Domingo, 20 de junho de 2010

12º Do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Mundial dos Refugiados e Dia do Migrante

 

Santos: Rafael Palácios, Florentina, Silvério (papa), Miquelina de Pesaro, Gobano, Adalberto (monge de S. Maximino de Treves), Tomás Whitebread; Adalgísio e Gabano (monges irlandeses)

 

Antífona: O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos (Sl 27,8-9).

 

Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: Zacarias (Zc 12, 10-11;13,1)
O Senhor perdoou o teu pecado

 

Assim diz o Senhor: 10“Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de oração; eles olharão para mim. Ao que eles feriram de morte, hão de chorá-lo, como se chora a perda de um filho único, e hão de sentir por ele a dor que se sente pela morte de um primogênito. 11Naquele dia, haverá um grande pranto em Jerusalém, como foi o de Adadremon, no campo de Magedo. 13,1Naquele dia, haverá uma fonte acessível à casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém, para ablução e purificação. Palavra do Senhor!

 

Salmo 62 (63), 2abcd.2e-4.5-6.8-9 (R/.2ce)
A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!

 

Sois, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minha alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja.

 

Como terra sedenta e sem água, venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam.

 

Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minha alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!

 

Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto! Minha alma se agarra em vós; com poder vossa mão me sustenta.

 

II Leitura: Carta de Paulo aos Gálatas  (Gl 3, 26-29 )
 Todos vós sois um só, em Jesus Cristo

 

Irmãos: 26Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 9,18-24)
Se alguém me quer seguir, tome sua cruz e siga-me

 

Certo dia, 18Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” 19Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. 20Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. 21Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém. 22E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. 23Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”. Palavra da Salvação!

 

 

A morte como caminho para a vida

 

 

Cristo tem uma identidade pessoal que salva e revela; e uma missão a cumprir. Para revelar sua identidade e cumprir sua missão, para salvar a verdade da sua vida, está ele disposto a tudo, até a perder a vida física. A decisão “incondicional” e absoluta de ser ele mesmo e cumprir a sua missão a “qualquer preço” é o ato supremo de fidelidade (obediência) a Deus.

 

Uma identidade a revelar  e uma missão a cumprir

 

Perder a própria vida física (morrer) é o “sinal”, o teste, a “prova” absoluta da fidelidade à própria identidade e à missão recebida do Pai; é, portanto, o ato pelo qual a vida é salva.

 

Ora, qual é a identidade de Cristo? Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Jesus nos salva por aquilo que ele “é”. É a “reconciliação” entre o homem e Deus, a comunhão “perfeita” do homem com Deus. Mas é preciso acrescentar imediatamente: Jesus nos salva com aquilo que “faz”. E o que faz (a missão) depende da aceitação ou recusa da parte dos outros.

 

Jesus incita os apóstolos a dizer o que pensam dele, de sua identidade e missão (evangelho). Pedro responde: “Tu és o Cristo de Deus!” Os apóstolos, que refletem a mentalidade corrente, entendem o Messias de modo diferente de como entende Jesus. Eles pensam no Messias como poder. Jesus, como amor. Se Deus é amor, abertura, comunhão, não há outro caminho para ele, Homem-Deus, senão o do amor. Só um homem-amor pode ser a revelação do Deus-amor.

 

Rigorosamente falando, Jesus poderia ter reconduzido o homem a Deus, realizado a obra de “pacificação” do homem com Deus e dos homens entre si, também através do poder usado por amor. Mas o Homem-Jesus prefere cumprir a sua missão pelo amor “puro”, isto é, unicamente pelo amor, o apelo às consciências, a doação, o serviço, a paciência, a mansidão, os meios pobres. Porque este é o único caminho para a transformação dos corações.

 

Um amor fiel ao Pai e aos irmãos

 

Jesus jamais poderá aceitar ser o que seus compatriotas querem que ele seja. Será o que o Pai quer, a verdadeira imagem de Deus e a verdadeira imagem do homem, a verdadeira face de Deus e a verdadeira face do homem.

 

Jesus sabe que a fidelidade a esta decisão, de realizar o plano do Pai, num mundo dominado pelo pecado, lhe causará muito sofrimento, a recusa da parte do poder (anciãos, sumos sacerdotes e escribas) e, enfim, morte violenta.

 

Aceita livremente esta consequência da sua decisão, para não trair o amor fiel ao Pai e ao homem.

 

Pode-se imaginar o drama de consciência do Cristo; encarrega-se de realizar uma vocação messiânica, pretende levá-la a termo na mansidão e com meios pobres, e vê que não poderá levar até o fim a sua obra porque verá a morte antes da sua realização. E então? Sem dúvida Deus quer que se realize a missão messiânica de Jesus para além da morte. Deus não o abandonará na morte.

 

A morte violenta do Cristo tem duas faces; por um lado, revela a força do pecado, e por outro, a força do amor mais forte do que a morte. Paradoxalmente, a morte violenta de Cristo, enquanto ato de amor absoluto, é também a revelação de Deus ao homem e do homem a si mesmo.

 

A morte de Cristo é a ressurreição do homem

 

A morte de Cristo, enquanto ato de amor absoluto, é a “ressurreição do homem”, é a fonte da vida. Porque a vida tem suas raízes no amor. Uma fonte que a humanidade, consciente ou inconscientemente, atinge.

 

Cristo é o homem totalmente aberto, no qual os muros da existência são derrubados, de tal modo que ele é integralmente “passagem” (páscoa)... O futuro do homem depende da cruz, a redenção do homem é a cruz. E ele não se encontrará verdadeiramente a sim mesmo de outro modo, senão permitindo o derrubamento dos muros da própria existência, voltando o olhar para o “transpassado” (1ª leitura) e seguindo aquele que na condição de transpassado, de homem com o lado aberto, abriu o caminho para o futuro (J. Ratzinger) [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, pgs. 1156-1157, Paulus, 1995]