Domingo, 17 de janeiro de 2010

II Domingo do Tempo Comum - Ano “C”  (Ímpar) - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Santos do Dia: Antônio, Merulo e João (monges de Santo André, em Roma), Aquiles da Grécia (eremita), Genulfo de Cahors (bispo), Juliano Sabas (eremita), Mariano, Espeusipo, Eleusipo,Meleusipo e Leonila (mártires), Nenídio da Irlanda (abade), Rosalina de Vilanova (cartuxa), Sabino de Piacenza (bispo), Sulpício (bispo de Bourges), José de Freising (monge, bispo, bem-aventurado), Rosalina de Villeneuve (virgem, bem-aventurada)

 

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4).

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao vosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Isaías (Is 62, 1-5)

A noiva é a alegria do noivo

 

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação. 2As nações verão a tua justiça, todos os reis verão a tua glória; serás chamada com um nome novo, que abocado Senhor há de designar. 3E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus. 

 

4Não mais te chamarão abandonada, e tua terra não mais será chamada deserta; teu nome será minha predileta e tua terra será a bem-casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. 

 

5Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus. Palavra do Senhor!

 

Salmo: 95(96), 1-2a.2b-3.7-8a.9-10a e c (R/.3)
Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
 manifestai os seus prodígios entre os povos!

 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome!

 

Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!

 

Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! Oferecei um sacrifício nos seus átrios.

 

Adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele! Publicai entre as nações: "Reina o Senhor!", pois os povos ele julga com justiça.

 

II Leitura: Atos dos Apóstolos (1Cor 12, 4-11)

Vários dons, um mesmo Espírito

 

Irmãos, 4há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.

 

8A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. 9A outro, a fé no mesmo Espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. 10A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro, falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas. 11Todas estas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: João (Jo 2, 1-11)

Bodas de Caná

 

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". 4Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou". 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser".

 

6Estavam seis talhas de pedra colocadas ai para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala". E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!"

 

11Este foi o inicio dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. Palavra da Salvação!

 

A nova comunidade nasce na fé

 

Jesus é homem como nós; tem amigos e aceita o convite para um casamento, com sua mãe e seus primeiros discípulos. Esta semelhança torna-o "acessível","conhecível" a nós. Mas Cristo é também "mistério", se ele não se revela, se não manifesta sua identidade. Revelação que fará pouco a pouco, com sábia pedagogia.

 

Tudo começa com uma festa de núpcias...

 

Repensando, à luz do Espírito, em tantos fatos em que estivera envolvido, João descobre que Jesus começou a revelar a própria identidade em Caná; verá culminar esta revelação na morte, a hora de Jesus. Do mesmo modo, a adesão dos discípulos a Cristo tem uma história; a fé começa a esboçar-se exatamente em Caná. É ai que nasce um novo tipo de relação com Cristo e, em conseqüência, novas relações entre eles. O laço que deles faz uma comunidade é a fé comum em Jesus. Cristo começa a revelar sua identidade não de modo verbal, explícito, como uma fórmula dogmática, mas através de uma linguagem dos gestos.

 

... e termina nas núpcias eternas

 

Os profetas haviam descrito as relações entre o homem e Deus em termos de relação nupcial (1ª Leitura). O povo de Israel, esposa escolhida por Deus, foi muitas vezes infiel e teve que ser purificado através de duras provas como o exílio. Nestes momentos de provação e abandono, o profeta anuncia a fidelidade de Deus, que ama apesar de tudo, virá o momento em que Deus se unirá indissoluvelmente e para sempre à humanidade. Esta união definitiva será Jesus. Caná é vista por João como o banquete nupcial da união definitiva do homem com Deus, a inauguração dos tempos messiânicos. O sinal de Caná revela a glória de Jesus, desvela o seu ser divino.

                                                   

Caná, início da Igreja, como comunidade de fé

 

Paralelamente à primeira revelação de Jesus se dá a passagem do antigo ira o novo povo de Deus, não mais fundado sobre a carne e o sangue, mas sobre a fé em Jesus. Este é o primeiro dos sinais leitos por Jesus; sinal visível, pelo qual manifesta sua glória e os discípulos crêem nele.

 

Este grupo dos que crêem em Jesus, nascido em Caná, se tornará a Igreja. a 2ª leitura encontramos essa Igreja viva, que, em Corinto, está às voltas )m o problema fundamental: a unidade que deriva da fé comum em 'sus e a diversidade dos carismas. Deus cumula de dons naturais e sobrenaturais os membros da comunidade.

 

Esses dons não devem ser um privilégio pessoal, um meio para a auto­-afirmação, mas um serviço aos outros. Devem ser usados com critério e para o bem comum. São fruto não das forças humanas, mas do Espírito. Essa revelação do Cristo implica questionamento também para nós. Quais são os sinais pelos quais pode um homem de hoje "conhecer" o Cristo? A fé de Maria leva Jesus a "manifestar-se". Os discípulos crêem em sus; chegam, de certo modo, até à fé de Maria. Não é esta também a missão da Igreja hoje, a missão de cada cristão, comunicar a fé?

 

Hoje, a humanidade também está em situação de exílio: guerras, medo, justiças... De onde virá a salvação? Unicamente do esforço humano, que é necessário, ou também da aliança (esponsais) com Deus?

 

Nesta obra de salvação divino-humana, a Igreja e todos os que crêem têm obrigação de pôr a serviço tudo o que são e que têm. A pequena Igreja, n que estamos inseridos, aguarda talvez o momento de estar "unida" por na fé mais viva no Cristo que se revela.

 

“A fé é virtude, atitude habitual da alma, inclinação permanente a julgar agir segundo o pensamento do Cristo, com espontaneidade e vigor, como convém a homens "justificados". Com a graça do Espírito Santo, cresce a virtude da fé, se a mensagem cristã é entendida e assimilada como “boa nova", no sentido salvífico que tem para a vida cotidiana do homem" [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]