Domingo, 23 de janeiro de 2011

Terceiro do Tempo Comum, Ano “A”, III Semana do Saltério, Livro III, cor, Litúrgica Verde

 

Santos: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo. (Sl 95, 1.6)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 8, 23b—9,3)

Na Galiléia, o povo viu brilhar uma grande luz

 

23bNo tempo passado o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali; mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar, do além-Jordão e da Galiléia das nações. 9,1O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. 2Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3Pois o jugo que oprimia o povo, – a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais – tu os abateste como na jornada de Madiã. Palavra do Senhor!

 

Profecia messiânica: texto aplicado por Mt 4,15-16 à atividade messiânica de Jesus na Galileia

 

Comentando a I Leitura

Aos que viviam na sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz

 

A Galileia era sempre a primeira região a sofrer os estragos provocados pelos impérios estrangeiros que guerreavam contra a terra de Israel. Isso porque era uma rota mais acessível que o deserto ou o mar Mediterrâneo. Além de ser a primeira região a sofrer o ataque dos inimigos, a Galileia é a região por onde o povo de Israel foi deportado para o estrangeiro. Por isso, as expectativas messiânicas concentravam a atenção na Galileia como cenário da primeira manifestação da luz messiânica, já que seria a primeira região a receber a libertação, como antes tinha sido a primeira a experimentar a escravidão. O “caminho do mar” ficava na região da Galileia. Era uma estrada entre a terra de Neftali (ao norte) e a terra de Zabulon (ao sul). Os judeus acreditavam que nessa estrada se manifestaria o Messias, trazendo de volta para a Terra Prometida os judeus dispersos pelo mundo. Essa região sombria, testemunha de tantos sofrimentos, converter-se-ia em cenário de alegria. Porque o cetro (o poder) dos inimigos seria totalmente destruído pelo Messias. A vitória messiânica é apresentada em analogia com o “dia de Madiã”, quando Gedeão venceu o inimigo de modo excepcional (Jz 7,16-25). [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Salmo: 26 (27), 1.4.13-14 (R/.1a.1c)[1]

O Senhor é minha luz e salvação.

O senhor é a proteção da minha vida

 

1aO Senhor é minha luz e salvação; 1bde quem eu terei medo? 1cO Senhor é a proteção da minha vida; 1dperante quem eu tremerei?

4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

 

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Salmo de Davi: individual de confiança (1-6) ou de súplica (7-14)

 

 

II Leitura: 1 Coríntios (1Cor 1.10—13.17)

      Divisões na comunidade

 

10Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar. 11Com efeito, pessoas da família de Cloé informaram-me a vosso respeito, meus irmãos, que está havendo contendas entre vós.


12Digo isto, porque cada um de vós afirma: “Eu sou de Paulo”; ou: “Eu sou de Apolo”; ou: “Eu sou de Cefas”; ou: “Eu sou de Cristo”! 13Será que Cristo está dividido? Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós? Ou é no nome de Paulo que fostes batizados? 17De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Cristo me enviou para pregar o evangelho

 

Paulo agradece a Deus por não ter batizado nenhum coríntio. Isso não significa que desvalorize o batismo, mas apenas que recebeu outro encargo, a pregação do evangelho aos gentios (os não judeus). Encargo que ele exercia com base no conteúdo fundamental do evangelho e não na eloquência da retórica (sabedoria das palavras), tão valorizada pelos coríntios. A vida, morte e ressurreição Vida Pastoral – janeiro-fevereiro 2011 – ano 52 – n. 276 53 de Cristo constituem o núcleo básico (o conteúdo fundamental) da proclamação do evangelho, e nisso Paulo desejava que os coríntios concentrassem toda a atenção.

 

Além do uso da retórica, os destinatários também supervalorizavam alguns missionários. Isso causava sério problema de divisões dentro da comunidade. A formação de grupos e a antipatia entre eles impediam a unidade da comunidade.

 

Com a expressão “vós sois de Cristo”, o apóstolo condena o partidarismo dentro da Igreja. Pelo batismo, os cristãos se identificam com Cristo, não com o ministro que está a serviço da comunidade. Já que a Igreja é o corpo de Cristo, não deve estar dividida sob nenhum pretexto. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 4, 12-23 ou Mt 4, 12-17)

      Início da pregação de Jesus

 

12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galiléia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”.


18Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, Filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. Palavra da Salvação!

 

Contexto: Ministério de Jesus na Galiléia (Mt 4, 12-18,35). Leituras paralelas: Mc 1, 14-15; Lc 4, 14-15

 

 

Comentando o Evangelho

O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz

 

O tema da luz, já mencionado na narrativa da infância de Jesus, continua aqui, no relato inicial de sua atividade na Galileia. A atuação pública de Jesus apresenta-se como realização das promessas de Deus para salvar seu povo. As cidades de Zabulon e Neftali, que, no Antigo Testamento, estavam dominadas pelos estrangeiros, representam agora a realização da profecia messiânica. Deus realiza a salvação prometida: uma luz surge onde há sombras e trevas, porque o reino de Deus está próximo, está presente no Cristo.

 

Na atuação de Jesus na Galileia, cidade miscigenada por diversos povos que viviam nas trevas do pecado e do politeísmo, a luz começa a brilhar e se expandir, pois o reino de Deus é anunciado. A cura dos enfermos testemunha a expansão desse reino. Mas esse é só o início, pois o Reino deve ser anunciado a todos os povos. Por isso, o apelo de Jesus é forte, o chamado dos apóstolos é urgente. Para que a luz chegue a todas as nações, é necessário que os cristãos se empenhem em responder prontamente ao chamado de Cristo, como fizeram os apóstolos, que, deixando suas redes de pesca, o seguiram. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Jesus, luz do mundo

 

A luz é uma das necessidades primordiais do homem. Não é apenas um elemento necessário à vida, mas como que a imagem da própria vida. Isso influiu profundamente na linguagem, para a qual "ver a luz", "virá luz" significa nascer; "ver a luz do sol" é sinônimo de viver... Ao contrário, quando um homem morre, diz-se que se apagou', que "fechou os olhos à luz"... A Bíblia usa esta palavra como símbolo da salvação. O salmo responsorial põe a luz em estreita relação com a salvação. "O Senhor é minha luz e minha salvação”.

 

"Deus é luz e nele não há trevas" (1Jo 1,5). "Habita uma luz inacessível" (1Tm 6,16). Em Jesus, a luz de Deus vem brilhar sobre a terra: "Veio ao mundo a luz verdadeira que ilumina todo homem" (Jo 1,9). "Eu como luz vim ao mundo, para que todo o que crê em mim não permaneça nas trevas" (Jo 12,46).

 

Passar das trevas à luz

Arrancado às trevas do pecado e imerso na luz de Cristo, através do batismo, o cristão deve fazer as obras da luz:   "Se outrora éreis treva, agora sois luz no Senhor. Comportai-vos, pois, como filhos da luz" (Ef 5,8). A passagem das trevas à luz é a conversão, a entrada no reino de Deus (evangelho). Sabemos o que quer dizer converter-se e fazer penitência. Indica mudança radical da nossa vida, uma inversão na escala dos valores que o mundo propõe e das nossas preocupações cotidianas, que não são certamente os que o evangelho propõe no sermão da montanha. O reino de Deus está presente ou desaparece, aproxima-se ou se distancia, conforme a nossa vontade de conversão. Esta, por seu lado, jamais se pode considerar completa de uma vez para sempre, mas é uma tensão cotidiana, assim como a fidelidade não é algo que se adquire no momento da promessa, mas uma realidade a viver cada minuto. Por outro lado, o cristão, mesmo depois do batismo, nunca é pura luz, é um misto de luz e trevas; por isso, sua vida é luta. Mas Cristo o reveste das armas da luz (Ef 6,11-17). Assim, o cristão está seguro de que depois de ter "participado na terra da sorte dos santos na luz" (Cl 1,12) "brilhará como o sol no temo do Pai" (Mt 13,43) e "na sua luz verá a luz" (cf SI 35,10). João Batista e Cristo resumem sua pregação no convite à conversão: "Convertei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (evangelho). Os judeus, que ouviam este anúncio, formulavam muitas vezes objeções: Nós somos filhos de Abraão, vivemos na segurança de um povo escolhido por Deus, temos as instituições religiosas que nos garantem a possibilidade de observar a Lei. Não temos necessidade de converter-nos (cf Mt 3,9s).

 

Evangelização é luz

Esta é, muitas vezes inconscientemente, a atitude de grande número de cristãos, para os quais a palavra conversão parece estranha, distante, aplicável somente a quem "vive nas trevas do erro e do pecado"... A evangelização cristã começa em Cafarnaum com o anúncio de Jesus: "Convertei-vos". Este anúncio deve ressoar continuamente também em nossas comunidades tradicionais (paróquias e dioceses). Hoje estamos redescobrindo a necessidade de uma volta a evangelização. Nossa pastoral do passado considerava-a como consumada, e se limitava quase exclusivamente à catequese. Agora percebemos que isto não é mais suficiente.

 

Conversão é luz

Como Cristo, também a Igreja deve, hoje como sempre, empenhar-se em libertar o homem do pecado, pois o anúncio da conversão é o fim primário que justifica sua própria existência. Nela deve manifestar-se constante­mente a liberdade do Espírito no serviço recíproco, no reconhecimento e na coordenação dos dons que Deus faz a cada um dos fiéis, e assim deveria ser, diante do mundo, o sinal visível do reino de Deus na terra. Por isto, a Igreja como instituição também é continuamente interpelada e julgada pela palavra de Deus. Também ela está em estado de conversão permanente. O cristão que, "movido pelo Espírito, está atento e dócil à palavra de Deus, segue um itinerário de conversão para ele... que pode comportar, ao mesmo tempo, a alegria do encontro e a contínua exigência de ulterior busca; o arrependimento pela infidelidade e a coragem de recomeçar; a paz da descoberta e a ânsia de novos conhecimentos; a certeza da verdade e a constante necessidade de nova luz". [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

 

A Palavra se faz oração (Missal Dominical)

1.   Pelos Pastores da Igreja, para que a luz de Cristo brilhe em suas obras e anunciem a todos o Reino de Deus, rezemos. Senhor, atendei-nos!

2.   Pelos anunciadores do evangelho, para que se deixem converter pela Palavra do Senhor e se tornem testemunhas dignas de fé, rezemos. Senhor, atendei-nos!

3.   Por nós, que estamos ouvindo a Palavra de salvação, para que possamos acolher com alegria o evangelho e ver os frutos de conversão que ela produz, rezemos. Senhor, atendei-nos!

4.   (Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, acolhei com bondade as oferendas que vos apresentamos para que sejam santificadas e nos tragam a salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Contemplai a sua face e alegrai-vos e vosso rosto não se cubra de vergonha! (Sl 33,6)

 

Oração Depois da Comunhão:

Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, tendo recebido a graça de uma nova vida, sempre nos gloriemos dos vossos dons. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

 



[1] Numeração dos Salmos: a numeração dentro do primeiro parêntese refere-se á anotação hebraica; a de fora segue a Nova Vulgata, adotada pela Igreja Católica e também usada pela Bíblia AVE-MARIA; as demais seguem a numeração inversa (Nova Vulgata dentro do parêntese). A numeração dos versículos (estrofes) é obtida no DIRETÓRIO LITÚRGICO DA CNBB, 2011; a numeração do segundo parêntese está relacionada ao versículo de resposta.