Domingo, 9 de outubro de 2011

28º do Tempo Comum, Ano “A”, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Atletismo, Dia do Círio de Nossa Senhora de Nazaré e dia da União Postal Universal

 

Santos: Dionísio (Bispo) e Companheiros, ambos  mártires; João Leonardi (Presbítero), Públia, Patriarca Abraâo (Séx. XIX), Dinis (Séc. III, França), João Leonardi (1609, Itália), Gileno (685, Bélgia), Guntério (ou Günther, 1045, Turíngia), Luis Bertrando (1581, dominicano espanhol), Pio XII e Rústico

 

Antífona: Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir?  Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel. (Sl 129, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, sempre nos proceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: Isaias (Is 25, 6-10a)
A montanha é o lugar do encontro com Deus

 

6O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um, banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos.

 

7Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações. 8O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse. 9Naquele dia, se dirá: "Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado; vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo". 10aE a mão do Senhor repousará sobre este monte. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Diante de mim preparas uma mesa

O texto menciona um banquete suntuoso que revela a grandiosidade e a generosidade de quem o oferece. Numa terra cercada por desertos, é de admirar um banquete de carnes gordas regado com vinhos finos. Trata-se não somente de uma ocasião de grande alegria, mas também de uma manifestação de abundância.

 

O banquete será oferecido no monte Sião, ou seja, em Jerusalém, capital da terra de onde mana leite e mel, quer dizer, da terra fértil numa região desértica. A menção do vinho merece mais atenção: “vinho fino” tem o mesmo sentido de “preservar”, significa que o vinho retém cor, cheiro e sabor apesar do tempo. Nesse banquete, será servido um vinho que ganhou qualidade ao longo do tempo. Significa uma nova aliança que plenifica a primeira.

 

No mesmo versículo é mencionado o “vinho depurado” ou refinado. Geralmente, esse termo é usado para os metais preciosos purificados no fogo. Aqui significa que os resíduos do processo de fermentação foram retirados. Esses elementos também evocam a qualidade da nova aliança.

 

Nesse banquete oferecido a todos os povos, Deus se revelará de modo definitivo, pois o véu dos povos será retirado. Cobrir a face era uma maneira usual para expressar pesar (2Sm 15,30) ou a forma de uma moça se apresentar diante do noivo para indicar que não se “conheciam”, ou seja, que ela era virgem. Esses dois sentidos estão no v. 7, referindo-se ao relacionamento entre Deus e as nações. Sem a revelação, os povos não conhecem a Deus e por isso estão mortos. É necessário retirar o véu e a mortalha para poder ter a comunhão proposta pelo banquete.

 

A destruição da morte e da dor faz pensar no futuro do reino definitivo. Trata-se de bem-aventurança anunciada também no Apocalipse: “Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos, e não haverá mais a morte” (Ap 21,4). [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

 

Salmo: 22(23), 1-3a.3b-4.5.6 (R/.6cd) 
Na casa do Senhor habitarei, eternamente

 

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar! Pelas águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

 

Ele me guia no caminho mais seguro pela honra de seu nome Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!

 

Preparais à minha frente uma mesa bem à vista do inimigo e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda.

 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 4, 12-14.19-20)
Deus está próximo de todos nós

 

Irmãos: 12Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando necessidade. 13Tudo posso naquele que me dá força. 14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 19O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus. 20Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos. Amém. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Deus tudo proverá em vossas necessidades

 

Enquanto não se dá a plenitude do reino, quando já não haverá lágrimas, mas somente o banquete nupcial do Messias, a situação atual dos seguidores de Jesus é cheia de altos e baixos.

 

Paulo nos ensina a viver bem em qualquer situação, seja de penúria, seja de abundância. O apóstolo aprendeu, ou melhor, recebeu a instrução dessas situações de penúria e de fartura. Ele adquiriu sabedoria tirada dessas experiências que ele vivenciou.

 

Paulo sabe que a Deus tudo pertence e que Deus é rico em misericórdia. Por isso o apóstolo se mostra inteiramente confiante toda vez que passa por dificuldade. Ele confia na graça de Deus e, portanto, está preparado para passar por qualquer situação.

 

Contrária a isso é a atitude de muitos cristãos de hoje, que mantêm um relacionamento comercial com Deus. Se alguma coisa não vai bem, então Deus tem de lhes solucionar o problema. Essa atitude corresponde à veste inadequada mencionada no evangelho. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 22, 1-14)
Convite às núpcias

 

Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2"O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4O rei mandou outros empregados, dizendo: 'Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. vinde para a festa!'

5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.

 

7O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: 'A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes'. 10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a saia da festa ficou cheia de convidados.

 

11Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ai um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu. 13Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ai haverá choro e ranger de dentes'. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Vinde ao banquete

 

O evangelho acrescenta um aspecto novo ao texto de Isaías: trata-se de um banquete nupcial. “Núpcias” ou “casamento”, no idioma de Jesus, significam o mesmo que “aliança”. Assim, o texto quer dizer que todos são chamados a ingressar na nova aliança realizada em Jesus. Mas a resposta a esse convite nem sempre é positiva ou adequada, como se percebe nas atitudes dos candidatos.

 

Há quem recuse o convite apesar de nada ter-lhe sido exigido, mas, ao contrário, tudo ter-lhe sido oferecido. Essa atitude significa a rejeição ao amor e à gratuidade de Deus, muito comum na sociedade atual. Muitas pessoas não querem nem ouvir falar de Deus. Acham que tudo o que possuem é fruto do esforço pessoal. Deus nada tem a ver com isso. São incapazes de perceber o amor de Deus presente nelas próprias e naquilo que as rodeia.

 

Há quem aceite, mas não use a veste adequada, ou seja, não tenha disposição interna para o seguimento de Cristo. Sua fé é desvinculada da práxis. Muitos cristãos querem viver a fé superficialmente, buscando apenas usufruir do que a religião possa lhes oferecer por aquele momento. Uma vez satisfeita sua “necessidade”, esquecem-se de Deus. São pessoas que não têm vínculo real com a fé e suas exigências.

 

O convite a participar do banquete da nova aliança é feito a todos, sem distinções. Mas a adesão a Cristo requer uma resposta radical, que envolva a totalidade da vida. E nem todos estão dispostos a mudar sua “veste”. É por isso que “muitos são chamados, e poucos são escolhidos”: isso significa que o número dos que entraram na aliança é inferior ao dos chamados, por causa da superficialidade da resposta ao convite de Deus. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Como família de Deus, reunida em sua casa, dirijamos-nos confiantemente ao Pai, certos de sermos ouvidos e atendidos. Senhor, atendei a nossa prece.

Pela santa Igreja de Deus, párea que reúna todos os povos da terra, convidando todos ao banquete do Reino, rezemos.

Pelas comunidades cristãs, para que reencontrem a unidade e o diálogo recíproco, escutando a única palavra e partindo o único pão, rezemos.

Pelos pobres, os pequenos e os desamparados, para que nossas comunidades os acolham como os prediletos do Senhor e os depositários de suas bênçãos, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, com estas oferendas, as preces dos vossos fiéis, para que o nosso culto filial nos leve à glória do céu. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada. (Sl 33,11)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, nós vos pedimos humildemente que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue de Cristo, possamos participar da vossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Senhor Jesus, que dissestes: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”, fazei com que todos nos encontremos no banquete do céu, onde nos esperais com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos eternos.

 

 

A grande reunião final

 

O tema da “convocação” e da “reunião” universais percorre a Escritura em todos os seus livros e define a experiência tanto de Israel como da Igreja. O povo eleito percebe sua unidade como a de uma reunião continuamente provocada pela convocação de Javé. O quadro dessas reuniões é quase sempre cultual e sacrifical e se reporta à grande reunião na qual se concluiu a aliança, e preludia a reunião escatológica universal. Quando os profetas evocam o futuro messiânico, apelam para o tema da assembleia em que Javé reunirá não só as doze tribos de Israel, mas todas as nações da terra.

Assembleia de todas as nações: a Igreja

 

O desígnio de reunião de todas as nações se realiza em Cristo. Deus quer operar esta reunião através do povo eleito, já precedentemente destinado nos planos de Deus a ser o instrumento privilegiado da reunião universal. Mas a recusa de Israel o priva do seu privilégio, e a reunião universal se fará em torno do Cristo Crucificado, que ressuscita dos mortos.

 

Alguns elementos caracterizam esta reunião e a distinguem da que é descrita pelo Antigo Testamento. É Deus, através de Jesus, que “convoca” esta reunião, mas seu desígnio de reunificação não poderá ter êxito sem a participação ativa e colaboração do homem. O desígnio de Deus constitui uma missão para o homem. O Reino de Deus não desce do céu como um relâmpago. Se é verdade que Cristo constitui a pedra angular da construção, os homens não podem eximir-se de colaborar para o crescimento do edifício. Nenhum privilégio é reconhecido mais a Israel nesta reunião universal. É o ato de nascimento de um novo universalismo, do “resto” já previsto no Antigo Testamento. O Senhor preparará para todos os povos o banquete na montanha. (1ª leitura).

 

Desde o dia de Pentecostes, o sinal e o lugar privilegiados da reunião universal querida por Deus é a Igreja. O milagre das línguas e a presença em Jerusalém de povos vindos de todas as partes do mundo exprimem bem, desde seu nascimento, a natureza e a missão da Igreja, cujo mistério se exprime exatamente em termos de convocação e reunião.

 

As outras assembleias em que se reúne a humanidade

 

A Igreja não será fiel a sim mesma se não se colocar como ponte que une os homens não só com Deus, mas também entre si. Tem ela a tarefa de ir ao encontro dos homens e reuni-los onde eles se encontrarem.

 

No mundo moderno, secularizado, mudou muito a situação e a presença da Igreja entre os homens. Em tempos de “cristandade”, a Igreja reunia não só em torno da eucaristia, mas também em muitos outros setores da vida e da atividade humana, sobre os quais exercia uma verdadeira tutela; hoje, este papel é muito diferente, porque as condições são outras. Poderemos dizer que a verdadeira unidade, a verdadeira reunião dos homens se dá, hoje, fora do influxo da Igreja, quando não em oposição a ela. A convocação e a reunião dos homens se fazem hoje em torno dos ideais de justiça, de libertação, de tomada de consciência da própria dignidade, que reúnem as massas em partidos e sindicatos. Os homens se encontram unidos na luta contra as doenças, a fome, na tentativa titânica  de libertar-se das escravidões e das limitações das forças da natureza; reúnem-se em torno da ciência e da técnica, em que crêem como uma nova e terrestre esperança; reúnem-se e se unem compactamente na luta de classes, contra a opressão e o poder de um sistema. Esta reunião é favorecida e tornada possível pelos grandes meios de comunicação social: rádio, TV, jornais, esportes...

 

Este é o terreno onde os homens, hoje, se encontram e onde o homem moderno tem cada vez mais consciência d elevar a termo um destino histórico que parece estranho às preocupações religiosas.

 

Dispersos, mas não isolados

 

Nesta situação, o cristão tem a sensação de estar “disperso” no meio dos outros homens, mas o cristão jamais é um “isolado”, porque é membro vivo da Igreja. Para levar bem dentro da vida o testemunho da ressurreição de Cristo, como fermento na massa, o cristão disperso tem necessidade de “sinais” eclesiais, que são os outros membros vivos da Igreja, sacerdotes e leigos, imersos como ele nas realidades cotidianas. A “convocação” da Igreja, nestes ambientes, não se faz tanto através da palavra proclamadas, como no passado; passa através do testemunho dos que creem, que é realmente um apelo à salvação para todos, e a uma “reunião” muito mais total e profunda do que aquela que o homem pode construir com suas mãos. [Fonte: MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]