Domingo, 21 de agosto de 2011

Assunção de Nossa Senhora, Ofício Solene, 1ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia da Habitação e Dia das Vocações Religiosas

 

Santos: Pio X, Ciríaca, Humbelina, Euprépio, Privato (séc. III, mártir), Sidônio Apolinário (séc. V), Bem-Aventurada Umbelina (1136), Ahmed e Graça (irmãos de origem árabe, mártires em Valença, na Espanha).

 

Antífona: Grande sinal aparece no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua  sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. (Ap 12, 1)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Missa de Vigília no Sábado a partir das 15 horas (cf. Missal Dominical): I Leitura: 1 Cr, 15, 3-4.15-16; 16, 1-2;

Salmo: 131/132, 6-7.9-10.13-14; II Leitura: 1Cor 15, 54-57; Evangelho: Lc 11, 27-28.

 

 

Leituras da Missa do Dia

 

I Leitura: Apocalipse (Ap 11, 19a; 12, 1.3-6.10)

A arca da nova aliança

 

19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a arca da Aliança. 12,1Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 3Então apareceu outro sinal no céu: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. 4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho, logo que nascesse. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 6A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: "Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

A comunidade dá à luz o Cristo


O texto pertence, na estrutura do Apocalipse, à “seção dos três sinais” (11,15-16,16). As comunidades cristãs, às quais é endereçada a mensagem, encontram-se em fase difícil por causa das perseguições. Percebem que a história é movida por forças positivas e negativas que determinam o desenrolar dos acontecimentos. E as forças negativas parecem ter o poder de destruir todas as esperanças de vida das comunidades.


O autor do Apocalipse apresenta, pois, à comunidade que lê o texto, dois sinais que devem ser interpretados, iluminando a vida dos cristãos. A descrição dos sinais é precedida pela abertura do templo que está no céu e pelo surgimento da arca da Aliança (11,19). Templo e arca são sinônimos de proximidade, comunicabilidade e encontro com Deus. Os relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e tempestade de granizo indicam, enquanto elementos teofânicos, que Deus está para comunicar à comunidade algo de capital importância.


O final do capítulo 11 tem como pano de fundo uma tradição secular, cuja memória se conserva em 2Mc 2,1-8. Trata-se de Jeremias (século 6 a.C.) escondendo numa gruta a Tenda, a Arca e o altar do incenso, sem deixar vestígios de acesso a essa gruta. Ele repreende os que desejavam sinalizar o lugar, dizendo: “O lugar ficará desconhecido até que Deus se mostre misericordioso e reúna novamente toda a comunidade do povo. Então o Senhor mostrará esses objetos. A glória do Senhor e a nuvem também vão aparecer...” (vv. 7b-8a). Esse texto certamente estava na memória do autor ao escrever o livro do Apocalipse. E com isso nos brinda algumas chaves desta leitura: O Senhor se mostrou misericordioso; ele reuniu novamente o seu povo (representado pela Mulher); revela-se aqui a glória do Senhor, vinda do céu, onde reaparece a Arca da Aliança; tudo isso compõe uma grande teofania (relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e tempestade de granizo).


O primeiro sinal grandioso aparece no céu, isto é, no ambiente de Deus. Trata-se de uma mulher, uma esposa-mãe. Ela tem por manto o sol (sinal da proteção de Deus). Tem a lua sob os pés (isto é, já possui a eternidade de Deus) e tem na cabeça uma coroa (ou seja, é vitoriosa) de doze estrelas (que representam as doze tribos de Israel e os doze apóstolos). No Apocalipse, a roupa é a identidade da pessoa. Sol, lua, estrelas são elementos cósmicos simbolizados. Esses elementos são a “roupa” da mulher, ou seja, sua identidade. Em outras palavras, o Apocalipse afirma que essa mulher está profundamente ligada e identificada com Deus (sol que envolve como vestido, lua que envolve por baixo, estrelas que envolvem por cima).


A comunidade que lê o Apocalipse é convidada a interpretar o sinal. Quem é essa mulher? É uma imagem polivalente. É, em primeiro lugar, Eva, a mãe da humanidade (Gn 3,15-16); é o povo de Deus do Antigo Testamento (as doze estrelas); é Sião-Jerusalém, esposa de Javé; é Maria que dá à luz o Cristo. Mas é sobretudo as comunidades do tempo do Apocalipse. Elas têm dimensão celeste (o sinal aparece no céu) e dimensão terrena (encontram-se no mundo, procurando dar continuamente à luz o Cristo). As comunidades se identificam com essa mulher, e descobrem a raiz do seu ser e de sua missão no mundo.


O segundo sinal (vv. 3-4) é o do Dragão, a força hostil, de origem demoníaca, aparentemente superior às forças dos cristãos (sete cabeças). As comunidades são convidadas a interpretar o sinal: o Dragão é força opressora que se encarna em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho cristão, e procurando devorar os frutos e a vida das comunidades proféticas que resistem ao imperialismo romano (e aos imperialismos de hoje). Contudo, apesar de ter aspecto aterrador, seu poder não é absoluto, pois tem dez chifres (número que denota imperfeição) e com a cauda arrasta um terço das estrelas (cifra que denota poder parcial). As comunidades proféticas, pela força do Cristo ressuscitado, vencerão esse poder opressor.


De fato, Deus socorre as comunidades proféticas que lutam para dar à luz o Cristo e as salva (vv. 5-6), e o Dragão é vencido sem esforço (v. 7).


A proclamação que segue anuncia que Deus salva e liberta, por meio da autoridade de Cristo, as comunidades proféticas, conferindo-lhes capacidade de vencer todos os obstáculos, inclusive a morte (v. 11). [Vida Pastoral nº 255 ©Paulus 2007]

 

 

Salmo: 44(45), 10bc.11.12ab.16 (+10b)

À vossa direita se encontra a rainha, com 
veste esplendente de outro de Ofir

 

As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir.  

 

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: "Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!  

 

Entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real".

 

 

 

II Leitura: Coríntios (1Cor 15, 20-27a)
A morte foi derrotada e o que prevalece é a vida eterna

 

Irmãos, 20Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força.  

 

25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte. 27aCom efeito, "Deus pôs tudo debaixo de seus pés". Palavra do Senhor!

 

Comentário da II Leitura

A ressurreição de Cristo nos cristãos


Um dos motivos que levaram Paulo a escrever aos coríntios foi a questão da ressurreição dos mortos. Para os de cultura grega era difícil aceitar que os mortos pudessem voltar à vida. Negando a ressurreição dos mortos, negavam também a ressurreição de Cristo.


Em 1Cor 15 Paulo aborda essa questão. Inicia recordando o anúncio fundamental (querigma) do Evangelho: Cristo morreu e ressuscitou. É isto que ele e os demais apóstolos anunciam. E as provas de que Cristo vive são os próprios apóstolos e muitos cristãos, aos quais ele apareceu depois de ressuscitado.


Baseado nesse pressuposto, tenta levar à fé os que duvidam (vv.12-34), apresentando provas da Bíblia (vv. 27.32). Outros argumentos que confirmam a ressurreição dos mortos fazem parte do trecho que lemos na liturgia de hoje. O primeiro é o que mostra Cristo enquanto primícias dos que adormeceram (v. 20). Primícias são os primeiros frutos a amadurecer. Depois deles amadurecem os demais e vem a colheita. Cristo é o primeiro fruto de ressurreição. Ele venceu a morte para sempre, abrindo as portas para a vitória da vida sobre a morte. Portanto, os mortos ressuscitarão também, como Cristo ressuscitou. Paulo contrapõe Adão a Cristo: o pecado do primeiro acarretou a morte para todos; a morte-ressurreição do segundo confere vida a todos. Se todos se solidarizam em Adão em vista da fraqueza do pecado, com sua morte e ressurreição Cristo nos associou a si e à sua vida em plenitude (vv. 21-22). Por causa dele fomos feitos cristãos, semelhantes a Cristo na vitória sobre a morte.


O segundo argumento é o da vitória de Cristo sobre todas as forças hostis às pessoas e ao projeto de Deus. Ele aniquilará todos os mecanismos de morte (principado, autoridade, poder), vencendo finalmente a morte, último inimigo, e entregando o Reino ao Pai (vv. 34-36). A vitória de Cristo, portanto, não será completa enquanto não vencer também naqueles que trazem seu nome. Isso quer dizer que a luta contra a morte é tarefa conjunta de Cristo e dos cristãos. Só quando estes participarem da vida plena em Deus é que Cristo dará por encerrada sua missão. [
Vida Pastoral nº 255 ©Paulus 2007]

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 39-56)
Bendita és tu entre as mulheres

 

Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu".  

 

46Então Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Maravilhas de Deus em favor dos humilhados

 

Lc 1,39-56 é a seção que costumamos chamar “a visita de Maria a Isabel”. Pertence aos relatos do nascimento e infância de João Batista e de Jesus. O contexto é das aldeias: Maria é da aldeia de Nazaré e vai a uma aldeia da Judéia para servir. Lucas não pretende, em primeiro lugar, mostrar como isso aconteceu, mas reler esses acontecimentos à luz da morte-ressurreição de Jesus, a fim de iluminar a caminhada das primeiras comunidades cristãs. Não se trata, pois, de curiosidade histórica, mas de leitura teológica. Dividiremos essa seção em dois momentos: vv. 39-45 e vv. 46-56.

 

a. A Trindade se revela aos pobres (vv. 39-45)

Na anunciação, o anjo informara Maria a respeito da gravidez de Isabel, com a garantia de que nada é impossível para Deus (1,37). Ao declarar-se serva do Senhor (v. 38), ela concebe Jesus e, como sinal de seu serviço, dirige-se apressadamente à casa de Zacarias, ao encontro e a serviço de Isabel (vv. 39-40). A cena mostra o encontro de duas mães agraciadas com o dom da fecundidade e da vida (Isabel era estéril e Maria não teve relações com nenhum homem); mostra também o encontro de duas crianças, o Precursor e o Messias, ambos sob o dinamismo do Espírito Santo. Jesus havia sido concebido por obra do Espírito; João Batista exulta no seio de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. Mas a cena mostra, sobretudo, que a Trindade se revela aos pobres e faz deles sua morada permanente. O Pai havia revelado a Maria o dom feito a Isabel, a marginalizada porque estéril; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, se tornou “mãe do Senhor” (v. 43). Assim a Trindade entra na casa dos pobres e humilhados que esperam a libertação. Os nomes das personagens nos ajudam a ver melhor: Jesus (= Deus salva); João (= Deus é misericórdia); Zacarias (= Deus se lembrou); Isabel (= Deus é plenitude); Maria (= a amada). Maria se torna, assim, pioneira insuperável de evangelização, pois leva Jesus-Messias às pessoas.


As palavras de Isabel a Maria (vv. 42b-45) se inspiram nos elogios das mulheres libertadoras do Antigo Testamento: Jael (“Que Jael seja bendita entre as mulheres”, Jz 5,24) e Judite (“Que o Deus Altíssimo abençoe você, minha filha, mais que todas as mulheres da terra”, Jt 13,18; cf. Gn 14,19-20). O v. 42b se inspira, ainda, nas promessas de vida a Israel (“Será abençoado o fruto do seu ventre”, Dt 28,4).


A expressão de alegria de Isabel ao acolher Maria (v. 43) recorda a surpresa de Davi ao acolher a Arca (“Como é que a Arca de Javé poderá ser introduzida em minha casa?”, 2Sm 6,9). Em base a esse paralelismo, alguns veem em Maria a arca da nova Aliança, por ser ela a mãe do menino que é chamado Santo, Filho de Deus (Lc 1,35). Mas o elogio de Isabel a Maria vai além de sua maternidade física. A grande bem-aventurança de Maria é ter acreditado que as coisas ditas pelo Senhor iriam cumprir-se (v. 45). Isso está em perfeita sintonia com o Evangelho de Lucas, no qual ela aparece como modelo do discípulo. O próprio Jesus afirma haver uma bem-aventurança que supera a da maternidade física: “Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam” (cf. 11,17-28). Maria, a escrava do Senhor (1,28), merece a bem-aventurança dos ouvintes cristãos a quem Lucas, em At 2,18, chama de servos e servas do Senhor.


Duas são as características mais importantes de Maria no relato da visita a Isabel. E são exatamente as qualidades do discipulado no Evangelho de Lucas: atenção e adesão absolutas à palavra de Deus e, como consequência disso, serviço incondicional a quem necessita. Maria é discípula fiel (em relação a Deus) e solidária (em relação ao próximo).

 

b. Magnificat: Deus realiza a esperança dos pobres (vv. 46-56)

Algumas observações preliminares ajudarão a entender melhor o Magnificat (cf. VV. AA., Maria no Novo Testamento, Paulus, São Paulo, 1985, pp.150-156). Em primeiro lugar, devemos perguntar se foi Maria quem pronunciou esse hino de louvor que chamamos de Magnificat. Alguns manuscritos atribuem esse hino a Isabel. O Magnificat se inspira fortemente no canto de Ana (1Sm 2,1-10), mãe de Samuel, depois que Deus a livrou da humilhação da esterilidade. Nesse sentido, o hino (sobretudo o v. 48) está mais para Isabel do que para Maria. Porém, a idéia de serva e a expressão “todas as gerações me chamarão de bem-aventurada” (v. 48) se adaptam melhor a Maria.


Em segundo lugar, os estudiosos são concordes em afirmar que o Magnificat, assim como se encontra, não foi composto por Maria. Uma prova disso são os verbos no passado: agiu com a força de seu braço, dispersou, depôs, exaltou, cumulou, despediu etc. (vv. 51-55). Esses verbos no passado revelam que o hino é lido à luz da vida, morte e ressurreição de Jesus. “Deus inverteu o estado de coisas que a crucifixão havia criado”.


Em terceiro lugar, trata-se de descobrir quem compôs esse hino. É bem provável que fosse um hino das primeiras comunidades cristãs, onde se louva a intervenção de Deus em favor dos pobres, humilhados e famintos, contra os orgulhosos, poderosos e ricos (característica dos hinos de louvor). O contraste de sortes ressalta o poder de Deus e as maravilhas que realiza em favor dos pobres, coroando suas esperanças. Lucas atribuiu esse hino a Maria porque ela, mais que todos, expressava os sentimentos e atitudes de compromisso, esperança e confiança no poder de Deus. Lucas foi muito corajoso ao atribuir esse hino a Maria, ressaltando-lhe o valor e a importância enquanto figura representativa de uma coletividade. Ela, portanto, é porta-voz qualificada dos discípulos cristãos, dos pobres que anseiam por libertação. É porta-voz dos oprimidos, pobres, aflitos, viúvas e órfãos. Opostos a esses estavam os ricos, mas também os orgulhosos e autossuficientes que punham suas esperanças nos próprios recursos, não sentindo qualquer necessidade de Deus.


É um texto profético. Não no sentido de previsão do futuro, mas no sentido genuíno da profecia, que pode ser traduzida como denúncia de algo errado e anúncio de uma transformação. Maria é profetisa porque, movida pelo Espírito, encarna os ideais dos profetas do Antigo Testamento, do qual também ela faz parte.


O espírito do Magnificat combina com o da comunidade de Jerusalém em At 2,43-47; 4,32-37, na qual provavelmente o hino tomou corpo, tornando-se canto de louvor pela libertação. Pondo-o nos lábios de Maria, Lucas atribui a ela um papel importante na história da salvação, “um papel representativo que, partindo do relato da infância, penetrará no mistério de Jesus e chegará finalmente à Igreja primitiva” (o.c., p. 156).


O Magnificat, como os salmos do tipo “hino de louvor”, contém uma introdução (vv.46b-47) onde se louva Deus; um corpo (vv. 48-53), que enumera os motivos de louvor (cf. v. 48: porque…), e uma conclusão (vv. 54-55), que ressalta por que Deus agiu assim, cumprindo as promessas feitas aos antepassados. Dentro do hino há pares que fazem de Maria a figura representativa de todo o povo: serva + servo; humilhação/humildade + humildes; a misericórdia de Deus que se estende.. + Deus que se lembra de sua misericórdia.


A introdução vê realizadas as expectativas de Ana (cf. 1Sm 1,11) e do profeta Habacuc (3,18), que traduzem as esperanças dos pobres (‘anawim). Atribuindo a Maria este hino, Lucas a torna intérprete dos anseios dos humilhados que veem, finalmente, realizadas suas esperanças. Todo o ser de Maria é envolvido no louvor (alma + espírito).

 

O corpo do Magnificat ressalta a ação de Deus em favor dos humilhados (inicia com porque...). Essa ação é descrita como maravilha, termo que, na Bíblia, marca as grandes intervenções de Deus em vista da libertação (por exemplo, o êxodo). A maravilha divina é libertar os que sofrem e esperam nele, exaltando-os e cumulando-os de bens. Os beneficiados são dois: Maria e os necessitados. Os aspectos político e econômico estão bem representados (poderosos destronados; ricos despedidos de mãos vazias).


A conclusão salienta que a ação de Deus em favor dos pobres é fruto da memória de sua misericórdia, renovando hoje os benefícios e opções feitos no passado, mantendo assim a fidelidade prometida a Abraão e a seus descendentes. [Vida Pastoral nº 255 ©Paulus 2007]

 

 

 

Assunção de Nossa Senhora

 

 

O dogma da Assunção foi definido no ano de 1950, durante o pontificado de Pio XII. Ignoramos se, como e quando se deu a morte de Maria, desde muito cedo festejada como "dormição". É uma solenidade que, correspondendo ao natal (morte) dos outros santos, é considerada a festa principal da Virgem. O dia 15 de agosto lembra provavelmente a dedicação de uma grande igreja a Maria, em Jerusalém.

 

A Igreja celebra hoje em Nossa Senhora a realização do Mistério pascal. Sendo Maria a "cheia de graça", sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus.

 

Assunta ao céu, Maria

está mais perto de nós

 

As três leituras da missa apresentam muito concretamente os valores da assunção de Maria, o lugar que tem no plano da salvação e suas mensagens à humanidade.

 

Maria é a verdadeira 'arca da aliança", é a "mulher vestida de sol", imagem da Igreja (1ª leitura). Como a arca construída por Moisés estava no Templo, porque era "sinal  e  instrumento da aliança de Deus com seu povo eleito, Maria está no céu em sua integridade humana porque «sinal e instrumento" da nova aliança. A arca continha a Lei e, por ela, Deus respondia aos pedidos do povo; Maria nos oferece Jesus, o proclamador da lei do amor, o realizador da nova aliança de salvação; nele o Pai nos fala e nos escuta. Maria é figura e primícias da Igreja, mãe do Cristo e dos homens, que ela gerou para Deus na dor, sob a cruz do Filho; é, portanto, anúncio da salvação total que se realizará no reino de Deus.

 

Isto se dará por obra do Cristo ressuscitado (2ª leitura), modelo e realizador da ressurreição final gloriosa, comunicada em primeiro lugar a Maria, por causa de sua maternidade divina. A Virgem Imaculada foi o anúncio do fim da redenção, que é levar os homens a uma inocência integral; a Virgem da Assunção é anúncio da meta final da redenção: a glorificação da humanidade em Cristo. Maria chama hoje os cristãos a se considerarem inseridos na história da salvação e destinados a conformar-se a Cristo na glória, felicidade infinita no encontro comunitário da casa do Pai. Por isto, diz o Concilio que a Assunção de Maria é dada à Igreja, aos homens, como "sinal de segura esperança e de consolação". Maria mesma transmite suas mensagens aos homens no seu "Magnificat" (evangelho). Proclama que Deus realizou uma tríplice inversão de falsas situações humanas, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo. No campo religioso, Deus derruba as autossuficiências humanas; confunde os planos dos que nutrem pensamentos de soberba, erguem-se contra Deus e oprimem os homens. No campo político Deus destrói os injustificáveis desníveis humanos, abate os poderosos dos tronos e exalta os humildes; repele aqueles que se apoderam indevidamente dos povos, e aprova os que os servem para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações raciais, culturais ou políticas. No campo social Deus transtorna a aristocracia estabelecida sobre o ouro e os meios de poder; cumula de bens os necessitados e despede de mãos vazias os ricos, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos são filhos de Deus.

 

Assim, as festas da Imaculada e da Assunção nos lembram toda a história da salvação, aquela história que se realiza hoje para nós, e que, rogamos a Maria, nossa mãe, conduza a plenitude.

 

Maria, imagem da Igreja

 

Maria, glorificada na Assunção, é a criatura que atingiu a plenitude da salvação, até a transfiguração do corpo. É a mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas. É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus. A Mãe do Senhor é a imagem da Igreja: luminosa garantia de seu destino de salvação, porque o Espírito do Ressuscitado cumprirá plenamente sua missão em todos nós, como o fez nela, que já é aquilo que nós seremos.

 

Muitos não gostam de ouvir falar em "salvação das almas". Expressando-se assim, parece-lhes que a vida, com suas cores, sabores e complementos que a tornam agradável, vá desaparecer; parece-lhes que o corpo não serve para nada. Têm razão, porque não será assim. Maria, assunta ao céu é garantia de que o homem todo se salva, de que os corpos ressurgirão. Para o cristão, a salvação é a ressurreição dos corpos, um mundo novo e a terra nova. Na eucaristia, pão de imortalidade, se encontram os alimentos-base do homem, frutos da terra, da videira e do trabalho do homem; é precisamente a eucaristia a garantia cotidiana de que a salvação atinge o homem todo na sua situação concreta, para arrebatá-lo à morte, a mais terrível inimiga do progresso.

 

SUGESTÕES PRÁTICAS PARA A

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

Dehonianos de Portugal

1. Confiar o Magnificat a uma voz de mulher.

No Evangelho, excepcionalmente, porque não confiar o “Magnificat” a uma voz de mulher que poderia lê-lo ou cantá-lo?

 

2. Pensar na participação das crianças.

Uma festa é bem conseguida quando se consegue congregar todas as gerações. Seria bom pensar em particular na participação das crianças: ficarem à volta da estátua de Nossa Senhora durante a procissão do ofertório; fazerem uma oração a Nossa Senhora no final da celebração…

 

3. Oração na lectio divina.

Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

 

No final da primeira leitura:

“Pai do céu, juntamos as nossas vozes à que nos vem do céu para proclamar: Eis agora a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo. Glória a Ti, Deus de vida.

Nós Te pedimos pelas tuas Igrejas, ameaçadas pelos «dragões» da nossa época: a indiferença, as religiosidades desviadas e as perseguições”.

 

No final da segunda leitura:

“Deus Pai, nós Te damos graças pela ressurreição que manifestaste pelo teu Filho Jesus, o novo Adão, e pela assunção na vida gloriosa que revelas em Maria, mãe do teu Filho. Nós Te confiamos os nossos defuntos e as famílias em luto. Releva-nos pela promessa da ressurreição. Transformas as nossas penas em esperança”.

 

No final do Evangelho:

“Nós Te bendizemos, Deus do universo, porque pelo teu Filho ainda pequeno e pela sua mãe, Maria, visitaste o teu povo, vieste até nós. Felizes aqueles que acreditam no cumprimento da tua Palavra. Nós Te pedimos pelas nossas comunidades cristãs, encarregadas, como Maria, de levar Cristo ao mundo. Como fizeste por ela, guia-nos pelo teu Espírito Santo”.

 

4. Oração Eucarística.

Pode-se escolher a Oração Eucarística III, em que a primeira intercessão exprime bem o mistério deste dia.

 

5. Palavra para o caminho.

Um tríplice segredo… A meio do verão, eis uma festa para nos fazer parar junto de Maria e receber dela um tríplice segredo: o segredo da fé sem falha tão bem ajustada a Deus (“Eis a serva do Senhor”…); o segredo da sua esperança confiante em Deus (“nada é impossível a Deus”…); o segredo da sua caridade missionária (“Maria pôs-se a caminho apressadamente”…). E nós podemos pedir-lhe para nos acompanhar no caminho das nossas vidas…

 

Assunção de Maria: O dogma da Assunção refere-se a que a Mãe de Deus, no fim de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Este dogma foi proclamado ex cathedra pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus: "Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu". O Novo Catecismo da Igreja Católica declara: "A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos" (n. 966).

 

Dia das Vocações Sacerdotais

Na Igreja do Brasil, o mês de agosto é sempre um mês vocacional. É o mês das Vocações. Um mês inteiro para você tomar consciência de sua própria vocação humano-cristã e também das demais vocações que existem dentro do Povo de Deus.

 

Uma das lindas vocações do homem é a do Sacerdócio. Os sacerdotes são os ministros das Misericórdias e da Salvação do Senhor Deus. Eles agem no lugar de Cristo. Celebram os sacramentos, reúnem a comunidade na Eucaristia, anunciam ao mundo a Palavra da Salvação, visitam os doentes e os pobres, perdoam os pecados, orientam e dirigem as consciências. Vivem com os irmãos na alegria e no sofrimento. Enfim, continuam na terra a missão do Cristo Redentor.

 

Ser padre é servir. É aceitar desafios. É renunciar muitos valores para servir a Deus e aos irmãos com tempo integral e com dedicação completa. E como nós precisamos de homens assim! Eles levam Jesus aos outros través da sua vida, de seu testemunho, de sua presença no mundo hoje.

 

Por que será que tão poucos jovens escolhem o sacerdócio? Você sabe o que é ser padre? A sua cidade ou o seu grupo de jovens já deu um sacerdote à Igreja? Sensibilidade e consciência vocacional são coisas importantes em qualquer comunidade cristã. O mínimo que se pode fazer é rezar. Mas nós podemos fazer mais. Como e o que fazer: Pense e reflita! Converse com os outros sobre este assunto.

 

Contato: edd@mundocatolico.com.br