Domingo, 11 de abril de 2010

2º da Páscoa, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Festa da Divina Misericórdia

 

Santos: Leão Magno (papa e doutor), Barsanófio, Isaac de Espoleto, Godeberta (virgem), Gutlaco, Valtimano (beato e abade), Rainério "Incluso" (beato), Jorge Gervásio (mártir e beato), Gema Galgani (virgem), Helena Guerra (beata), Estanislau.

 

Antífona: Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia. (1Pd 2,2)

 

Oração: Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu a vida e o sangue que nos remiu.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 5, 12-16)
 Multidões cada vez maiores aderiam ao Senhor pela fé

 

12Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no pórtico de Salomão. 13Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. 14Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. 15Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.  Palavra do Senhor!

 

Salmo 117/118, 2-4. 22-24. 25-27a (R/. 1)
Dai graças ao Senhor, porque ele

é bom! eterna é a sua misericórdia!

 

A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" A casa de Aarão agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" Os que temem o Senhor agora o digam: "Eterna é a sua misericórdia!"

 

"A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

 

Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, ó Senhor, dai-nos também prosperidade!" Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! 

 
 

II Leitura: Apocalipse (Ap 1, 9-11a. 12-13. 17-19)
 Estive morto, mas agora estou vivo para sempre

 

9Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. 10No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11a qual dizia: "O que vais ver, escreve-o num livro".

 

12Então voltei-me para ver quem estava falando; e, ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. 13No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um "filho de homem", vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. 17Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: "Não tenhas medo. Eu sou o primeiro e o último, 18aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. 19Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois". Palavra do Senhor!

 

Evangelho: João (Jo 20, 19-31)
Oito dias depois, Jesus entrou

 

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio".

 

22E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos". 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!" Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".

 

26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". 27Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não seja incrédulo, mas fiel". 28Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!" 29Jesus lhe disse: "Acreditastes, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!" 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. Palavra da Salvação!

 

 

Os poderes do Ressuscitado

 

No primeiro dia depois do sábado, Jesus ressuscitado aparece aos Apóstolos e lhes transmite seus poderes, fruto da sua vitória pascal sobre a morte e o pecado. Os seus discípulos nele reconhecem o Senhor, o Kynos, Domínus. O dia da ressurreição, dia do Senhor, assume a característica do "dia de Javé", dia do juízo escatológico, com a reunião dos seus fiéis, a vitória sobre os inimigos e a instauração do seu Reino.

 

O Primeiro e o Último, o Vivente

 

Muito sobriamente, em confronto com as descrições proféticas (conservando apenas alguns elementos da teofania divina, como o terremoto), os relatos evangélicos mostram a nova situação do Ressuscitado, liberto das limitações espácio-temporais, mas presente no meio dos seus, reunidos em assembleia. Jesus é apresentado, na ótica de João, com os atributos sacerdotais (túnica longa) e reais (cinto de ouro), como o sentido da história (o primeiro e o último), no seu poder sobre a morte e os infernos. É verdadeiramente o Senhor, Deus como o Pai, aquele que é o vivente para sempre, aquele que comunica a vida de Deus aos seus!

 

O grupo dos apóstolos (1ª leitura) é investido deste poder de libertação das enfermidades, dos "espíritos impuros", sinal da libertação do pecado. E se, no decorrer dos séculos, este poder não se manifesta mais de modo tão extraordinário, a Igreja sabe, entretanto, que leva ao mundo a libertação do pecado com a força dos sacramentos, nos quais Cristo opera com o seu Espírito.

 

Sinais de salvação do Ressuscitado

 

A Igreja faz ressurgir uma criatura nova e a transfere do reino de Satanás ao reino do amor de Deus (batismo); além disso, confirma-a na missão (confirmação); torna-a participe, no memorial-profecia da sua morte e ressurreição, do mesmo dinamismo pascal (eucaristia); liberta-a ainda, no abraço do perdão, dos laços com o pecado (penitência); torna-a semelhante a si na situação do pobre e do sofredor que espera a restauração do corpo mortal (unção dos enfermos); exprime, através da continuidade do serviço à comunidade, a sua missão de serviço (ordem); apresenta no mistério das núpcias o seu amor de esposo pela Igreja (matrimônio).

 

Os poderes do Ressuscitado pertencem à comunidade dos que creem que devem fazer dele participar todos os homens.

 

O pecado, câncer que corrói

 

"Libertação" é um dos termos que mais polarizam e fascinam os jovens, em sua busca de um mundo desvinculado das inúmeras cadeias que ainda o oprimem.

 

Mas de quem nos vem esta libertação? Bastará o esforço do homem, sua luta apaixonada por maior liberdade, dignidade, justiça? E em que nível é preciso agir?

 

São as estruturas que moldam o homem, dizem alguns. Mudemos as estruturas e mudará o homem. Lutemos por fazer com que caiam as estruturas injustas e anacrônicas da nossa sociedade.

 

É certo que as estruturas têm sua importância no modelar o homem, torná-lo livre ou escravo. Mas o cristão sabe que a raiz profunda do drama deve ser procurada no mais Intimo do homem, lá onde estão em jogo suas opções fundamentais entre o egoísmo e a doação. A primeira e mais radical libertação, pela qual são condicionadas todas as outras, é a libertação do pecado, deste câncer que corrói o homem em seu íntimo, que ataca a contextura da vida social, que envenena as relações e rompe a comunhão.

 

Cristo ressuscitado veio garantir-nos esta libertação, raiz e base de qualquer outra libertação. Libertação do pecado significa libertação da mais radical alienação que seduz o homem. Onde não há esta libertação, vê-se que a destruição das estruturas injustas deu lugar muito frequentemente a outras estruturas que não souberam respeitar o homem.

 

O homem "novo" é só o homem pascal, que recebeu de Cristo, num esforço de colaboração fecunda, a sua libertação. E as comunidades dos que creem, a Igreja, são chamadas hoje a prolongar a obra do Cristo libertador. Uma libertação que não pode permanecer simplesmente interior; se for autêntica, se difunde e engloba todos os setores, todo o homem, superando toda visão "espiritualista" que terminaria por trair a libertação, dom do Ressuscitado. [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]