Domingo, 23 de maio de 2010

Pentecostes (Ofício Solene), 4ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Vermelha

 

 

Santos: Casto, Marciano (bispo de Ravena), Quitéria (virgem mártir), João Forest (mártir franciscano da 1ª Ordem), Vasto e Emílio (mártires), Romão (abade), Júlia (jovem cristão africana, crucificada na Córsega), Folco, Aton (abade beneditino de Valumbrosa), Casto e Emílio (mártires), Quitéria (Virgem e mártir), Romano (ou Romão), Júlia (mártir), Aigulfo (Bispo de Bourges), Humildade (viúva),  Joaquina de Mas y de Vedruna (viúva, fundadora das Carmelitas da Caridade).

 

Antífona: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia! (Rm 5,5;10,11)

 

Oração: Ó Deus, que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e realizai agora, no coração dos fiéis, as maravilhas que operastes no início da pregação do evangelho.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Missa do Dia) ou

 

Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal se completasse durante cinqüenta dias, até a vinda do Espírito Santo. Fazei que todas as nações dispersas pela terra, na diversidade de suas línguas, se unam no louvor do vosso nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Missa da Vigília)

 

As leituras do EVANGELHO DO DIA são sempre relacionadas à missa do dia cf. Diretório da Liturgia da CNBB

 

 

 

1ª Leitura: Atos (At 2, 1-11)
 Todos ficaram cheios do espírito santo e começaram a falar 

 

1Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.  

 

7Cheios de espanto e de admiração, diziam: "Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!" Palavra do Senhor!  

 

Leituras alternativas: Rm 5,5;10,11;  Ex 19, 3-8a.16-20b;  Ex 37, 1-14; Jl 3, 1-5 (Cf. Missal Dominical)

 

 

 

Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31 e 34 (+30)

Enviai o vosso espírito, senhor, e

da terra toda a face renovai 

 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! Encheu-se a terra com as vossas criaturas!  

 

Se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.  

 

Que a glória do Senhor perdure sempre, e alegre-se o Senhor em suas obras! Hoje seja-lhe agradável o meu canto, pois o Senhor é a minha grande alegria!

 

 

Leituras da Missa da Vigília (Pentecostes): Antífona: Rm 5,5; 10,11;  I Leitura: Gn 11, 1-9 (ou Ex 19, 3-8ª.16-20b  ou Ex 37, 1-14  ou Jl 3, 1-5)  Salmo: 103 (104), 1 e 2a.24 e 35c.27-28.29bc-30 (+30). II Leitura: Rm 8, 22-27. Evangelho: Jo 7, 37-39.

 

 

Salmo Alternativo (Vigília): 103 (104), 1 e 2a.24 e 35c.27-28.29bc-30 (+30)

Enviai o vosso espírito, senhor, e

da terra toda a face renovai 

 

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! 2aDe majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto.

 

24Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, e que sabedoria em todas elas! Encheu-se a terra com as vossas criaturas. 35cBendize, ó minha alma, ao Senhor!  

 

27Todos eles, ó Senhor, de vós esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento; 28vós lhes dais o que comer e eles recolhem, vós abris a vossa mão e eles se fartam.

 

29bcSe tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; 30enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.

 

 

II Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios  (1Cor 12, 3b-7.12-13)
Fomos batizados num único Espírito

 

Irmãos, 3bninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons; mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.  

 

12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. Palavra do Senhor!

 

Leitura alternativa para o Ano “C”: Rm 8, 8-17

 

 

 

 

Evangelho: João (Jo 20, 19-23)
Assim como o pai me enviou, também eu vos envio 

 

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". 22E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos". Palavra da Salvação!

 

 

Evangelho (Alternativa para Ano “C”): João (Jo 14, 15-16.23b-26)
O Espírito Santo vos ensinará todas as coisas 

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15”Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16e eu rogarei ao Pi, e ele vos dará um outro  Defensor, para que permaneça sempre convosco. 23bSe alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Isso é o que vos disse enquanto esteava convosco, 26mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Palavra da Salvação!

 

 

 

 

A Igreja vive no Espírito de Cristo

 

A solenidade de Pentecostes celebra um acontecimento capital para a Igreja: a sua apresentação ao mundo, o nascimento oficial com o batismo no Espírito. Complemento da Páscoa, a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração e na atividade dos discípulos; início da expansão da Igreja e princípio da sua fecundidade, ela se renova misteriosamente hoje para nós, como em toda assembleia eucarística e sacramental, e, de múltiplas formas, na vida das pessoas e dos grupos até o fim dos tempos. A "plenitude" do Espírito é a característica dos tempos messiânicos, preparados pela secreta atividade do Espírito de Deus que "falou por meio dos profetas" e inspira em todos os tempos os atos de bondade, justiça e religiosidade dos homens, até que encontrem em Cristo seu sentido definitivo.  

 

O Espírito da aliança universal e definitiva

Não se pode deixar de ligar o acontecimento do Sinai com ode Jerusalém; a assembleia das doze tribos corresponde à dos apóstolos, novo Israel; fogo e vento manifestam a presença do Deus vivo; é dada a lei da aliança, lei de liberdade  que  qualifica  os  filhos  de Deus. A aliança, não mais limitada a um povo escolhido para dar a conhecer o verdadeiro Deus, é aberta a todos os povos e a todas as raças; não  mais  caracterizada  por um sinal na carne (a circuncisão), ela é espiritual e se exprime pela fé e o batismo (também o de desejo); não mais renovada por homens mortais no decorrer da história, é ela fundada sobre Cristo "que permanece eternamente". E precisamente por ser espiritual e definitiva, sua encarnação atual na Igreja do nosso tempo com suas instituições e nas diversas igrejas esparsas por toda a terra, com suas peculiaridades, tem valor sacramental (isto é, traz verdadeiramente a salvação), mas também relativo e caduco. E preciso, pois, não considerar absoluto e definitivo algo que não seja o próprio Espírito, realidade profunda e inexaurível de tudo o que constitui a vida da Igreja no tempo: ações sacramentais, hierarquia, ministérios e carismas, templos e lugares. (Podem-se reler diversos textos do Concílio a propósito do pluralismo na Igreja, da tradução da mensagem cristã nas diversas culturas, da adaptação litúrgica, da variedade de expressão artística). 

 

O Espírito da fidelidade e da coragem

O batismo no Espírito ilumina a comunidade dos amigos de Cristo sobre seu mistério de Messias, Senhor e Filho de Deus; faz com que compreendam sua ressurreição como a plenificação dos planos de salvação de Deus, não só para o povo de Israel, mas para todo o mundo; leva-os a anunciá-lo em todas as línguas e circunstâncias, sem temer perseguições nem morte. Como os apóstolos, os mártires e todos os cristãos, que ouviram profundamente a voz do Espírito de Cristo, tornam-se testemunhas do que viram, do que foi transmitido e que experimentaram em sua existência. No mundo de hoje toda a nossa comunidade é chamada a colaborar com o Espírito da nova vida para renovar o mundo: tanto na atividade cotidiana como nas vocações extraordinárias. E isto, sem perder a coragem, porque "o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza" (Rm 8,26), corrige e incentiva nosso esforço, faz convergir tudo para o bem comum (2ª leitura), porque todo dom (todo carisma) vem dele, único Espírito do Pai e do Filho.  

 

Toda a nossa vida de cristãos está, portanto, sob o sinal do Espírito que recebemos no batismo e na crisma, nosso Pentecostes; nela devemos amadurecer os "frutos do Espírito" (Gl 5,22): amor, paz, alegria, paciência, espírito de serviço, bondade, confiança nos outros, mansidão, auto­domínio... 

 

O Espírito da novidade em Cristo

 

"Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos.

 

Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado está presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica" (Atenágoras). [Missal Dominical ©Paulus, 1995]

 

Falar em Línguas

 

É necessário dominá-la (Pr 25,28; Ecl 5,2; Mt 12,36; Ef 4,29; 5,3s; Cl 4,6; Tg 1,19.26; 3,2-12). As más línguas (Sl 52,4; 57,5; 140,4; Pr 18,8; Eclo 9,18; 28,17-23).

 

Falar em línguas é um  carisma. É a oração de louvor, dirigida a Deus em estado de exaltação mística. Por ser incompreensível, necessita de um intérprete para ser entendida pela assembléia (1Cor 12,10-30; 13,1.8; 14). É um dom prometido aos discípulos de Cristo (Mc 16,17), mas inferior à profecia. O fenômeno se realizou no dia de Pentecostes (At 2,3s.11.15).

 

 

Pesquisando na Bíblia sobre festa de Pentecostes

 

Israel conhece várias festas religiosas:  Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Sm 20,5-26; Ez 46,1-7; Nm 28,11-14; Ne 10,33-34; Gl 4,10; Cl 2,16-20).  O dia festivo semanal era o  Sábado (Ex 16,4-36; 20,8-11; Is 56,1-6; 58,13-14).  A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças pela colheita das azeitonas e das uvas (Jz 9,27; 21,19-24). Era chamada também “festa da Colheita”ou “Festa”(Ex 23,16; 34,22; Ne 8,14; Jo 7,11; cf. Lv 23,33-44 e nota; Dt 16,13-16; Lv 23,34-44); atinge em Cristo o seu significado pleno (Jo 7,37-39; 1Cor 10,4).

 

A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É chamada “das semanas”porque se fazia sete semanas após a festa dos  Ázimos (Nm 28,26). É conhecida também sob o nome de “festa da Colheita”(Ex 23,16) ou “festa das Primícias”da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tb 2,1; 2Mc 12,31s; At 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta do primeiro feixe de espigas de cevada (Lv 23,9-14; Dt 26,1-11). Sendo de origem agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros frutos) do que foi semeado nos campos (Ex 23,16; 34,22). Na época pós-exílica começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei de Moisés (Lv 23,15-21 e nota). Na festa de Pentecostes, após a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu o dom do Espírito Santo (At 2,14). Ver “Páscoa”, “Sábado”, “Ázimos”.

 

Terminado, depois das Vésperas e Completas, o Tempo Pascal, convém guardar o Círio Pascal, com veneração, no Batistério, para nele acender as velas dos batizados.

 

 

Recomeça o Tempo Comum (Ano C, cor verde)

 

Inicia-se com a 8ª Semana do Tempo Comum. “A tônica dos domingos do tempo comum é dada  pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito dos fins dos tempos. Neste tempo, temos também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Maria, Apóstolos e Evangelistas, demais Santos e Santas)”