Domingo, 15 de maio de 2011

4º da Páscoa e 4ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

Hoje: Dia do Assistente Social, Dia Internacional da Família e Dia Mundial de Orações pelas Vocações

 

Santos: Joana; Nereu e Aquiles (mártires, memória facultativa), Pancrácio (mártir, memória facultativa), Epifânio (judeu da Palestina convertido, Bispo de Chipre, monge), Modoaldo (Bispo de Tréveris), Rictrudes (viúva), Germano (Patriarca de Constantinopla), Domingos da Calçada, Francisco Patrizzi, Gema de Solmona (Beata), Joana de Portugal (Beata), João Stone (beato, mártir), Inácio de Laconi (Confessor franciscano da 1ª Ordem).

 

Antífona: A terra está repleta do amor de Deus; por palavra foram feitos os céus, aleluia! (Sl 35, 5-6)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do pastor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 2, 14a.36-41)
Pedro e a conversão dos fiéis

 

No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, no meio dos onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão. 36"Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes". 37Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: "Irmãos, o que devemos fazer?" 38Pedro respondeu: "Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si". 40Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: "Salvai-vos dessa gente corrompida!" 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

 

A verdadeira revirada do coração


A primeira leitura é a continuação da pregação missionária de Pedro que já ouvimos no domingo anterior. Apresenta-se o querigma cristão e a conversão, o que combina bem com o espírito da Páscoa como celebração do batismo. Pedro conscientiza os judeus de Jerusalém de que Jesus, rejeitado e morto por eles, foi por Deus constituído Senhor e Cristo (v. 36).  Essa pregação provoca o arrependimento (metanoia) no coração dos ouvintes: convertem-se e aderem ao círculo dos discípulos (v. 37-41). O povo de Israel é agora obrigado a optar, e não só Israel, mas também os que o Senhor chamou “de longe”, os não israelitas (v. 39; cf. Is 57,19). Parte da população de Jerusalém se converte, converte, então, àquilo que Pedro anunciou. Essa conversão pode reter, hoje, a nossa atenção. É o protótipo da adesão à Igreja em todos os tempos. Nós estamos acostumados a nascer já batizados, por assim dizer. Mas isso não quer dizer que nos tenhamos convertido para aderir a Cristo na sua Igreja. Pensemos naquela multidão que, pouco antes, desconhecia ou até desprezava o caminho e a atitude de Jesus de Nazaré e, ativa ou passivamente, havia concordado com sua crucifixão. Agora que Pedro, pela força do Espírito, lhes mostra que essa vida (de Jesus) foi certa e por Deus coroada, eles deixam acontecer no seu coração a verdadeira metanoia, a “revirada” do coração. Em virtude daquilo que lhes foi pregado a respeito do Cristo, mudam sua maneira de ver, sua escala de valores. Essa metanoia é o passar pela porta que é Cristo, como diz o evangelho, o recusar-se a ladrões e assaltantes, que se apresentam sem passar por ele. É aderir a nada que não seja conforme Cristo, marcado por sua vida e situado no seu caminho. Será que nós fizemos essa conversão? [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral, n.278, Paulus]

 

Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6  (R/. 1)
O Senhor é o Pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha

 

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

 

Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!

 

Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda.

 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

II Leitura: I Carta de Pedro (1Pd 2, 20-25)
Sobre a cruz, carregou nossos pecados

Caríssimos, 20se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus. 21De fato, para isto fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca.

 

23Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. 24Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. 25Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Não se recusa a sofrer

 

Pedro ensina a trilhar os passos de Jesus Cristo pastor os que vivem na condição de escravo ou servo (cf. 1Pd 2,18). Assemelhado ao Servo Padecente de Deus (cf. Is 52-53), Cristo deu, no seu sofrer, o exemplo da paciência. A imagem das ovelhas perdidas, no v. 25, corresponde à imagem do pastor, ao qual o rebanho se confia pelo batismo. Ele nos abre o caminho certo: não o da violência opressora, mas o da justiça que, para se provar verdadeira, não se recusa a sofrer. [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral, n.278, Paulus]

 

 

Evangelho: João (Jo 10, 1-10)
Quem entrar por mim, será salvo

 

Naquele tempo, disse Jesus: 1"Em verdade, em verdade vos digo quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos". 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: "Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Jesus Cristo é a porta

 

O evangelho de hoje é a parábola da porta do rebanho e dos pastores. No contexto anterior, a história do cego (Jo 9), os fariseus mostraram ser os verdadeiros cegos Eles deveriam ser os pastores de Israel, mas não o são. Em continuidade direta com esse episódio – pois não há nenhuma nova indicação de cenário –, Jo 10 mostra quem não é e quem é o verdadeiro pastor. Os vv. 1-5 narram uma parábola: a cena campestre do redil comunitário, onde entram e saem os pastores e as ovelhas, mas onde também entram, por vias escusas, os assaltantes, para roubar e matar. As autoridades judaicas não entendem a parábola (v. 6), pois só entende quem crê em Cristo. Em seguida, nos vv. 7-18, a parábola é explicada em dois sentidos: Jesus é a porta (vv. 7-10), Jesus é o pastor (vv. 11-18). No trecho lido hoje, é apresentada a parábola introdutória e a primeira explicação: Jesus Cristo é a porta. Por ele, entram os pastores verdadeiros, por ele são conduzidas as ovelhas até os prados onde encontrarão vida. Antes dele vieram pessoas que entravam e saíam, não pela porta, mas por outro lugar: eram assaltantes, conduziam as ovelhas para a perdição, para tirar-lhes a vida. Pouco importa quem sejam esses assaltantes – Jesus parece pensar nos mestres judeus de seu tempo –, não os devemos seguir. O que importa é a mensagem positiva: que passemos pela porta que é Jesus Cristo. Só o caminho que passa por ele é válido. Essa porta se situa, portanto, na comunidade dos fiéis a Cristo. Na comunidade que representa o Cristo, depois da ressurreição, encontramos o que nos serve para sempre; teremos o mesmo acesso ao Pai que os apóstolos encontraram na pessoa de Jesus (cf. Jo 14,6-9). Jesus com a sua comunidade é a porta que dá acesso ao Pai. Jesus dá acesso ao caminho da salvação tanto aos pastores, para entrarem, quanto aos rebanhos, para saírem rumo às pastagens. Onde há vida, é por Cristo que chegamos a ela (cf. Jo 14,6). O prefácio da Páscoa II (Cristo, nosso guia para a vida nova) e a oração final (proteção e “prados eternos” para o rebanho) dão continuidade a esse tema. [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral, n.278, Paulus]

 

 

Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus, 1995)

Por aqueles que pusestes em vossa Igreja como pastores, a fim de que sejam os primeiros a obedecer à vossa voz, nós vos rogamos. Jesus, bom pastor, guiai-nos!

Por todos os que se afastaram de vos pelo pecado ou a indiferença para que sintam saudade da casa paterna, desejo de perdão e de vida nova, nós vos rogamos.

Pelos que têm responsabilidades na família, no trabalho, na política, para que não sejam egoístas, mas tenham Espírito de serviço, nós vos rogamos.

Pela nossa diocese, para que, fecundada pela palavra, favoreça o crescimento de vocações para o ministério sacerdotal e diaconal e para os diversos carismas das comunidades religiosas, nós vos rogamos.

(outras intenções)

 

 

Prefácio da Páscoa IV:

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, mas, sobretudo neste tempo solene em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Vencendo a corrupção do pecado, realizou uma nova criação. E destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude. Unidos à multidão dos anjos e dos santos, transbordando de alegria pascal, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só voz...

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus, que sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria.. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Antífona da comunhão:

Ressuscitou o bem pastor, que deu a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho, aleluia (Lc 24,35)

 

 

Oração Depois da Comunhão:

Velai com solicitude, ó bom pastor, sobre o vosso rebanho e concedei que vivam nos prados eternos as ovelhas que remistes pelo sangue do vosso Filho. Que vive e reina para sempre..

 

 

 

Jesus ressuscitado manifesta-se

nos pastores da Igreja

 

A figura do pastor que guia suas ovelhas era familiar a Israel, povo nômade; alimentou em tempos sucessivos a meditação religiosa das relações pessoais com Deus. Seus chefes deviam ser servos do único pastor; mas, com muita frequência, seguindo interesses egoístas e perspectivas políticas errôneas, traíram, desviaram, depredaram o rebanho de Deus.

 

3esus se apresenta como o pastor segundo o coração de Deus, aquele que foi anunciado pelos profetas. Conhece intimamente o Pai e transmite esse conhecimento aos seus (evangelho). Por isto, ele é a "porta", o mediador. Conhece intimamente também a nossa condição, porque como "cordeiro" carregou os pecados de todos nós (2ª leitura). Conduz os seus com a autoridade de quem ama e deu sua vida; e eles, na fé, escutam a sua voz e seguem suas pegadas. Seu sacrifício "pela multidão" exclui qualquer privilégio e abre a salvação a todos os homens.

 

Em comunhão de fé e de amor

 

Antes de voltar para a direita do Pai, Jesus confiou ao colégio dos apóstolos (e particularmente a Pedro, como chefe desse colégio) o seu  ministério pastoral junto àqueles que já chegaram à porta do redil e aos que ainda virão. Esse serviço torna efetiva a presença de Cristo ressuscitado no meio dos seus, prolonga-a no tempo (sucessão apostólica) e no espaço (colegialidade). Como todas as realidades que pertencem à Igreja peregrinante, o serviço pastoral é de ordem sacramental, e remonta ao Cristo Senhor que, invisível, leva os seus à comunhão de vida com o Pai através dos ministros da palavra e dos sacramentos. Especialmente na eucaristia, centro da instituição eclesial, aquele que preside à assembleia tem consciência de personificar o Cristo enquanto, associando os batizados ao seu sacrifício, fá-los entrar numa fraternidade universal e os funde numa comunhão de amor. Mas também no "governo" e na responsabilidade perante as comunidades e cada irmão individualmente, os pastores sabem que sua autoridade nasce da obediência a Cristo, a quem todo o corpo da Igreja deve buscar, e cuja voz lhes compete exprimir.

 

Pastores, guias dos irmãos

 

Falar hoje dos "pastores" da Igreja não é fácil, devido às incrustações históricas que deformaram as perspectivas e as mentalidades, mesmo entre os fiéis. Restituir aos pastores e a suas funções na Igreja a verdade e a autenticidade é tarefa urgente hoje.

 

O papa, pastor supremo, ainda é visto em muitos ambientes como um chefe político, um diplomata, a expressão de um monolitismo e de um absolutismo ultrapassados. Importa apresentá-lo como o centro de unidade e coesão da Igreja, o que realmente é.

 

O bispo não é um solene dignitário, um alto funcionário do espírito, distante e separado do seu rebanho; é o centro de unidade da Igreja local, o mestre e pai da família diocesana.

 

O pároco e os sacerdotes empenhados no ministério pastoral não são burocratas e funcionários a quem nos dirigimos para pôr em dia as nossas praticas, não são altas personagens a quem se recorre para obter cartas de recomendação, nem distribuidores de esmolas ou de sacramentos. São acima de tudo pastores' totalmente dedicados a seu povo, a quem servem com amor, respeito e dedicação total.

 

Delegada a alguns homens, a autoridade na Igreja não pode ser mais do que o sinal do governo do Senhor: não é absoluta; é uma autoridade que está em relação com o Cristo ressuscitado. A obediência do cristão é uma obediência de fé, oferecida ao Senhor, reconhecido nos sinais vivos, isto e, nas pessoas que dirigem a Igreja.

 

Cristãos dóceis ou rebeldes?

 

Cabe aqui uma consideração a respeito do rebanho, isto é, da comunidade e de cada um dos que creem; não devem eles unicamente ser exigentes com seus pastores, como magistério, com a Igreja como instituição (o que corresponde à correção fraterna); devem também sentir e manifestar-lhes seu profundo amor, impregnado de franqueza, caridade e obediência. Ao lado do Espírito de crítica e de rebelião, que grassa mesmo no seio da Igreja, não faltam os testemunhos. O cardeal Newman, que se tornou católico por devoção à Igreja, vê-se, em certo momento, impedido de trabalhar pela própria Igreja. Menosprezado pelos protestantes, mal interpretado por muitos católicos, olhado com desconfiança por certos bispos, suspeito de heresia, carregou sua cruz com paciência heroica, até o momento em que pôde retomar a atividade apostólica que era o objetivo de sua vida. "Será necessário superarmos a nós mesmos, morrendo como grãozinhos de trigo no campo da Igreja, em lugar de morrermos como revolucionários diante de suas portas" (K. Rahner). [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

 

 

A liturgia de hoje se centra na imagem de Jesus Cristo, porta das ovelhas. Essa porta é Cristo morto e ressuscitado, que constituiu o novo rebanho de Deus mediante uma nova e eterna aliança no seu sangue. O cristão passa través dessa porta de salvação por meio do batismo pelo qual é imerso no Mistério Pascal de Cristo e se torna membro vivo da Igreja. Quem quiser fazer parte do rebanho sem passar pela porta, subindo por qualquer parte ou encontrando outra abertura, é um ladrão ou assaltante. É uma porta que dá a liberdade e a segurança o amor. Não é um meio para delimitar a liberdade das ovelhas, mas as defende e as protege. Mas para entra nessa porta precisa converter-se, porque entra somente aquele que escuta a voz do Pastor . (Frei Luiz Henrique F. de Aquino, OFM, São Paulo, SP)