Domingo, 18 de janeiro de 2009
2º do Tempo Comum, Ano B, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica verde
Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)
Santos do Dia: Mário (Séc.III, DC, mártir), Canuto, Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao vosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus, a unidade do Espírito Santo.
A liturgia do dia: sugere uma reflexão sobre a disponibilidade para acolher os desafios de Deus e para seguir Jesus.
I Leitura: 1º Livro de Samuel (1Sm 3, 3b-10.19)
Deus chama o jovem Samuel para guiar o povo em seu nome
Naqueles dias, 3bSamuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4Então o Senhor chamou: "Samuel, Samuel!" Ele respondeu: "Estou aqui". 5E correu para junto de Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Eli respondeu: "Eu não te chamei. Volta a dormir!" E ele foi deitar-se.
6O Senhor chamou de novo: "Samuel, Samuel!" E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Ele respondeu: "Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!"
7Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8O Senhor chamou pela terceira vez: "Samuel, Samuel!" Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9Então disse a Samuel: "Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: 'Senhor, fala, que teu servo escuta!"' E Samuel voltou ao seu lugar para dormir.
10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o corno das outras vezes: "Samuel, Samuel!" E ele respondeu: "Fala, que teu servo escuta". 19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. Palavra do Senhor!
Salmo:
39(40), 2 e 4ab.7-8a.8b-9.10 (+ 8a e 9a)
Eu disse: "eis que venho, Senhor" como
prazer faço a vossa vontade
Esperando, esperei no Senhor e, inclinando-se, ouviu meu clamor. Canto novo ele pôs em meus lábios, um poema em louvor ao Senhor.
Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas holocaustos por nossos pecados.
E então eu vos disse: "Eis que venho!" Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade guardo em meu coração vossa lei!"
Boas-novas de vossa justiça anunciarei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!
II Leitura: 1ª Carta de S.Paulo aos Corintios (1Cor 6,
13c-15a.17-20)
Assumir a sexualidade de acordo com o plano de Deus
Irmãos: 13cOcorpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; 14e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. 15aPorventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? 17Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito.
18Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra seu próprio corpo. 19Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos?
20De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo. Palavra do Senhor!
Evangelho: Jo (Jo 1, 35-42)
O encontro com Jesus muda a vida dos discípulos de João
Naquele tempo, 35João estava de novo com dois de seus discípulos 36e, vendo Jesus passar, disse: "Eis o Cordeiro de Deus!" 37Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. 38Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: "O que estais procurando?" Eles disseram: "Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?" 39Jesus respondeu: "Vinde ver". Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.
40André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. 41Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: "Encontramos o Messias" (que quer dizer: Cristo). 42Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: "Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas" (que quer dizer: Pedra). Palavra da Salvação!
Seguir a Jesus [1]
As cenas de chamado (Ex 3; Is 6; Jr 1...) estão entre as mais vivas e impressionantes páginas da Bíblia. Revelam-nos Deus em sua majestade e seu mistério e o homem em toda sua verdade: seu medo e sua generosidade, suas possibilidades de resistência e de aceitação...
O plano de Deus
Todo homem, pelo simples fato de estar no mundo, está em estado de "vocação". Através dos caminhos misteriosos dos acontecimentos humanos mais ordinários e obscuros, Deus o chama à existência por um particular plano de amor. De fato, a vocação, como a existência, é sempre um chamado pessoal. Deus não constrói os homens em série, por uma cadeia de montagem comum a todos; não usa a mesma forma para duas pessoas; fala pessoalmente a cada um.
Descobrir a própria vocação significa descobrir o plano de vida que tem Deus para cada um de nós, porque a iniciativa é sempre dele. "Fala, que teu servo escuta" (1ª leitura). "Aqui estou, Senhor, para fazer a vossa vontade" (salmo responsorial). Aprofundar a iniciativa proveniente do Deus vivo traz consigo todo um processo de interiorização e de descoberta progressiva das exigências espirituais e morais da própria vocação (2ª leitura).
Toda vocação é serviço
Uma característica fundamental com que se apresenta a vocação na Bíblia é que o chamado de Deus está sempre ligado a uma missão, a um serviço aos irmãos. A pessoa chamada é alguém que colabora com Deus na realização do grande plano de salvação que Deus tem para com o mundo. Ao lado da vocação pessoal há, pois, a vocação de um povo (o povo eleito, escolhido, chamado) para a salvação de todas as nações. O novo povo de Deus é chamado: ekklesia, que quer dizer exatamente a "convocada", a "eleita", a "chamada".
À frente deste povo de convocados está Jesus, chamado a realizar o plano de Deus, o reino; nele, todos os homens atingem condição de filhos e são libertados do pecado; nele, todos os homens se tomam colaboradores de Deus na realização de seu desígnio de salvação; em tomo dele, como pedra angular, organiza-se o pleno acabamento da aventura humana.
Plano pessoal como resposta a Deus
Passado o otimismo fácil de uma ciência que resolveria todos os problemas que agitam a sociedade, o homem se encontra hoje num complexo de relações que o obrigam a assumir um papel que talvez não desejasse. Acha-se dentro de um sistema que tenta instrumentalizá-lo para submetê-lo a um modo de viver no qual a pessoa é uma peça, talvez inútil, de um imenso e irreversível movimento.
Falar a esse homem de um plano divino concernente a ele, só pode suscitar dificuldades e perplexidades. Perguntar-se-á então se ainda se pensa na vocação como algo exterior à pessoa, que a ela se acrescenta. Vocação é a própria pessoa quando deve auto-realizar-se, isto é, construir sua identidade. Vocação é fidelidade a si mesma, empenhando-se em realizar um projeto de vida conforme valores autênticos. Portanto, toda pessoa, enquanto chamada a "ser", é vocação. Este devir da pessoa não é, porém, autônomo e absoluto. É Deus que a chama a ser.
O apelo de Deus que convida a "ser" através dos valores, desenrola-se num diálogo contínuo do homem com Deus. Neste confronto, toda pessoa descobre progressivamente seu plano, aquilo que deve tomar-se. Deus não se cansa de chamar a colaborar: homens e mulheres, pobres e fracos; convida-os a deixar a família, a nação, a própria vida, para se tomarem instrumentos do amor de Deus pelo homem. Francisco de Assis, D. Bosco, Madre Teresa de Calcutá foram chamados por Deus e não pelo homem. Este chamado não diz respeito unicamente ao íntimo da alma. A vocação se funda em dotes pessoais e na tensão que a pessoa descobre entre as necessidades da comunidade humana e o plano que a sociedade deve realizar. Nesta tensão a pessoa encontra sua vocação. Uma autentica vocação, enfim, jamais afasta do mundo; permanece nele como uma força; implica uma dimensão de compromisso político. Exprime um testemunho, mas move também a própria comunidade humana para a realização de uma comunhão maior.