Domingo, 13 de junho de 2010

11º Do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Antônio de Pádua (franciscano português), Bernardo de Claraval, Aquilina (virgem e mártir), Geraldo, Trifilio (bispo de Chipre), Peregrino (Itália), Fandilho (sacerdote e monge procedente de Córdova, Espanha)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26,7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: II Livro de Samuel (2Sm 12,7-10.13)
O Senhor perdoou o teu pecado

 

Naqueles dias, 7Natã disse a Davi: "Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu te ungi como rei de Israel, e salvei-te das mãos de Saul. 8Dei-te a casa do teu senhor e pus nos teus braços as mulheres do teu senhor, entregando-te também a casa de Israel e de Judá; e, se isto te parece pouco, vou acrescentar outros favores. 9Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias, para fazer da sua mulher a tua esposa, fazendo-o morrer pela espada dos amonitas. 10Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa".

 

13Davi disse a Natã: "Pequei contra o Senhor". Natã respondeu-lhe: "De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento, o filho que te nasceu morrerá". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R/.cf.5c)
Eu confessei, afinal, meu pecado e

perdoastes, Senhor, minha falta

 

Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!

 

Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: "Eu confessarei meu pecado!" E perdoastes, Senhor, minha falta.

 

Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo. Regozijai-vos, ó justos, em Deus, e no Senhor exultai de alegria! Corações retos, cantai jubilosos!

 

 

II Leitura: Carta de Paulo aos Gálatas  (Gl 2, 16.19-21 )
 Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim

 

Irmãos, 16sabendo que ninguém é justificado por observar a lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo, nós também abraçar-nos a fé em Jesus Cristo. Assim fomos justificados pela fé em Cristo e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado. 19Aliás, foi em virtude da lei que eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Com Cristo, eu fui pregado na cruz. 20Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. 21Eu não desprezo a graça de Deus. Ora, se a justiça vem pela lei, então Cristo morreu inutilmente. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 36-8,3)
Os muitos pecados que ela cometeu estão

perdoados, porque ela mostrou muito amor

 

Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-o com os cabelos, cobria-os de beijo e os ungia com o perfume. 39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: "Se este homem fosse profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é pecadora".

 

40Jesus disse então ao fariseu: "Simão, tenho uma coisa para te dizer". Simão respondeu: "Fala, mestre!" 41"Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinqüenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?" 43Simão respondeu: "Acho que é aquele ao qual perdoou mais". Jesus lhe disse: "Tu julgaste corretamente".

 

44Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: "Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor". 48E Jesus disse à mulher: "Teus pecados estão perdoados".

 

49Então, os convidados começaram a pensar: "Quem é este que até perdoa pecados?" 50Mas Jesus disse à mulher: "Tua fé te salvou. Vai em paz!" 8,1Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus. Os doze iam com ele; 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionários de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. Palavra da Salvação!

 

 

O amor gratuito de Deus vence o pecado

 

Um dos temas fundamentais do evangelho de Lucas é a manifestação que Jesus faz de si mesmo, como aquele que salva os pecadores. Neste sentido, ele já se proclama Deus, porque os judeus têm consciência de que só Deus pode perdoar os pecados.

 

O pecado é a morte do homem

 

"O pecado é recusa de comunhão com Deus e desagregação do povo que Deus convocou, ofensa a Deus e, portanto, verdadeira e radical alienação do homem" (RdC 93). O pecado é a morte do homem. O homem está mais próximo de si mesmo quanto mais o estiver dos outros; só se encontra a si mesmo saindo de si; só chega a ser ele mesmo através dos outros. Isso, porém, se verifica num nível extremamente profundo.

 

De fato, se o outro é apenas um indivíduo qualquer, pode mesmo tornar-se causa de irreparável perdição para o homem. O ser humano é, em última análise, pré-ordenado ao outro, mas ao Outro por antonomásia, isto é, a Deus; e quanto mais próximo de si está, tanto mais o está de Deus. Ao contrário, o "fechamento" a Deus "desintegra" o homem. O pecado, enquanto recusa a Deus, é recusa da "fonte da vida"; é, portanto, morte. A morte física é o sinal e a visibilização da morte da pessoa. O pecado é incomunicabilidade, é solidão. No interior do pecado há uma dinâmica de morte.

 

A escravidão, a fome, a miséria, a infância abandonada, a vontade de destruição que vai da luta de faca à explosão atômica e aos armamentos, são os sinais visíveis do pecado (1ª leitura).

 

O impossível ao homem é possível a Deus

 

O homem pode tirar a própria vida (não só a biológica) e pode tirá-la aos outros, mas não pode restituí-la a si nem aos outros. Não pode recolocar-se em comunicação com Deus; é uma impossibilidade absoluta radical. Só Deus pode perdoar os pecados (Lc 7,49).

 

O que é impossível ao homem é possível a Deus. Cristo, perdoando, é a revelação de Deus como amor-absoluto, gratuito, como amor apesar de tudo, como “aceitação” radical do homem, como amor que restitui a vida. Jesus destrói a falsa imagem do Deus no qual "santidade" quereria dizer um "não” absoluto ao pecador. Deus e não absoluto ao pecado, mas não ao pecador.

 

O homem, para viver, tem necessidade de estar na verdade do seu ser. E a verdade é que ele é pecador. Deve destruir a falsa consciência de ser justo, deve ter a consciência de ser doente, para chamar o médico. Não há pior doente do que o que se crê são. É preciso sentir-se pecador.

 

O homem, libertado pelo amor de Deus, torna-se libertador

 

Mas então, que pode fazer o homem pecador?

 

"Crer" que é pecador, que está morto (Natan ajuda Davi a tomar consciência disso) e crer no amor de Deus que nos é oferecido em Jesus. A salvação é a fé em Jesus (2ª leitura).

 

Quem "aceita" ser amado gratuitamente, sem mérito seu, vive, torna-se capaz de amar e de enfrentar a vida. A experiência do perdão recebido é a experiência do grande amor de Deus. O maior pecado perdoado revela o maior amor (evangelho). O ser perdoado é o motivo mais forte para amar mais a Deus e ao próximo. Para viver, temos mais necessidade do perdão de Deus do que do pão que comemos.

 

Se o pecado é a verdadeira, radical alienação do homem, a raiz única e profunda de qualquer outra alienação, o perdão de Deus é a verdadeira força de libertação do homem. E o homem libertado pelo amor de Deus se torna libertador.

 

Hoje há uma grande necessidade de renovação no mundo. Todos vêem que muita coisa vai mal. Os jornais nos oferecem a ração cotidiana da perversidade e dos sofrimentos do homem. Há porém, no mundo um grande esforço para torná-lo mais humano, para vencer as forças do mal. Procura-se libertar o homem da ignorância, da fome, das doenças, da exploração, das estruturas opressivas. Mas será suficiente o esforço humano, dos indivíduos e da sociedade, para criar um homem novo, um mundo novo?

 

Bastará fazer leis mais justas, mudar as estruturas? O mal de que o homem deve ser libertado está "dentro" do homem.

 

A luta do homem é necessária, mas insuficiente.

 

O sacramento da penitência é o lugar em que o cristão encontra o amor de Deus que perdoa e renova; é ai que ele volta a ser filho de Deus e irmão do homem. Aproximar-se do sacramento da penitência é reconhecer a radical insuficiência para salvar de si mesmo a própria vida, é abrir-se para acolher o amor eficaz de Deus, é empenhar-se por levar ao mundo a novidade do amor. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembléia Cristã, pgs. 228-229, ©Paulus, 1995]