Domingo, 9 de janeiro de 2011

Batismo do Senhor, Ofício Festivo, Ano Litúrgico “A”cor, Branca

 

Hoje: Dia do Fico

Santos do Dia: Alderico de Le Mans (bispo), Anastácio de Sens (bispo), Canuto Layard (rei, mártir), Clero (diácono, mártir da África), Crispim de Pavia (bispo), Emílio de Saujon (monge), Félix e Januário (mártires de Heracléia), Juliano de Cagliari (mártir), Luciano de Antioquia (presbítero, mártir), Nicetas de Rémésiana (bispo), Reinaldo de Colônia (monge, mártir), Teodoro do Egito (eremita), Tilo de Solignac (abade), Valentim de Rhaetua (bispo), Eduardo Waterson (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Batizado o Senhor, os céus se abriram e o Espírito Santo pairou sobre ele sob forma de pomba. E a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho muito amado, nele está todo o meu amor! (Mt 3, 16-17)

 

Oração do Dia: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que sendo Cristo batizado no Jordão e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

A liturgia do dia: A festa da Epifania é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. Essa é, no fundo, a expectativa de Deus que transparece em toda a Bíblia. Mas é em Jesus que ela toma corpo e forma, aparecendo como proposta oferecida a todos. Contudo, a ganância e o desejo de poder – presentes no Herodes do tempo de Jesus e nos Herodes de todos os tempos – tentam sufocar essa esperança. Porém, os homens de boa vontade têm uma “estrela”, não cessam de “sonhar” um caminho alternativo, que não passa pelos poderosos, mas nasce do menino-pastor. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas é Deus quem a ilumina, gerando forças e vida nova. [A liturgia de hoje vale para os anos A, B e C.]

 

 

I Leitura: Isaías (Is 42, 1-4.6-7) ou

Eis o meu servo, a quem dedico toda a afeição

 

Assim fala o Senhor: 1"Eis o meu servo, eu o recebo; eis o meu eleito, nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas.” Palavra do Senhor!

 

Primeiro Cântico do Servo. Para o trecho Is 42,1-4 vide Is 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12

 

 

Comentando a I Leitura

Sobre ele está o meu Espírito


O Servo de Deus, nesse texto de Isaías, é uma personificação de Israel, cuja missão era levar para as nações a justiça e o direito. Isso significa que o povo de Israel estava destinado a exteriorizar a justiça e o direito entesourados nas Sagradas Escrituras e fazer deles um patrimônio das demais nações da terra. Essa missão deveria ser realizada sem a utilização do poder tirânico, comum aos grandes impérios mundiais; a influência de Israel sobre as nações deveria libertá-las da cegueira espiritual e das trevas da idolatria. O Espírito de Deus, agindo no Servo (Israel), possibilitaria a efetivação dessa missão – ou seja, a transmissão das Sagradas Escrituras, até que estas fossem postas em prática por todas as nações. As Sagradas Escrituras seriam o caminho para que os povos chegassem até Deus. A releitura cristã desse texto bíblico viu em Jesus o pleno cumprimento da vocação de Israel. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Salmo: 28(29), 1a e 2.3ac-4.3b e 9b-10 (R/.1b)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

 

1aFilhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! 2Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento!

3aEis a voz do Senhor sobre as águas, 3csua voz sobre as águas imensas! 4Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.

 

3bSua voz no trovão reboando! 9bNo seu templo os fiéis bradam: "Glória!" 10É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre!

 

Salmo de Davi: Hino ao Senhor da Natureza. Este salmo tem características de um hino à grandeza de Deus

 

 

II Leitura: Atos (At 10, 34-38)

Foi ungido por Deus com o Espírito Santo

 

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelita e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: 38Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder

 

Pedro começou seu discurso na casa de Cornélio (primeiro gentio convertido à fé cristã) reconhecendo as intervenções divinas que o levaram a entender claramente como a salvação foi destinada a todos os povos. Pedro deu-se conta de que Deus não faz distinção de pessoas. Esse foi um grande passo na compreensão humana da revelação divina. Que Deus ama todas as pessoas e deseja ser adorado por todas as gentes já estava claro para os seguidores de Jesus. Mas até aquele momento se pensava que, se um gentio quisesse seguir Jesus, deveria primeiramente Vida Pastoral – janeiro-fevereiro 2011 – ano 52 – n. 276 49 converter-se ao judaísmo para depois ter acesso à salvação. O discurso na casa de Cornélio mostra que Pedro chegou à conclusão de que a mensagem e obra de Jesus estão destinadas a todos sem exceção. Digna de destaque é a afirmação de que Deus ungiu Jesus “com o Espírito Santo e com poder”: isso significa a chegada do reino de fraternidade e paz a todos os povos. Os milagres e exorcismos realizados sob a unção do Espírito do Cristo ressuscitado são sinais que atestam a instauração desse reino na história. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 3, 13-17)

Batismo de Jesus

 

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? 15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. 17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado.”  Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 1,9-11; c 3,21-22; Jo 1,31-34

 

 

Comentando o Evangelho

O Espírito de Deus veio sobre ele

 

Jesus é o Messias, Filho de Deus. João Batista é seu precursor. Da mesma forma, o batismo praticado por João é uma prefiguração do batismo cristão. O batismo de João convocava para o arrependimento e para a conversão. Jesus, sendo justo, não precisava ser batizado por João. No entanto, quis cumprir toda a justiça, ou seja, quis realizar integralmente a vontade do Pai: elevar o ser humano pecador à filiação divina. Com o mergulho nas águas do rio Jordão, o Filho de Deus solidarizou-se com a humanidade pecadora para resgatá-la do pecado e elevá-la à condição de filha de Deus. Em sentido inverso, cada batizado solidariza-se com a vida de Jesus e deve seguir o mesmo caminho de entrega total por amor. Uma entrega de si mesmo, que é o reflexo da entrega do Pai à humanidade para salvá-la do pecado, do egoísmo e do desamor. Na vivência do batismo se realiza a vocação humana do amor a Deus e do amor ao próximo. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Renovação das promessas batismais:

Presidente: Irmãos e irmãs em Cristo, peçamos a Deus a bênção desta água, símbolo da purificação batismal (pausa). Senhor Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a vida, abençoai esta água que vamos usar para implorar o perdão dos nossos pecados e alcançar a proteção da vossa graça contra toda doença e cilada do inimigo. Ela nos recorda também nosso batismo. Por Cristo, nosso Senhor.

Assembleia: Amém

Presidente: Neste momento, façamos comunitariamente a renovação das promessas do batismo. Para viver na liberdade dos filhos e filhas de Deus, renunciais ao pecado?

Assembleia: Renuncio.

Presidente: Para viver como irmãos e irmãs, renuncias a tudo o que vos possa desunir, para que o pecado não domine sobre vós?

Assembleia: Renuncio

Presidente: Para seguir Jesus Cristo, renuncias ao demônio, autor e princípio do pecado?

Assembleia: Renuncio

Presidente: Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra:

Assembleia: Creio.

Presidente: Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que nasceu da virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e subiu ao céu?

Assembleia: Creio.

Presidente: Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida eterna?

Assembleia: Creio.

Presidente: O Deus todo-poderoso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos concedeu o perdão de todo pecado, guarde-nos em sua graça para a vida eterna, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Assembleia: Amém.

 

 

A Palavra se faz oração (Missal Dominical)

Por todas as comunidades eclesiais, para que animadas pelo Espírito de Cristo, reconheçam sua missão de anunciar aos pobres a libertação, a justiça, a dignidade de homens e filhos de Deus, rezemos ao Senhor: Pai, ouvi-nos!

Por todos os que foram batizados na infância, para que redescubram, com alegria, o significado de seu batismo como dom do amor de Deus, que deles exige uma resposta livre e pessoal, rezemos ao Senhor: Pai, ouvi-nos!

Pelos pais que batizarão seus filhos este ano, para que estejam conscientes da responsabilidade que assumem, e, com o auxílio de Deus e da comunidade, façam crescer seus filhos  numa fé adulta, rezemos ao Senhor: Pai, ouvi-nos!

Pelos meninos que receberão a crisma este ano, para que, com o dom do Espírito de Cristo, se tornem plenamente “cristãos”, profetas e sacerdotes para o anúncio e a vivência do evangelho, rezemos ao Senhor:  Pai, ouvi-nos!

Outras intenções, a critério da equipe de liturgia.

 

Oração sobre as Oferendas:

Recebei, ó Pai, as oferendas que vos apresentamos no dia em que revelastes vosso Filho, para que se tornem o sacrifício do Cordeiro que lavou, em sua misericórdia, os pecados do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis aquele de quem João dizia: Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus. (Jo 1, 32.34)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nutridos pelo vosso sacramento, dai-nos, ó Pai, a graça de ouvir fielmente o vosso Filho amado, para que, chamados filhos de Deus, nós o sejamos de fato. Por Cristo, nosso Senhor!

  

 

Prefácio do Batismo do Senhor

 

Na verdade é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo poderoso, por Cristo, Senhor nosso.

 

Hoje, nas águas do rio Jordão, revelais o novo Batismo, com sinais admiráveis. Pela voz descida do céu, ensinais que vosso Verbo habita entre os seres humanos. E pelo Espírito Santo, aparecendo em forma de pomba, fazeis saber que o vosso Servo, Jesus Cristo, foi ungido com o óleo da alegria e enviado para evangelizar.

 

Por essa razão, hoje e sempre, nós nos unimos aos anjos e a todos os santos, cantando (dizendo) a uma só voz:

 

Santo, Santo, Santo...

 

 

O Pai manifesta a missão do Filho

 

À margem do rio Jordão, João Batista prega a conversão dos pecados como meio para se receber o reino de Deus que está próximo. Jesus entra na água, como todo o povo, para ser batizado. Para os judeus, o batismo era um rito penitencial; por isso, aproximavam-se dele confessando seus pecados. Entretanto, o que Jesus recebe não é só um batismo de penitência; a manifestação, do Pai e do Espírito Santo dão-lhe um significado preciso. Jesus é proclamado "filho bem-amado" e sobre ele desce o Espírito que o investe da missão de profeta (anúncio da mensagem da salvação), sacerdote (o único sacrifício agradável ao Pai), rei (messias esperado como salvador).

 

O batismo de Cristo é o "nosso batismo"

A redação dos evangelistas procura apresentar o batismo de Jesus como batismo do "novo povo de Deus", o batismo da Igreja. No livro do Êxodo, Israel é o filho primogênito, que é libertado do Egito para servir a Deus e oferecer-lhe o sacrifício (Ex 4,22); é o povo que passa entre os diques de água do mar Vermelho, e no caminho enxuto através do rio Jordão.

 

Cristo é o "filho bem-amado" que oferece o único sacrifício agradável ao Pai; Cristo, que "sai da água" é o novo povo libertado, e a libertação é definitiva; o Espírito não só desce sobre Cristo, mas permanece sobre ele. O Espírito, que depois do pecado não tinha mais morada permanente entre os homens (Gn 6,3), agora permanece para sempre em Cristo e na Igreja que é seu complemento.

 

A missão de Cristo tem sua imagem na do Servo sofredor de Isaias (2ª leitura). O "Servo de Javé" é aquele que carrega os pecados do povo. Em Cristo, que se submete a um ato público de penitência (confissão dos pecados e batismo), vemos a solidariedade do Pai, Filho e Espírito Santo com a nossa história. Jesus não se distancia da humanidade pecadora; é um homem com os homens; vindo a uma humanidade pecadora, identifica-se com ela, mas não é pecador. Não confessa os seus pecados, mas confessa por nós. A universalidade de sua confissão e a santidade de sua existência fazem com que a velha humanidade passe a uma humanidade renovada.

 

Na descoberta do próprio batismo

Os fiéis que nasceram e viveram na fé da Igreja têm necessidade de redescobrir a grandeza e as exigências da vocação batismal. É paradoxal que o batismo, fazendo do homem um membro vivo do Corpo de Cristo, não esteja bem presente na consciência explícita do cristão e que a maior parte dos cristãos não considere o ingresso na Igreja, através da iniciação batismal, como o momento decisivo de sua vida. O batismo nos foi dado em nome de Cristo; põe-nos em comunhão com Deus; integra-nos na Família de Deus; é um novo nascimento; uma passagem da solidariedade no pecado à solidariedade no amor; das trevas e solidão ao mundo novo da fraternidade.

 

Uma nova sensibilidade para com o batismo foi suscitada na Igreja pelo Espírito; hoje, mais do que nunca, nas comunidades cristãs, apresenta-se a vida cristã como viver o seu batismo"; e se manifesta mais intensamente nos adultos a necessidade de repercorrer os caminhos do próprio batismo, através de um "catecumenato" feito de profunda experiência comunitária e sério conhecimento da Escritura.

 

O batismo de nosso filho

É um problema bastante debatido, não só pelo valor e eficácia do batismo dado à criança, quanto por sua oportunidade na sociedade atual. Entramos numa época de pós-cristandade, caracterizada pelo pluralismo e valores de fraternidade e responsabilidade pessoal. A família não tem mais a influência determinante de outros tempos; os pais não estão em condições de fazer opções definitivas pelos filhos. Mais ainda, as estatísticas e a experiência afirmam que grande quantidade das crianças batizadas não são depois, de fato, suficientemente instruídas e educadas na fé cristã. Os motivos que levam certos pais a buscar o batismo de seus filhos podem ser a conveniência social, a tradição familiar e o medo supersticioso.

 

A solução do problema não é fácil, e as experiências atuais podem dar origem a embaraços, perplexidades, recusa. Convém inserir o problema no quadro de uma "pastoral de conjunto", que tenda para a renovação da catequese batismal em toda a Igreja, e particularmente a um catecumenato de toda a família do batizando. O que importa não é marcar a data do batismo, mas percorrer um caminho de fé. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

 

Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado

 

“Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado (Mt 3, 17). Este é o que, sem se afastar do meu seio, ocupou também o seio de Maria; que permaneceu inseparavelmente em mim e nela se encontrou não circunscrito; que está indivisivelmente nos céus e também habitou nas entranhas da Virgem intacta.”

 

“Não são dois filhos, um meu, outro de Maria, como não é um o que repousou no presépio e outro o que os Magos adoraram. Não é um o que foi batizado e outro o que não precisa de batismo. Sim, este é o meu Filho: o mesmo que é pensado pela mente e visto pelos olhos; o mesmo que é invisível e é visto por vós; eterno e temporal; o mesmo que me é consubstancial pela divindade e consubstancial a vós pela humanidade em tudo, exceto no pecado.”

 

“Ele é o meu Mediador e o de seus servos, que sois vós; pois por si mesmo une a mim os que me ofenderam. Este é o meu Filho e o Cordeiro, sacerdote e vítima: o mesmo que oferece e é oferecido, que se faz vítima e recebe o sacrifício.”

 

Tais coisas o Pai testificou do seu Unigênito após o batismo no Jordão. Quando, porém, Cristo se transfigurou no monte diante dos discípulos, e sua face emitiu um brilho tal que ofuscava os raios de sol, então de novo o Pai fez ouvir a sua voz: Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o! (Mt 17, 5).

 

Se ele disser: Eu estou no Pai e o Pai em mim (Jo 14, 11), ouvi-o. Se disser: Quem me vê, vê o Pai (Jo 14, 9), ouvi-o, pois estará dizendo a verdade. Se disser: O Pai, que me enviou, é maior do que eu (Jo 14, 28), atribua-se essa palavra ao seu estado de condescendência. Se disser: Isto é meu corpo que é dado por vós para o perdão dos pecados (cf. Lc 22, 19), considerai que é o seu próprio corpo que ele vos mostra, considerai que ele faz seu o que assumiu de vós, e que em vosso favor é partido. Se disser: Isto é o meu sangue (Mt 26, 28), compreendei que é o sangue daquele que vos fala e não de nenhum outro.

 

Deus nos chamou para a paz e não para a rixa. Permaneçamos em nossa vocação. Reverenciemos com tremor a mística mesa, junto à qual participamos dos celestes mistérios. Não sejamos ao mesmo tempo convivas e traidores uns dos outros, aqui companheiros de comunhão e lá fora ardendo em discórdia, para que o Senhor não diga de nós: Filhos, fiz crescer e prosperar, nutrindo-os com minha própria carne, eles porém se rebelaram contra mim (Is 1, 2).

 

Que o Salvador de todos, o Autor da paz, conceda tranqüilidade às suas igrejas, conserve esta grei sagrada e a proteja como Pastor. Ele congrega em seu redil as ovelhas errantes, para que haja um só rebanho e um só Pastor, ao qual sejam dadas a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. [Das Homilias de São Gregório de Antioquia, bispo; Homilia 2 De Baptismo Christi: 5, 6, 9, 10 (Patrologia Grega 88, 1875-1879.1882-1883). Texto obtido em www.osb.org.br]

 

Dia do Fico

O Dia do Fico deu-se em 9 de janeiro de 1822 quando o então príncipe regente D. Pedro de Alcântara foi contra as ordens das Cortes Portuguesas que exigiam sua volta a Lisboa, ficando no Brasil.

 

Por volta de 1821, quando as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa mostraram a idéia de transformar o Brasil de novo numa colônia, os liberais radicais se uniram ao Partido Brasileiro tentando manter a autoridade do Brasil. As Cortes mandaram uma nova decisão enviada para o príncipe regente D. Pedro de Alcântara. Uma das exigências era seu retorno imediato a Portugal.

 

Os liberais radicais, em resposta, organizaram uma movimentação para reunir assinaturas a favor da permanência do príncipe. Assim, eles pressionariam D. Pedro a ficar, juntando 8 mil assinaturas. Foi então que, contrariando as ordens emanadas por Portugal para seu retorno à Europa, declarou para o público: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico".

 

A partir daí, D. Pedro entrou em conflito direto com os interesses portugueses, para romper o vínculo que existia entre Portugal e o Brasil.

 

Este episódio prenunciou a declaração de independência do Brasil que viria a ser proclamada em 7 de setembro de 1822. (Wikipédia)