Domingo, 12 de setembro de 2010

24º Do Tempo Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: BV Maria Vitória Fornari, Guido de Anderlecht (1012, Bruxelas), Selésio, Autônomo (mártir), Macedônio, Teódulo e Taciano, Apolinário Franco, Tomás de Zumárraga, Peregrino de Falerone (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 32, 7-11. 13-14)
E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer

 

Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés: "Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. 8Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: 'Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!'" 9E o Senhor disse ainda a Moisés: "Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação".

 

11Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: "Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte? 13Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste, por juramento, dizendo: 'Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre'". 14E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo. Palavra do Senhor

 

 

Salmo: 50 (51), 3-4. 12-13. 17 e 19 (R/. Lc 15, 18)
Vou agora, levantar-me, volto à casa do meu Pai

 

3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa! 

 

12Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. 13Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! 

 

17Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor! 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

 

II Leitura: 1ª Carta de Paulo a Timóteo  (1Tm 1, 12-17)
Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores

 

Caríssimo, 12agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim ao designar-me para o seu serviço, 13a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. 14Transbordou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.

 

15Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! 16Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. 17Ao rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém! Palavra do Senhor.

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 15, 1-32)
O filho pródigo

 

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da lei criticavam Jesus. "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4”Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida"

 

7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.

 

8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!' 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte". 11E Jesus continuou: "Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. 22Mas o pai disse aos empregados: 23'Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa.

 

25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: 'É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'. 31Então o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado.'" Palavra da Salvação!

 

Leitura reduzida: Lc 15, 1-10. Leitura paralela: Mt 18,10-14 (A ovelha perdida)

 

 

A experiência do perdão, renovação do íntimo

 

O amor de Deus para com os homens é tão gratuito que não podemos pretender ter direito a ele; é tão absoluto que jamais podemos dizer que nos falta. O amor humano, ao contrário, é tão limitado e fechado pelo nosso egoísmo, tão raramente ultrapassa a estrita justiça ou se liberta da severidade moralista, que facilmente imaginamos um Deus vingador e uma religião baseada no temor. Quem de nós se lembra de que a "graça" que pedimos a Deus significa "ternura e piedade" pelo pecador? Só um estudo atento da palavra de Deus pode ajudar-nos a tomar consciência do sentido da misericórdia indefectível de Deus.

 

Os judeus usavam o termo hesed para indicar o amor misericordioso de Deus para com o povo. Esse termo indica a benevolência, a solidariedade, o amor mútuo que deve existir entre os membros de uma mesma família ou sociedade, dispostos a ajudar-se entre si com amor e generosidade. Deus manifesta essa benevolência, antes de tudo, escolhendo Israel como seu povo; prescindindo dos seus méritos, estabelece com ele um pacto de fidelidade e amor (Dt 7,7-15).

 

Um amor não condicionado pela nossa correspondência

 

A correspondência de Israel ao amor de Deus, que não é grande mas existe, é agora identificada com o termo hesed, que nesse caso significa reconhecimento, amor filial, fidelidade. Entretanto, mesmo quando Israel não observa a aliança, Deus permanece fiel e perdoa, exercendo sempre a hesed, a bondade misericordiosa.

 

Por essa bondade misericordiosa, o povo, embora pecador e infiel, sempre poderá esperar pelo auxílio divino.

 

Assim a bondade passa a ser a ternura e a piedade que Deus tem pelo pecador, enquanto lhe oferece a salvação tirando-a do próprio pecado e lhe dá continuamente novos meios, cada vez mais eficazes, para triunfar do mal e corresponder finalmente as exigências da aliança.

 

Desse modo a bondade se torna misericórdia para com o pecador. A religião do homem não se baseia mais num título de justiça, mas unicamente na caridade de Deus. Lucas, o evangelista da ternura divina, multiplica as narrativas que mostram Jesus em busca dos mais abando­nados, dos pobres, dos pecadores, realçando assim o próprio fundamento da nossa religião, que é a atitude dos que são arrebatados pelo abismo do amor de Deus.

 

Temos ainda necessidade de perdão?

 

Não tem necessidade de ser perdoado quem não tem consciência de ter traído alguém a quem ama. Mas o homem de hoje se sentirá ainda amado? Na sociedade contemporânea há uma difusa sensação de inquietude, devida ao caráter impessoal da nossa civilização. Estamos na era dos grandes aglomerados urbanos, em contato com a multidão em toda parte: nos meios de transporte, nas fábricas, no cinema, nas praias. O homem está sempre ao lado de outros homens, mas a poucos pode chamar “pelo nome”. Toma-se freqüentemente como símbolo da nossa civilização os congestionamentos de trânsito em nossas cidades ou estradas. Há uma multidão, mas cada um se acha fechado em seu carro, com seu cansaço, sua desilusão, muitas vezes com sua angústia. É grande o numero dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser com referência à sua eficiência econômica. Muitas pessoas sabem que quando não forem mais úteis, ninguém mais se interessará por elas. No entanto, só pode ser feliz quem é reconhecido, estimado, apreciado, sobretudo amado. Não existe verdadeira “experiência humana” sem intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco. Só o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre.

 

Um Deus de braços abertos

 

Cristo nos revelou um Deus como desejamos. Um Deus que é amor e misericórdia. É uma pessoa que dificilmente encontra lugar em nossa sociedade, e essa, por isso mesmo, tem dele necessidade vital. Aparentemente não serve, não é útil, não produz, não entra no jogo da inflação; mas nos dá tudo, dá-nos o que nenhuma análise científica nem progresso tecnológico nem o desenvolvimento das ciências humanas jamais poderá dar-nos: que nos sintamos amados individualmente, um por um, de modo absoluto. Quando percebemos que Deus nos ama assim, então sentimos que estar longe dele e dos outros por razões humanas é perder tempo, e perder Deus. Então nasce espontaneamente a necessidade de pedir perdão. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]