Domingo, 18 de julho de 2010

16º Do Tempo Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Nacional do Trovador

 

Santos: Eugênio (bispo de Catargo), Henrique I, Angelina de Marsiano, Joel, Joel (profeta que anunciou o "dia do Senhor" realizado em Pentecostes pela efusão do Espírito Santo), Serapião (mártir na Alexandria), Miropa, Turião (abade na Bretanha) e Bem-aventurada Angelina de Montegiove (freligiosa e franciscana da terceira ordem)

 

Antífona: É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom. (Sl 53,6.8)

 

Oração: Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Gênesis (Gn 18, 1-10a)
Aparição e promessa

 

Naqueles dias, 1o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2Levantando os olhos, Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra. 3E disse: "Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. 4Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. 5Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo". Eles responderam: "Faze como disseste".

 

6Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: 'Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os". 7Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. 8A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles. Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles, debaixo da árvore, enquanto comiam. 9E eles lhe perguntaram:' "Onde está Sara, tua mulher?" "Está na tenda", respondeu ele. 10aE um deles disse: 'Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho".

Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 14 (15), 2-3ab.3cd-4ab.5 (R/.1a)
Senhor, quem morará em vossa casa?

 

É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua.

 

Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor.

 

Que não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Jamais vacilará quem vive assim!

 

II Leitura, Carta de Paulo aos Colossenses  (Cl 1, 24-28)

A presença de Cristo em vós, a esperança da glória

 

Irmãos, 24alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja. 25A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude: 26o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. 27A este Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo em vós, a esperança da glória. 28Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 10, 38-42)
Maria escolheu a melhor parte

Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" 41O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada". Palavra da Salvação!

 

 

A casa do cristão e a hospitalidade

 

Em todas as civilizações antigas, especialmente entre os povos nômades, a hospitalidade é sagrada, é ato religioso

   

O hóspede, uma presença misteriosa

 

Israel faz não só uma leitura religiosa da hospitalidade, mas uma leitura de fé; o estrangeiro é um memorial vivo, lembra-lhe que outrora foi estrangeiro e escravo no Egito, que foi peregrino no deserto e que está na terra, de passagem.

 

Na narrativa de Abraão (1ª leitura) o estrangeiro é o "outro", que remete ao "Outro" por excelência, que é Deus. O Deus da fé é o "Forasteiro", o "Absolutamente-Outro", e que no entanto está próximo, visita o homem e revoluciona sua vida.

 

Quando o evangelho nos houver revelado tudo o que implica o acolhimento do outro, a hospitalidade descobrirá sua verdadeira face. No evangelho, Jesus se mostra como hóspede. Mais de uma vez é convidado à casa dos publicanos e pecadores (Zaqueu, Lc 19,5-10), pelos quais é acolhido com solicitude   e  desinteressadamente.  A  sua  presença entre eles é o sinal vivo do amor que Deus lhes tem, um convite à conversão. Comer juntos é sinal de comunhão. Para comer com Cristo é preciso, na verdade, converter-se.

 

Cristo, hóspede

 

Jesus não se comporta como hóspede comum, também quando é recebido por amigos de longa data, como Marta e Maria (evangelho), ele exige atenção especial à sua mensagem e à sua pessoa. Acolher Cristo hóspede é principalmente “ouvi-lo”, pôr-se em atitude de receptividade, mais do que de dar. É ouvindo-o que se entra em comunhão com ele e se é transformado (Maria). Quem se preocupa mais com as coisas a dar (Marta) do que com a pessoa com quem se comunica, fica distante.

 

Jesus se manifesta sempre como "o forasteiro", que tira toda segurança e quer a renúncia total, que lança bases sólidas na linha do amor ligado ao reconhecimento dos outros como diferentes de si.

 

Este forasteiro veio aos seus, e os seus não o receberam (Jo 1,11). Aquele que morre na cruz é o "forasteiro" por excelência, rejeitado por todos; tão forasteiro que, depois da sua ressurreição, os peregrinos de Emaús não reconhecem no caminho, mas só quando lhe oferecem hospitalidade (Lc 24, 28-32)

 

A hospitalidade cristã, como acolhimento da presença transtornadora "do outro" na própria vida (Mt 25,35-36) e sobretudo como aceitação do "outro por nós" mesmo sendo nosso inimigo, é sinal privilegiado da fidelidade ao mandamento novo, sem fronteiras. Hospedar o outro é hospedar Cristo. Vaticano II lembra que "sobretudo nos nossos tempos, temos a imperiosa obrigação de nos tornarmos próximos de qualquer homem, indistintamente; se ele se nos apresenta, devemos servi-lo ativamente, quer seja um velho abandonado por todos, ou um operário estrangeiro injustamente desprezado, ou um exilado, ou uma criança nascida de união ilegítima sofrendo imerecidamente por uma falta que não cometeu, seja m faminto que interpela a nossa consciência recordando a voz do Senhor: 'Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim é que o fizestes"' (GS 27). Entre as obras de apostolado familiar indica: "adotar como filhos crianças abandonadas, acolher com bondade os estrangeiros" (AA 11, e).

 

Vencer a solidão e o anonimato

 

Uma das características da nossa civilização urbana é o anonimato. Moramos no mesmo edifício e não nos conhecemos.

 

Assistimos a uma crescente privatização da vida familiar e social, a uma fuga acelerada para o "privado" e nos adaptamos passivamente. As estruturas sociais provocam nos indivíduos solidão, opressão, alienação angústia, e nós não contestamos. O anonimato é uma realidade ambígua; se, por um lado é uma condição alienante, por outro, pode tornar-se condição de liberdade. Nessas condições de vida, qual deve ser o comprimento do cristão? Os atuais movimentos de ideias e os novos modelos que não cessam de nascer, provocam a intervenção ativa dos cristãos para fazer da família ma comunidade aberta ao diálogo com o mundo, superando todo egoísmo, promovendo autêntica educação social, educando os filhos ara o encontro e o colóquio com os outros, partindo das pequenas comunidades de conjuntos residenciais, de bairro, ou de escola, até a mais ampla atividade administrativa e política.

 

O papel dos cristãos será também o de apoiar os movimentos de jovens, que favorecem a solidariedade, o auxilio aos outros, o engajamento comunitário. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

A Bíblia e a Hospitalidade

Virtude importante no mundo nômade (Gn 18,1-8; 19,1-8; Jz 19,16-24; Nm 35,9-34), um verdadeiro mandamento (Dt 10,18s; Is 58,7; Mt 10,40-42), gesto de caridade cristã (Rm 12,13; 1Tm 3,2; Tt 1,8; Hb 13,2; 1Pd 4,9; 3Jo 5-8). Havia ritos de acolhida, com oferta de pão e vinho (Gn 14,18-24), ação de lavar os pés (Lc 7,36-46; Jo 13,1-15; 1Tm 5,10). Acolher o pobre e o pequenino, os apóstolos e a Palavra, é acolher a Cristo (Mt 25,35; Lc 9,1-6.46-48; Gl 4,14; 1Ts 1,6). Cristo experimentou a hospitalidade humana: em casa de Simão Pedro (Lc 4,38), em Caná (Jo 2,2), em casa de Zaqueu (Lc 19,1-10), em casa de Lázaro, Marta e Maria (Jo 12,2-3; Mt 21,17), em casa de Simão (Mt 26,6-7), em casa dos discípulos de Emaús (Lc 24,29-30). Foi também rejeitado pelo seu povo (Jo 1,11), pelos habitantes de Belém (Lc 2,7), pelos seus conterrâneos (Lc 4,16-29; Mt 13,57s) e pelos samaritanos (Lc 9,53-56).