Domingo, 11 de setembro de 2011

24º do Tempo Comum, Ano “A”, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

Santos: BV João Gabriel Perboyle (sacerdote lazarista, 1840), Dídimo, Diomedes, , Proto e Jacinto (mártires, Roma), Pafnúncio (monge no Egito), Arneu e Almiro (eremitas), Paciente, Proto, Jacinto, Boaventura de Barcelona (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Eclesiástico (Eclo 27, 33-28,9)
A lei do amor que será proclamada por Jesus

 

33O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. 28,1Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. 2Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. 3Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? 4Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? 5Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados? 6Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; 7pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos. 8Pensa nos mandamentos, e não guardes rancor ao teu próximo. 9Pensa na aliança do altíssimo, e não leves em conta a falta alheia! Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Perdoa a ofensa de teu próximo


Esse texto bíblico do Antigo Testamento representa um avanço na maneira pela qual as pessoas lidavam antigamente com as ofensas. O autor pede que se renuncie à vingança, afirmando que somente as pessoas afastadas de Deus é que nutrem a ira, o desejo de vingança no coração.

 

Quem tem um relacionamento mais íntimo com o Senhor deveria cultivar um espírito de misericórdia, já que a proximidade com Deus revela tanto as faltas do ser humano quanto o perdão divino.

 

A consciência de que todos têm necessidade da misericórdia de Deus deveria tornar as pessoas mais religiosas e mais dispostas a perdoar. Infelizmente nem sempre é isso que se vê.

 

O texto bíblico pede que a pessoa rancorosa pense na morte e perdoe as ofensas recebidas. “Pensar na morte” não significa “pensar num castigo eterno”, mas conscientizar-se de que a morte iguala a todos nós. Todos morremos, e isso significa que ninguém é melhor que o outro e todos nós somos muito mais devedores de Deus do que de uns para com os outros. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Salmo: 102(103), 1-2.3-4.9-10.11-12 (R/.8) 
O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso

 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.

 

Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

 

Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 14, 7-9)
Vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor

 

Irmãos, 7ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. 8Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. 9Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Pertencemos ao Senhor


Frequentemente as mágoas e os rancores surgem da intolerância com o diferente. Algumas pessoas não suportam que outras pensem e vivam a religião, a missão, a profissão ou outras situações humanas de modo distinto. Há uma tentativa de uniformizar as opiniões. Geralmente se confunde unidade com uniformidade. Estar no mesmo grupo ou equipe e pensar ou agir de modo diferente é motivo para ser tachado de rebelde, de falta de espírito comunitário etc. Nessas situações é necessário discernimento, e o apóstolo Paulo nos dá uma pista para não criarmos ressentimentos por causa da pluralidade: “Ninguém vive para si mesmo... é para o Senhor que vivemos”. Aqueles que pensam e agem diferentemente de mim fazem-no por causa do Senhor ou para exaltar a si mesmos? E eu, quando penso que determinados pensamentos e atitudes das outras pessoas estão errados, é por causa do Senhor que penso assim ou é para exaltar a mim mesmo?

 

Cristo é o Senhor, nós pertencemos a ele; portanto, não devemos criar guerra em vez de bons relacionamentos somente porque alguém que caminha conosco dá passos diferentes e observa outras coisas no caminho. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 18, 21-35)
Perdoar de coração ao seu irmão

 

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque. o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a divida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo'.

 

27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo, e eu te pagarei'. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua divida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?' 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua divida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho


Perdoai sempre


Pedro estava convicto de que tinha feito boa proposta a Jesus sobre o exercício do perdão. No entanto, Jesus eleva esse valor ao máximo possível. Se observarmos o texto de Gn 4,24, veremos que estão em jogo também esses números, só que no contexto da vingança.

 

No Antigo Testamento, a atitude de um descendente de Caim, Lamec, que se propõe vingar até setenta vezes sete, dá margem a uma corrente sem freios de violência. A atitude de Lamec é tão contrária ao ensinamento de Jesus quanto a atitude do servo é contrária à do patrão. A parábola quer ensinar que a morte de Jesus, segundo os critérios de Lamec, careceria de vingança infinita por parte de Deus. No entanto, o Pai, representado pelo patrão, não vingou seu Filho, mas perdoou infinitamente (setenta vezes sete). E com isso pôs fim à corrente de violência por meio do perdão.

 

Com isso se quer ensinar que somente o perdão, ato divino que somos chamados a praticar, pode pôr fim à violência. Como membros do corpo de Cristo, nossa atitude diante das ofensas sofridas é perdoar sempre, pois não há ofensa maior do que aquela realizada por nós a Deus: a morte do Herdeiro amado. Mas o Pai transformou essa ofensa em perdão e salvação.

 

Perdoar sempre não quer dizer passividade ou omissão diante do erro e da injustiça, mas sim não guardar mágoa ou rancor, tampouco sentimentos de vingança. Somente pelo perdão, fruto do amor, podemos construir um mundo mais pacífico, fraterno e amoroso. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

O perdão

 

O judaísmo já conhecia o dever do perdão das ofensas, mas se tratava de uma conquista recente, que só se conseguia impor mediante a lista de tarifas precisas. A mesquinhez humana procura sempre uma medida, uma norma que lhe dê satisfação. Perdoar, sim, mas quantas vezes? Os rabinos, para acentuar a liberalidade de Deus, diziam que ele perdoa três vezes; as escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes à mulher, aos filhos, aos irmãos etc., e esta lista variava de escola para escola. Pedro pergunta a Jesus qual a sua taxa.

 

Setenta vezes sete

 

Jesus havia ensinado a amar os próprios inimigos, e orar pelos que nos perseguem a fim de sermos filhos do Pai que está nos céus, que faz surgir o sol sobre os maus e os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5,44-45). No pai-nosso, havia ensinado a pedir: "perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos os nossos devedores". Pedro, que, pelo contato com Jesus, compreendeu que as medidas até agora tidas como válidas, não servem mais, tenta uma resposta: "ate sete vezes"? É mais do que o dobro de três, e além disso é um numero simbólico que significa plenitude. Jesus formula sua resposta retomando o numero simbólico, mas multiplicando-o de tal maneira que signifique uma plenitude ilimitada. É preciso perdoar sempre. A parábola que segue explica esse dever de perdoar sem limites. O sentido da parábola é que Deus perdoa gratuitamente o pecado a quem lhe pede perdão, demonstrando uma benevolência absolutamente desinteressada para com os pecadores.

 

Em consequência dessa experiência do perdão de Deus, o homem deve aprender a perdoar seus irmãos, tanto porque suas ofensas nada são diante da gravidade do pecado, como porque ele já foi alvo do perdão de Deus.

 

O perdão cristão pode transformar a fisionomia da história

 

O perdão das ofensas e o amor aos inimigos constituem uma das características mais evidentes e a maior novidade da moral evangélica. Mas, como acontece frequentemente, quanto maior a exigência, mais elevada a meta indicada, tanto mais mesquinha e pobre se manifesta sua realização na vida prática.

 

Qual a influência da doutrina evangélica sobre o perdão das ofensas na vida e no comportamento prático dos cristãos? Deve-se dizer que muitos cristãos, no decorrer da história da Igreja, têm tomado a sério a palavra de Jesus, e a hagiografia cristã está cheia de exemplos sublimes de amor e de gestos heroicos de perdão e reconciliação. Se hoje se fala, cada vez com mais frequência, de paz, desarmamento, solução pacífica das controvérsias internacionais, e de cooperação mútua e auxílio aos povos em via de desenvolvimento... temos de reconhecer que muitos cristãos têm contribuído para a difusão e a maturação desses ideais do cristianismo. O evangelho teve importância capital na educação dos povos do Ocidente, e muitas ideias, instâncias e estímulos positivos alimentados por sistemas que combatem o cristianismo, nasceram de uma cultura originariamente cristã e fortemente marcada pelo espírito evangélico. Mas a história dos povos, mesmo a dos cristãos, está cheia de testemunhos negativos: guerras, discórdias, morticínios, vinganças, injustiças, guerras de religião, conquistas coloniais; e hoje: o imperialismo econômico, a exploração do Terceiro Mundo, a indústria da guerra e da morte. A responsabilidade dos cristãos perante o evangelho e perante os irmãos ainda não iluminados pela luz da fé é enorme. Os contratestemunhos desmentem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e comprometem a credibilidade do próprio evangelho.

 

Romper a cadeia do ódio

 

A iniciativa da reconciliação vem de Deus, e a Igreja e os cristãos devem ser os construtores da paz no mundo; devem criar um clima de reconciliação, perdão, encontro, fraternidade em todos os setores e todos os níveis, desde o internacional até as pequenas relações de vizinhança e trabalho, entre esposos, entre os filhos, nas relações entre operários e patrões, entre pobres e ricos. Não há relação humana, por menor que seja, que não possa melhorar pela reconciliação e o perdão. A curva ascendente da violência é um apelo ao amor cristão, do qual o perdão é um momento importante. Só com o amor é possível formar uma comunidade, também a nacional.  [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Ao Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia e que realiza os desejos de seus filhos, dirijamos confiantemente nossa oração. Senhor, escutai a nossa prece.

Pelos sacerdotes que receberam de Cristo o poder de perdoar os pecados, para que sejam como ele, cheios de misericórdia e compaixão, semeadores de esperança e conversão, rezemos.

Pelos pobres oprimidos, para que, diante das injustiças que sofrem, não reajam com violência e vingança, mas com as armas da justiça e da razão, rezemos.

Pelos que alimentam pensamentos de ódio e vingança, para que meditem na palavra de Jesus: “Perdoai e sereis perdoados”, rezemos.

(outras intenções)

   

Senhor, nosso Deus, acolhei a oração que vos dirigimos com confiança e humildade; e, a fim de que nossos desejos sejam sempre atendidos, concedei-nos pedir o que é agradável à vossa vontade. Por Cristo nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Sede propício, ó Deus, às nossas súplicas e acolhei com bondade as oferendas dos vossos servos e servas para que aproveite à salvação de todos o que cada um trouxe em vossa honra. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O cálice de bênção pelo qual damos graças é a comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é a comunhão no Corpo do Senhor.

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a ação da vossa eucaristia penetre todo o nosso ser para que não sejamos movidos por nossos impulsos, mas pela graça do vosso sacramento. Por Cristo, nosso Senhor.

 

O Perdão na Bíblia

O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao “Messias-Juiz” (Is 33,24; Jr 31,34; 33,8; Ez 16,63; 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito (Ez 36,27; Is 11,1-3; Jo 20,19-23). É um poder do Filho do homem (Mt 9,3-7; Lc 7,48s; cf. Dn 7,13s).

 

O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador arrependido (Mt 9,1-8; Lc 5,17-26; 7,48-50; At 10,42s; 13,38; 26,18). Esta fé pode ser também a de uma comunidade (Mc 2,2-5).

 

O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mt 9,8; 16,19; 18,28; Jo 20,19-23).

 

Os cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mt 5,23-26; 6,12-15; 18,21-25; Lc 11,4; 17,3s; 2Cor 2,5-11). Devem perdoar até aos inimigos (Eclo 28,1-7; Mt 5,44s; 6,12; 18,21s.35; Lc 6,36; 17,3; Rm 12,17-19; Ef 4,32; 1Ts 5,15; 1Pd 3,9; 1Jo 2,11).

 

Outras passagens sobre o perdão

Como é grande a misericórdia do Senhor, e o seu perdão para todos os que se convertem para ele! (Eclo 17,20); Meu filho, você pecou? Não torne a pecar, e peça perdão das culpas passadas (Eclo 21,1); Com o Senhor nosso Deus está a misericórdia e o perdão, porque nos revoltamos contra ele. (Dn 9,9); E foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. (Mc 1,4); ‘O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, 47 e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. (Lc 24,46); "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; depois vocês receberão do Pai o dom do Espírito Santo. (At 2,38); todo aquele que acredita em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados. (At 10, 43b); 25 Deus o destinou a ser vítima que, mediante seu próprio sangue, nos consegue o perdão, contanto que nós acreditemos. (Rm 3,25)