Domingo, 20 de novembro de 2011

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, Solenidade, 2ª Semana do Saltério, cor Branca

 

Hoje: Dia Nacional da Consciência Negra, Dia do Zumbi, Dia Nacional de Combate ao Racismo, dia do Biomédico, dia Mundial dos Direitos da Criança, Dia Nacional do Leigo e Dia da Ação Católica.

 

Santos: Agápio de Cesaréia da Palestina (mártir), Ampélio e Caio (mártires), Basso, Dionísio, Agapito e Companheiros (mártires de Heracléia na Trácia), Benigno de Milão (bispo), Bernoardo de Hildesheim (monge, bispo), Colmano de Dromore (bispo), Dásio de Dorostorum (mártir), Edmundo (rei, mártir), Eudes de Corméry (abade), Eustáquio, Tespésio e Anatólio (mártires de Nicéia, na Ásia Menor), Eval de Cornwall (bispo), Félix de Valois (fundador), Gregório, o Decapolita (monge), Leão de Nonantula (abade), Maxência de Beauvais (virgem, mártir), Nerses de Sahgerd (bispo) e Companheiros (mártires), Otávio, Solutor e Adventor (mártires de Turim), Silvestre de Châlons-sur-Saône (bispo), Simplício de Verona (bispo), Ambrósio Traversari (abade geral dos camaldulenses, bem-aventurado), Ângela de São José e Maria do Sufrágio (virgens e mártires), Francisco Xavier Can (catequista do Vietnam, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos. (Ap 5,12;1,6)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

No 34º Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. As leituras deste domingo falam-nos do Reino de Deus (esse Reino de que Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há de vir.

 

 

1ª Leitura: Profecia de Ezequiel (Ez 34, 11-12.15-17)
Eu farei justiça entre uma ovelha e outra

11Assim diz o Senhor Deus: "Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. 12Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que foram dispersadas num dia de nuvens e escuridão.

 

15Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar - oráculo do Senhor Deus -. 16Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito.

 

17Quanto a vós, minhas ovelhas, - assim diz o Senhor Deus - eu farei justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes". Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Eu mesmo cuidarei do meu rebanho

 

A vocação profética de Ezequiel nasceu em pleno exílio da Babilônia (século VI a.C.). Sua profecia suscita esperança aos exilados, na certeza da volta para a terra prometida de onde foram arrancados. O exílio é analisado teologicamente como resultado da infidelidade de Israel à aliança com Deus. A transgressão se dá, especialmente, pelo comportamento negligente das lideranças, conforme podemos constatar pelas denúncias contidas em Ez 34. Aqueles que deveriam ser os cuidadores do povo tornaram-se pastores de si próprios e abandonaram as ovelhas. Agora elas estão dispersas, longe de seu aprisco, à mercê dos aproveitadores estrangeiros. Nessa situação lamentável, Deus intervém de modo a prescindir da mediação das lideranças. É o que enfatiza o texto da liturgia deste domingo.

 

A caracterização de Deus como o verdadeiro Pastor é comum em vários outros textos do Primeiro Testamento. Por exemplo, rezamos e cantamos frequentemente o Salmo 23(22). Com base na situação cultural da Palestina, onde o pastoreio é atividade cotidiana, os autores bíblicos extraem lições teológicas de especial significado para a fé judaico-cristã.

 

As pessoas empobrecidas depositam total confiança em Deus. Humilhadas e desprezadas por causa de sua condição social, entregam-se nas mãos daquele que as pode salvar. Desde a origem do povo de Israel, Deus revela-se como o “padrinho” dos abandonados. No contexto do exílio da Babilônia, ele vê a aflição do povo disperso, acolhe o seu grito e intervém para libertá-lo. Os verbos indicam a maneira como age o Bom Pastor: “Cuidarei do meu rebanho, dele me ocuparei, recolherei de todos os lugares, lhe darei repouso, buscarei a ovelha que estiver perdida, reconduzirei a desgarrada, curarei a fraturada, restaurarei a abatida... Eu as apascentarei com justiça”.

 

Deus julga e age corretamente. Sabe perfeitamente discernir entre ovelhas e ovelhas, entre bodes e carneiros. Não tolera a exploração nem a dominação de uns sobre os outros. Todo o seu rebanho tem o mesmo direito às condições para uma vida digna e saudável. Deus se põe a serviço do povo sofredor: é o que também Jesus vai fazer, bem como deverão fazer os seus seguidores. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]  

 

 

Salmo: 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R/.1) 
O senhor é o Pastor que me conduz; não me falta coisa alguma

 

Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar Pelas águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

 

Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda.

 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

 

II Leitura: 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15, 20-26.28)
Cristo ressuscitado representa a vida e a vitória de Deus

 

Irmãos: 20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte, e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos.

 

22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. 25Pois é preciso que ele reine, até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte.

 

28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Em Cristo todos receberão a vida

 

Paulo, no capítulo 15 da primeira carta aos Coríntios, dedica-se a refletir sobre a verdade da ressurreição, o fundamento da fé cristã. Ele parte da ressurreição de Cristo, fato que vai além de qualquer dúvida. Assim como a morte entrou no mundo por meio da transgressão de Adão, a ressurreição nos é dada pela fidelidade de Cristo. Sofremos as consequências do pecado, mas em Cristo recebemos a graça salvadora. Nele a vida foi definitivamente resgatada. Ele tomou sobre si a nossa natureza humana pecadora e nos redimiu.

 

A história da salvação continua até a parúsia. O pecado com suas consequências serão definitivamente destruídos. Todas as coisas serão submetidas a Jesus e ao Pai. Então “Deus será tudo em todos”. A redenção, portanto, é graça divina para toda a humanidade e para toda a criação. De fato, formamos uma fraternidade cósmica.

 

A convicção de fé na ressurreição, bem como a certeza da graça redentora de Jesus Cristo, dá novo colorido aos nossos pensamentos, palavras e ações. Podemos entrar na dinâmica do Espírito e nos deixar transformar segundo a imagem de Cristo. Podemos viver cada momento na perspectiva da vida eterna e nos relacionar de modo fraterno com todas as pessoas e com todas as criaturas. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 25, 31-46)
Quem acolhe os pobres terá como herança o reino

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 31"Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.

 

32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.

 

34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar'.

 

37Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor; quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?'

 

40Então o Rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!'

 

41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar'.

 

44E responderão também eles: 'Senhor, quando foi que te vimos com É fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?'

 

45Então o Rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo: todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!'

 

46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

O amor que salva

 

O capítulo 25 de Mateus é formado por três parábolas cujo tema central é a vigilância: a das dez virgens, a dos talentos e a do julgamento final. As três descrevem as atitudes de prudência ou de insensatez com relação à espera da vinda do Senhor. Nesta última parábola, novamente, o cotidiano dos pastores da Palestina serve de fonte de inspiração.

 

Jesus, o Filho do homem, veio para salvar a todos os povos. Sua prática histórica indicou o verdadeiro caminho da salvação: fez-se servo de todos, dedicando-se prioritariamente às pessoas excluídas. Na concepção da comunidade cristã de Mateus, ele voltará como governante, de modo glorioso, para o estabelecimento definitivo do reino de Deus. Todas as nações reunir-se-ão ao seu redor. Como verdadeiro Pastor, julgará com justiça. Os critérios de julgamento não serão a pertença a determinado povo (como pensava o judaísmo oficial), nem a esta ou aquela tradição religiosa, nem o cumprimento de todas as leis. Há uma só lei determinante, o amor às pessoas que sofrem necessidades: famintas, sedentas, forasteiras (migrantes), nuas, doentes e presas.

 

De acordo com o sistema sacerdotal da época, todos esses grupos faziam parte da categoria das pessoas impuras, que traziam o estigma da condenação divina. No entanto, Jesus conhecia muito bem as causas da exclusão social e jamais iria conceber a ideia de castigo divino. Pelo contrário, apresentou o verdadeiro rosto de Deus por meio de seu jeito terno e misericordioso de relacionar-se com as vítimas dos sistemas político e religioso.

 

A parábola também questiona: “Onde está Deus?” A ideia dominante é que Deus se encontra no templo de Jerusalém. No tempo em que Mateus escreve (pelo ano 85), o templo já não existe: fora destruído pelo exército romano no ano 70. Agora, para os rabinos, Deus está nas sinagogas e naqueles que cumpriam a Lei e, por isso, eram chamados de “justos”. Na parábola, as pessoas justas não são as que cumprem a Lei, e sim as que partilham o pão com os famintos, vestem os nus, acolhem os forasteiros, visitam os doentes e os presos...

 

Percebemos, então, que a justiça se confunde com a prática do amor ao próximo. Do mesmo modo, Deus e a pessoa necessitada estão em íntima relação: “O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”. Nem o templo, nem a sinagoga, nem a Lei são “lugares” privilegiados de encontro com Deus, e sim os “pequeninos”. Temos a possibilidade de escolher o caminho de salvação ou de condenação. O reino de Deus é amor, paz, justiça e fraternidade. Nele não há lugar para o egoísmo. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Por Cristo, com Cristo e em Cristo, podemos obter do Pai todas as coisas; dirijamos a ele nossa oração em nome de Jesus: Senhor, atendei-nos.

 

Pela santa Igreja de Deus, para que anuncie a vinda do Reino de Cristo, pregando a boa-nova aos pobres e pondo-se a serviço dos pequenos e dos desprezados, rezemos.

Pelos religiosos e as pessoas consagradas, para que, vivendo fielmente sua consagração, proclamem ao mundo que o Reino de Deus está em nós, rezemos.

Pelos cristãos engajados, para que, servindo a Cristo nos irmãos necessitados, antecipem a vinda do seu Reino de amor e de paz, rezemos.

(outras intenções)

 

Deus todo-poderoso, que, em Cristo Jesus, inaugurastes no mundo vosso reino de amor e de paz, concedei que depois de vos ter servido fielmente nesta terra, possamos viver convosco na pátria celeste. Por Cristo nosso Senhor

 

Oração sobre as Oferendas:

Oferecendo-vos estes dons que nos reconciliam convosco, nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso próprio Filho conceda paz e união a todos os povos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Antífona da comunhão:

O Senhor em seu trono reina para sempre. O Senhor abençoa o seu povo na paz. (Sl 28, 10-11)

 

 

Oração Depois da Comunhão:

Alimentados pelo pão da imortalidade, nós vos pedimos, ó Deus, que, gloriando-nos de obedecer na terra aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, possamos viver com ele eternamente no reino dos céus. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

O último domingo do ano litúrgico, o XXXIV  do Tempo Comum, nos traz de volta para a fonte e o ápice da nossa fé. Nós celebramos, na verdade, hoje, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Toda a liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia, que são os dois momentos essenciais da Missa, fazem-nos espiritualmente desfrutar deste grande tema de relevância teológica e moral para todo crente.

 

E é o apóstolo Paulo a compreender os aspectos essenciais do tema no texto da Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor 15,20-26.28), que podemos ler e meditar hoje: "Irmãos, Cristo ressuscitou dentre os mortos, as primícias dos que morreram, porque, se por meio de um homem a morte veio até nós, também por meio de um homem veio a ressurreição dos mortos, e, como todos morrem em Adão, assim todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias, depois na sua vinda aqueles que são de Cristo. Então virá o fim, quando Ele entregar o reino a Deus Pai, depois de reduzir a nada toda autoridade e todo poder. Pois Ele deve reinar até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. E quando tudo tiver sido sujeito, Ele, o Filho, estará sujeito Àquele a que sujeitou todas as coisas, que Deus seja tudo em todos".

 

A recapitulação de todas as coisas em Cristo é a chave para o mistério da criação e da redenção do homem e da humanidade. Cristo é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de tudo. Ele, que revelou o Pai e o Espírito Santo, é o mediador da única e eterna aliança entre Deus e a humanidade; é Ele o Redentor e Salvador, o Messias que veio e que devemos esperar novamente pela segunda e definitiva vinda à Terra para julgar os vivos e os mortos para a instauração do Reino definitivo e de sua realeza para sempre. O seu reinado no mundo já está se desenvolvendo na expectativa da realização plena. É a inicial fase da instauração do seu Reino, que, em sua plenitude, há de se manifestar no final da história. Um reino que é construído a cada dia através do trabalho daqueles que acreditam em Cristo e nos valores proclamados por Ele.

 

Lembra-nos, em poucas palavras, o Prefácio da Solenidade de hoje: “Fostes vós, ó Deus, que com óleo de alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do Universo o vosso único Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ele se sacrificou como vítima imaculada de paz sobre o altar da Cruz, atuou o mistério da redenção humana, sujeitando ao seu poder todas as criaturas, ofereceu a sua majestade infinita, o reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, amor e paz".

Centra-se sobre estes valores o texto do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), que percebemos como o do Juízo Final, que será expresso, sobretudo, em ordem à caridade e (o) ao amor concreto com o qual vivemos nossa existência terrena: "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, eu era peregrino e recolhestes-me, nu e me vestistes, doente e visitastes-me, na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando te vimos com fome e nós te alimentamos? com sede e te demos algo para beber? Quando te vimos peregrino e te acolhemos? sem roupa e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te? Em resposta, o rei dirá a eles: Em verdade eu vos digo: cada vez que fizestes isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, fizestes a mim."

 

E é em cima da caridade que seremos julgados se somos dignos ou não de adentrar no Reino de Deus. Uma caridade vivida no dia-a-dia no serviço aos pobres e aos necessitados de toda espécie. A caridade que vem do coração e vai ao coração, que não faz cálculos ou conta o tempo e o espaço para servir a causa dos últimos e marginalizados.

 

Jesus nos ensina a entrar nesta dinâmica de amor e de experimentar este amor, porque a verdadeira grandeza do homem, sua verdadeira realeza, a nobreza, especialmente do coração e da mente, é precisamente este amor que se manifesta e sempre é capaz de doar-se. É como o Bom Pastor que vai em busca da ovelha perdida, que cuida do doente, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho, e se alguma está em falta não se resigna à sua perda, mas a busca com insistência. É a ação da graça de Deus agindo silenciosamente e de maneiras misteriosas para a conversão do coração e da vida daqueles que vivem em comunhão com Ele, consigo mesmo e com os outros.

 

E é impressionante o efeito cenográfico e visual do pastor trazido à nossa atenção por meio da passagem do profeta Ezequiel, que é a primeira leitura da Palavra de Deus hoje (Ez 34,11-12.15-17), na Solenidade de Cristo Rei: "Assim diz o Senhor Deus: ‘Eis que eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas e vou cuidar delas. Como um pastor busca o seu rebanho, quando está entre as suas ovelhas que estavam dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares onde foram espalhadas, nos dias nublados e escuros. Eu mesmo conduzirei minhas ovelhas... Esse tema é repetido também no texto do salmo responsorial, tirado de Salmo 22: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, Ele me faz repousar em verdes pastos, guia-me mansamente em águas tranquilas”. Ele me leva por sendas direitas por amor do seu nome. Mesmo que eu ande pelo vale escuro, não temerei mal algum, porque ele estará comigo... e habitarei na casa do Senhor para sempre."

 

Com estes sentimentos no coração, podemos concluir o ano litúrgico e dar graças a Deus por todas as bênçãos espirituais que Ele nos deu neste ano, com a esperança de que tenhamos contribuído de modo substancial no caminho para a santidade. Porque cada ano que passa, seja esse litúrgico ou do calendário, é um processo lento, mas seguro, na aproximação final do ingresso definitivo do Reino de Deus. Ingresso que será sancionado com a nossa morte, o último inimigo a ser destruído por este Rei único e especial, humilde e generoso, que veio entre nós, viveu e morreu por nós e ressuscitou por nós. [CNBB]

 

 

Por que Jesus Cristo é Rei?

 

Desde a antiguidade se chamou Rei a Jesus Cristo, em sentido metafórico, em razão ao supremo grau de excelência que possui e que lhe eleva entre todas as coisas criadas. Assim, diz-se que:

 

·       Reina nas inteligências dos homens porque Ele é a Verdade e porque os homens precisam beber Ele receber obedientemente a verdade;

·       Reina nas vontades dos homens, não só porque Nele a vontade humana está inteira e perfeitamente submetida à santa vontade divina, mas também porque com suas moções e inspirações influi em nossa livre vontade e a acende em nobres propósitos;

·       Reina nos corações dos homens porque, com sua elevada caridade e com sua mansidão e benignidade, faz-se amar pelas almas de maneira que jamais ninguém — entre todos os nascidos — foi nem será nunca tão amado como Cristo Jesus.

 

Entretanto, aprofundando no tema, é evidente que também em sentido próprio e estrito pertence a Jesus Cristo como homem o título e a potestade de Rei, já que do Pai recebeu a potestade, a honra e o reino; além disso, sendo Verbo de Deus, cuja substância é idêntica a do Pai, não pode ter pouco comum com ele o que é próprio da divindade e, portanto, possuir também como o Pai o mesmo império supremo e muito absoluto sobre todas as criaturas.

 

Agora bem, que Cristo é Rei o confirmam muitas passagens das Sagradas Escrituras e do Novo Testamento. Esta doutrina foi seguida pela Igreja – reino de Cristo sobre a terra - com o propósito celebrar e glorificar durante o ciclo anual da liturgia, a seu autor e fundador como a soberano Senhor e Rei dos reis. [www.acidigital.com]