Domingo, 16 de maio de 2010

Sétimo da Páscoa e Ascensão do Senhor, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Gari, Dia Mundial das Comunicações Sociais e Início da Semana de Orações pela Unidade Cristã

 

Santos: Ubaldo de Gúbio (bispo), Peregrino de Auxèrre (bispo e martir), Possídio (bispo), Germério (bispo), Bernardo (abade), Dônolo (bispo), Carantoco (ou Caranoco, abade), Honorato de Amiens (bispo), Simão Stock, João Nepomuceno (martir), Margarida de Cortona.

 

Antífona: Homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar do mesmo modo que o vistes subir, aleluia!

 

Oração: Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seus corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 1, 1-11)
Jesus foi levado aos céus, à vista deles

 

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus.

 

4Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: "Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5'João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias"'. 6Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: "Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?" 7Jesus respondeu: "Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra".

 

9Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de, forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: "Homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 46 (47), 2-3.6-7.8-9   (R/. 6)
Por entre aclamações, Deus se elevou, o

Senhor subiu ao toque da trombeta

 

Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra.

 

Por entre aclamações, Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso rei!

 

Porque Deus é o grande rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso.

 

 

II Leitura: Efésios (Ef 1, 17-23)
E o fez sentar-se à sua direita nos céus

 

Irmãos, 17o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente.

 

20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 24, 46-53)
 O perdão dos pecados a todas as nações

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46"Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto". 50Então Jesus levou-­os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no templo, bendizendo a Deus. Palavra da Salvação!

 

Para sua reflexão: Assim como em At 2, 14-41, estão aqui os temas da pregação apostólica: uso das Escrituras; apelo à conversão, anúncio do perdão e o testemunho dos Doze. O versículo 49 refere-se ao anúncio de Pentecostes, uma etapa decisiva na História da Salvação.  O lugar do Espírito na comunidade pós-pascal é um tema central no livro dos Atos, já anunciado em Lucas como força e poder eficaz. A cidade de Jerusalém é, na perspectiva de Lucas, o ponto de chegada da missão de Jesus e o ponto de partida da mensagem de salvação. Na Ascensão, conforme os versículos de 50 a 53, Jesus manifesta-se como Senhor e, no separar-se deles, abençoa os discípulos qual Sumo Sacerdote da Nova Aliança; estes reconhecem-no com tal e bendizem a Deus. O Evangelho termina com a referência ao templo, como tinha iniciado. A Ascensão ao céu exprime a exaltação de Jesus. É a conclusão das aparições pascais de Jesus e o ponto de partida da missão Apostólica dos seus discípulos. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

Leituras paralelas: Jo 20, 19-25 (Aparição aos discípulos), Mc 16, 19-20 e At 1, 4-11 (Ascensão)

 

 

Preparação para Pentecostes

Os dias de semana depois da Ascensão até o Sábado antes de Pentecostes inclusive, servem de preparação para a vinda do Espírito Santo Paráclito.

 

 

O destino do homem novo

 

Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, entre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos.

 

O homem à direita de Deus

A fórmula do nosso Creio: "Ressuscitou, subiu aos céus, está sentado à direita do Pai", exprime a fé pessoal da Igreja no destino de Jesus de Nazaré. Este homem, com o qual os apóstolos "comeram e beberam" durante sua existência terrena, "tornou-se Senhor" depois de sua morte, porque o Pai o associou definitivamente à sua vida, ao seu poder sobre os homens e sobre o mundo.

 

Pensando nesta realidade, podem-se compreender as expressões de entusiasmo dos antigos cristãos: "A ascensão do Cristo é a nossa ascensão; já que o Corpo é convidado a elevar-se até a glória em que o precedeu a cabeça, vamos cantar nossa alegria, expandir em ação de graças todo  o  nosso   júbilo.   Hoje,  não  apenas conquistamos o paraíso, mas, no Cristo, penetramos nos mais altos céus" (S. Leão Magno).

 

O céu é Alguém

 

Afirmar que a humanidade, na pessoa do Cristo, já esta no céu, significa contestar as imagens espontâneas de um céu "espacial" (lá em cima, para além das estrelas) e a de uma felicidade eterna que começaria repentinamente, depois desta vida no tempo. Para Jesus, o céu é a participação plena na vida de Deus, de um homem verdadeiro, possuindo a mesma matéria e a mesma história de todos nós; uma relação nova entre o Criador e a criatura numa total transparência, livre dos limites e das dificuldades da condição terrena. Para nós será assim um dia (excetuando o caráter único da relação entre o Pai e o Filho), quando se manifestar abertamente aquilo que já somos; quando, pelo conhecimento e o amor, o corpo não for mais obstáculo, mas perfeito meio de comunicação.

 

Um céu assim não é simplesmente a "recompensa" de uma vida justa e boa, porque "os sofrimentos do momento presente não são comparáveis com a glória futura que será revelada em nós" (Rm 8,18). Nem é tampouco um narcótico para pessoas passivas e resignadas, um álibi para o compromisso de trabalhar neste mundo pela realização (mesmo que imperfeita) daqueles valores de liberdade, justiça, paz, fraternidade, comunhão, vida, amor, alegria, que constituem a bem-aventurança do homem completo segundo o plano de Deus. Uma comunidade dos que creem e caminham nesta direção - isto é, aberta ao mundo, a serviço de todos - torna-se testemunha da nova humanidade realizada em Cristo Jesus.

 

Realidade terrestre e engajamento dos que creem

 

A reflexão conciliar sobre a relação Igreja-mundo expressou-se na Constituição Gaudium et Spes com alguns textos fundamentais, que é bom reler: Reação a uma apresentação alienante da religião: "Entre as formas do ateísmo hodierno não deve ser esquecida aquela que espera a libertação do homem principalmente da sua libertação econômica e social. Sustenta que a religião, por sua natureza, impede esta libertação, à medida que, estimulando a esperança do homem numa quimérica vida futura, o afastaria da construção da cidade terrestre".

 

Um novo equilíbrio a ser encontrado: "Somos advertidos, com efeito de que não adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a si mesmo (cf Lc 9,25). Contudo, a esperança de uma nova terra, longe de atenuar, antes deve estimular a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. Nela cresce o Corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século. Por isso, ainda que o progresso terreno deva ser cuidadosamente distinguido do aumento do Reino de Cristo, contudo é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida que pode contribuir para Organizar a sociedade humana”. [Missal Dominical ©Paulus, 1995]