Domingo, 17 de outubro de 2010

29º do Tempo Comum (Ano “C”), 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Eletricista, Dia Internacional para a Eliminação da Pobreza e dia Internacional pela Democratização da Comunicação.

 

Santos: Calisto I (222, Roma), Fortunata, Evaristo, Lúpulo (mártir), Gaudêncio (séc. II, bispo de Rimini, Itália), Justo (382), Cosmas (760, Palestina), Domingos (1060).

 

Antífona: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sobra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16, 6.8)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 17, 8-13)
Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada

 

Naqueles dias, 8os amalecitas vieram atacar Israel em Rafidim. 9Moisés disse a Josué: "Escolhe alguns homens e vai combater contra os amalecitas. Amanhã estarei, de pé, no alto da colina, com a vara de Deus na mão". 10Josué fez o que Moisés lhe tinha mandado e combateu os amalecitas. Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina.

 

11E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec. 12Ora, as mãos de Moisés tornaram-se pesadas. Pegando então uma pedra, colocaram-na debaixo dele para que se sentasse, e Aarão e Ur, um de cada lado sustentavam as mãos de Moisés. Assim, suas mãos não se fatigaram até ao pôr do sol, 13e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo Responsorial: 120 (121), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8 (R/.cf.2)

Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra

 

1Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro? 2"Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!" 

 

3Ele não deixa tropeçarem os meus pés, e não dorme quem te guarda e te vigia. 4Oh! não! ele não dorme nem cochila, aquele que é o guarda de Israel! 

 

5O Senhor é o teu guarda, o teu vigia, é uma sombra protetora à tua direita. 6Não vai ferir-te o sol durante o dia, nem a lua através de toda a noite. 

 

7O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida! 8Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre!

 

 

II Leitura: Paulo a Timóteo (2Tm 3, 14-4,2)
O homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra

 

Caríssimo, 14permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as sagradas escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus.

 

16Toda a escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, 17a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. 4,1Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu reino, eu te peço com insistência: 2proclama a palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda paciência e doutrina. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 18, 1-8)
Deus fará justiça aos seus escolhidos que gritam por Ele

 

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2"Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: 'Faze-me justiça contra o meu adversário!'

 

4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: 'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’”

 

6E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?" Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Deus atende ao clamor do oprimido

 

A parábola da viúva perseverante – que somente Lucas narra – pode ser dividida assim: introdução redacional de Lucas, que apresenta o porquê da parábola (v. 1); a parábola (vv. 2-5); aplicação da parábola feita pelo Senhor (vv. 6-8a); interrogação, atribuída a Jesus, sobre a perda da fé (v. 8b).

 

a. Oração perseverante (v. 1)

 

Jesus já havia dito aos discípulos: “Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês!” (11,9). Contudo, os primeiros cristãos sentiam as mesmas dificuldades que sentimos nós: rezamos, rezamos, e não obtemos o que pedimos! Qual era o núcleo da oração dos primeiros cristãos? O que pediam? A resposta está em Lc 11,2-4: “Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de amanhã…” Na prática, porém, a vinda do Reino e sua implantação demoravam. Deus tardava em fazer justiça a seus eleitos. Houve quem abandonasse a fé. Jesus nos mostra, por meio de uma parábola, a necessidade de rezar sempre, sem jamais esmorecer. E o conteúdo central dessa parábola, identificado com o desejo da viúva, é que seja feita justiça(no texto grego essa raiz aparece 5 vezes).

 

b. O oprimido tem certeza de ser atendido (vv. 2-5)

 

A parábola mostra que oprimidos e opressores habitam a mesma cidade. Na perspectiva de Lucas, isso só acontecia nas cidades, pois nas aldeias as viúvas eram respeitadas e protegidas. De um lado, temos um juiz que não temia a Deus e não tinha consideração para com as pessoas (v. 2). No caso em questão, temer a Deus significava aplicar a Lei que impedia as injustiças contra as viúvas (Ex 22,21-22; Dt 24,17). Ter consideração para com as pessoas era não fazer distinção no julgamento, favorecendo o opressor em detrimento da viúva e do pobre. O juiz devia ser imparcial: “Todos são iguais perante a lei”.

 

Do outro lado, temos uma viúva – símbolo das pessoas mais desprotegidas contra a ganância dos doutores da Lei, cf. Mc 12,40; Lc 20,47 – que se dirigia insistentemente ao juiz pedindo justiça contra o adversário (v. 3). A viúva não tinha, quer no Antigo Testamento, quer no tempo de Jesus, um defensor legal, ficando assim à mercê dos juízes desonestos (Is 1,23; 10,2; 2Sm 14,4ss). As leis que ordenavam defender as viúvas nunca foram levadas a sério. Não esqueçamos que os doutores da Lei eram peritos em legislação.

 

A força da viúva está na insistência, a ponto de azucrinar a vida do juiz. Este, não por causa da coerência de seus princípios, nem pela consciência da responsabilidade de sua função, decide fazer justiça à viúva. E o faz por duas razões: está cansado da amolação e quer evitar o escândalo de um tapa na cara em pleno tribunal ou em praça pública (v. 5).

 

c. Muito em breve, Deus fará justiça a seus eleitos (vv. 6-8a)

 

A intervenção de Jesus visa aplicar a parábola aos ouvintes. Ele chama a atenção para o gesto do juiz injusto que fez justiça para se ver livre da amolação. Se só por causa disso acabou fazendo justiça, quanto mais Deus, que se interessa pela causa do oprimido! De fato, Deus é o protetor das viúvas (Ml 3,5). Elas, portanto, têm a quem recorrer: “Não oprimam nenhuma viúva ou órfão… se clamar a mim, escutarei o seu clamor” (Ex 22,21-22).

 

Os eleitos, isto é, os cristãos, encontram em Deus aquele que lhes faça justiça muito em breve. Esse clamor pela justiça era peculiar aos primeiros cristãos, envolvidos em perseguições por causa de sua fidelidade (cf. Ap 6,10: “Até quando, ó Senhor santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?”). Deus vem ao encontro do pedido insistente dos eleitos (dia e noite), fazendo-lhes justiça em breve (v. 8a; cf. Eclo 35,18-19, onde está presente a mesma idéia da imediata intervenção de Deus em favor dos oprimidos).

 

d. É difícil manter-se na luta (v. 8b)

 

Tal como agiu a viúva, assim deve ser o cristão: perseverar no testemunho e na oração incessante para que Deus intervenha, fazendo justiça a seus eleitos, isto é, salvando-os. Mas a parábola termina com uma interrogação desafiadora: Quando o Filho do Homem voltar, para fazer justiça, encontrará a fé sobre a terra? Encontrará pessoas que se mantiveram fiéis a Jesus, no testemunho e na oração perseverantes? A pergunta é uma admoestação severa: é difícil manter-se na luta. É preciso crer com garra, conservando-se prontos para o testemunho, pois, tanto naquele tempo (cf. 2Ts 2,3; Mt 24,12) como hoje, muitos são tentados a desanimar.

 

Finalmente, a expressão do v. 8b pode ainda ser entendida assim: somos pessoas de fé, a tal ponto de reconhecer a presença da justiça de Deus agindo já em nosso meio? Ou temos fé só para a vinda do Filho do Homem no final dos tempos? Não será agora a hora de sentirmos que Deus está fazendo justiça a seus eleitos mediante as conquistas de pessoas e grupos organizados contra a corrupção, a impunidade e a injustiça? [Vida Pastoral nº 256 Paulus 2007]

 

À Escuta da Palavra

 

 

“É preciso rezar sempre sem se desencorajar”. Jesus tomou o exemplo da viúva que pede obstinadamente que a justiça lhe seja feita, para ilustrar o seu convite e uma oração perseverante, também ela obstinada. Mas poderíamos esperar esta conclusão: “Se vós insistis sem cessar junto de Deus com a vossa oração, então, como o juiz, Ele acabará por ceder e atenderá o vosso pedido”. Mas não! Jesus parece incoerente. Ele diz: “E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa”. É preciso rezar longamente, com perseverança, sem se desencorajar e então Deus escuta-nos depressa, sem tardar! Tudo isso não é muito lógico! Mas que quer Jesus dizer-nos? A palavra-chave é que “Deus faz-nos justiça”. É uma palavra terrivelmente ambígua. A justiça entre os homens é indispensável. Consiste em dar a cada um o que lhe é devido, a reconhecer os deveres e os direitos de cada um. Há leis para dizer quais são esses direitos e deveres, há juízes para aplicar essas leis. Mas a justiça humana é sempre muito limitada e é preciso, muitas vezes, uma longa paciência para que ela seja, ao menos um pouco, aplicada! Com Deus, as coisas não são assim. Deus não é um juiz mais perfeito que os juízes terrestres, a justiça de Deus não é um decalque eterno da justiça humana. Deus veio revelar-nos que Deus é Amor. Desde então, Deus é justo quando a sua ação é “ajustada” ao seu ser, é justo quando ama. O mais alto degrau da justiça é perdoar e fazer misericórdia, porque aí se manifesta em plena luz a verdadeira natureza de Deus, o seu amor totalmente gratuito. É precisamente isso que pedem os “eleitos”, aqueles que compreenderam qual é a justiça de Deus: Ó Deus, dá-me o teu amor, o teu Espírito Santo, para que Ele ajuste o meu coração e toda a minha vida ao teu amor. Perdoa os meus pecados”. Esta oração, Deus atende-a sem tardar, como fez ao bom ladrão: “Hoje, estarás comigo no Paraíso”. Esta oração, posso e devo fazê-la todos os dias, sem me cansar, sem me desencorajar, porque é todos os dias que preciso de ser ajustado ao amor de Deus.  (Dehonianos de Portugal)