Domingo, 19 de abril de 2009

Segundo da Páscoa, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leito espiritual para crescerdes na salvação, aleluia! (1Pd 2,2)

 

Santos: Crescêncio de Florença (diácono), Elfege de Winchester (bispo, mártir), Jorge de Antioquia (bispo, mártir), Geraldo de Einsiedeln (eremita), Hermógenes, Aristônico, Galácio, Caio, Expedito e Companheiros (mártires de Melitene, na Armênia), Leão IX (papa), Pafnúcio de Jerusalém (presbítero, mártir), Sócrates e Dionísio (mártires da Panfília), Timão (um dos sete diáconos citados em At 6,5), Ursmar de Lobbes (abade, bispo), Vicente de Collioure (mártir).

 

Oração: Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu a vida e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura, Atos dos Apóstolos (At 4, 32-35)

Tudo entre eles era posto em comum

 

32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. 33Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos.

 

34Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas vendiam-nas, levavam o dinheiro, 35e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um. Palavra do Senhor!

 

 

 

Salmo 117(118), 2-4.16ab-18.22-24 (+.1)

Dai graças ao Senhor, porque ele é

bom; eterna é a sua misericórdia

 

A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" A casa de Aarão agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" Os que temem o Senhor agora o digam: "Eterna é a sua misericórdia!"

 

A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas!

 

Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.

 

A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

 

 

II Leitura, 1ª Carta de João  (1Jo 5, 1-6)

Amar a Deus é observar os seus mandamentos

 

Caríssimos: 1todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. 2Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. 5Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, João (Jo 20, 19-31)

Aparição de Jesus aos discípulos

 

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". 22E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos". 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!" Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".

 

26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". 27Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel". 28Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!" 29Jesus lhe disse: "Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!" 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. Palavra da Salvação!

 

 

 

 

A comunhão dos bens na comunidade[1]

 

A descrição da primeira comunidade cristã de Jerusalém é, certamente idealizada, não tanto como nostálgica lembrança do passado, mas antes como proposta atual às novas comunidades. Cada geração cristã que com ela se confronta encontra um estímulo para viver com a mesma coerência, em situações historicamente diversas, as exigências do anúncio cristão.

 

A comunhão dos bens entre os cristãos (koinonia) é compreendi. da como a conseqüência natural da fé comum no Senhor: "um só coração e uma só alma", mas também "tudo era comum entre eles" Despojar-se dos bens e distribuí-los, através do ministério dos apóstolos e de seus colaboradores (diáconos), aos irmãos mais pobres é um gesto livre e não imposto, sinal de uma fraternidade mais exigente que a do sangue, de uma atenção especial aos "pobres", aos quais é anunciado prioritariamente o reino de Deus. A koinonia, fruto do Espírito, é a realização do único mandamento do amor (2ª leitura), testemunho da novidade de vida e da expectativa dos últimos tempos.

 

Utopia Cristã?

 

O caráter radical da proposta de Lucas, que evoca o "paradoxo" de muitas parábolas do evangelho, não condena nem propõe um determinado sistema  econômico ou social,não louva o pauperismo ou o paternalismo mas introduz uma nova dimensão de "utopia" cristã, à qual são particularmente sensíveis muitos grupos eclesiais, as comunidades de base, as comunidades religiosas renovadas.

 

Esses cristãos compreendem que não se trata apenas de partilhar os bens materiais, mas de pô-los em comum, e de colocar a disposição dos outros os bens da cultura, do lazer, da contemplação e da liturgia.

 

Caminhar junto com os "pobres"

 

O tema da comunhão dos bens na comunidade cristã está relacionado com o da pobreza dentro da Igreja e da comunidade.

 

O Concílio polarizou a atenção sobre a "Igreja dos pobres" e sobre uma "Igreja pobre", e sobre as opções que essa Igreja deve fazer no mundo contemporâneo. Pobreza da Igreja, pobreza de todo cristão.

 

"É necessário que cada um de nós se interrogue sobre seu comportamento no uso dos bens econômicos, tendo presentes as suas próprias necessidades e as da família na vida de todos os dias, e ao mesmo tempo atendendo às necessidades dos outros.

 

Pobreza significa não pôr a esperança nos bens que, embora necessários à vida, são instrumentos para realizar valores mais elevados e dignos do homem; não encarar o bem-estar como objetivo supremo da existência. O espírito de pobreza induz o cristão a opções de vida que o aproximam dos irmãos mais pobres e o tornam semelhante a eles, numa solidariedade que é testemunho evangélico de fraternidade. Próximo dos mais pobres, o cristão se sente comprometido a denunciar profeticamente as injustiças de uma sociedade que, enquanto permite a minorias privilegiadas o uso e o abuso do poder e uma grande porção de bens econômicos e culturais, impede a muitos de seus membros de realizar as condições indispensáveis a uma existência digna do homem.

 

Ultrapassando a retórica

 

Paralelamente à denúncia do abuso do dinheiro e do poder, devemos também denunciar o consumismo com que se explica uma outra forma imoral de poder, disfarçado, mas não menos deletério, que em lugar de buscar a vantagem do homem, propondo-lhe o que verdadeiramente favorece as suas necessidades reais e seu desenvolvimento, busca unicamente explorá-lo em beneficio da produção e do capital, atentando contra sua liberdade e minando suas estruturas propriamente humanas" (Card. M. Pellegrino: Camminare insieme).

 

É um convite, que a comunidade cristã deve acolher, a um severo exame de consciência que leve a esforços concretos, não eivados de um certo verbalismo que tem feito da pobreza uma nova retórica altiva e que distancia.

 

 

Dicas para reflexão, estudos e homilia

 

1.      No segundo domingo da Páscoa a aparição do Senhor no meio dos seus consagra o rito dominical da sua presença no meio da assembléia festiva dos fiéis; o domingo, festa primordial, dia do Senhor ressuscitado, se torna sinal semanal da Páscoa;

2.      As portas trancadas são também testemunho da nova condição corporal de Jesus (19-23). O medo será vencido com a saudação da paz; a dúvida e o desânimo, com a identificação corporal. Jesus atravessa as barreiras internas e externas do homem. Na cena pode-se reconhecer traços de uma celebração eucarística: dia do Senhor, presença de Jesus na comunidade, reconciliação pelo perdão, recordação da paixão, dom do Espírito Santo;

3.      A aceitação da novidade da ressurreição não é fácil nem imediata. Porém, quem assume esta Boa-Nova expressa com determinação sua confiança no poder de Jesus: "meu Senhor e meu Deus". Qual é a nossa profissão de fé hoje? Como manifestamos nossa confiança em Deus?

4.      Tomé é o incrédulo que pede provas palpáveis (24-29), que crê nos milagres indubitáveis; que ironicamente, pela sua teimosia, acaba sendo testemunha excepcional. Serve de aviso para todos os que no futuro terão de crer por sua palavra, pela mediação do testemunho apostólico dos que "viram", ou seja, conviveram com Jesus;

5.      Jesus se apresenta no meio de todos exatamente como no domingo anterior (26-27). Não vai dedicar a Tomé uma aparição a sós: no meio da comunidade poderá ver Jesus e professar a fé. Como que desafinado, Jesus aceita submeter-se à prova exigida, mas exige fé. Tomé se contenta com ver, com os outros;

6.      O Evangelho mostrou sete sinais milagrosos em várias ocasiões falou de "sinais" no plural feitos diante dos discípulos como testemunhas. A finalidade do escrito é suscitar a fé (não satisfazer a curiosidade).

 

 



[1] Missal Dominical ©Paulus, 1995