Domingo, 10 de janeiro de 2010

Batismo do Senhor - Ofício de Festa - Ano “C” - 1ª Semana do Saltério (III Volume) - cor Branca

 

 

Santos: Ágato (papa), Benincasa de Cava (abade), Gregório X (papa), Guilherme de Bourges (monge, bispo), João Camilo (bispo de Milão), Marciano de Constantinopla (bispo), Nicanor (um dos sete diáconos escolhidos pelos Apóstolos conforme consta em At 6,5; morreu mártir em Chipre), Pedro Orséolo (eremita), Petrônio de Avinhão (bispo), Tomás de Armagh (bispo)

 

Antífona: Batizado o Senhor, os céus se abriram e o Espírito Santo pairou sobre ele sob forma de pomba. E a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho muito amado, nele está todo o meu amor! (Mt 3, 16-17)

 

Oração do dia: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que sendo Cristo batizado no Jordão e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

A liturgia do dia: A liturgia deste domingo, que encerra o Tempo do Natal, tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

 

I Leitura: Isaías (Is 42, 1-4.6-7) ou

Eis o meu servo, a quem dedico toda a afeição

 

Assim fala o Senhor: 1"Eis o meu servo, eu o recebo; eis o meu eleito, nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos.

 

6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas.” Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 28(29), 1a e 2.3ac-4.3b e 9b-10 (R/.1b)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

 

1aFilhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! 2Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento!

 

3aEis a voz do Senhor sobre as águas, 3csua voz sobre as águas imensas! 4Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.

 

3bSua voz no trovão reboando! 9bNo seu templo os fiéis bradam: "Glória!" 10É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre!

 

II Leitura: Atos (At 10, 34-38)

Foi ungido por Deus com o Espírito Santo

 

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelita e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: 38Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 3, 15-16.21-22)
Tu és meu Filho amado; em ti ponho meu bem-querer

 

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.

 

21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

O Batismo do Senhor

 

Naquela época a dinâmica de atuação de João Batista suscitava especulações sobre a possibilidade de ser ele o próprio Messias. É que havia aparecido alguns pseudoprofetas e pseudomessias, como por exemplo, Teudas, que tinha uns quatrocentos seguidores e outro chamado de Judas, o Galileu, que também tinha seus admiradores atuantes (cf. At 5, 36-37). Mas João é enfático: “vem aquele que é mais forte do que eu”. Ele apenas compara o seu batismo com o de Jesus. O cerne da questão não está centrado no batismo com água, pois a Igreja primitiva já o fazia, mas que o Batismo de São João Batista é só na água, enquanto que o batismo de Jesus será definitivo: um ato do Criador que leva à salvação, através do Espírito Santo. A alusão do fogo resulta no processo da separação entre o joio e o trigo, ou seja, entre os que estão salvos e os que estão condenados.

 

O batismo de Jesus no rio Jordão, mais um evento ligado à Epifania do Senhor, havia de revolucionar a história humana posto que a vinda do verdadeiro Messias tinha como foco oferecer aos pecadores a oportunidade da salvação. Misturado com os pecadores, sem ser, Jesus recebe o duplo testemunho do Espírito e do Pai. A descida do Espírito, que se manifesta em imagens (a pomba da Arca) é a consagração ou unção do Messias para o seu mistério. Ele verdadeiramente deu o seu exemplo público, mostrando o verdadeiro caminho da solidariedade. Através do batismo do Senhor o Filho de Deus inicia brilhantemente a sua missão junto à humanidade.

 

Que o espírito do Batismo do Senhor inspire verdadeiramente a renovação do nosso batismo pessoal, confirmando e mantendo a nossa missão e a nossa caminhada de fé rumo ao Reino de Deus, pela nossa conversão permanente e pela nossa salvação. [Everaldo Souto Salvador, Mundo Católico]

 

 

 

O Pai manifesta a missão do Filho

 

À margem do rio Jordão, João Batista prega a conversão dos pecados como meio para se receber o reino de Deus que está próximo. Jesus entra na água, como todo o povo, para ser batizado. Para os judeus, o batismo era um rito penitencial; por isso, aproximavam-se dele confessando seus pecados. Entretanto, o que Jesus recebe não é só um batismo de penitência; a manifestação, do Pai e do Espírito Santo dão-lhe um significado preciso. Jesus é proclamado "filho bem-amado" e sobre ele desce o Espírito que o investe da missão de profeta (anúncio da mensagem da salvação), sacerdote (o único sacrifício agradável ao Pai), rei (messias esperado como salvador).

 

O batismo de Cristo é o "nosso batismo"

A redação dos evangelistas procura apresentar o batismo de Jesus como batismo do "novo povo de Deus", o batismo da Igreja. No livro do Êxodo, Israel é o filho primogênito, que é libertado do Egito para servir a Deus e oferecer-lhe o sacrifício (Ex 4,22); é o povo que passa entre os diques de água do mar Vermelho, e no caminho enxuto através do rio Jordão.

 

Cristo é o "filho bem-amado" que oferece o único sacrifício agradável ao Pai; Cristo, que "sai da água" é o novo povo libertado, e a libertação é definitiva; o Espírito não só desce sobre Cristo, mas permanece sobre ele. O Espírito, que depois do pecado não tinha mais morada permanente entre os homens (Gn 6,3), agora permanece para sempre em Cristo e na Igreja que é seu complemento.

 

A missão de Cristo tem sua imagem na do Servo sofredor de Isaias (2ª leitura). O "Servo de Javé" é aquele que carrega os pecados do povo. Em Cristo, que se submete a um ato público de penitência (confissão dos pecados e batismo), vemos a solidariedade do Pai, Filho e Espírito Santo com a nossa história. Jesus não se distancia da humanidade pecadora; é um homem com os homens; vindo a uma humanidade pecadora, identifica-se com ela, mas não é pecador. Não confessa os seus pecados, mas confessa por nós. A universalidade de sua confissão e a santidade de sua existência fazem com que a velha humanidade passe a uma humanidade renovada.

 

 

Na descoberta do próprio batismo

 

Os fiéis que nasceram e viveram na fé da Igreja têm necessidade de redescobrir a grandeza e as exigências da vocação batismal. É paradoxal que o batismo, fazendo do homem um membro vivo do Corpo de Cristo, não esteja bem presente na consciência explícita do cristão e que a maior parte dos cristãos não considere o ingresso na Igreja, através da iniciação batismal, como o momento decisivo de sua vida. O batismo nos foi dado em nome de Cristo; põe-nos em comunhão com Deus; integra-nos na Família de Deus; é um novo nascimento; uma passagem da solidariedade no pecado à solidariedade no amor; das trevas e solidão ao mundo novo da fraternidade. Uma nova sensibilidade para com o batismo foi suscitada na Igreja pelo Espírito; hoje, mais do que nunca, nas comunidades cristãs, apresenta-se a vida cristã como viver o seu batismo"; e se manifesta mais intensamente nos adultos a necessidade de repercorrer os caminhos do próprio batismo, através de um "catecumenato" feito de profunda experiência comunitária e sério conhecimento da Escritura.

O batismo de nosso filho

É um problema bastante debatido, não só pelo valor e eficácia do batismo dado à criança, quanto por sua oportunidade na sociedade atual. Entramos numa época de pós-cristandade, caracterizada pelo pluralismo e valores de fraternidade e responsabilidade pessoal. A família não tem mais a influência determinante de outros tempos; os pais não estão em condições de fazer opções definitivas pelos filhos. Mais ainda, as estatísticas e a experiência afirmam que grande quantidade das crianças batizadas não são depois, de fato, suficientemente instruídas e educadas na fé cristã. Os motivos que levam certos pais a buscar o batismo de seus filhos podem ser a conveniência social, a tradição familiar e o medo supersticioso.

 

A solução do problema não é fácil, e as experiências atuais podem dar origem a embaraços, perplexidades, recusa. Convém inserir o problema no quadro de uma "pastoral de conjunto", que tenda para a renovação da catequese batismal em toda a Igreja, e particularmente a um catecumenato de toda a família do batizando. O que importa não é marcar a data do batismo, mas percorrer um caminho de fé. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]