Domingo, 7 de março de 2010

Terceira Semana da Quaresma - 3ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia do Fuzileiro Naval

 

Santos do Dia: Perpétua e Felicidade, Paulo (o Simples, 339DC), Dráusio (674DC), Istervino (686DC, abade), Ardo (843DC), Teofilato (845DC, bispo de Nicomédia), Margaret Kekeux (1916DC, virgem, franciscana da terceira ordem, Bélgica) e Saturnino

 

Antífona: Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho infeliz.  (Sl 24, 15-16)

 

Oração do Dia: Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 3, 1-8a.13-15)

O “Eu sou” enviou-me a vós

 

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiá. Levou um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo: 3”Vou aproximar-se desta visão extraordinária, para ver porque a sarça não se consome". 4O Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: "Moises! Moisés!" Ele respondeu: "Aqui estou". 5E Deus disse: "Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa". 6E acrescentou: "Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de lsaac e o Deus de Jacó". Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus.

 

7E o Senhor lhe disse: "Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. 8aDesci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel. 13Moisés disse a Deus: "Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: 'O Deus de vossos pais enviou-me a vós'. Mas, se eles perguntarem: 'Qual é o seu nome?' o que lhes devo responder?" 14Deus disse a Moisés: "Eu sou aquele que sou". E acrescentou: "Assim responderás aos filhos de Israel: 'Eu sou enviou-me a vós'". 15E Deus disse ainda a Moisés: "Assim dirás aos filhos de Israel: 'O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de lsaac e o Deus de Jacó, enviou-me a vos. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração.” Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 102(103), 1-2.3-4.6-7.8 e 11 (R/.8a)

O Senhor é bondoso e compassivo

 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.

 

O Senhor realiza obras de justiça e garante o direito aos oprimidos; revelou os seus caminhos a Moisés e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

 

O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Quanto os céus por sobre a terra se elevam tanto é grande o seu amor aos que o temem.

 

 

II Leitura: I Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 10, 1-6.10.12)

Quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair

 

1lrmãos, não quero que ignoreis o seguinte: os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; 2todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; 3e todos comeram do mesmo alimento espiritual, 4e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava - e esse rochedo era Cristo -. 5No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto. 6Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 13, 1-9)

Convites providenciais à penitência

 

1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. 2Jesus lhes respondeu: "Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, senão vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo". 6E Jesus contou esta parábola: "Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: 'Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?' 8Ele, porém, respondeu: 'Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás". Palavra da Salvação!

 

 

Deus não vos salva sem nós

 

A notícia de dois fatos (algumas mortes numa revolta contra os romanos e o desmoronamento de uma torre que sepulta algumas pessoas) dão a Crista ocasião de falar que o juízo de Deus virá repentinamente. Não só será imprevisto, mas cairá sobre quem menos o espera.

 

Às vezes nos admiramos do lugar que a morte ocupa no anúncio do Reino; muitos ateus, e até mesmo cristãos, censuram a Igreja por essa espécie de complacência no servir-se do pavor da morte para levar os homens à conversão.

 

No entanto, a morte não deveria ser causa de pavor; é, antes, um “sinal” que todo homem deve forçosamente interpretar. O convite do Cristão a fazer penitência não é um convite a preparar-se às pressas para entrar na outra vida. A penitência consiste exatamente em consentir em morrer, e isto é, para todos os homens, a prova mais decisiva de sua condição de criatura.

 

A conversão, ato livre do homem

 

A urgência da conversão por causa da proximidade do juízo de Deus, que os sinais dos  tempos  continuamente  nos evocam, é a nossa resposta à experiência do Deus que  vem  fazer-nos sair do Egito, que vem ajudar-nos a encontrar nossa identidade de homens. Ele ouve o clamor do seu povo e manda Moisés "libertá-lo das mãos dos egípcios e fazê-lo sair daquele país para uma terra boa e espaçosa" (1ª leitura). Um povo libertado é um povo em conversão. Uma conversão contínua. Assim como não foi suficiente ao povo de Israel, para ser fiel a Deus, passar o mar Vermelho, alimentar-se do maná e matar a sede com a água do rochedo (de fato, insurgiram-se contra Deus e foram castigados), também a nós, novo povo de Deus, não basta sermos batizados e termos participado da mesa do corpo e sangue de Crista, para entrarmos no reino da promessa (2ª leitura). A vida do povo no deserto, no tempo de Moisés, admoesta Paulo, foi escrita para nossa correção. A palavra de Deus quer, portanto, provocar-nos à conversão, e a urgência desse apelo assume em Crista uma tonalidade particular: ele é a misericórdia do Pai; é mais uma ocasião oferecida ao homem para fazer penitência. O tempo do Cristo é o tempo da paciência do Pai. Deus não impõe prazo fixo. Um longo passado de esterilidade não impede, pois, a Deus, de dar mais uma oportunidade à figueira. Não se trata de fraqueza, mas de amor.

 

A conversão, ato comprometedor

 

O risco é de subestimar as exigências desse ato e limitá-lo a gestos que só nos atingem superficialmente, deixando intacto o nosso íntimo. Conversão é um exame profundo de si mesmo e da direção que tem tomado a própria vida. Implica numa “mudança de direção". É uma passagem da fé aceita passivamente, fé herdada, a uma fé ativamente conquistada, como resposta ao dom de Deus e à intervenção do Espírito em nossa vida. É ruptura com uma mentalidade voltada para o pecado, para valores puramente humanos, para a autossuficiência e o orgulho, a fim de aderir aos sinais de penitência não apenas rituais. Conversão é, sobretudo, adesão ao Reino que vem e compromisso com ele; é atitude de pobre, de pequenino, de servo, de filho; é autenticidade de comportamento contra qualquer desacordo entre fé e vida. Deus nos espera nesse instante decisivo. Espera da nossa fé um ato viril, a plena e consciente aceitação do nosso destino: pede-nos que o assumamos livremente. Ninguém pode fazê-lo em nosso lugar, nem mesmo Deus.

 

A conversão, ato que custa

 

O caminho de conversão pode levar a opções dilacerantes e que transtornam. Há situações em que não é fácil agir ou é impossível voltar atrás. Há opções, como a de quem se divorciou, ou de quem rompeu com a Igreja ou com a vida religiosa, que não podem ser facilmente modificadas; um concubinato com filhos, que não se pode solucionar com o matrimônio; uma inesperada e não desejada maternidade; o não estar psicologicamente preparada para aceitar um filho; um viciado em drogas; uma grande injustiça sofrida; um comportamento habitual de desconfiança entre marido e mulher, entre país e filhos; o conflito entre famílias, uma vingança levada além das próprias intenções. No entanto, sempre e em todos os casos, é válido o apelo à conversão. É um caminho longo e difícil. Caminho que dilacera o coração e exige o respeito e o auxilio de toda a comunidade. Exige a compreensão dos que sabem que essas opções nem sempre dependem das pessoas, e que certas situações podem vir a ser a de qualquer um de nos. Cristo não permitiu que se arrancasse uma árvore aparentemente estéril. Um germe de vida nova é possível em toda primavera. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

A Paciência

 

A vitória é fruto de um trajeto de espera, de paciência e de certezas. É uma via de alegrias e tristezas, de ânimos, desânimos, mas que não pára por isto. Uma força positiva se faz sempre presente, não deixando que tudo termine antes da hora. Assim acontece na quaresma, num caminho de paciência e de conversão, na espera da inauguração do Reino proposto por Deus. Em sintonia com a Campanha da Fraternidade, esse Reino é constituído pela prática de uma economia de solidariedade. O mundo é chamado a cuidar da natureza, a valorizar a vida como o bem mais precioso. Isto só acontece quando temos em mente o verdadeiro sentido e valor da pessoa humana, que deve ser preservada como imagem e semelhança do Criador. Não podemos eliminar a vida só porque ela é improdutiva, ou porque vive na situação de sofrimento. A atitude deve ser de solidariedade e paciência, levando em conta que “quem pensa estar de fé tome cuidado para não cair”. No mundo, ninguém é melhor do que o outro. Todos nós devemos produzir frutos bons, cada um dentro de suas condições, mesmo levando consigo alguns traços de egoísmo e de falta de amor. É por isto que na quaresma se diz que “todos devemos converter-nos sempre”. A celebração da Páscoa exige de nós pureza de coração e eliminação do orgulho, ambição, inveja, exploração, intenções ambíguas, traição e tudo aquilo que mancha nosso ser é o nosso fazer. É realmente um caminho paciente de purificação do coração. Nem sempre somos tão pacientes como acontece com a ação de Deus na História da Salvação. Temos em nós a presença do trigo e do joio, atitudes boas e más. O tempo é de purificação e de luta pela realização daquilo que gera e promove a vida. Celebrar Quaresma e Páscoa é dar sempre passos de paciência pedagógica como oportunidade de reflexão e de retomada solidária, reconhecendo a ação de Deus em nós e a possibilidade da nossa busca da perfeição, facilitando uma vida mais feliz. (Dom Paulo Mendes Peixoto, CNBB)

 

Para refletir durante a terceira semana da Quaresma

 

1.     O Senhor é Deus dos oprimidos e profundamente sensível ao sofrimento do seu povo. Confiar e entregar-se ao Senhor é libertar-se da escravidão. O que lhe torna escravo no mundo atual? O dinheiro, a cobiça, o preconceito, a falta de humildade, o desamor?  O Agricultor, Jesus, quer adubar a figueira: você! Quanto durará a sua conversão? 3 anos, uma vida inteira? A decisão é agora, pois pode não haver o amanhã: converter-se e crer no Evangelho é a meta; é a via de mão única que levará você à sua salvação (os frutos)!

2.     Todas as tragédias contemporâneas não são castigo de Deus pois Ele é o sumo bem, como já dizia São Francisco de Assis.  Não aceitar o projeto do Criador é andar na contramão, isto é, é destruir-se a si próprio. Os que não buscam o Senhor como uma opção única de vida “tornam-se cúmplice de mortes e são construtores da própria desgraça”. Deus não castiga; nós é que buscamos sair da área do conforto espiritual para a área do bem estar material, e então ficamos à nossa própria sorte. Considerando-se que a nossa vida de peregrinos é relativamente breve, mesmo que vivamos um século, o que você tem feito para deixar o Agricultor adubar os seus caminhos? Tem buscado a piedade do Senhor? Já refletiu sobre o verdadeiro sentido da Quaresma?

3.     Jesus aposta em você. Ele lhe ama, ele é Fiel. A solidariedade do Senhor requer uma contrapartida sua. Não repetir o passado desastroso dos israelitas da época é o desafio (cobiça, idolatria, etc). Se você está em situação de pecado ou se sente fracassado, jamais deixe de buscar a misericórdia do Senhor, que lhe ama, apesar de tudo. Nesta Quaresma, o que você tem feito para provocar uma mudança radical na sua vida?

4.     O Senhor perdoa toda a sua culpa e cura toda a sua enfermidade, basta procurá-lo. Reflita bem sobre os versículos 8 e 11 do Salmo 103 (ultima estrofe do Responsorial de hoje). Pense bem durante esta semana: ser cristão é ser movido pelo amor e pela caridade. A partir desta Quaresma como você pretende praticar o Amor Cristão, conforme 1Cor 13, 1-13? [Guarde bem esta passagem bíblica, pois a sua mudança pode começar por aqui!