Domingo, 14 de setembro de 2008

Exaltação da Santa Cruz, Ofício Festivo, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Vermelha

 

 

A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou (Gl 6, 14).

 

Hoje: Dia do Frevo

Santos: Rósula, Materno, Noteburga, Crescêncio (jóvem mártir, Roma), Pedro de Tarentaise (1174, monge), Bem-Aventurado Gabriel Taurino Dufresne (1815, martirizado na China), Gabriel Taurin  Dufresse, Louise de Savoy (franciscana, ofs) 

 

Oração: Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Números (Nm 21, 4b-9)

Ato de fé do povo na presença de Deus em sua vida

 

Naqueles dias, 4bos filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável". 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes". Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: "Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela, viverá". 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R/.cf.7c)

Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

 

Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo; abrirei a minha boca em parábolas, os mistérios do passado lembrarei.

 

Quando os feria, eles então o procuravam, convertiam-se correndo para ele; recordavam que o Senhor é sua rocha e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo.

 

Mas apenas o honravam com seus lábios e mentiam ao Senhor com suas línguas; seus corações enganadores eram falsos e, infiéis, eles rompiam a aliança.

 

Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes dominou a sua ira e não deu largas à vazão de seu furor.

 

 

II Leitura: Filipenses (Fl 2, 6-11)

Ato de fé do povo na presença de Deus em sua vida

 

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.

 

10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor” — para a glória de Deus Pai. Palavra do Senhor!

 

 

 

Evangelho, João (Jo 3, 13-17)

O agir divino questiona nossa existência

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele'. Palavra da Salvação!

 

 

Contexto: O Ministério de Jesus – A primeira Páscoa. Leituras paralelas: Pr 30,4; Rm 10,6; Ef 4, 8-9; Jo 1, 18; Nm 21, 4-9; Sb 16, 5-7.  As leituras de hoje são sempre válidas para a celebração de Festa da Exaltação da Santa Cruz.

 

 

 

Exaltação da Santa Cruz[1]

 

 

Os orientais celebram hoje a Cruz com uma solenidade comparável à da Páscoa. O imperador Constantino havia mandado construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e outra no Sepulcro do Cristo Ressuscitado. A dedicação dessas basílicas se realizou a 13 de setembro de 335. No dia seguinte se lembrava ao povo o significado profundo das duas igrejas, mostrando o que restava do lenho da Cruz do Salvador. Deste uso teve origem a celebração do dia 14 de setembro, que encontramos também em Roma pelo século VII. Nesse aniversário se acrescentou mais tarde a lembrança da vitória de Heráclio sobre os persas (630), dos quais o imperador arrebatou as relíquias da Cruz, que foram solenemente levadas a Jerusalém. Desde então, a Igreja celebra nesse dia o triunfo da Cruz, que é instrumento e sinal da nossa salvação.

 

O uso litúrgico, que requer a Cruz próxima do altar quando se celebra a missa, representa uma evocação da figura bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; olhando-as os hebreus mordidos pelas serpentes, eram curados. Em sua narrativa da Paixão, devia João ter presente o simbolismo profundo deste grande "tipo": "Contemplarão Aquele que traspassaram" (Zc 12,10; Jo 19,37).

 

O símbolo da cruz sacralizou, por séculos, todos os cantos da terra e todas as manifestações sociais e privadas; vivia-se em outro contexto histórico. Hoje corre o risco de ser varrido ou, pior, instrumentalizado por uma moda de consumo. Seria conveniente que este símbolo nos fizesse voltar aos verdadeiros "crucifixos" de sempre: os pobres, os doentes, os velhos, os explorados, as crianças excepcionais, etc. São esses os mais dignos de ser colocados ao "vivo" em nossas missas. A salvação só virá a nós, filhos do "bem-estar", através deles, para os quais é sempre válida a palavra do evangelho: "Tive fome... tive sede..." (Mt 25).

 

 

 

 

 



[1] MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995