Domingo, 9 de maio de 2010

Sexto Do Tempo da Páscoa, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia das Mães.

 

Santos: Maria de Cléofas (matrona), Valdetrudes (viúva), Hugo de Ruão (bispo), Galcério ou Gautério (abade), Ubaldo de Florença (beato), Tomás de Tolentino (mártir e beato), Antônio Pavoni (mártir e beato), Acácio, Demétrio, William Cufitella de Scicli (bem aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem)

 

Antífona: Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)

 

Oração: Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra de Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 15, 1-2.22-29)
Decidimos, o Espírito Santo e nós

 

Naqueles dias, 1chegaram alguns da Judéia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: "Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a lei de Moisés". 2lsto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos. 22Então os apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, resolveram escolher alguns da comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23Através deles enviaram a seguinte carta: "Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!" Palavra do Senhor!

 

 

Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R/. 4)

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,

que todas as nações vos glorifiquem!

 

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.

 

Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações.

 

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem! Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!

 

 

 

II Leitura: Apocalipse (Ap 21, 10-14.22-23a)
 Mostrou-me a cidade santa descendo do céu

 

10Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do cordeiro. 22Não vi templo na cidade, pois o seu templo é o próprio Senhor, o Deus todo-poderoso, e o cordeiro. 23aA cidade não precisa de sol, nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o cordeiro. Palavra do Senhor!

 

 

 

Evangelho: João (Jo  14, 23-29)
 O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 23"Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25lsso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. 27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que eu vos disse: 'Vou, mas voltarei a vós'. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis". Palavra da Salvação!

 

Aprofundando os textos bíblicos: O texto de Apocalipse é uma releitura de Ez 40-48, que é um conjunto de imagens e teofanias; através de uma descrição com medidas e materiais preciosos, simbolizando a perfeição e o bem. A presença de Deus é permanente e mais forte que no templo, tanto que este pode ser abolido. A comunicação com o Senhor é imediata. Segundo Jo 2,21, o Corpo de Cristo é o novo Templo da era escatológica. Jesus é o lugar da presença e manifestação de Deus à humanidade. Jesus é o verdadeiro Templo e o culto está ligado a Ele. No Evangelho, Jesus afirma que ele e o Pai fixarão morada nos que exprimirem seu amor, obedecendo-lhes á Palavra, conforme o AT e o Apocalipse. Os discípulos que haviam compartilhado a vida terrestre de Jesus. guardam a lembrança do que ele fez e disse; o Espírito do Ressuscitado os levará a compreender a significação profunda de seus atos e palavras, porque o Paráclito ensina todas as coisas. Em João, a paz é sempre ligada á pessoa de Cristo e á sua presença.

 

 

              Não haverá mais templo algum

 

Na nova Jerusalém não há templo, porque o Senhor e o Cordeiro são o seu templo. Afirmação surpreendente. Fala-se do mundo novo já presente como início na Igreja terrena, mas que se realizara em plenitude na Igreja celeste. Há aqui uma importante relativização. A realidade futura não terá mais necessidade daquilo que na terra é sinal e instrumento. Mas já neste mundo é preciso fazer "a passagem dos sinais visíveis para os invisíveis mistérios que naqueles Deus faz conhecer e comunica" (RdC 175). Isto implica num processo de espiritualização e de personalização que ultrapassa as perspectivas dos profetas.

 

O templo de Jerusalém já era necessário e relativo; sinal tangível da presença de Deus no meio de seu povo, constituía um ponto de referência importante para a unidade, mas corria o risco de dar uma falsa segurança, de tipo pagão, baseada num culto formalista em que não existia fidelidade interior ao Deus da aliança.

 

Um templo de carne e de espírito

 

Com a intervenção do Homem-Deus há uma mudança radical. Só ele é capaz de um culto verdadeiro, agradável a Deus, o da obediência espiritual que vai até a morte de cruz. Na paixão, seu corpo se torna o templo em que se oferece o único sacrifício digno deste nome, a única realidade visível e sagrada. Do novo culto "em espírito e verdade", Cristo é a vítima e o sacerdote. Hoje o sacrifício da nova aliança se celebra na Igreja, corpo de Cristo; é um culto espiritual pelo qual cada um se apresenta a si mesmo em união com Cristo, no Espírito, como hóstia viva e santa (cf Rm 12,1), e o povo sacerdotal reunido em assembleia é o único templo visível. As igrejas em que o povo de Deus se reúne são, mais ainda do que o antigo templo relativas a sua função dê espaço para a comunidade; também por isso há tanta dificuldade em sua construção e utilização, porque a comunidade ainda não encontrou sua fisionomia própria no mundo de hoje. De qualquer modo, se se compreende que a realidade definitiva é a comunhão, ela já existe, segundo a palavra de Jesus (evangelho), toda vez que o crente e a assembleia dos que creem fiéis ao mandamento único de amar com todas as suas energias, uma vez que na fraternidade em ato está o sinal da comunhão definitiva sem nenhuma mediação e simbolismo.

 

Deus será tudo em todos

 

O fim do templo é o fim de todo gueto sacral, a exterminação definitiva de todo formalismo religioso, de todo sectarismo, de toda religião reduzida a códigos de preceitos. O fim de toda alienação religiosa, para entrar na autenticidade de uma fé que é comunhão plena e perfeita entre Deus e o homem, entre o homem e o homem.

 

E Cristo é a chave desta comunhão.

 

"O mistério do Cristo é mistério de comunhão" (RdC 70). O desígnio de Deus é estabelecer a paz em Jesus Cristo; levar, em Jesus Cristo, todos os homens ao diálogo e à comunhão com ele; realizar entre os homens, antes divididos pelo pecado, uma comunhão fraterna, reunindo-os no Corpo Místico do seu Filho.

 

Os homens do nosso tempo sentem profundamente a exigência de diálogo, de comunhão e de paz.

 

Sentimos todos esta exigência profunda de sair dos monólogos estéreis, de sanar as antigas fraturas que dividem a humanidade, de entrar em comunhão superando todas as barreiras de cor, raça e ideologia. O cristianismo transcende o tempo na medida em que ajuda a realizar esses valores, demolindo todos os obstáculos que dividem, todas as absurdas separações que se criaram no decorrer da história.

 

O sacerdócio dos leigos

 

"O supremo e eterno Sacerdote Jesus Cristo quer continuar seu testemunho e seu serviço também através dos leigos. Vivifica-os por isso com seu Espírito e incessantemente os impele para toda obra boa e perfeita. Àqueles, pois, que une intimamente à sua vida e missão, também concede parte de seu múnus sacerdotal no exercício do culto espiritual para que Deus seja glorificado e os homem salvos. Por isso, consagrados a Cristo e ungidos pelo Espírito Santo, os leigos são admiravelmente chamados e munidos para que neles se produzam sempre mais abundantes os frutos do Espírito. Assim, todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo os incômodos da vida pacientemente suportados, tornam-se "hóstias espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo" (1Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor, na celebração da eucaristia. Assim também os leigos, como adoradores agindo santamente em toda parte, consagram a Deus o próprio mundo." (LG 34). [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]