Domingo, 21 de fevereiro de 2010

I Da Quaresma - Ano “C”  (PAR) - 1ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Litúrgica Roxa

 

Santos do Dia: Avito II de Clermont (bispo), Daniel e Verda (mártires da Pérsia), Félix de Metz (bispo), Gundeberto de Senones (monge, bispo), Irene (irmã do papa São Dâmaso), Jorge de Amastris (bispo), Patério de Bréscia (bispo), Roberto Southwell (jesuíta, mártir), Severiano de Scitópolis (bispo, mártir), Valério de Astorga (abade), Verulo, Secundino e Companheiros (mártires de Hadrumetum, no norte da África).

 

Antífona: Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias (Sl 90, 15-16)

 

Oração: Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Deuteronômio (Dt 26, 4-10)

Profissão de fé do povo eleito

 

Assim Moisés falou ao povo: 4"O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus. 5Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus: 'Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. 6Os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão.

 

7Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão, a nossa miséria e a nossa angústia. 8E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios. 9E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra, onde corre leite e mel. 10Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor'. Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele". Palavra do Senhor!

 

Salmo: 90(91), 1-2.10-11.12-13.14-15(R/.cf. 15b)
Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

 

Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: "Sois meu refugio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente".

 

Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem.

 

Haverão de te levar em suas mãos, para o teu pé não se ferir nalguma pedra. Passarás por sobre cobras e serpentes, pisarás sobre leões e outras feras.

 

"Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo    e protegê-lo, pois meu nome ele conhece. Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo, e a seu lado eu estarei em suas dores.”

 

 

II Leitura: I Carta de Paulo aos Romanos (Rm 10, 8-13)

Profissão de fé dos que crêem em Cristo

 

Irmãos: 8O que diz a Escritura? "A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração". Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos. 9Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. 11"Pois a Escritura diz: "Todo aquele que nele crer não ficará confundido". 12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam. 13De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 1-13)

Jesus no deserto, era guiado pelo Espírito e foi tentado

 

Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: "Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão". 4Jesus respondeu: "A Escritura diz: 'Não só de pão vive o homem 5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os remos do mundo 6e lhe disse: "Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isso foi entregue a mim e posso dá-lo a quem eu quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu". 8Jesus respondeu: "A Escritura diz: 'Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele serviras.

 

9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: "Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: 'Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!' 11E mais ainda: 'Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'". 12Jesus, porém, respondeu: "A Escritura diz: 'Não tentarás o Senhor teu Deus"'. 13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno. Palavra da Salvação!

 

Libertação: dom e compromisso

 

Certos momentos na história de um povo constituem a sua epopéia; são os acontecimentos da "libertação", do seu nascimento como povo quando tomou consciência dos laços que o unem e do destino a que é chamado.

 

O povo de Israel viveu essa experiência na história e a reviveu na memória poética e ritual (1ª leitura), encontrando nos acontecimentos do Êxodo o ponto de referência para a sua consciência de ser o povo escolhido em vista de uma missão. Sentiu sua libertação como uma obra prodigiosa de Deus e não como fruto de iniciativa humana: conseqüentemente, toda a sua religião se baseia nessa libertação e no seu desenrolar-se dentro de um desígnio de salvação.

 

Para os cristãos, o acontecimento é a Páscoa de Jesus, que começa a fazer parte da história de todo homem, uma vez que ele aceita deixar-se libertar e entrar no povo dos remidos. As comunidades que se reúnem em nome (2ª leitura) de Jesus professam a "palavra da fé" nele, ressuscitado  pelo  poder do Pai, como os israelitas celebravam a páscoa reconhecendo os prodígios de Deus para com eles.

 

Superando toda tentação de satanás (evangelho) com a força do seu amor à palavra de Deus, Cristo mostra que a libertação é, antes de tudo, interior; o homem deve superar o egoísmo, a busca ansiosa dos bens materiais, a sede de posse e de domínio sobre os outros, a ilusão do sucesso imediato, para possuir a si mesmo e atingir assim a plena liberdade daquele que se entrega ao seu libertador. A comunidade dos remidos, a Igreja, por sua vez, luta pela libertação da humanidade das forças do mal: miséria, ignorância, ódio e violência, hedonismo e febre do consumo, egoísmo e falta de amor. Cumprindo esta tarefa no espírito e com a força de Cristo, a Igreja prepara para o seu Senhor um povo aberto ao anúncio do evangelho e ao caminho para a perfeita liberdade.

 

Quaresma, preparação para a Páscoa

"Entre todos os dias do ano, que a devoção cristã honra de vários modos, não há nenhum que supere a festa de Páscoa, porque esta toma sagradas todas as outras solenidades. Ora, se considerarmos o que o universo recebeu da cruz do Senhor, reconheceremos que, para celebrar o dia de Páscoa, é justo preparar-nos com um jejum de quarenta dias, para podermos participar dignamente dos divinos mistérios.

 

Não só os bispos, sacerdotes e diáconos devem purificar-se de suas faltas, mas todo o corpo da Igreja e todos os fiéis; porque o templo de Deus, que tem por base o seu próprio fundador, deve ser belo em todas as suas pedras e luminoso em cada uma de suas partes..." (São Leão Magno).

 

Quaresma, tempo de ascese

"A ascese cristã nunca foi fim em si mesma; é apenas um meio, um método a serviço da vida, e como tal procurará adaptar-se às novas necessidades. Outrora, a ascese dos Padres do deserto impunha jejuns e privações intensas e extenuantes; hoje a luta é outra. O homem não tem necessidade de sofrimento suplementar; cilício, cadeias de ferro, flagelações, corre-riam o risco de extenuá-lo inutilmente. A mortificação da nossa época consistirá na libertação da necessidade de entorpecentes, pressa, ruídos, estimulantes, drogas, álcool sob todas as formas. A ascese consistirá acima de tudo no repouso imposto a si mesmo, na disciplina da tranqüilidade e do silêncio, onde o homem encontra a possibilidade de concentrar-se para a oração e a contemplação, mesmo em meio a todos os ruídos do mundo, no metrô, entre a multidão, nos cruzamentos de uma cidade. Consistirá principalmente na capacidade de compreender a presença dos outros, dos amigos, em cada encontro. O jejum, ao contrário da maceração imposta, será a renúncia alegre do supérfluo, a sua repartição com os pobres, um equilíbrio espontâneo, tranqüilo" (Paulo Evdokimow).

 

Quaresma, tempo de fraternidade

"Mas, direis, que divisão vês entre nós? Aqui, nenhuma, mas quando termina a nossa assembléia, um critica o outro; esse injuria publicamente o irmão; aquele se enche de inveja, de avareza ou de cobiça; aquele outro se entrega à violência; outro ainda à sensualidade, à impostura, à fraude. Se nossas almas pudessem ser postas a nu, veríeis então a exatidão de tudo isso... Desconfiando uns dos outros, nos tememos mutuamente, falamos ao ouvido do vizinho e se vemos aproximar-se um terceiro, calamo-nos e mudamos de assunto... Respeitai, respeitai esta mesa da qual todos nós comungamos; respeitai o Cristo imolado por nós, respeitai o sacrifício que é oferecido" (São João Crisóstomo). [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]