como fazer um acordo entre proposições que, a primeira vista, parecem opor-se? Devendo absolutamente escolher entre o homem e Deus, que fazer? O amor dos homens não é uma ameaça ao amor de Deus?

 

Nunca a Escritura e a tradição cristã permitiram ao cristão desinteressar-se do homem, sob pretexto de interessar-se unicamente por Deus. Nunca deixaram de indicar no serviço do homem um modo de servir a Deus.

 

Teoria e práxis

 

A atenção a Deus e a atenção ao homem não são facilmente separáveis. O cultivo da “via interior” é um valor cristão, um valor permanente, como a necessidade de recolhimento. Mas a “vida interior”, quando é cristão, não é monólogo nem é falar com Deus só. Encontrando Deus na oração, o cristão, mais cedo ou mais tarde, encontra inevitavelmente os homens que Deus cria e quer salvar. Ele não pode deixar de subscrever estas linha de Paulo Ricoerur: “Minha vida interior é a fonte de minhas relações exteriores. Contrariamente à sabedoria meditativa e contemplativa do fim do paganismo grego ou do Oriente, a pregação cristã jamais opôs o ser ao fazer, o interior ao exterior, a teoria à práxis, a oração à vida, a fé às obras. Deus ao próximo. É sempre no momento em que a comunidade cristã se desfaz ou a fé decai, que ela abandona o mundo e suas responsabilidades, reconstruindo o mito da interioridade. Então, o Cristo não é mais reconhecido na pessoa do pobre, do exilado, do prisioneiro”. todo o teu espírito: eis o grande e primeiro mandamento". Era o texto do Deuteronômio que constituía a essência da oração que os Israelitas rezavam diariamente - o "Shemá" - e que na atual liturgia das horas nós rezamos na oração da noite de domingo. Mas Jesus acrescentou: "o segundo mandamento é semelhante a ele: amarás a teu próximo como a ti mesmo"  (Mt 22, 37-37). E disse ainda: "Desses dois mandamentos decorre toda a lei e os profetas (v 40)".

 

Contemplação e ação

 

O cristão pode afastar-se momentaneamente dos homens, para orar, para pensar só em Deus. Pode fazer uma hora de meditação sem encontrar expressamente, na contemplação de um mistério, divino, o pensamento  das necessidades dos homens... Isto se torna mesmo, em certos momentos , uma profunda necessidade. Na vida cristã, como na vida humana em geral, existem normalmente ritmos; passa-se da contemplação à ação de desta à contemplação. Mas como acontece na nossa existência em que se sucedem tempos de retiro e tempos de intensa atividade, também na Igreja vemos contemplativos e ativos. O mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros e em todos os séculos. O contemplativo serve aos homens servindo a Deus o ativo serve a Deus servindo aos homens. Os dois exprimem, especializando-se na limitação do Cristo, um mesmo e único mistério: o da vida religiosa do Verbo encarnado. Assim aconteceu e acontece ainda na história da Igreja. O santo Cura D´Ars suspirava por um convento e pela solidão, enquanto se dedicava inteiramente aos homens; e os conventos deram à Igreja grandes papas, bispos, reformadores e missionários, que passaram da contemplação e da solidão à ação mais perseverante e ininterrupta. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

 

A síntese da lei e dos profetas

 Padre Lucas de Paula Almeida, CM

Há os que perguntam para aprender e há os que perguntam para sondar o pensamento do outro; às vezes até, com a intenção de apanhá-lo em erro ou contradição. O doutor da Lei que perguntou a Jesus "qual era o maior mandamento" queria sondá-lo e compará-lo com os doutores das várias escolas rabínicas que existiam em Jerusalém. Esses homens viviam num ambiente muito amarrado às prescrições da Lei. Mais à letra do que ao espírito. Faziam listas e classificações e discutiam sobre qual mandamento - "honrarás teu pai e tua mãe" - pois a ele estava ligada uma recompensa: "e terás vida longa na terra que o Senhor Deus te vai dar" (Ex 20,12).

 

Jesus não se prestou a comparações vazias de sentido. Deu a única resposta que a luz da verdade iluminava: "Amarás ao Senhor teu Deus de toda a tua alma,  com  todo o teu coração, de toda a tua alma, com todo o teu espírito: eis o grande e primeiro mandamento". Era o texto do Deuteronômio que constituía a essência da oração que os Israelitas rezavam diariamente - o "Shemá" - e que na atual liturgia das horas nós rezamos na oração da noite de domingo. Mas Jesus acrescentou: "o segundo mandamento é semelhante a ele: amarás a teu próximo como a ti mesmo"  (Mt 22, 37-37). E disse ainda: "Desses dois mandamentos decorre toda a lei e os profetas (v 40)".

 

Está aí a essência do Evangelho. Amar a Deus sobre todas as coisas tem que ser o maior mandamento. Nem é possível qualquer dúvida. Deus está acima de tudo. A Ele devemos tudo. E Ele nos ama! Aliás, São João declarou que "Deus é amor" (1Jo 4,8), não pretendendo com isso dar uma definição filosófica, mas indicando a manifestação mais característica de Deus. Esse amor sem limites, que envolve a humanidade desde a criação, a redenção, a vida da graça, o prêmio da glória. E por causa desse amor com que Deus nos ama, que usamos um possessivo ao falar com Ele: "Meu Deus". Ou, como ensinou Jesus: "Pai nosso".

Mas Jesus completou, apontando o segundo mandamento ­o amor do próximo. Dizendo implicitamente que não existe amor de Deus verdadeiro, se não amarmos os nossos irmãos. É o grande mandamento que Jesus irá proclamar na última ceia como "o novo mandamento". Aquele que distinguirá no mundo os discípulos de Cristo: "Os homens conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns para com os outros" (Jo 13,35). Ter o nome de cristão e não amar os irmãos seria uma contradição viva. São João - que é um especialista na teologia do amor - o diz de maneira muito explícita: "Se alguém disser: "amo a Deus", mas odeia seu irmão, é um mentiroso" (1Jo 4,20). O verdadeiro cristão é aquele que ama, acolhe, perdoa.

 

Li outro dia uma bonita página de Garrigou-Lagrange, onde ele conta o seguinte fato: Um jovem israelita, que ele conhecera, filho de um banqueiro de Viena, estava aguardando uma oportunidade para se vingar do maior inimigo de sua família. E esse dia chegou. No momento em que ia executar seu plano de vingança, lembrou-se do Evangelho que ele lia de vez em quando, e da oração ensinada por Jesus: "Perdoai-nos as nossas dívidas, como nós perdoamos aos nossos devedores". Na mesma hora a graça de Deus o tocou. Abandonou o desejo de vingança. Perdoou completamente. E abraçou o Evangelho inteiro. Pouco depois recebeu o batismo e se fez religioso e sacerdote. O mandamento do amor o havia iluminado ("Les trois Ages de La Vie Intérrierur", II,270).

 

O amor é a grande força do mundo. Só ele é capaz de construir. O ódio destrói. A vingança divide. As rivalidades fragmentam a sociedade. Só o amor constrói. Porque o amor não é egoísta. Ele contém uma força que nos liberta da prisão de nossa mesquinhez e nos abre o coração para amarmos a todos. Mesmo os que parecem ser os mais desprezíveis. Os mais detestáveis. Pois, se amamos a Deus, temos que amar os filhos de Deus, aqueles que já o são pela graça ou, pelo menos, que são chamados a se tornarem tais.

 

E é importante notar que só o amor abre para nós o coração dos outros. Diante de atitudes de imposição e de dureza, os corações se fecham. Diante do amor eles se abrem, como se abrem as flores ao calor de um sol de primavera. O mundo só será feliz, se nele houver amor. Sem amor, será a desordem, a revolta, o caos.