Domingo, 16 de janeiro de 2011

Segundo do Tempo Comum, Ano “A”, II Semana do Saltério, Livro III, cor, Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Cortador de Cana-de-açúcar

Santos: Antônio Maria Pucci (presbítero), Arcádio da Mauritânia (mártir), Bento Biscop (abade), Cesária de Arles (abadessa), João de Ravena (bispo), Martinho de León (agostiniano), Probo de Verona (bispo), Satiro da Acaia (mártir), Tatiana de Roma (mártir), Tígrio e Eutrópio (mártires de Constantinopla), Vitoriano de Asan (abade), Zótico, Rogato, Modesto, Catulo e Companheiros (mártires da África), Bernardo de Corleone (capuchinho, bem-aventurado), João Gaspar Cratz, Manuel d'Abreu, Bartolomeu Alvarez e Vicente da Cunha (jesuítas, mártires do Vietnam, bem-aventurados), Margarida Bourgeoys (virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, bem-aventurada), Pedro Francisco Jamet (presbítero, bem-aventurado)

 

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai  com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 49,3.5-6)

Farei de ti a luz das nações

 

3O Senhor me disse: “Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. 5E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”. Palavra do Senhor!

 

Segundo Cântico do Servo. Para a passagem cima vide Is 42,1-4;50,4-11;52,13-53

 

 

Comentando a I Leitura

Para que a salvação chegue até a extremidade da terra


Esse texto da primeira leitura da liturgia de hoje trata da missão universal do Servo de Deus. Em primeiro lugar, no v. 3, o Servo é o povo de Israel personificado em um indivíduo. Mas no v. 5 ele recebe a missão de fazer Israel voltar a seu Deus e à Terra Prometida. Nesse caso, o texto se refere a outra pessoa, geralmente identificada como o Messias. Segue-se o v. 6, que afirma que não basta reconduzir Israel a Deus e à terra da promessa: o Servo tem de ser luz para as nações. Ele deverá cumprir o desígnio divino e a vocação de Israel, fazendo que os reis (os povos) adorem o Deus uno.

 

Os cristãos creem que o povo de Israel foi conduzido, por meio de uma série de acontecimentos históricos, até a consumação da redenção na pessoa de Jesus Cristo. Jesus realizou a missão do Servo, pois com Jesus a redenção foi estendida até os extremos da terra, ou seja, a todos os povos. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Salmo: 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R/.8a e 9a)

Eu disse: eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!

 

2Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. 4aCanto novo ele pôs em meus lábios, 4bum poema em louvor ao Senhor.

 
7Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados.


8aE então eu vos disse: “Eis que venho!” 8bSobre mim está escrito no livro: 9“Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”


10Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

Salmo de Davi: individual de ação de graças, de agradecimento

II Leitura: 1 Coríntios (1Cor 1.1-3)

    A vós, graça e paz da parte de Deus

 

1Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Aos santificados em Cristo Jesus

 

No v. 1, Paulo se identifica em primeiro lugar como “apóstolo”, isto é, o “enviado”. Esse termo define sua vocação e missão entre os gentios (os não judeus). Em seguida, ao identificar os destinatários da carta, Paulo utiliza o vocábulo “Igreja”, cujo significado é “assembleia do povo congregado por Deus”. Por isso, os membros da Igreja são santos e eleitos. Vida Pastoral – janeiro-fevereiro 2011 – ano 52 – n. 276 51 Ao considerar uma comunidade cristã como povo de Deus, Paulo quer dizer que cada comunidade local condensa as características do povo de Deus em seu sentido mais amplo. Assim, a Igreja de Corinto é povo de Deus e grupo de santificados. Ou seja, é uma assembleia de pessoas consagradas a Deus. Tal consagração é obra de Deus mesmo em cada membro e na comunidade como tal. A santificação ou consagração das pessoas é realizada por meio de Cristo Jesus. Somente a obra redentora de Cristo pode haurir a santificação/consagração dos que formam a Igreja. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Evangelho: João (Jo 1, 29-34)

    Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

 

Naquele tempo, 29João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”.


32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!” Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!


No evangelho de hoje, João dá testemunho sobre Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O batismo de Jesus apresenta-se como ocasião de sua manifestação a Israel.

 

O Antigo Testamento admite vários tipos de sacrifícios. Quando o israelita ofertava a si mesmo por meio do sacrifício de um cordeiro, acreditava que com esse rito entrava em comunhão com Deus. É nesse sentido que o evangelho nomeia Jesus como o “Cordeiro de Deus”. A vida de Jesus foi inteiramente consagrada ao Pai, pois sua existência terrena foi vivida em obediência amorosa à vontade divina. O Filho amado de Deus tornou-se humano para conduzir os seres humanos à amizade com Deus. Ele é o Cordeiro porque destrói de uma vez por todas a inimizade entre o Criador e a criatura, realizando entre ambos a comunhão plena.

 

Por seu batismo, prefiguração do batismo cristão, Jesus é ungido pelo Espírito Santo, que o conduzirá em sua missão. Esse mesmo Espírito que estava sobre Jesus é que foi dado aos cristãos. Isso significa que, pelo batismo, somos associados a Cristo para viver nossa consagração como oferta ao Pai. Quando a consagração batismal é assumida numa verdadeira vida cristã, supera-se a ruptura entre o ser humano e seu criador. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

A Palavra se faz oração (Missal Dominical)

-Pela Santa Igreja de Deus, para que anuncie e mostre aos homens a salvação, que só o Cristo pode fazer chegar plenamente à raiz do egoísmo e do pecado individual e social, rezemos: Senhor, ouvi-nos!

-Pelos evangelizadores e catequistas, para que, como João Batista, mostrem aos homens o Cristo salvador, e façam compreender a originalidade e novidade da sua aço que liberta o homem interiormente e o abre para o amor de Deus e de seus irmãos, rezemos: Senhor, ouvi-nos!

-Pelos homens do nosso tempo, para que reconheçam que não é possível construir um mundo bom e justo sem fundá-lo sobre Cristo, homem perfeito e Filho de Deus, rezemos: Senhor, ouvi-nos!

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Sabemos que Deus nos ama e cremos no seu amor. (1Jo 4,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nutridos Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Jesus tira os pecados do mundo

 

A expressão "Cordeiro de Deus" (evangelho) lembra aos ouvintes hebreus duas imagens distintas, mas, no fundo, convergentes: a imagem do Servo de Javé que aparece "como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos tosquiadores" (Is 53,7), e a imagem do cordeiro do sacrifício pascal.

 

Jesus, cordeiro libertador

Segundo a cronologia joanina, Jesus foi morto na vigília da festa dos ázimos, isto é, da Páscoa, à tarde, na mesma hora em que, conforme as prescrições da lei, se imolavam no templo os cordeiros. Depois da morte não lhe foram quebradas as pernas como aos outros condenados, e o evangelista vê neste fato a realização de uma prescrição ritual concernente ao cordeiro pascal (Jo 19,36; cf Ex 12,46). Em outras palavras, Jesus, o Cristo, ~ o cordeiro da Nova Páscoa que, com sua morte, inaugura e ratifica a libertação do povo de Deus. A essa luz é lida a ia leitura, que fala da missão do Servo de Javé. A Igreja primitiva, muito cedo, verá os traços de Cristo nesse profeta descrito pelo Segundo-Isaías. Este texto é um trecho do segundo dos quatro cânticos de Isaias que falam do "Servo de Javé". O servo é  uma  figura  simbólica que

incorpora em si todo o destino de um povo, e que, mediante seu papel histórico, revela Deus como salvador e libertador. A função do Servo de Javé não diz respeito somente à volta e à libertação dos exilados hebreus da Babilônia,  mas adquire uma dimensão ecumênica, universal. A própria libertação histórica de Israel se torna antecipação e penhor de uma salvação e uma libertação definitiva de dimensões cósmicas "até os extremos da terna". Reconhecendo no Servo de Javé Jesus, "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", a comunidade primitiva exprime a própria fé em Cristo libertador e salvador do mundo.

 

A salvação, hoje

O homem moderno parece realmente convencido de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje se oferece uma nova esperança terrena. A visão do homem passa de teocêntrica a geocêntrica e antropocêntrica: operou-se um radical deslocamento de interesses, uma autêntica revolução copernicana no universo espiritual do homem. Não se considera mais um peregrino que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário; substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais. Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança teologal.

 

Uma nova missão e uma nova ação dão um sentido novo à sua vida: o da conquista gradual e irreversível do mundo. A fidelidade à terra e a preocupação com a construção da cidade terrena sobrepujaram as esperanças e preocupações escatológicas.

 

Uma nova confiança no homem é a base desta luta gigantesca. O homem não espera mais a salvação de fora, mas a constrói com suas próprias mãos.

 

Ambiguidade e desequilíbrio do nosso mundo

Mas talvez o homem esteja percebendo que foi apressado demais ao proclamar sua completa autonomia e ao pregar a morte de Deus, considerando-o supérfluo. A embriaguez do progresso tornou-o, por pouco tempo, cego diante dos permanentes desequilíbrios que existem no mundo e dos fenômenos novos, que, por sua própria novidade, preocupam. O mundo se apresenta ainda cheio de problemas não resolvidos. Soluciona­dos alguns, permanecem outros cuja solução parece distante ou certa­mente impossível, enquanto surgem sempre novos problemas, criados pelo próprio progresso, pela ciência e pela técnica. Aliás, a ciência e a atividade técnica, embora buscando a salvação do homem, são apenas um dos modos de se dispor a ela, ou melhor, apresentam somente o aspecto mais primitivo, mais rudimentar e superficial da solução dos problemas humanos; restam outros problemas sobre os quais a técnica e a ciência positiva nada ou pouco têm a dizer.

 

Além disso, o homem percebeu às próprias custas, infelizmente, que o progresso técnico é fundamentalmente ambíguo, isto é, aberto tanto ao bem como ao mal, à salvação como à perdição do homem. A dura experiência de duas guerras mundiais, os campos de concentração, as terríveis devastações da primeira bomba atômica, o desequilíbrio produzido na ecologia, a poluição atmosférica, as obscuras e apocalípticas visões dos futurólogos, lhes propõem novamente o problema de uma "salvação" de dimensões mais vastas e profundas. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]