Domingo, 6 de março de 2011

Nono do Tempo Comum, Ano “A”, 1ª Semana do Saltério, Livro III, cor, Litúrgica Verde

 

Santos: Longinho (mártir), Matrona (virgem e mártir), Zacarias (papa), Lucrecia ou Leocricia (virgem e Mártir), Guilherme Hart (mártir e beato), Luisa de Marillac (viúva), Clemente-Maria Hofbauer, Plácido Riccardi (beato), Menigno, Nicandro (Egito) e Pedro de Malines (Servo de Deus, confessor franciscano da primeira ordem).

 

Antífona: Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24,16.18)

 

Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Deuteronômio (Dt 11,18.26-28.32)

Exortação a viver a Aliança

 

Moisés falou ao povo dizendo: 18”Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma; amarrai-as, como sinal, em vossas mãos e colocai-as como faixas sobre a testa. 26Eis que ponho diante de vós bênção e maldição; 27a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo; 28a maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho que hoje vos prescrevo, para seguirdes outros deuses que não conhecíeis. 32Tende, pois, grande cuidado em cumprir todos os preceitos e decretos que hoje vos proponho”. Palavra do Senhor!

Comentando a I Leitura

Educar-se na palavra de Deus

 

Esse texto faz parte do segundo discurso de Moisés (Dt 4,44-11,31). Nele encontramos a promulgação do Decálogo, com forte motivação para a prática da Lei como garantia de bênção para o povo na terra prometida. É um conjunto de prescrições que orientam a vida moral, social e religiosa da comunidade israelita na fidelidade à aliança com Deus. As promessas e os perigos anunciados visam despertar a consciência de cada pessoa a fim de que a fé em Deus libertador se transforme em prática coerente com o seu projeto.

 

O cuidado com a palavra de Deus deve marcar o cotidiano da vida de cada pessoa, a partir de sua própria casa. Entre os judeus, a fim de proporcionar a permanente lembrança dessa palavra, eram usados meios físicos, como pequenos recipientes amarrados entre os olhos com trechos da Sagrada Escritura. Porém, não poderia ser apenas um sinal externo: deveria penetrar o coração e a alma. Isto é, o ser inteiro deve imbuir-se da vontade de Deus manifestada em sua Lei.

 

A Palavra deve também ser fonte essencial para a educação dos filhos. O israelita, portanto, desde criança, aprendia a crescer e a se orientar na vida conforme as prescrições legais. A Lei constituía, para o israelita – de modo especial na época do pós-exílio, quando o Deuteronômio recebeu a sua redação final –, o meio identificador do povo de Deus. Era o código moral que devia perpassar por todas as áreas da vida. As desgraças, os exílios e outros males sociais eram interpretados como consequências da infidelidade à Lei de Moisés. A bênção de Deus estava vinculada com a prática dos mandamentos. Compreende-se, então, a importância da firme decisão de seguir a Deus que se revelou na história do povo de Israel. Não pode haver neutralidade: ou se está a favor ou contra. Quem se posiciona a favor de Deus pode esperar a sua bênção. Quem se coloca contra, prepare-se para a maldição.

 

O texto termina com a frase que conclui todo o discurso: “Cuidem de pôr em prática todos os estatutos e as normas que hoje coloco diante de vocês” (Dt 11,32). A fé em Deus deve traduzir-se num comportamento ético coerente com a sua vontade. É condição para uma vida de paz e de justiça. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Salmo: Sl 30(31),2-3a.3bc-4.17.25 (R.2.3b)[1]

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!

 

2Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! 3aPorque sois justo, defendei-me e libertai-me apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!

 

3bSede uma rocha protetora para mim, cum abrigo bem seguro que me salve! 4Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-me e conduzi-me!

 

17Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão! 25Fortalecei os corações tende coragem, todos vós que ao Senhor vos confiais.

 

II Leitura: Romanos (Rm 3,21-25a.28)

       O homem é justificado pela fé

 

Irmãos: 21Agora, sem depender do regime da Lei, a justiça de Deus se manifestou, atestada pela Lei e pelos Profetas; 22justiça de Deus essa, que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que têm a fé. Pois diante desta justiça não há distinção: 23todos pecaram e estão privados da glória de Deus, 24e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo. 25aDeus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé. 28Com efeito, julgamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei judaica. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

 O Espírito Santo liberta e vivifica

 

São Paulo tinha sido um fariseu, zeloso cumpridor da Lei. O seu encontro com Jesus Cristo no caminho de Damasco transformou sua vida. Teve a experiência da gratuidade do amor de Deus, com base na qual vai processando novas e profundas convicções. O cumprimento da Lei já não constitui o caminho da justificação. As verdadeiras obras nascem da fé em Jesus Cristo. Deus ofereceu ao mundo o seu próprio Filho para que todos os que nele acreditam tenham a vida plena. É, portanto, por meio da pessoa de Jesus que se processam a santificação e a salvação da humanidade. Somos todos pecadores e impossibilitados de nos redimir pelos nossos próprios méritos. A salvação nos vem gratuitamente de Deus por meio de Jesus Cristo, que entregou sua vida pela redenção do mundo. Com Jesus, inicia-se definitivamente a era da graça divina. Mergulhar nela é viver como novas criaturas. A fé, portanto, não é atitude passiva; ela impulsiona à prática do amor a ponto de dar a vida pelos irmãos, como nos ensinou Jesus. São Paulo entende, então, que a Lei escraviza e mata, enquanto o Espírito Santo liberta e vivifica. A santidade, manifestada historicamente em Jesus Cristo, torna-se possibilidade concreta para todas as pessoas de fé. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

Evangelho: Mateus (Mt 7,21-27)

       Ouvir a Palavra e pô-la em prática, eis o desafio!

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21Nem todo aquele que me diz: `Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Naquele dia, muitos vão me dizer: `Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?' 23Então eu lhes direi publicamente: `Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal. 24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!'Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Lc 6,39-42; 13,25-27

 

 

Comentando o Evangelho

A casa edificada sobre a rocha

 

Esse texto é conclusivo do sermão da montanha (Mt 5-7). São instruções de importância vital para as comunidades cristãs. Mateus chama a atenção para o perigo de usar a palavra de Deus como meio de projeção pessoal. A pregação consistiria, então, numa estratégia para a fama de quem prega, ficando em segundo plano a coerência e a fidelidade com a Palavra anunciada. A pregação é necessária para o conhecimento e a vivência do evangelho. Os anunciadores devem ser servos da Palavra, e não o contrário.

 

É possível que pregadores possam realizar curas, expulsar demônios e demonstrar maravilhas aos olhos do mundo. Jesus, porém, previne que essas “maravilhas” podem não corresponder à vontade de Deus. Podem declarar que Jesus é o “Senhor”, porém não passam de mera confissão externa. São falsos profetas por não estarem a serviço do reino dos céus.

 

Baseado nos fenômenos da natureza, Jesus fundamenta seu ensinamento numa das lições rabínicas da época: “A quem pode ser comparado aquele que atua muito e estuda fervorosamente a Lei? A um homem que fundamenta sua casa em alicerce de pedra. Se vier uma grande inundação, não o abate. Mas quem não faz nenhuma obra boa se assemelha a um homem que, ao construir, coloca no alicerce tijolos de barro” (Rabi Elisha). Sendo o Evangelho de Mateus dirigido especialmente para os judeus cristãos, a parábola já existente na literatura judaica contribui para a compreensão ainda mais profunda da vida coerente com a Palavra.

 

De fato, ouvir e praticar a Palavra são dois aspectos ligados ente si. A Palavra viva no meio das comunidades é o próprio Jesus Cristo. Portanto, ouvir e praticar a Palavra significa seguir a pessoa e a proposta de Jesus; é deixar-se moldar por ela e orientar a vida segundo a vontade divina. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

A Palavra se faz oração (Missal Dominical)

A palavra do Senhor nos obriga a responder concretamente, com fatos. Peçamos ao Pai para que nos dê a força e a coragem de viver sua palavra nas opções da vida cotidiana. Senhor, escutai-nos.  

 

-Pelos pastores da igreja, para que não se deixem seduzir pela tentação do número, do sucesso e da eficiência, mas se lembre de que a Igreja nasceu do lado aberto de um Deus crucificado, rezemos.

-Pelo povo cristão, para que se recorde de que o amor não se mede por palavras e declarações oficiais, mas por fatos e opções concretas, rezemos.

-Pelos jovens, para que construam seu futuro sobre a rocha firme da palavra de Deus e não sobre a areia das modas passageiras do tempo, rezemos.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Confiados, ó Deus, no vosso amor de pai, acorremos ao altar com nossas oferendas; dai-nos, por vossa graça, ser purificados pela Eucaristia que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Em verdade eu vos digo: o que pedirdes em oração crede que o recebereis, e vos será concedido, diz o Senhor. (Mc 11,23.24)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, governai pelo vosso Espírito aos que nutris com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Dai-nos proclamar nossa fé não somente em palavras mas também na verdade de nossas ações, para que mereçamos entrar no reino dos céus. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

 

 

 

Dizer e fazer

 

O tema dos dois caminhos é tão antigo como a Sagrada Escritura (1ª Leitura). A experiência nômade do povo de Israel está na origem desse tema: Israel, de fato, foi constantemente chamado a escolher entre o caminho que leva à meta e o que leva à dispersão e à idolatria. Um vocabulário que se baseia totalmente no termo “caminho” exprime a experiência do povo eleito: extravio, pedra de tropeço, conversão ou volta ao caminho certo, guia que indica a estrada e pegadas seguida pelo povo.

 

Os dois caminhos

 

O tema dos dois caminhos se encontra no Novo Testamento mais espiritualizado, mas não menos exigente. O cristão deve escolher entre o “caminho estreito”, que coincide com o plano de Deus e o “caminho largo” que não se preocupa com Deus; entre Deus e Mamon, entre o Espírito e a carne, entre a vida e a morte, entre a luz e as trevas...

 

Os primeiros cristãos, denominando Cristo e a Igreja com o termo “caminho”, manifestavam sua vontade de deixar o caminho de dispersão para confiar-se a Jesus como guia às indicações de sua Palavra é a economia sacramental da Igreja.

 

O evangelho, na conclusão do sermão da montanha, exprime, de outra forma, o tema dos dois caminhos, das duas atitudes diante da palavra de Deus. Encontra sua unidade na palavra “fazer”, “por em prática”. É preciso “fazer” a vontade do Pai que está nos céus (v.21), “por em prática” as palavras ouvidas (tema da parábola dos dois filhos: Mt 21,28-30). A parábola das duas casas construídas sobre a rocha ou sobre a areia também trata da oposição entre “ouvir” apenas e “por em prática”. Não concreta sem empenho ativo (fazer e não só falar).

 

Como são numerosos, mesmo no povo de Deus, os hábeis oradores, os profetas inúteis, os sábios exegetas... e quão poucos os cristãos empenhados, comprometidos com os problemas, dispostos a dar até a vida pelo que dizem!

 

O teste da vida cristã

 

O teste não está no plano das palavras, das veleidades ou boas intenções. De fato, só a palavra não é suficiente; é fugaz, sutil, traiçoeira; seduz e oculta, ilude e sugestiona. A medida do teste está no “fazer”. A ação é mais facilmente controlável, confronta-se inevitavelmente com as coisas e os acontecimentos, revela o que se é de fato. A ação pode falhar, mas dificilmente consegue ocultar seu insucesso. Os fatos são testemunho público; julgam-nos pelo que somos, nos absolvem ou nos condenam muito mais do que nossas palavras. As ações são, antes, um teste das nossas palavras. No entanto, pode-se trapacear de dois modos: elaborando palavras vazias e declarações inúteis, ou acumulando ações sem alma. As ações e as obras também podem iludir e tornar-se ocasião de complacência farisaica, de segurança e ostentação. Se, por um lado, Jesus põe de sobreaviso os que se firmam nas palavras e estéreis invocações do nome de Deus, por outro, não poupa seus ais àqueles que confiam nas obras, que pensam ser salvos pelas “práticas” e pela observância vazia das Tradições e da Lei.

 

“A fé deve ser integrada na vida, isto é, a consciência do cristão não conhece fissuras; é profundamente unitária.

 

A dissociação entre fé e vida é grave risco para o cristão, principalmente em certos momentos da idade evolutiva, ou diante de certos compromissos concretos”

 

Nem verbalismo nem eficientismo

Se a nossa fé não pode ser reduzida ao “dizer”, a uma oração separada da vida, convém lembrar, entretanto, que ela não coincide tampouco com o “fazer”. Isto é lembrado especialmente hoje, quando tudo na sociedade nos leva a medir os valores, os acontecimentos e as pessoas na base do critério da eficiência, do sucesso, do lucro, da promoção na carreira profissional..., isto é, na base de um fazer que nada tem de evangélico. O agir do evangelho nada tem a ver com o conceito de eficiência e sucesso. Pelo contrário, frequentemente é um agir, do ponto de vista humano, coroado pelo insucesso e pelo malogro mais paradoxal. Humanamente falando, a vida de Cristo não termina no sucesso, mas com a mais humilhante falência: a condenação, o abandono dos discípulos, a morte infame na cruz. Mas é precisamente neste insucesso que o mistério da salvação e o triunfo da Páscoa lançam suas raízes. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

A pior casa

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 

Há muitos anos um mestre de obras trabalhava para uma firma de construções. Estava perto de se aposentar. Um dia recebeu  ordem para construir uma casa bonita, seguindo o projeto que achasse melhor, no lugar que também mais lhe agradasse e sem limites com os gastos. Logo deu início aos trabalhos. Pensou que podia aproveitar da grande confiança nele depositada. Por isso, decidiu usar materiais de péssima qualidade e trabalhadores incompetentes com salários mais baixos para conter os gastos. Ele ficaria com o dinheiro poupado na obra. Quando a casa ficou pronta, houve uma pequena festa, e o mestre de obras entregou ao presidente da firma a chave da porta principal. O presidente, sorrindo, devolveu-lhe a chave e disse, apertando-lhe a mão: - Querido amigo, esta casa é o nosso presente como sinal de gratidão e estima pelos anos que trabalhou conosco. Assim o mestre ficou com a pior casa que havia construído em toda a sua vida.

 

Com a página do evangelho deste domingo Jesus conclui o chamado discurso “do monte”. Muitas vezes ele repetiu: “Vós ouvistes o que foi dito” “Eu, porém, vos digo”. Ele tem consciência de que está propondo algo novo, um caminho para entrar no Reino dos céus, uma “justiça”- um agir amoroso - maior do que a dos escribas, dos fariseus, dos cobradores de imposto e dos pagãos. Todos esses ensinamentos devem ser praticados, devem ser vividos pelos seus seguidores. Com isso, Jesus nos lembra que ele não é um simples mestre da sabedoria humana ou um terapeuta para acalmar as nossas ansiedades. Ele quer ser o Senhor da vida dos seus discípulos que, por confiarem tanto na sua palavra, transformam-na em ações, em escolhas, em sentimentos e projetos concretos. Pouco ou nada vale a teoria, ou chamá-lo de Senhor, se a prática do dia a dia não corresponde às invocações. Ser cristãos não é simplesmente acolher e se empolgar com os pensamentos de Cristo, é procurar viver como ele viveu.

 

É neste sentido que entendo a parábola da casa construída sobre a rocha e a construída sobre a areia. Infelizmente assistimos a tantos deslizamentos de morros, a tantas vítimas de construções que desabam; ficamos receosos e nos perguntamos se a morada onde habitamos está mesmo segura ou se, por alguma falha no subsolo, por alguns erros de cálculo ou pelo material usado, ela também corre o perigo de desmoronar. Legítimas preocupações que, porém, podem ser resolvidas gastando algum dinheiro com as perícias de técnicos competentes e honestos. “Segurança e tranqüilidade” poderia ser um bom lema para uma construtora de imóveis.

 

O que dizer da nossa vida? Talvez nos preocupemos mais com a nossa casa, com quanto custou e podemos perder, do que com o sentido que damos ao nosso agir e conviver. Jesus aproveita o exemplo de um bem tão precioso e necessário para as nossas famílias, como a moradia, para nos alertar: perder uma casa é um grande prejuízo, mas perder o sentido da nossa vida, perceber que estamos construindo sobre o vazio, sobre ídolos ocos e modas passageiras é muito pior.

 

As tempestades da vida são quase as mesmas para todos: fracassos, incompreensões, decepções, doenças, solidão, o tempo que passa inexoravelmente. Confiar em Jesus é organizar a nossa vida segundo os critérios e as propostas dele, sobre uma palavra que nunca perde o valor, nunca passa, é firme como a rocha, fiel como Deus! Cabe a nós decidir em quem confiar: nas areias que as chuvas do tempo carregam ou na palavra de quem nos ama e quer o nosso bem nesta vida e na eternidade?

 

Voltando à pior casa, que o mestre de obras construiu, penso naquelas pessoas que experimentaram ou experimentam algum grave desastre nas suas vidas. Por exemplo: uma família destruída, um abandono nunca imaginado, um derrame irrecuperável, um acidente horrível, uma doença terminal. É possível recomeçar a construir tudo de novo em nossas vidas, também quando o tempo parece curto e as forças debilitadas? Com Jesus tudo é possível. Afinal todos somos os mestres de obras da nossa vida. Depende de como construímos e do material que usamos. Se acreditarmos será sempre melhor uma humilde casa construída sobre a rocha da palavra dele, do que uma mansão construída sobre a areia das humanas ilusões. [CNBB]



[1] Numeração dos Salmos: a numeração dentro do primeiro parêntese refere-se á anotação hebraica; a de fora segue a Nova Vulgata, adotada pela Igreja Católica e também usada pela Bíblia AVE-MARIA; as demais seguem a numeração inversa (Nova Vulgata dentro do parêntese). A numeração dos versículos (estrofes) é obtida no DIRETÓRIO LITÚRGICO DA CNBB, 2011; a numeração do segundo parêntese está relacionada ao versículo de resposta.