Domingo, 22 de março de 2009

Quarto da Quaresma, Ano B, 4ª Semana do Saltério (Volume II) cor Roxa ou Rósea

 

Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes,

exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações. (Is 66, 10-11)

 

Hoje: Dia Mundial da Água

 

Santos do Dia: Basílio de Ancira (mártir), Benvindo Scotivoli (bispo de Osimo), Calinica e Basilissa (mártires da Ásia Menor), Deogracias de Cartago (bispo), Epafrodito (considerado o primeiro bispo de Filipos, na Macedônia, mencionado por São Paulo em Flp 2,25-30), Lea de Roma (viúva), Nicolau de Flüe (pai de família numerosa, eremita, considerado como o fundador da pátriasuíça), Nicolau Owen (mártir da Inglaterra), Otaviano e Companheiros (mártires de Cartago), Saturnino e Companheiros (mártires da África), Zacarias (profeta bíblico do Antigo Testamento).

 

Oração do Dia: Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: II Livro das Crônicas (2Cr 36, 14-16.19-23)

Deus misericordioso continua fiel

 

Naqueles dias, 14todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém.

 

15Ora, o Senhor Deus de seus pais dirigia-lhes freqüentemente a palavra por meio de seus mensageiros, admoestando-os com solicitude todos os dias, porque tinha compaixão do seu povo e da sua própria casa.

 

16Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não houve mais remédio.

 

19Os inimigos incendiaram a casa de Deus e deitaram abaixo os muros de Jerusalém, atearam fogo a todas as construções fortificadas e destruíram tudo o que havia de precioso.

20Nabucodonosor levou cativos para a Babilônia, todos os que escaparam à espada, e eles tornaram-se escravos do rei e de seus filhos, até que o império passou para o rei dos persas.

 

21Assim se cumpriu a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias: "Até que a terra tenha desfrutado de seus sábados, ela repousará durante todos os dias da desolação, até que se completem setenta anos".

 

22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 23"Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem dentre vós todos pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo Responsorial: 136(137), 1-2.3.4-5.6 (R/.6a)
Que se prenda a minha língua ao céu da boca,

se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!

 

Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas.

 

Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: "Cantai hoje para nós algum canto de Sião!"

 

Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer; que resseque a minha mão!

 

Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!

 

 

II Leitura: Coríntios (Ef 2, 4-10)
Deus é rico em misericórdia

 

Irmãos: 4Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, 5quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. E por graça que vós sois salvos!

 

6Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. 7Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza de sua graça.

 

8Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! 9Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. 10pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão, para que nós as praticássemos. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: João (Jo 3, 14-21)
Quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14"Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer; mas tenha a vida eterna.

 

17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

 

19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram mas. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. Palavra da Salvação!

 

 

 

Deus é fiel à aliança[1]

 

A crise e o fracasso político de Israel são encarados em nível religioso, seja como conseqüência de uma infidelidade do povo ao desígnio de Deus e de uma falta de confiança em sua proteção, seja como uma provação, da qual sairá uma nação renovada. O afastamento do Senhor adquire, pois, um valor pedagógico: ele, que é fiel e misericordioso, não abandona os seus, mas só os chama, através da variedade dos acontecimentos, à conversão e à obediência sincera. É um acontecimento clamoroso, como a destruição da cidade e do templo pelas mãos de um pagão, que faz voltar seus corações a Deus e a um culto verdadeiro, já que não bastam os profetas que lembram as exigências do pacto com Deus. E, para demonstrar o primado da iniciativa divina sobre todo esforço puramente humano, é um pagão o instrumento escolhido para a restauração da nação e do templo (1ª leitura).

 

Deus permanece fiel apesar do nosso comportamento

 

Esta leitura "teológica" da história, que parece deixar de lado a responsabilidade humana, representa porém uma purificação e uma indicação sempre válida: é preciso uma responder à fidelidade de Deus com uma fidelidade sempre renovada, adequada aos tempos. nova capacidade de escuta para compreender os caminhos com que o Senhor executa seu plano. Devemos

 

Fica assim evidente a atitude que deve ter o homem diante dos acontecimentos que vive e dos quais é protagonista. Deve saber colher, em sua fatualidade, a "palavra" de Deus. Fazer a verdade é compreender esta palavra. Crer em Cristo é receber a luz que dá sentido ao que acontece. Isto não é uma conquista nossa, é um dom de Deus, dom que, fazendo-nos compreender sua vontade, salva-nos (evangelho e 2ª leitura). Toda a nossa vida e a história adquirem sentido, definem um plano que se realiza no tempo.

 

Também hoje Deus nos dirige a palavra

 

Na verdade, os protagonistas e as testemunhas de um acontecimento têm em geral grande dificuldade em discernir nele os elementos significativos, e ficam cegos quando deveriam captar fielmente o sentido dos acontecimentos e orientá-los.

 

Também hoje há quem lamente a destruição dos privilégios - das instituições cristãs -, e não saiba ver o valor profundo dessa situação, suscetível de uma leitura aberta e cheia de esperança. Se a Igreja não goza mais de privilégios e atenções, se caminhamos para uma situação de "diáspora", e o momento da fidelidade interior (talvez obscura), do apoio que vem não mais de uma sociedade cristã, mas de pequenas comunidades que encontram sua força na meditação da palavra de Deus. É uma esperança lúcida e penosa numa nova primavera da Igreja, cujo tempo e cujas modalidades cristão nas mãos de Deus.

 

O desaparecimento de um regime de cristandade não pode ser considerado um abandono de Deus. Enquanto exige uma decisão de fé mais pessoal e livre, permite afastar-se criticamente da opinião e da mentalidade comum do ambiente social, e tomar, em relação a ele, uma posição critica que pode exprimir maior fidelidade a Deus. O declínio da cristandade e de certa manifestação da fé não significa o desaparecimento da fé salvífica e nem sempre um afastamento de Deus. Pode ser simplesmente desaparecimento de certos pressupostos que não se podem identificar com a essência da fé. Essa nova situação em que vivemos é um convite de Deus a uma fé mais madura, responsável, consciente da entrega a ele.

 

Mas se o homem não é fiel...

 

Deus está sempre à procura do homem, perseguindo-o. "Tu me caças como a um leão", exclama Jó no seu tormento. É como se Deus não quisesse permanecer sozinho e houvesse escolhido o homem para ajudá-lo. "Adão, onde estás?", chamava Deus ao primeiro homem, que se escondia entre as árvores do paraíso terrestre depois do pecado. Esse chamado nunca mais cessou na floresta da história. Deus permanece fiel ao homem, busca-o em todas as suas fugas, porque o ama como só Deus pode amar, com a força e a ternura de um Pai que é movido por um amor infinito.

 

Hoje, como ontem, o problema do homem consiste em fugir desse Deus que o busca. É o homem que se esconde, que procura um álibi. E Deus não se cansa de segui-lo.

 

Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 22 de Fevereiro de 1993, declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas, para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.

 

Nesse período vários Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a realizar no Dia, atividades concretas que promovam a conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações proposta pela Agenda 21.

 

 

O simbolismo da água na Liturgia


A água é símbolo da vida. Representa a eficácia do sangue redentor de Cristo, comparado à água que lava. A descida do catecúmeno à fonte batismal é assimilada à descida de Cristo às profundezas da terra. A imersão do Círio Pascal na água é a união do elemento divino com o humano, a força fecundante de Cristo, gerador de vida nova, para que todos os que se banharem nessa água fecundada se tornem filhos de Deus. (Estas considerações sobre os principais símbolos da Vigília Pascal foram extraídas do Dicionário de Liturgia, Paulus, São Paulo, 2ª edição, 2001.)

 

 



[1] Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995