Domingo, 18 de abril de 2010

3º da Páscoa, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Nacional do Livro Infantil

 

Santos: Sotero (papa, mártir), Caio (papa, mártir), Epipódio (mártir), Alexandre (mártir), Leônidas (mártir), Agapito I (papa), Teodoro de Sicélia (bispo), Oportuna (virgem e abadessa), Volfelmo (beato, abade), Francisco de Fabriano (beato, confessor franciscano da 1ª ordem), Bartolomeu de Cervere (beato, mártir), Miles

 

Antífona: Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome; rendei-lhe glória e louvor, aleluia! (Sl 65, 1-2)

 

Oração: Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado gora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 5,27b-32.40b-41)
 Disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo

 

Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. 27bO sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: 28"Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!" 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem".

 

40bEntão mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 29 (30), 2 e 4.5 e 6.11 e 12a e 13b (R/.2a)

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes

 

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, e não deixastes rir de mim meus inimigos! Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes, quando estava já morrendo!

 

Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.

 

Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! Transformastes o meu pranto em uma festa, Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!
 
 

II Leitura: Apocalipse (Ap 5, 11-14)
O Cordeiro imolado é digno de receber o poder e a riqueza

 

Eu, João, vi 11e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos seres vivos e dos anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, 12e proclamavam em alta voz: "O cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor". 13Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: "Ao que está sentado no trono e ao cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre". 14Os quatro seres vivos respondiam: "Amém", e os anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: João (Jo 21, 1-19)
Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o a eles

 

Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar".Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não". 6Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes". 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

 

15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?" Pedro respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse: "Apascenta os meus cordeiros". 16E disse de novo a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?" Pedro disse: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta as minhas ovelhas". 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?" Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir". 19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou : "Segue-me". Palavra da Salvação!

 

 

Liturgia do Céu e da Terra

 

A grande liturgia do céu, que constitui o modelo ideal da liturgia cristã no dia de domingo, é celebrada diante do trono de Deus e do seu Espírito por vinte e quatro anciãos e quatro seres vivos (símbolo da humanidade e das forças cósmicas). As primeiras aclamações dirigidas a Deus são sucessi-vamente atribuídas ao Cristo que aparece como "cordeiro vivo, mas com os sinais de sua paixão. O coro de louvor, que inclui as criaturas espirituais do céu e todos os seres vivos e inanimados do cosmos, reconhece ao "Cordeiro imolado" as próprias prerrogativas de Deus.

 

Tornamo-nos voz de todas as criaturas

 

O louvor cósmico ao Cristo redentor e à sua salvação pascal mostra que uma ordem simplesmente "natural" é uma utopia. A natureza, que espera a revelação dos filhos de Deus, está incluída na redenção. O homem, que se faz voz de todas as criaturas, é, de agora em diante e para sempre, o homem novo, que, em Cristo, já está glorificado. Assim, não existe um Deus  impessoal, mas  o Pai de Jesus Cristo, constituído por ele, Senhor dos homens e do cosmos. Como todo dom vem a nós por Jesus Cristo, assim todo louvor e súplica sobe, por ele, ao Pai. A oração cristã, na expressão oficial, dirige-se diretamente ao Pai, chama-o Deus e Senhor, interpondo a mediação do Senhor nosso Jesus Cristo; mas nas formas populares, ela se dirige ao Cristo "como Deus", honra-o como Senhor da glória, e manifesta, com segurança, a sua fé na Cabeça que a precede e a guia.

 

A Igreja terrestre, unida a Cristo, que intercede por nós no céu, sabe que participa, desde agora, da liturgia perene, através da ação de graças.

 

A tentação do neoclericalismo

 

Pode surgir uma tentação para a comunidade cristã, devido a essa visão cósmica de fé e de glorificação de Cristo redentor: a de empenhar-se numa restauração sobretudo terrena do reino de Cristo; a de impor a presença da Igreja em todos os campos, suplantando as legítimas autonomias e as justas distinções entre a ordem profana e a ordem sobrenatural. Esta a tentação consiste em querer deduzir diretamente da Escritura uma política - e uma única - conforme a própria exegese.

 

É o risco, não menos grave e real, do gueto e da intolerância. "Por mais que possa isso parecer paradoxal, o próprio valor que se atribui ao evangelho corre o risco de erguer um muro de separação entre ele e o mundo daqueles que não o aceitam ou que, embora admirando-o, não fazem dele sua regra humana e política. Há um bom uso e um mau uso do evangelho. O bom uso consiste em fazer dele a inspiração constante da nossa visão do mundo e das nossas responsabilidades, e não um código de técnicas políticas. Há, ao contrário, certo modo de apresentar o evangelho, que corta toda comunicação e está em contradição direta com o respeito 4ue se pretende prestar aos que não crêem. Se este respeito é real, deve-se ter confiança em suas motivações de homens de boa vontade, que se colocam precisamente no nível da razão, do coração e da reta consciência. Do contrário, torna-se a substituir o diálogo, tão freqüentemente preconizado, por um monólogo político confessional. O diálogo com o mundo se tornaria, por um estranho desvio, um monólogo cristão, se não mesmo uma nova cruzada" (M. Roy).

 

A alma da cidade secular

 

O mundo é o lugar em que o cristão se encontra com seus irmãos e a eles se reúne, percorrendo os mesmos caminhos que eles, embora seja portador de uma seiva que supera e sublima os dinamismos puramente terrenos, a fim de contribuir para sua renovação.

 

"Não basta ser iluminados pela fé e inflamados pelo desejo do bem para impregnar de princípios sadios uma civilização... é necessário inserir-se em suas instituições" (Pacem in Tems, 148).

 

Este retrato do trabalhador cristão resume quais devem ser as qualidades humanas requeridas de um cristão que quer construir com Deus céus e terra novos". Diante dos enormes desafios atuais: desemprego, condições inumanas de trabalho, de salário, de habitação, de saúde, o trabalhador cristão quer empenhar-se profundamente e não mais em estruturas marginais, mas no sentido das instituições profanas existentes, respeitando sua autonomia.

 

O trabalhador nada tem de um "beato" que prega moral e faz sermões a cada momento. Não é um "moralista enfadonho"; é, antes, um homem mais humano que os outros, um operário mais preocupado com a libertação do que os outros, com a defesa dos mais fracos, com a promoção coletiva, com a realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna. É nisso que se concretizam sua fé e sua caridade.

 

Diante das diversas soluções para ajudar o homem, participa do amor que tem Cristo por todos os seres humanos, sem excluir nenhum. [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

 

Para sua reflexão: A aparição de Jesus junto ao lago serve para narrar a vocação de Pedro e dos discípulos que continuarão a missão de Jesus. Durante a noite, tempo favorável para pesca, não pegam nada. É a noite das trevas, na qual sentirão a ausência de Jesus, apesar de estar perto. A manhã é o tempo da graça: “Saciamos pela manhã com tua misericórdia” (Sl 90, 14). O “discípulo amado”, a partir da ressurreição, tem uma visão de fé muito mais clara que a de Pedro. Os 153 peixes podem ser uma referência às 153 nações que se acreditava que existiam no mundo; talvez, melhor, esse numero indique a universalidade e o êxito da missão dos apóstolos. Esse numero também quer dizer abundância. A rede não rompe, é símbolo de unidade da Igreja.