Domingo, 15 de março de 2009

Terceiro da Quaresma, Ano B, 3ª Semana do Saltério (Volume II) cor Litúrgica Roxa

 

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha.Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz

 

Hoje: Dia Mundial do Direito do Consumidor

 

Santos do Dia: Lubino (ou Leobino, bispo), Eutíquio (ou Eustácio, mártir), Matilde (viúva da Saxônia), Tiago de Nápoles (arcebispo e beato), Afrodísio, Apolônia de Bolonha (Serva de Deus, franciscana da terceira ordem), Leão (bispo), Pedro (mártir africano), Odo (bem aventurado) e Vicente (polonês, bispo da Cracóvia)

 

Oração do Dia: Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos conformados pela vossa misericórdia.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 20, 1-17)
Não terás outro Deus além de mim

 

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras: 2"Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim. 4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até à terceira e Quarta geração dos que me odeiam, 6mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam meus mandamentos.

 

7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10mas o sétimo dia é Sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11Porque o Senhor fez em seis dias o céu, a terra e o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do Sábado e o santificou.

 

12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13Não matarás. 14Não cometerás adultério. 15Não furtarás. 16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença". Palavra do Senhor!

 

Salmo: 18(19), 8.9.10.11 (R/.Jo 6, 68c)
Senhor, tu tens palavra de vida eterna

 

A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

 

Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

 

É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

 

Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

 

II Leitura: Coríntios (1Cor 1, 22-25)
Quem tem fé no acontecimento da cruz obtém a salvação

 

22Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; 23nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos.

 

24Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. 25Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: João (Jo 2, 13-25)
Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!

 

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: "Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!"

 

17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: "O zelo por tua casa me consumirá". 18Então os judeus perguntaram a Jesus: "Que sinal nos mostras para agir assim?" 19Ele respondeu: "Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei".

 

20Os judeus disseram: "Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?" 21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

 

23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. 24Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; 25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro. Palavra da Salvação!

 

Paralelismo deste texto nos Evangelhos Sinóticos: Mt 21, 12-13; Mc 11, 11.15-17; Lc 19, 45-46 (Purificação do Templo).

 

 

A lei, sinal da aliança[1]

 

 

A promulgação da Lei é um momento fundamental na história da salvação, caracterizado pela intervenção explícita de Deus que exprime a parte de Israel na aliança.

 

O aspecto mais original do "Código da aliança" é sua premissa: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz sair do Egito, de uma casa de escravidão; não terás outros deuses diante de mim..." o Deus que se revelou libertador do povo por ele escolhido livremente como aliado e amigo, indica-lhe o caminho da liberdade (1ª leitura).

 

Um pacto que envolve todo o homem

 

É verdade que o decálogo corresponde a leis tão "elementares" da sociedade humana, que sem ele não seria possível uma convivência civil; é verdade que a fórmula de promulgação, com todo o ritual de "revelação" e de "entrega" a um intermediário (Moisés), é análoga à de outras legislações do antigo Oriente; mas permanece o fato único de que o legislador é o Deus da história; e de que a  observância  das  leis assegura a continuidade, da  parte  do povo, de uma relação a qual Deus não pode e não quer deixar de corresponder.

 

Assim a lei, mais do que uma imposição, é vista como um dom: palavra de Deus que espera uma resposta; fonte de bênção para quem, confiando nas promessas de Deus, a cumpre fielmente; preço do resgate da escravidão e da alienação do egoísmo; meio de crescimento pessoal e comunitário; apelo à interioridade e caminho da comunhão com Deus.

 

Jesus ratifica a validade da lei mosaica; no entanto, a supera apelando para a interioridade, a fim de libertá-la de todo formalismo e reconduzi-la às dimensões da pessoa e do seu diálogo de amor com Deus. O único mandamento de Cristo resume toda a lei, pois o próprio Cristo é dele o modelo mais convincente; nele não há dualismo entre a palavra-vontade de Deus e a resposta-obediência do homem. Para isto tende todo cristão, animado pelo Espírito de Cristo: nele não é mais a lei que manda, mas a liberdade do filho; ele sabe o que quer dele o Pai e põe sua pessoa a serviço do Reino. Libertado dos preceitos, mas servo do amor, até o dom supremo de si em plena liberdade.

 

Deus é fiel aos pactos: o homem, nem sempre

 

O pacto com Deus só pode ser rompido pelo homem. Deus é "o fiel". Comungando o pão eucarístico, selamos nossa aliança pessoal com Deus, no corpo e sangue, no sacrifício de Jesus Cristo. Essa nossa aliança com Deus não pode ser uma cerimônia vazia; deve comprometer toda a nossa vida, para não se derramar em vão o sangue do Filho de Deus. Uma vez engajados entre os filhos da luz não podemos mais ter hesitações nem fingimentos, falsa modéstia, preocupações temerosas; saibamos proclamar: "Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos" (2ª leitura). Não podemos temer as fáceis ironias de quem escarnece de nós ou o ódio do mundo pela loucura da cruz, porque como a Cristo (evangelho) "o zelo da vossa casa me devora". Nossa fé exige a coragem de ser vivida integralmente na nossa vida.

 

O farisaísmo não morreu

 

Freqüentemente, nossa aliança com Deus é reduzida a uma apressada visita dominical a uma igreja ou a um passeio turístico a algum santuário. O tédio da monotonia cotidiana abafa muitas vezes os gestos mais entusiastas. Muitos cristãos são capazes de atos heróicos uma vez por ano, e depois se deixam enredar nas malhas da esclerose espiritual e do legalismo. O cristianismo não consta de práticas a cumprir em determinados momentos. A confissão não é um problema de estatística. A justiça deve ser aplicada, mesmo que por isso nos considerem "pouco espertos". Perante a "lei de Cristo", uma pequena fraude cometida contra um irmão não é julgada segundo seu valor real, mas segundo a lei do amor. As pequenas infidelidades endurecem nossa sensibilidade a tal ponto que não podemos mais ouvir os chamados concretos de Cristo; e que, imperceptível, mas inexoravelmente, na ânsia de autojustificação, forma-se em nós outra lei que não é mais a de Cristo. A lei de Cristo é algo mais do que uma rígida lei pela qual se possa dizer: "Até aqui e basta". Jesus transforma a lei em um compromisso de amor e o amor nunca diz: "Basta". Assim, a lei se toma mais comprometedora. Isso é evidente na perspectiva em que Jesus põe o juízo: Mt 25, 31-46. Depois de Jesus, toda falta do homem é uma falta de amor. E nada é mais grave. Mas, ao mesmo tempo, tudo é pessoal. Comete-se uma falta diante de um homem e diante de Deus. Mas podemos sempre recomeçar. Contanto que estejamos em caminho. Que tenhamos fome e sede daquela justiça que é justiça de amor.

 



[1] Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995