Domingo, 18 de setembro de 2011

25º do Tempo Comum, Ano “A”, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

Hoje: Dia dos Símbolos Nacionais, dia da TV Brasileira, dia do Perdão e Início da Semana Nacional do Trânsito

 

Santos: Fânfilo, Ferreolo (mártir), Metódio (bispo), Eustórgio (bispo de Milão), Bertília (660, Bélgica), Ricarda (896), José de Cupertino (franciscano conventual italiano da 1ª ordem, 1663)

 

Antífona: Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Isaias (Is 55, 6-9)
A volta do exílio é sinal da bênção de deus e do seu perdão

 

6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto. 7Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão. 8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. 9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Que o perverso deixe o seu caminho


O texto da primeira leitura é uma oferta de perdão, de paz e de felicidade para os pecadores. Em primeiro lugar, assegura que as orações e o arrependimento serão acolhidos por Deus: “buscai o Senhor... invocai-o... deixe o mau caminho... converta-se... que o Senhor se compadecerá” (v. 6-7).

 

Deus não é como o ser humano, seus pensamentos são totalmente diferentes. Deus é infinitamente fiel: não desiste de seus filhos, não cessa de ofertar-lhes sua misericórdia sem limites. Ao contrário, o ser humano desiste de Deus, trilha outros caminhos bem diferentes daqueles que são propostos pelo Senhor.

 

Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor... volte para nosso Deus” (v. 7).

 

Em primeiro lugar, arrepender-se é mudar de caminho, de atitudes, é tomar outros tipos de decisões, fazer outras escolhas. Mas não é só isso: há que mudar também os pensamentos, ou seja, transformar-se internamente, mudando de mentalidade em relação ao mundo, às pessoas e às situações; mudar de ideia a respeito de si mesmo, mudar até mesmo as concepções sobre Deus e sobre seus caminhos, porque o Senhor sempre estará muito além do que se pode dizer e pensar a respeito dele.

 

Converter-se é mudar de mente e voltar aos caminhos do Senhor. Mas voltar a ele não porque houve total compreensão do seu projeto, e sim porque ele é soberano e misericordioso. A vida humana só tem sentido no relacionamento com Deus, e, quando seus caminhos são difíceis de entender e de trilhar, resta, acima de tudo, perseverar na fidelidade. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Salmo: 144(145), 2-3.8-9.17-18 (R/.18a) 
O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

 

Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 1, 20c-24.27a)
Paulo sente que sua missão está cumprida

Irmãos, 20Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. 21Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. 23Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo - o que para mim seria de longe o melhor - 24mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. 27Só uma coisa importa: vivei à altura do evangelho de Cristo. Palavra do Senhor!

Comentando a II Leitura

Meu viver é Cristo


Grande exemplo de perseverança, mesmo que os planos de Deus se tornem incompreensíveis, é-nos dado na leitura da epístola aos Filipenses. O cristão vive unicamente para Deus, não em função de recompensas por méritos pessoais. Qualquer que seja a situação, boa ou ruim, deve perseverar no bem e na busca de agradar unicamente a Deus, seguindo em frente sem hesitar.

 

O cristão não deve desanimar nunca, mesmo se, depois de repetidos esforços, sentir-se fracassado ou mesmo perseguido, como o apóstolo Paulo. É necessário confiar somente em Deus, pois só ele pode dar eficácia à atividade humana. Mesmo sem entender o que acontece consigo, o cristão deve viver de modo digno do evangelho (v. 27). [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 20, 1-16a)
Deus chama a todos para participar de seu Reino

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 1"Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3As nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. 5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais ai o dia inteiro desocupados?' 7EIes responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. 8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' 9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata.

 

10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12"Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. 13Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' 16Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho


“Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.

 

O texto situa-se no “sermão sobre a comunidade”. Jesus continua instruindo seus seguidores sobre como se comportar no mundo.

 

O reino dos céus é aqui comparado ao proprietário que contratou vários trabalhadores para sua vinha, em horários diferentes. No final, paga a todos igualmente, começando pelos últimos, contratados à tardinha, até os primeiros, contratados de manhã.

 

A maneira como o patrão trata seus operários nos chama a atenção para a gratuidade com que Deus nos acolhe em seu reino. Não é segundo os critérios humanos que Deus age em favor da humanidade. A estranheza das palavras de Jesus nessa parábola deve nos chamar a atenção para nossa maneira de julgar a Deus ou de atribuir-lhe atitudes especificamente humanas.

 

Geralmente o ser humano quer recompensa por suas boas ações. E, quando não se sente recompensado, acha que Deus é injusto, ou não o ama, ou esqueceu-se dele. Costuma-se até dizer: “Por que Deus não atende às minhas preces? Sou tão dedicado, tenho tanta fé!”.

 

Mas a maneira de Deus agir não se iguala à nossa. Ele é absolutamente livre para agir como quiser. E essa liberdade é pontuada por seu amor incondicional e sua generosidade inestimável. Deus nos ama e deu-nos mais do que ousamos pedir. Deu-nos a vida. Deu-nos a si mesmo no seu Filho. Deu-nos a eternidade ao seu lado.

 

Por isso, o reino dos céus não se apresenta como recompensa por nossos méritos pessoais. É puro dom de Deus, que nos chama gratuitamente a participar da vida plena. Cabe a nós acolhê-lo como dom ou ficar numa atitude mesquinha de sempre esperar recompensas por méritos prévios. Isso não é cristianismo, não é gratuidade. Isso não é resposta amorosa a Deus. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

O Senhor nos disse: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos e os vossos caminhos não são os meus”; roguemos ao Senhor que nos conceda pedir o que corresponde à sua vontade e a seu plano de amor. Senhor, escutai a nossa prece.

Pelos desempregados e os emigrantes, para que a negligência e o egoísmo dos homens não obriguem seus irmãos à tristeza da distância e da separação das famílias, rezemos.

Pelos que detêm os grandes meios de produção, para que não se sintam donos de seus irmãos, e não permitam que o homem explore outro homem, rezemos.

Por todos nos aqui presentes para que o Senhor nos faça compreender e praticar a lógica do seu Reno, que é a do serviço e do último lugar, rezemos.

(outras intenções)

 

Senhor, nosso Deus, vós amais todos os homens e fazeis brilhar o sol sobre bons e maus, ajudai-nos a romper o círculo mesquinho da nossa avareza e a amar a todos como irmãos. Por Cristo nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que possamos conseguir por este sacramento o que proclamamos pela fé. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem, diz o Senhor. (Jo 10,14)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, auxiliai sempre os que alimentais com o vosso sacramento para que possamos colher os frutos da redenção na liturgia e na vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Os primeiros e os últimos

 

A interpretação da leitura proposta pelo próprio Cristo para a parábola encontra-se no v. 15. A acusação feita ao senhor da vinha (Deus) é de ser injusto, acusação já formulada pelo filho mais velho ao pai do filho pródigo (Lc 15,29-30), acusação dos "bons" judeus ao ouvir a doutrina da retribuição (Ez 18,25-29), acusação de Jonas pelo perdão concedido por Deus a Nínive pagã.

 

Justiça dos homens e justiça de Deus

 

Em cada um desses casos, os textos opõem a justiça de Deus, concebida à maneira dos homens, sua atitude misericordiosa, nova para os homens (Lc 15,1-2). A esta objeção, Cristo responde: o senhor da vinha é "justo" (à maneira humana) com os primeiros, pois lhes dá o que havia combinado, e é "justo" com os últimos (à maneira divina), porque não assumira com eles nenhum compromisso de salário.

 

Afirma, pois, o primado da bondade de Deus: sua maneira de agir não contrasta com a justiça humana, mas a transcende totalmente pelo amor. Em consequência, o contrato concluído entre o senhor da vinha e seus operários se apresenta como uma figura da aliança entre Deus e os seus, aliança que não tem relação alguma com o contrato "dou para que dês", que os judeus queriam encontrar no caso, mas é um ato gratuito de Deus (Dt 7,7-10; 4,7). A aliança é, portanto, uma graça do amor gratuito do Pai, baseada em sua absoluta liberdade, e supõe a nossa (Gl 3,16-22; 4,21-31). Aplicando uma justiça aos primeiros e outra aos últimos, Deus quer antes de tudo afirmar seu amor por uns e outros, levando em conta as diversas situações em que cada um se encontra.

 

Jesus quer alertar seus compatriotas contra o orgulho, atitude de quem se coloca pretensiosamente diante de Deus e julga sua bondade e sua escolha: Deus é bom e fiel, e sua bondade, porque soberana, sempre encontra novos modos de afirmar-se cada vez mais para o bem dos que são chamados. Ao mesmo tempo, a conclusão da parábola, em que há uma inversão de lugares entre os primeiros e os últimos, quer ser uma advertência aos judeus, os primeiros a serem chamados por Deus, mas que, pela mesquinhez de uma justiça toda sua, correm o risco de ser ultrapassados pelos que foram chamados posteriormente ao reino, unicamente por dom e graça da bondade do Senhor.

 

A lógica do reino

 

"Meus pensamentos não são os vossos pensamentos; vossos caminhos não são os meus caminhos" (1ª leitura). A lógica de Deus é diferente da dos homens; às vezes, oposta e inconciliável com ela, embora sempre superior. Em geral, o que é lucro para o homem, é perda para Deus; e o que para o homem está em primeiro lugar, vem em último lugar para Deus. A palavra de Deus e seu juízo comportam uma radical inversão de valores; os primeiros são os últimos (evangelho); felizes são os que choram; os verdadeiros ricos são os que abandonam tudo; quem quer salvar sua vida a perde...

 

A lei do seu reino parece ser o paradoxo, o inédito, o inesperado. Deus escolhe as coisas frágeis e desprezíveis deste mundo para confundir as fortes e bem consideradas. Não escolhe o primeiro, mas o último; não o justo, mas o pecador; não o sadio, mas o doente. Faz mais festa pela ovelha perdida e reencontrada do que pelas noventa e nove que estão na segurança do aprisco. O Deus cristão é o "absolutamente-Outro" o imprevisível. Nenhuma categoria humana pode "capturá-lo". Ele escapa a qualquer definição e revela continuamente novos aspectos do seu mistério.

 

As preferências de Deus

 

Mas há um traço da face de Deus que Jesus revelou com clareza e insistência: a preferência pelos pobres, os humildes, os últimos. São eles, em contato com a benevolência gratuita e proveniente de Deus, destina­dos a ser os primeiros, os ricos, os eleitos.

 

Não se deve esquecer a aventura do povo judaico que, de primeiro, se torna último; de eleito, rejeitado. A parábola de Jesus conserva seu valor de admoestação também para os novos chamados, que já começaram a pertencer ao reino, porque para eles também há o perigo de assumir a atitude dos primeiros chamados, e de se esquecerem de que tudo quanto têm é puro dom e, portanto, não pode motivar nenhuma retribuição ou pretensão. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

 

Operários da Vinha

 

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

A parábola dos trabalhadores enviados para trabalhar na vinha em horas diferentes do dia sempre criou perplexidade para as pessoas que a leem com os olhos voltados apenas para o interesse do capital. Estamos no XXV domingo do Tempo Comum e o texto do Evangelho é Mt 20,1-16a). A pergunta que ressoa no coração das pessoas é se é aceitável o modo de fazer do patrão que dá o mesmo pagamento para quem trabalhou um dia inteiro e a quem trabalhou uma hora por dia. Não viola, isso, o princípio da justa recompensa?

Os sindicatos se levantariam em coro, hoje, se alguém fizesse o que fez esse patrão. A dificuldade surge a partir de um mal-entendido. Considera-se o problema da recompensa em abstrato ou, e, em geral, em referência à recompensa eterna no céu. Visto dessa maneira, ele realmente contradiz o princípio de que Deus "dá a cada um segundo suas obras" (Rm 2, 6).

 

Mas Jesus está se referindo a uma situação concreta, a um caso muito específico. O único dinheiro que é dado a todo o Reino dos Céus que Jesus trouxe à Terra é a oportunidade de fazer parte da salvação messiânica. A parábola começa dizendo: "O reino dos céus é semelhante a um proprietário que saiu...". O problema é, mais uma vez, aquele da posição de judeus e gentios, ou de justos e pecadores, em relação à salvação anunciada por Jesus. Também se os pagãos (respectivamente, os pecadores, os cobradores de impostos, as prostitutas etc.) somente diante da pregação de Jesus decidiram-se por Deus, enquanto antes estavam distantes ("ociosos") e nem por isso ocuparão uma posição diferente no Reino ou inferior. Também esses sentarão à mesma mesa e desfrutarão da plenitude dos bens messiânicos. Na verdade, porque esses se demonstram mais dispostos a aceitar o Evangelho, do que aqueles chamados "justos"; eis que se realiza aqui o que Jesus diz na conclusão da parábola de hoje: "Os últimos serão os primeiros e os primeiros últimos".

 

A parábola contém um ensinamento de ordem espiritual da máxima importância: Deus chama a todos e chama em todas as horas. O problema, é, em suma, da chamada, mais do que aquele da recompensa. Esta é a maneira com que esta parábola foi utilizada na exortação de João Paulo II sobre a "vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo" (Christifideles laici). "Os fiéis leigos pertencem àquele povo de Deus que é prefigurado aos trabalhadores da vinha... Ide também vós para a minha vinha. A chamada não é apenas para os pastores, sacerdotes, religiosos e religiosas, mas estende-se a todos. Mesmo os fiéis são pessoalmente chamados pelo Senhor "(CL 1-2).

 

Mas assim mesmo podemos refletir sobre uma questão social importante: o problema do desemprego. Quando perguntou ao mestre: "Por que estais aqui ociosos o dia todo"? Os trabalhadores disseram: "Ninguém nos contratou". Esta resposta poderia ser dada hoje por milhões de desempregados que se encontram sem ocupação.

 

Na parábola aparece o patrão que ao ver os trabalhadores desempregados às cinco da tarde concorda em levá-los mesmo quando eles serão inúteis no trabalho, só para lhes dar a dignidade, ao menos para lhes oferecer a oportunidade de ter um salário e sustentar sua família. Nós ouvimos como foi feito o acordo com os trabalhadores na primeira hora: uma quantidade de dinheiro será a sua recompensa. No momento do pagamento, o proprietário começa a pagar a partir dos últimos, dando-lhes a mesma quantia que tinha combinado com os primeiros. Então, pensaram os primeiros, a nós dará mais que o combinado. Entretanto, também esses recebem o mesmo que os últimos, ou seja, o que havia sido combinado. Ficam chateados, é claro, e murmuram entre si. Eles estão certos, podemos pensar, afinal esta atitude não está correta, pois muitos de nós com eles iríamos protestar, pedindo algum dinheiro a mais. Mas aquilo que receberam, no tempo de Jesus, era o salário mínimo diário, a fim de alimentar uma família... O patrão se preocupa e faz o bem. É bom e correto e depois revela a maldade escondida pelos primeiros trabalhadores. Antes da justiça existe a misericórdia, acima da lei e do contrato existe a atenção pela sobrevivência.

 

Aquele patrão sabe que os trabalhadores da última hora têm as mesmas necessidades dos outros; eles também têm filhos para alimentar, como há aqueles da primeira hora. Dando a todos o mesmo pagamento, o patrão mostra não só levar em conta os méritos, mas também a necessidade, diferentemente da mentalidade utilitarista, baseada exclusivamente em premiar o mérito (com frequência mais nominal que real) e pela antiguidade, e não sob as necessidades de cada pessoa. A parábola dos trabalhadores da vinha nos convida a encontrar um equilíbrio mais justo entre as duas exigências: do mérito e da necessidade.

 

No contexto da vinha do Senhor, neste domingo, 18 de setembro, receberemos em São Paulo, oriunda de Madrid, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora, que vão peregrinar pelo Brasil e parte da América Latina em preparação à JMJ 2013 Rio de Janeiro. Que estes sinais da nossa fé nos animem a nos preparar condignamente para participar da Vinha do Senhor! [CNBB]