Domingo, 11 de julho de 2010

15º Do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Mundial da População

 

Santos: Bento, Olga (introduziu o Cristianismo na Ucrânia), Olivério Plunket (Irlanda), Pio I (papa), Sabino (monge em Ligugé), João (bispo em Bérgamo, Itália), Sigisberto (monge irlandês), Abúndio (Córdova).

 

 

Antífona: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória. (Sl 16 15)

 

Oração: Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, daí a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura, Deuteronômio (Dt 30, 10-14)
 A lei de Deus está no coração, não além das forças

 

Moisés falou ao povo, dizendo: 10"Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. 11Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance. 12Não está no céu, para que possas dizer: 'Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?' 13Nem está do outro lado do mar, para que possas alegar: 'Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?' 14Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 68 (69), 14 e 17.30-31.33-34.36ab e 37 (R/. Cf. 33)
Humildes, buscai a Deus e alegrai-­vos: o vosso coração reviverá!

 

Por isso elevo para vós minha oração, neste tempo favorável, Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça, ponde os olhos sobre mim com grande amor!

 

Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria!

 

Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

 

Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, reconstruindo as cidades de Judá. A descendência de seus servos há de herdá-las, e os que amam o santo nome do Senhor dentro delas fixarão sua morada!

 

II Leitura, Carta de Paulo aos Colossenses  (Cl 1, 15-20)
 Eminência de Cristo, imagem de Deus, primogênito

 

15Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16pois por causa dele, foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o principio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele 20reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 10, 25-37)
Parábola do bom samaritano, verdadeiro “próximo”

 

Naquele tempo, 25um mestre da lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: "Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?" 26Jesus lhe disse: "O que está escrito na lei? Como lês?" 27Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!" 28Jesus lhe disse: 'Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás". 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?"

 

30Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.

 

33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais". E Jesus perguntou: 36"Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" 37Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-34; Jo 13, 33-35

 

 

Quem ama os irmãos revela Deus

 

O homem da religião natural, experimentando "dentro" da existência a fragilidade da vida, pensa encontrar fora de si, em Deus, a segurança. Procura então atingir a Deus, tornar-se como ele, divinizar-se através de ritos e do culto.

 

  O homem procura tornar-se Deus

 

Para Israel, Deus é o Absolutamente-Outro, inatingível pelo homem. O culto não diviniza. O único caminho da salvação é a fidelidade à aliança; Deus salvará gratuitamente os que tudo esperam dele e que observam fielmente a sua lei (1ª leitura). Mas será possível ao homem uma fidelidade absoluta, uma resposta marcada de absoluto? uma resposta total que o una a Deus e o divinize? Não haverá contradição entre tal aspiração e a condição de criatura, e criatura pecadora? A esperança de ver superada essa contradição orienta Israel para o futuro, na expectativa do Messias. Com a intervenção de Cristo, a esperança de Israel é cumulada além da expectativa. Jesus de Nazaré se apresenta como o perfeito imitador do Pai.

 

Ele é realmente o Messias, isto é, aquele homem que se esperava pudesse falar com Deus numa linguagem de verdadeiro diálogo. Pedro confessa que ele é a imagem do Pai (2ª leitura). Ao mesmo tempo, Jesus é a imagem do homem; pede a si mesmo e a seus futuros discípulos a renúncia total de si, a obediência até a morte de cruz, que é a  condição  de  um amor fraterno universal, isto  é,  a  fidelidade  total  à  nossa  condição terrestre. Jesus é o Homem-Deus, o Verbo encarnado; pode reunir os dois extremos do paradoxo: ser, no verdadeiro sentido da palavra, a imagem do Pai, e ser integralmente fiel à condição terrestre de criatura. Jesus Homem levará à perfeição a imagem do Pai, no sacrifício da cruz; ai revelará a verdadeira face do duplo amor para com Deus e para com os homens, do qual brota a história da salvação.

 

Agora, para o homem, a imitação do Pai passa a ser através de Cristo. O cristão se configura a ele no batismo e nos outros sacramentos. Mas essa configuração deve ser vivida nos acontecimentos, nos encontros da vida cotidiana. O sacrifício de si e o amor gratuito e universal pelo próximo fazem resplandecer na face do cristão a face de Cristo e de Deus.

 

No amor de Cristo encontramos a Deus

 

Cristo se comporta com a humanidade como o samaritano da narrativa evangélica para com o desconhecido; como o bom pastor vem salvar a ovelha despojada, espancada e quase morta (Jo 10,10), como o filho do dono da vinha se apresenta depois dos profetas enviados em vão (Jo 10; Lc 20,9-18), assim o samaritano chega depois dos sacerdotes e levitas que não quiseram e não puderam salvar o homem ferido.

 

Vê-se aí um reflexo da história da salvação, na qual Jesus vem sob o aspecto de samaritano desprezado, revela aquilo de que os outros "técnicos" da salvação se esqueceram, constrói precisamente onde essas técnicas faliram. Em Cristo, Deus se aproximou do homem com uma fisionomia simples e humana. O Deus que agora conhecemos anão está muito alto nem muito distante" de nós, e a sua lei está muito perto de nós; na nossa boca e no nosso coração, para que a levemos à prática (1ª leitura). Só encontramos verdadeiramente a Deus fazendo o mesmo que Cristo fez. O segredo está no grande mandamento da caridade que, com Cristo, traz exigências novas. Não basta mais amar o próximo como a si mesmo; é preciso perguntar-se como ser próximo para o outro e amá-lo como Deus o ama. Depois da Ceia, Cristo dará um mandamento novo: amar aos outros como fomos amados (Jo 13,34).

 

É necessário tomar consciência da pertença a esta humanidade ferida, abandonada semimorta a beira da estrada, que Cristo veio salvar.

O amor do Cristão revela Deus

 

O ateísmo teórico e prático é um fato que se respira no ar. De que modo podem os homens de hoje encontrar a Deus? Qual será o lugar da revelação de Deus para eles? Não são, certamente, com e nas demonstrações teóricas. Em muitos lugares, o homem hoje é torturado, condenado à morte, traído, desprezado, abandonado.

 

Há uma opção precisa a fazer; optar pelo homem acima de todas as coisas: do dinheiro, da profissão, das estruturas... Optar por sua libertação... Perguntamo-nos como intervir, tanto no nível das situações particulares (dar o peixe ou ensinar a pescar?) como no nível geral das estruturas (para que os que sabem pescar não sejam roubados e obrigados a passar fome). Se Deus é amor, se Cristo é a revelação de Deus porque se entregou à morte pelo homem, o cristão revelará Deus ao mundo com seu amor concreto pelo próximo. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]