Domingo, 20 de janeiro de 2008
2ª Semana do Tempo Comum, Ano “A” 2ª Semana do Saltério (III Volume), cor Verde
Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)
Santos: São Fabiano (Papa), São Sebastião (Mártir), Eustóquio de Messina (franciscano), Eutímio, o Grego (abade), Mauro de Cesena (monge, bispo), Neófito de Nicéia (mártir).
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Isaías (Is 49, 3.5-6)
Farei de ti a luz das nações
3O Senhor me disse: “Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. 5E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória.
6Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”. Palavra do Senhor!
Salmo: 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R/.8a e 9a)
Eu disse: eis que venho, Senhor, com
prazer faço a vossa vontade!
2Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. 4aCanto novo ele pôs em meus lábios, 4bum poema em louvor ao Senhor.
7Sacrifício
e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes
ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados.
8aE
então eu vos disse: “Eis que venho!” 8bSobre mim está
escrito no livro: 9“Com
prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”
10Boas
novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei
os meus lábios!
II Leitura: 1 Coríntios (1Cor 1.1-3)
A vós, graça e paz da parte de Deus
1Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Palavra do Senhor!
Evangelho: João (Jo 1, 29-34)
Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo
Naquele tempo, 29João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”.
32E
João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu,
e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele
que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito
descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou
testemunho: Este é o Filho de Deus!” Palavra da Salvação!
Jesus tira os pecados do mundo[1]
A expressão "Cordeiro de Deus" (evangelho) lembra aos ouvintes hebreus duas imagens distintas, mas, no fundo, convergentes: a imagem do Servo de Javé que aparece "como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos tosquiadores" (Is 53,7), e a imagem do cordeiro do sacrifício pascal.
Jesus, cordeiro libertador
Segundo a cronologia joanina, Jesus foi morto na vigília da festa dos ázimos, isto é, da Páscoa, à tarde, na mesma hora em que, conforme as prescrições da lei, se imolavam no templo os cordeiros. Depois da morte não lhe foram quebradas as pernas como aos outros condenados, e o evangelista vê neste fato a realização de uma prescrição ritual concernente ao cordeiro pascal (Jo 19,36; cf Ex 12,46). Em outras palavras, Jesus, o Cristo, o cordeiro da Nova Páscoa que, com sua morte, inaugura e ratifica a libertação do povo de Deus. A essa luz é lida a ia leitura, que fala da missão do Servo de Javé. A Igreja primitiva, muito cedo, verá os traços de Cristo nesse profeta descrito pelo Segundo-Isaías. Este texto é um trecho do segundo dos quatro cânticos de Isaias que falam do "Servo de Javé". O servo é uma figura simbólica que incorpora em si todo o destino de um povo, e que, mediante seu papel histórico, revela Deus como salvador e libertador. A função do Servo de Javé não diz respeito somente à volta e à libertação dos exilados hebreus da Babilônia, mas adquire uma dimensão ecumênica, universal. A própria libertação histórica de Israel se torna antecipação e penhor de uma salvação e uma libertação definitiva de dimensões cósmicas "até os extremos da terna". Reconhecendo no Servo de Javé Jesus, "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", a comunidade primitiva exprime a própria fé em Cristo libertador e salvador do mundo.
A salvação, hoje
O homem moderno parece realmente convencido de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje se oferece uma nova esperança terrena. A visão do homem passa de teocêntrica a geocêntrica e antropocêntrica: operou-se um radical deslocamento de interesses, uma autêntica revolução copernicana no universo espiritual do homem. Não se considera mais um peregrino que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário; substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais. Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança teologal.
Uma nova missão e uma nova ação dão um sentido novo à sua vida: o da conquista gradual e irreversível do mundo. A fidelidade à terra e a preocupação com a construção da cidade terrena sobrepujaram as esperanças e preocupações escatológicas.
Uma nova confiança no homem é a base desta luta gigantesca. O homem não espera mais a salvação de fora, mas a constrói com suas próprias mãos.
Ambigüidade e desequilíbrio do nosso mundo
Mas talvez o homem esteja percebendo que foi apressado demais ao proclamar sua completa autonomia e ao pregar a morte de Deus, considerando-o supérfluo. A embriaguez do progresso tornou-o, por pouco tempo, cego diante dos permanentes desequilíbrios que existem no mundo e dos fenômenos novos, que, por sua própria novidade, preocupam. O mundo se apresenta ainda cheio de problemas não resolvidos. Solucionados alguns, permanecem outros cuja solução parece distante ou certamente impossível, enquanto surgem sempre novos problemas, criados pelo próprio progresso, pela ciência e pela técnica. Aliás, a ciência e a atividade técnica, embora buscando a salvação do homem, são apenas um dos modos de se dispor a ela, ou melhor, apresentam somente o aspecto mais primitivo, mais rudimentar e superficial da solução dos problemas humanos; restam outros problemas sobre os quais a técnica e a ciência positiva nada ou pouco têm a dizer.
Além disso, o homem percebeu às próprias custas, infelizmente, que o progresso técnico é fundamentalmente ambíguo, isto é, aberto tanto ao bem como ao mal, à salvação como à perdição do homem. A dura experiência de duas guerras mundiais, os campos de concentração, as terríveis devastações da primeira bomba atômica, o desequilíbrio produzido na ecologia, a poluição atmosférica, as obscuras e apocalípticas visões dos futurólogos, lhes propõem novamente o problema de uma "salvação" de dimensões mais vastas e profundas.