Domingo, 8 de fevereiro de 2009
Quinto do Tempo Comum, Ano B, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica verde
Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94, 6-7)
Santos do Dia: Dionísio, Emiliano e Sebastião (monges mártires da Armênia), Elgiva (abadessa, virgem), Estêvão Cuénot (bispo, mártir), Estêvão de Grandmont (abade), Honorato de Milão (bispo), Jacoba de Settesoli (franciscana terciária), Jerônimo Emiliani (presbítero) ,João Carlos Cornay (mártir de Tonkin), João da Mata (presbítero, fundador da Ordem dos Trinitários), Josefina Bakhita (virgem), Juvêncio de Pavia (bispo), Niceto de Besançon (bispo), Paulo, Lúcio e Ciríaco (mártires de Roma), Paulo de Verdun (monge, bispo), Pedro Igneus (bispo, cardeal), Quinta da Alexandria (virgem, mártir), Isaías de Cracóvia (agostiniano, bem-aventurado)
Oração: Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
A liturgia do dia: O projeto de Deus para o homem não é um projeto de morte, mas é um projeto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.
I
Leitura: Jó (Jó 7, 1-4.6-7)
Minha vida é apenas um sopro
Jó disse: 1"Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um mercenário? 2Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, 3assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. 4Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.
6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. 7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade! Palavra do Senhor!
Salmo:
146(147A), 1-2.3-4.5-6
Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações)
1Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom, cantai ao nosso Deus, porque é suave: ele é digno de louvor, ele o merece! 2O Senhor reconstruiu Jerusalém, e os dispersos de Israel juntou de novo.
3Ele conforta os corações despedaçados, ele enfaixa suas feridas e as cura; 4fixa o número de todas as estrelas e chama a cada uma, por seu nome.
5E grande e onipotente o nosso Deus, seu saber não tem medida nem limites. 6O Senhor Deus é o amparo dos humildes, mas dobra até o chão os que são ímpios.
II
Leitura: Carta de S.Paulo aos Coríntios (1Cor 9, 16-19.22-23)
Ai de mim se eu não pregar o evangelho!
Irmãos: 16Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. E antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho!
17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.
22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. Palavra do Senhor!
Evangelho: Marcos (Mc 1, 29-39)
Devo pregar também ali, foi para isso que eu vim
Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.
32A tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: "Todos estão te procurando". 38Jesus respondeu: "Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim". 39E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. Palavra da Salvação!
Enfermidade e cura [1]
A enfermidade e o sofrimento que acompanham nossa vida geram um estado de temerosa insegurança. Encarnam a fraqueza e a fragilidade humana, sujeitas à eventualidade do inesperado e do imprevisível. Esta condição humana contrasta com o desejo de absoluto, de estabilidade e de segurança que pervade todo homem, e torna a existência do homem pouco desejável (1ª leitura).
O homem apresentado pela Bíblia também anda à procura da causa desta situação. Num mundo onde a realidade é continuamente referida a Deus, a doença e as desgraças não são exceção: São vistas como um golpe de Deus que fere o homem. Por um movimento espontâneo, o senso religioso do homem estabelece uma ligação entre doença e pecado, mais no plano coletivo que no pessoal.
Sofrer não é pagar uma pena
À medida que se torna mais profunda a fé de Israel, surgem interpretações mais complexas. A enfermidade não está necessariamente ligada a um pecado pessoal; pode ser também uma provação providencial enviada por Deus para consolidar a fidelidade de seus amigos. É o caso de Jó. Mais profundamente ainda: a doença aparecerá um dia como meio de purificação das faltas, e freqüentemente como meio de afirmação do Espírito sobre a matéria. A reflexão messiânica fará eco a esta concepção; o Messias, que inaugurará os últimos tempos, terá o aspecto do Servo sofredor que toma sobre si nossas enfermidades e as cura por suas feridas. Quando chegarem os últimos tempos, e o Espírito de vida houver renovado a terra, a doença desaparecerá definitivamente. Quando os profetas descrevem o advento do Reino, falam de cura das doenças incuráveis: os coxos andarão, os cegos recuperarão a vista etc...
A cura é um sinal
Por isso, a libertação dos endemoninhados e a cura dos doentes, operadas por Cristo, são sinal de que chegaram os últimos tempos e de que o Reino de Deus está no meio de nós (evangelho). A cura não é o ato de um taumaturgo, mas o ato do salvador dos homens; é, de certo modo, a antecipação da vitória decisiva, da qual já participa aquele que crê; a vitória do homem novo que, sob a ação do Espírito Santo, faz com que todas as coisas voltem à sua verdade, conforme o desígnio do Pai. A cura das doenças toma então o valor de sinal; orienta nosso olhar para uma restauração global do homem e do cosmos; torna-se um momento da ação salvífica de Cristo; significa a cura radical que toda a criação alcança em Cristo.
Um novo modo de pedir a Deus
A experiência de uma enfermidade ou de uma situação de perigo pertence à da bagagem de todo homem. Numa sociedade secularizada não existe o dilema entre dirigir-se ao médico ou recorrer à oração e acender uma vela. Isto não quer dizer que tenha desaparecido a religiosidade ou que seja sintoma de ateísmo. Talvez se tenha simplesmente mudado o modo de encontrar-se com Deus.
O mundo foi confiado ao homem para que o transforme, construindo uma realidade sempre mais humana através da ciência e da organização social, que constituem o instrumento e as modalidades de transformação. Esta tarefa se insere no quadro da relação Deus-homem e a ciência se torna seu lugar de encontro. E o é porque o homem, enquanto artífice no meio das realidades terrestres, se torna colaborador de Deus, e a ciência é a nova síntese baseando-se nos elementos do "criado-por-Deus". A ciência, pois, longe de afastar de Deus, aproxima mais profundamente dele, pelo respeito ao homem.
No quadro da fé, Cristo é libertador-vencedor da morte por sua ressurreição. Sua vitória é radical, mas em estado potencial. Cabe ao homem "novo" tornar consistente esta vitória de Cristo. Vencer a doença pela pesquisa científica significa "viver a ressurreição de Cristo". A libertação da moléstia, que a ciência realiza, assume uma significação particular no contexto do símbolo da libertação radical. Debelar uma enfermidade, eliminar uma praga social, é símbolo-sacramento da libertação para a qual o Pai conduz a humanidade.