Domingo, 22 de agosto de 2010

21º Do Tempo Comum (Ano “C”), 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Folclore, dia do Supervisor Educacional e Dia das Vocações Leigas

 

Santos: Felipe Benício, Fabriciano, André de Fiésole, Bem-Aventurada Virgem Maria Rainha (vide Apocalípse 12), Agatônico, Zótico, Timóteo, Sinforiano (séc. III, jovem mártir). Sogefredo (690, Inglaterra), João Kemble, João Wall

 

Antífona: Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro. (Sl 85, 1-3)

 

Oração: Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 66, 18-21)
 Castigo dos infiéis e triunfo dos que estavam dispersos

 

Assim diz o Senhor: 18"Eu que conheço suas obras e seus pensamentos, virei para reunir todos os povos e línguas; eles virão e verão minha glória. 19Porei no meio deles um sinal, e enviarei, dentre os que foram salvos, mensageiros para os povos de Tarsis, Fut, Lud, Mosoc, Ros, Tuba e Javá, para as terras distantes, e, para aquelas que ainda não ouviram falar em mim e não viram minha glória. Esses enviados anunciarão às nações minha glória, 20e reconduzirão, de toda parte, até meu santo monte em Jerusalém, como oferenda ao Senhor, irmãos vossos, a cavalo, em carros e liteiras, montados em mulas e dromedários, - diz o Senhor- e como os filhos de Israel, levarão sua oferenda em vasos purificados para a casa do Senhor. 21Escolherei dentre eles alguns para serem sacerdotes e levitas, diz o Senhor". Palavra do Senhor

 

 

Salmo: 116 (117), 1.2 (R/.Mc 16, 15)

Proclamai o evangelho a toda criatura!

 

Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

 

Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

 

 

II Leitura: Hebreus  (Hb 12, 5-7.11-13)
 Educação paternal de Deus

 

Irmãos, 5já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: "Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não te desanimes quando ele te repreende; 6pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho". 7É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige? 11No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. 12Portanto, "firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; 13acertai os passos dos vossos pés", para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado. Palavra do Senhor!

 

Evangelho, Lucas (Lc 13, 22-30)
 A porta estreita

 

22Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. 23Alguém lhe perguntou: "Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?" Jesus respondeu: 24"Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: 'Senhor, abre-nos a porta!' Ele responderá: 'Não sei de onde sois'.

 

26Então começareis a dizer: 'Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!' 27Ele, porém, responderá: 'Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!' 28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, lsaac e Jacó, junto com todos os profetas no reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. 29Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no reino de Deus. 30E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas no sinótico de São Mateus: Mt 7, 13-14; 22-23; 8, 11-12; 25, 10-12

 

 

Estreita é a porta para entrar no Reino

 

 

Quando alguém nos ama realmente e nos fala chamando-nos por nosso nome, descobrimo-nos a nós mesmos e não estamos mais sozinhos. A vitória sobre a solidão gera a alegria; viver, então, é uma festa.

 

O reino de Deus é comunhão; seu advento inaugura, por isso, um tempo de alegria. É festa que não acaba, definitiva. Festa a que são convidados todos os homens.

 

O reino de Deus, festa a que todos são convidados

 

A verdade da comunhão exige que estejamos juntos em torno de uma mesa, na alegria de uma ceia, na abundância de   um  banquete.  A alegria de estarmos juntos nos leva a uma refeição comum,  a  uma  partilha que significa aquilo que somos. O reino é simbolizado por um banquete, um lugar de encontro e de comunhão. Ele nos é oferecido, somos convidados, mas devemos ir a ele. É dom gratuito, mas deve ser recebido.

 

Quando alguém nos ama realmente e nos fala chamando-nos por nosso nome, descobrimo-nos a nós mesmos e não estamos mais sozinhos. A vitória sobre a solidão gera a alegria; viver, então, é uma festa.

 

O reino de Deus é comunhão; seu advento inaugura, por isso, um tempo de alegria. É festa que não acaba, definitiva. Festa a que são convidados todos os homens.

 

O reino de Deus, festa a que todos são convidados

 

A verdade da comunhão exige que estejamos juntos em torno de uma mesa, na alegria de uma ceia, na abundância  de   um  banquete.  A alegria de estarmos juntos nos leva a uma refeição comum, a uma partilha que significa aquilo que somos. O reino é simbolizado por um banquete, um lugar de encontro e de comunhão. Ele nos é oferecido, somos convidados, mas devemos ir a ele. É dom gratuito, mas deve ser recebido

 

O povo de Israel, devido à sua história e seu passado, se acreditava privilegiado com o poder de gozar incondicionalmente desse convite. O profeta, que penetra profundamente nos acontecimentos, reconhece que o privilégio não é incondicional nem exclusivo. Os homens estão diante de Deus como uma única humanidade. Nenhum povo, nenhum homem é excluído do encontro com ele. Todos são irmãos, porque uma relação radical os liga ao mesmo Pai. O privilégio de Israel tinha um significado: o de proclamar a todos os homens que não é a unidade de origem que fundamenta a igualdade entre os homens, nem a pertença a uma raça ou classe que justifica uma riqueza ou uma liberdade. Todos os homens devem ter as mesmas possibilidades, porque todos têm um mesmo fim: encontrar-se com o Pai, contemplar a mesma glória, e, portanto, trabalhar para uma convergência e uma igualdade universais (1ª leitura).

 

A pertença ao povo de Deus não é privilégio

para nós, mas serviço para os outros

 

O fundamento de uma nova igualdade e de novas relações entre os homens está baseado num apelo que Deus dirige a todos os homens. Todos devemos chegar ao reino, entrar na casa do Pai, sentar à mesma mesa. Todos caminhamos, na história, para o mesmo futuro, a mesma terra prometida. Se há uma só meta, há também uma só porta de entrada. O universalismo entrevisto pelos profetas é levado à plenitude por Jesus. Para seus compatriotas, fechados em seus privilégios, ele diz a parábola da porta estreita. Está nascendo um mundo novo, no qual judeus e pagãos se encontrarão juntos à mesma mesa, porque a impureza dos pagãos, que impedia os judeus de se sentarem à mesa com eles, está definitivamente anulada. A seleção à porta do banquete não consistirá na separação entre Israel e os pagãos, mas na escolha de quem respondeu ao convite com solicitude e praticou a justiça, quem quer que seja.

 

A porta estreita da doação da vida

 

Jesus, com sua ressurreição, é o primeiro convidado; entrou e já se assentou à mesa do banquete; foi o primeiro que conquistou o reino. Esta é a prova de que o convite do Pai é real e espera verdadeiramente a todos nós. Cristo, com sua morte, demonstrou que a entrada no reino não é privilégio para ninguém. O convite é para todos. Agora somos realmente todos iguais.

 

Mas foi passando pela morte que ele entrou; pela porta estreita. Só quem tiver dado a vida como Jesus poderá entrar na sala e sentar-se à mesa. A tradição, o parentesco de nada adiantam para a salvação, nem as palavras, a cultura ou a pertença à Igreja. Somente a dedicação à construção de um mundo que manifeste visivelmente a realidade do reino.

 

A solicitude em realizar uma comunhão faz descobrir a face dos que se sentam ao meu lado ou à minha frente na mesa do reino. Uma civilização de cristandade não tornava isso bem claro talvez, e muitas vezes atribuía a salvação aos batizados, considerando-os automaticamente como pertencendo ao reino, como se dava com os judeus por pertencerem a estirpe de Abraão.

 

O convite ao banquete tem uma única resposta: dar a vida a exemplo de Cristo. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

 

A vocação e os cristãos leigos

 

Completamos o jubileu de ouro da convocação do Concílio Vaticano II. As comemorações desse evento importante do século XX será uma oportunidade muito boa para que examinemos nossos passos dados e as propostas do Concílio.

 

Um dos aspectos levantados foi sobre o papel e a missão do cristão leigo na Igreja. A grande preocupação era não apenas de uma maior participação nas preocupações e trabalhos internos à comunidade, como, principalmente, o testemunho na sociedade, nas realidades temporais.

 

O fato de o cristão leigo não deveria ser apenas um expectador ou destinatário da mensagem evangélica e das preocupações da Igreja, mas, sim, ser consciente de sua missão de cristão ao interno da Igreja e testemunhando Jesus Cristo à sociedade.

 

Este foi um aspecto importante do Concílio Ecumênico Vaticano II, que foi um impulso dado pelo Espírito Santo à Igreja e sua presença no mundo hodierno, mas, dentre as variadas conquistas, podemos afirmar que uma delas foi certamente a valorização da vida e missão dos cristãos leigos, que emergiu como um elemento fundamental para a nova realidade do mundo em transformação.

 

A presença do cristão leigo está em muitos documentos, mas o Apostolicam actuositatem é dedicado totalmente ao cristão leigo. Creio que seja o primeiro num Concílio em toda a história da Igreja.

 

Dá-se uma nova ênfase ao conceito basilar da evangelização do mundo, sua transformação para uma feição mais humanizada, mais justa, e, portanto, mais cristã. Passamos, então, a falar da missão da Igreja no mundo, servindo ao reino e não a si mesma.

 

Portanto, nesta missão evangelizadora da Igreja, recorda-se a missão do cristão leigo, que, vivendo em sua realidade temporal, é chamado a ser sal, luz e fermento e assim transformar a realidade através de sua profissão, da sua presença na sociedade, na política, na cultura, nas ciências, nos esportes, e muito mais. Realidades que não são alcançadas apenas pelo clero nas suas atividades e missão cotidiana, mas que precisa de um protagonista. Aos leigos é dada essa vocação específica: fazer a Igreja presente e fecunda naqueles lugares e circunstâncias onde somente através dos leigos ela pode se tornar o sal da terra.

 

O Papa Paulo VI afirmava que os leigos são como uma ponte que une a Igreja à Sociedade. Não como uma interferência da Igreja na ordem temporal ou nas estruturas dos assuntos mais afetos à vida política ou econômica, mas, sim, para não deixar que o nosso mundo fique sem a mensagem da salvação crista, sem as luzes do Evangelho e da mensagem de Cristo. Portanto, os leigos são chamados a estabelecer este contato entre a vida eclesial e a sociedade, ser os construtores de uma nova maneira de servir o bem comum e imbuir a realidade terrestre de uma ordem transcendentes, eterna, Divina. São Paulo nos afirma que toda a criação será recriada em Cristo. O mundo geme em dores de parto por uma nova ordem: mais justa, mais fraterna. Todos são convidados, portanto, a seguir o modelo de Cristo.

 

Os leigos são corresponsáveis pela missão da Igreja, companheiros de caminhada e em quem se confia, a quem se recorre, em quem se acredita e a quem se dá espaço na decisão, no planejamento e na execução das várias atividades na Igreja, e isso pela própria essência de sua consagração batismal. Unidos a Cristo, através do Batismo, sacramento da fé, os leigos devem, portanto, estar atentos não só a uma pertença à Igreja, mas “ser” e sentir com a Igreja que é mistério de comunhão.

 

A V Conferência Episcopal Latino Americana, em Aparecida, afirma que “os fiéis são os cristãos que unidos a Cristo pelo Batismo, são o povo de Deus a participar nas funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Eles fazem, de acordo com sua condição. São os homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja. Sua missão é realizar o seu testemunho e atividade e contribuir para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas, segundo os critérios do Evangelho”. A missão não é somente uma escolha ou uma opção, mas, sim, um dom de Deus. A missão não é nossa nem de um grupo, mas é da Igreja, que nos envia, e no centro desta missão laical deve estar o Espírito do Senhor Ressuscitado, a quem obedecem com a mesma dignidade, mas com ministérios diversos, tanto os leigos como os ministros consagrados. Ter tal consciência desta centralidade da missão em Cristo é de fundamental importância na vida do laicato no seio da mãe Igreja.

 

Conclamo todos os leigos de nossa Arquidiocese, os católicos apostólicos e romanos, para viverem a grandeza de seu batismo, colocando a mão no arado e chamando a todos para o “vinde e vede” do senhor Jesus! [Dom Orani João Tempesta, CNBB]

 

Sugestão de Links para o Leigo Católico

Conselho Nacional do Laicato do Brasil

http://www.cnl.org.br/

 

Direitos e Deveres do Leigo Católico

http://sucessaoaapostolica.blogspot.com/2009/02/sobre-os-direitos-e-deveres-dos-leigos.html