Domingo, 18 de dezembro de 2011

Quarto do Advento, Ano B, 4ª Semana do Saltério (Livro I), cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia Internacional do Migrante

 

Santos: Auxêncio de Mopsuéstia (bispo), Desiderato de Fontenelle (monge), Flannan de Killalo (bispo), Gaciano de Tours (bispo), Moisés da África (mártir), Quinto, Simplício e Companheiros (mártires da África, Rufo e Zósimo (mártires de Filipos), Samthann de Clonbroney (abadessa), Teótimo e Basílio (mártires de Laodicéia), Vitório, Vítor, Vitorino, Adjutor, Quarto e Companheiros (mártires da África), Wunibaldo de Heidenheim (abade), Agostinho Moi e Companheiros (mártires, bem-aventurados).

Antífona: Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo; abra-se a terra, e brote o Salvador! (Is 45,8)

 

Oração: Derramai ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo  encarnação do vosso Filo, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: II Samuel (2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16)
O teu reino será estável para sempre diante de mim

 

1Tendo-se o rei Davi instalado já em sua casa e tendo-lhe o Senhor dado a paz, livrando-o de todos os seus inimigos, 2ele disse ao profeta Natã: "Vê: eu resido num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda!" 3Natã respondeu ao rei: "Vaie faze tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo".

 

4Mas, nessa mesma noite, a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5"Vai dizer ao meu servo Davi: 'Assim fala o Senhor: Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? 8bFui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fosses o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda a parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre como o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para o meu povo, Israel: eu o implantarei, de modo que possa morar lá sem jamais ser inquietado. Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa. 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. 14aEu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. 16Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

A tenda de Deus

 

A história de Davi, ao longo da Bíblia, vai sendo contada e recontada pelas sucessivas gerações. Ao redor dessa personagem cria-se verdadeiro movimento. O regime da monarquia produziu uma realidade de marginalização para muita gente. A memória de Davi como rei-pastor funciona, para as vítimas do poder monárquico, como resistência e esperança do estabelecimento de um reino de justiça e de paz.

 

A 1ª leitura deste domingo consiste numa denúncia à situação privilegiada em que se encontra Davi. Depois de uma trajetória de inúmeras lutas e conflitos, ele se torna rei de Israel, constrói para si uma casa luxuosa e pretende construir um templo magnífico para Deus. Por meio do profeta Natã, porém, Deus lembra a Davi que jamais precisou de uma casa, pois desde o nascimento de Israel sempre morou em tenda, a fim de caminhar com o seu povo, protegê-lo e libertá-lo.

 

O nó da questão é que Davi, ao conquistar o poder, tende a esquecer-se de suas origens humildes e de sua vocação de pastorear o povo. O projeto de construir um templo para o Senhor revela a intenção de projetar-se politicamente, firmar seu poder e perenizar sua memória. Não é para isso que Deus o chamou, e sim para cuidar da vida do povo. Um templo material para o Senhor revela a pretensão de “apropriar-se” do sagrado e “legitimar” o domínio monárquico sobre o povo, como vai acontecer a partir de Salomão. A habitação em que Deus prefere morar não é a feita de cedro, pois isso significaria afastamento do lugar social onde vivem as pessoas comuns. A habitação humilde em que Deus quer morar é o chão onde se encontra o povo.

 

Deus, então, indica que a perenidade do reino de Davi se dará por outro caminho. De sua descendência virá o Messias. Seu reino, porém, não será monárquico nem atenderá à expectativa dos dominantes. O messianismo de Jesus revela-se transgressor desde o anúncio do seu nascimento. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]

 

 

Salmo: 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29

Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

 

2Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! 3Porque dissestes: "O amor é garantido para sempre!" E a vossa lealdade é tão firme como os céus.

 

4Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. 5 Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!

 

27Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!' 29Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel".

 

 

II Leitura: S.Paulo aos Romanos (Rm 16, 25-27)
O mistério mantido em sigilo

 

Irmãos: 25Glória seja dada àquele que tem o poder de vos confirmar na fidelidade ao meu evangelho e à pregação de Jesus Cristo, de acordo com a revelação do mistério mantido em sigilo desde sempre. 26Agora este mistério foi manifestado e, mediante as Escrituras proféticas, conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé. 27A ele, o único Deus, o sábio, por meio de Jesus Cristo, a glória, pelos séculos dos séculos. Amém! Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Jesus é a revelação de Deus ao mundo


Paulo encerra sua carta aos Romanos com um solene hino de louvor. É a expressão de fé e de louvor das comunidades cristãs primitivas, maravilhadas com a bondade divina revelada pela encarnação de Jesus Cristo. Elas se percebem privilegiadas pelo fato de estarem vivenciando em seu tempo a realização da promessa do Messias salvador, conforme anunciada pelos profetas.

 

Jesus Cristo é a revelação do mistério de Deus “envolvido em silêncio desde os séculos eternos”. É como se Deus abrisse o coração para que todas as nações pudessem conhecer o seu desígnio de amor e salvação. Agora tudo foi revelado e fica evidente o sentido das Escrituras Sagradas no que se refere ao Messias: é dom de Deus para a salvação universal.

 

O louvor é para “aquele que tem o poder de confirmar” o evangelho de Jesus Cristo anunciado por Paulo e pelas demais testemunhas oculares. A compreensão verdadeira da pessoa e da obra redentora de Jesus Cristo não se dá meramente pelo esforço humano, tanto de quem anuncia como de quem ouve, e sim pela ação do Espírito Santo. O louvor é para Deus, “o único sábio”, que se dispôs a derramar sua sabedoria sobre todos os povos e redimi-los em Jesus Cristo, mediante a “obediência da fé”. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]

 

Evangelho:  Lucas (Lc 1, 26-38)
Eis que conceberás e darás à luz um filho

 

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria.

 

28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" 29Maria ficou perturbada com essas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim".

 

34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível". 38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

A anunciação do Messias

Segundo o Evangelho de Lucas, o anúncio do nascimento de Jesus se dá no “sexto mês” a contar da concepção de João Batista. É evidente a ligação com o “sexto dia” da criação, quando Deus criou o ser humano. Jesus inaugura nova humanidade. O anúncio se dá em Nazaré da Galileia. No Primeiro Testamento não encontramos referência a essa cidade, o que indica ser um lugar sem importância. Ninguém poderia supor que a promessa do Messias seria cumprida por meio de uma jovem camponesa de Nazaré.

 

Lucas tem clara intenção de contrapor a instituição religiosa oficial localizada em Jerusalém com a cidadezinha de Nazaré, de onde não se esperava nada de bom (cf. Jo 1,46). Maria está comprometida em casamento com José, da descendência de Davi. Cumpre-se a promessa divina conforme o anúncio profético. No evangelho, encontramos várias vezes a expressão “filho de Davi”. Assim, Jesus foi reconhecido pelas multidões como o Messias que, segundo a crença comum, deveria pertencer à linhagem davídica. No entanto, ele é “grande” não por ser “filho de Davi”, e sim por ser “Filho do Altíssimo”. Por isso, “o seu reinado não terá fim”. O reino de Jesus é universal e eterno, não se ancora no poder temporal nem age com a força de nenhum exército. Seu programa está contido em seu nome: Jesus = “Deus salva”.

 

Com relação a Maria, Lucas não menciona sua ascendência. É uma mulher comum a quem o anjo anuncia que será a mãe de Jesus. A graça de Deus está nela, e conceberá o “Filho de Deus” com o poder do Espírito Santo. A “sombra” que cobre Maria lembra a “nuvem” que simbolizava a presença de Deus no meio do seu povo em caminhada pelo deserto rumo à terra prometida. O livro do Êxodo relata também: “A nuvem cobriu a tenda da reunião e a glória do Senhor encheu a habitação” (Ex 40,34).

 

Maria é a nova habitação de Deus. O anjo Gabriel, mensageiro divino (cujo nome significa “Deus é forte”), anuncia: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra”. Ela é escolhida e agraciada como “sinal” salvífico de Deus, conforme anunciara o profeta Isaías (7,14): “O Senhor vos dará um sinal: eis que a jovem está grávida e dará à luz um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel”. As expressões: “agraciada” e “encontraste graça diante de Deus” revelam que o anúncio se refere à intervenção gratuita e salvadora de Deus em favor da humanidade. Um sinal dessa intervenção já estava em andamento no seio de sua parenta Isabel: uma mulher velha e estéril é capaz de gerar a vida, pois “para Deus nada é impossível”.

 

A receptividade de Maria ao anúncio do anjo Gabriel não tem nada a ver com passividade. O seu consentimento de fé liga-se com a atitude de serviço. Ao fazer-se serva de Deus, permite que sua Palavra se faça carne nela. Por essa sua atitude de humildade e de entrega ao plano divino, recebemos a graça do Salvador e Maria torna-se modelo para todos nós. [Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Jesus é o templo definitivo de Deus. Nele podemos realmente encontrar o Pai. Peçamos-lhe com confiança: Vinde, Senhor Jesus!.

Por todos os que não creem, para que, com a vida e a palavra, a Igreja lhes revele o mistério do plano de Deus: Cristo salvação do homem rezemos ao Senhor.

Por todos os que creem, para que sua fé comum em Jesus salvador se torne fonte de engajamento no mundo para realizar o plano de salvação, rezemos ao Senhor.

Por todos nós aqui presentes, para que, como Maria, respondamos com um sim generoso, livre e responsável a Deus que nos chama a colaborar com ele na salvação, rezemos ao Senhor.

(outras intenções)

 

Senhor, que quereis unir-vos aos homens para que constituamos entre nós e convosco uma só coisa, concedei-nos acolher na fé Jesus Cristo vosso Filho e nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que o mesmo Espírito Santo, que trouxe a vida no seio de Maria, santifique estas oferendas colocadas sobre o vosso altar. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

A Virgem conceberá e dará à luz um filho; e ele será chamado “Deus-conosco”. (Is 7, 14)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, tendo nós recebido o penhor da eterna redenção, fazei que, ao aproximar-se a festa da salvação, nos preparemos com maior empenho para celebrar dignamente o mistério do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

 

 

 

Jesus, Filho de Davi

 

 

A catequese evangélica, como a paulina, preocupa-se em afirmar claramente que Jesus pertence à família real de Davi. Evidencia assim a existência concreta de Jesus e o cumprimento das promessas messiânicas.

 

Uma casa para Deus

 

No decorrer dos séculos, Israel havia tomado consciência de sua identidade nacional e religiosa; ou melhor, a monarquia parecia ser a garantia de uma fidelidade ao Deus da aliança.

 

Davi (1ª leitura) pensa que a construção de uma “casa” para Deus propiciará definitivamente seus favores, e o fará habitar permanentemente no meio do povo. Mas o profeta da corte é obrigado a dizer-lhe que Deus é quem constituirá uma casa para Davi, isto é, uma dinastia que dure para sempre. Ora, o filho anunciado a Maria é claramente designado como filho de David, pis José, de quem Maria é noiva, pertence à casa de Davi. Era importante garantir, perante os judeus, através da institucionalidade da sucessão, o título que fundamenta a ação do enviado de Deus, e, para a fé cristã, a “verdade” humana do salvador (cf. Rm 1,3).

 

Durante sua vida, Jesus não se atribuiu o título de “filho de Davi” (embora o povo assim o aclamasse), para não alimentar um nacionalismo fácil e perigoso. Identificando-se com os “pobres” que esperavam uma salvação espiritual, confirma que “a carne para nada serve”, e que todo poder humano não tem consistência. Seu nascimento de uma virgem (e “sinal” é o nascimento de João de uma anciã estéril) põe em realce a força da intervenção de Deus (evangelho). Sua realeza não é deste mundo.

 

Deus procura colaboradores

 

Assim, pois para realizar o “envolvido em silêncio desde os séculos eternos, agora, porém, manifestado a todos os gentios” (2ª leitura), Deus se insere num quadro que se veio organizando e modificando no correr dos anos; e não age sozinho, mas pede a colaboração consciente e livre da mãe, como depois fará com os apóstolos e com todos os que creem. Mas aquele que nasce na carne como “filho de Davi” é, pelo poder do Espírito constituído e revelado como “filho do Altíssimo”, “Não da carne e do sangue” ele nasce, mas de Deus; e, analogamente, nascem como filho de Deus os que creem nele.

 

Para tornar estável sua dinastia e dar um centro ao seu povo, Davi pensa construir uma casa e nela colocar a arca da aliança (vv. 1-3), mas Javé responde que ele é que construirá uma casa para Davi (v. 11b). Deus não recusa o templo, mas afirma que o futuro do povo e da dinastia se apoiará mais sobre a aliança entre Deus e o homem do que sobre o próprio templo. A recíproca fidelidade entre Deus e o homem será mais importante para a história do povo do que os sacrifícios do templo.

 

Durante muito tempo o termo “igreja” significou apenas um edifício, e para muitos um lugar que se visita por dever ou por convenção, “que podem ser ainda essas igrejas, senão túmulos e monumentos sepulcrais de Deus” (Nietzsche). Hoje, muita coisa mudou, mas não está plenamente superada a idéia de uma Igreja que se entrincheira em poderosas”cidadelas de Deus”, em lugar de abrir-se para o diálogo e as relações. “Deus não habita em templos construídos pela mão do homem” (At 17,24); Deus estabelece sua morada não em edifícios, mas nos homens: “Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3, 16).

 

Entretanto, o edifício eclesial tem um sentido: é a casa da comunidade, uma espécie de grande sala de reunião, um espaço aonde os fiéis acorrem para encontrar o Senhor e encontrar-se no Senhor.

 

É um lugar sagrado, não porque sejam sagradas as pedras materiais que o compõem, mas porque são santos os cristãos que para aí convergem, verdadeiras pedras vivas.

 

A habitação viva

 

Deus coloca a sua morada entre os homens e faz da humanidade seu templo; as pedras que o constituem são os homens do “sim” incondicional a Deus. Maria é a primeira pedra viva da casa de Deus entre os homens. Depois José: disponível ao plano de Deus, assegura ao menino, que nascerá de Maria por obra do Espírito Santo, a descendência real da estirpe de Davi. Maria, em sua absoluta disponibilidade à vontade de Deus, se torna Mãe do Messias prometido, o Filho de Deus, que “terá o trono de Davi” e “seu reino não terá fim”.

 

Pelo “sim” de pessoas tão humildes, pobres, atentas à vontade de Deus, Jesus, filho de Davi, entra na história do mundo. Esta é sua casa, o seu templo. [Missal Dominical, Paulus, 1995]

 

Maria inspira o nosso “sim”

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

Hoje celebramos o quarto e último domingo do Advento. A Palavra de Deus nos conduz a um dos personagens principais relacionados com o Natal, que é Maria de Nazaré. Ela se fez disponível para o plano de Deus, para a salvação da humanidade. É tempo de recordar os nossos “sins” dados ao Senhor durante nossas vidas e pedir para que continuemos fiéis, renovando a nossa adesão ao chamado do Senhor.

 

A oração de coleta deste domingo fornece e orienta a nossa oração: "Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição”. Esta, inclusive, é a oração de conclusão do “Angelus”, rezado às 6, 12 e 18 horas de cada dia.

 

O evangelho da Anunciação (cf. Lc. 1,26-38) nos leva diretamente para a casa onde o anjo Gabriel aparece a uma jovem e digna filha de Israel para revelar a vontade de Deus e pedir a sua cooperação no plano da redenção. Tudo vai partir do Sim integral que Maria disse a Deus, com tudo de si mesma e a sua beleza. O texto de Lucas fala-nos da Anunciação e, assim, já nos coloca dentro do clima de Natal.

 

Preparar-se para o Natal significa pedir emprestado a Nossa Senhora o que ela nos oferece como modelo de comportamento em relação ao Todo-Poderoso. Maria está diante de nós como um modelo da nossa fé, capaz de acolher todas as iniciativas de Deus.

 

Como para Maria, também para nós é possível responder ao chamado de Deus, que é o chamado à santidade. Uma chamada que começa exatamente neste evento da Anunciação, quando o sim de Maria abre a iniciativa de Deus de encarnar-se na história da humanidade através da ação do Espírito Santo. Podemos, dignamente, preparar o Natal, e ainda há tempo para fazê-lo se assumirmos uma atitude de serviço humilde a Deus, dizendo também o nosso “sim”.

 

É necessário preparar-se para o Natal de um modo digno do Senhor, como nos recorda a primeira leitura deste domingo (cf. 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16), apresentando-nos a figura do rei Davi. Deus quer construir em nós a Sua casa. O Natal é preparar um lar adequado para que nele possa habitar o Salvador. E nós sabemos que no lugar em que Ele está, a casa é estável e duradoura, resiste a qualquer impacto da tempestade e da violência e não tem medo de nenhum ataque de qualquer gênero.

 

Na segunda leitura de hoje (cf. Rm 16,25-27), encontramos o significado teológico da nossa expectativa e esperança no Senhor. São Paulo escreve com grande simplicidade, mas também com profundidade, maravilhosas palavras para indicar um caminho de vida espiritual e moral para percorrer, a fim de que possamos conhecer a manifestação do mistério no encontro com Cristo.

 

A liturgia deste domingo, situado dentro da semana de preparação próxima para o Natal, nos ajuda a celebrá-lo da melhor maneira, como rezamos num dos prefácios do Advento, e fixar o olhar em Cristo inspirados em Maria: "Predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, Jesus foi anunciado e mostrado presente no mundo por São João Batista. O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores”.

 

Preparemo-nos cristãmente para o Natal! Busquemos contemplar a simplicidade do presépio! Voltemos agora o olhar para Maria e José, que esperam o nascimento de Jesus, e aprendamos deles o segredo do recolhimento para saborear a alegria do Natal.

 

Preparemo-nos para acolher, com fé, o Redentor que vem para estar conosco, Palavra de amor de Deus para a humanidade de todos os tempos. [Fonte: CNBB]

 

Entendendo a liturgia de hoje

 

Davi: estamos habituados a viver o 4º Domingo do Advento, bem próximo do Natal, com Maria. E este ano, a grande narração da Anunciação (Evangelho) pode centrar a nossa atenção na preparação da liturgia… Mas talvez possamos entrar neste domingo com outra chave de leitura, perguntando se Deus sempre quis ter necessidade dos homens. De fato, segundo a primeira leitura, é Ele que finalmente fará uma casa para David; mas David e o profeta Natã são homens que Deus escolheu entre o seu povo para O ajudar na sua missão de salvação.

 

Maria: Esta escolha de Deus culmina em Maria, a humilde serva. Deus quer ter necessidade de uma mulher para trazer ao mundo o seu Filho bem-amado. Do mesmo modo que escolheu, desde sempre, homens para cumprir em seu nome missões particulares, Ele escolhe agora uma mulher para a missão suprema de trazer o corpo do seu Filho único. Este domingo celebra ao mesmo tempo a humildade de Deus e a humildade de Maria. Mais do que nunca, a sobriedade da liturgia deverá ser tida em conta. A narração da Anunciação é um dos relatos alegres do Evangelho… bem expressos pelos pintores ao longo dos tempos…

 

E nós? Celebrar este domingo, meditar a importantíssima missão confiada a Maria e a resposta tão generosa que não hesitou em dar ao Senhor, convida-nos também a nos interrogarmos sobre a nossa própria missão: o que é que Deus, na nossa humilde medida, nos confia? Em quê, por quê, conta Ele com cada um de nós? Para que seja verdadeiramente Natal, dentro de alguns dias, na nossa terra, Ele tem sem dúvida necessidade dos discípulos do seu Filho… Professamos hoje a nossa fé num Deus que, diz São Paulo, tem o poder de nos confirmar (segunda leitura): acendendo a nossa quarta vela do Advento, que esta força seja verdadeiramente reavivada nos

nossos corações. [Padres Dehonianos]

 

 

Símbolos Tradicionais do Natal

 

Presépio: criado no Século XIII por São Francisco de Assis, que, a exemplo de Jesus, renunciou às riquezas deste mundo para viver na pobreza e na simplicidade, introduziu o costume de encenar no Natal, o nascimento de Jesus, para que o gesto do amor infinito de Deus para conosco jamais fosse esquecido. Mas tarde, a representação cênica foi substituída pelo presépio, armado nas igrejas e nos lares, como ocorre até hoje.

 

Árvore de Natal: surgiu no século XVI, na Alemanha e nos países nórdicos. Ali, as árvores, no tempo de Natal, castigadas pelo rigor do inverno, se desnudam e parecem sem vida. O pinheiro é a única espécie que resiste ao frio do inverno. Tornou-se, por isso, símbolo do Natal, sinal da vida em plenitude que Jesus veio nos trazer.

 

Coroa do Advento: feita também de ramos de cipreste e ornada com quatro velas, que nos lembra que Jesus é a vida e a luz do mundo, é outro símbolo do Natal.

 

 

PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…

Maria ajuda-nos a dar o salto da fé, ela é o nosso modelo, mas ao mesmo tempo é nossa Mãe: podemos, pois, ter confiança e encontrar junto dela todo o reconforto de que precisamos! A alguns dias do Natal, com Maria, procuremos tomar uma decisão que comprometa a nossa fé, de encontrar um ritmo mais regular para a oração, de prever uma paragem espiritual (tempo de retiro, por breve que seja…) antes do Natal para fazer o ponto da situação da nossa vida com o Senhor.